Por Publico,
O governo da Venezuela proibiu as notícias sobre a falta de alimentos
e outros bens e vai multar o canal de televisão Globovisión por ter
transmitido uma reportagem sobre o assunto.
Segundo a Comissão Nacional de Telecomunicações, a reportagem apresentada na rúbrica Caso de Investigação
sobre a falta de automóveis e de outros produtos é passível de provocar
problemas sociais, explicou o presidente da entidade, Pedro Maldonado,
citado pelo jornal espanhol El País.
A Globovisión pode
ser multada em 10% das suas receitas brutas de 2012. O canal já tinha
sido multado, há dois anos, em 7,5% das receitas brutas, por ter feito a
cobertura noticiosa de um motim na prisão de El Rodeo. Nessa altura, o
presidente do canal era um anti-chavista, Guillermo Zuloaga, mas,
entretanto, a Globovisión foi vendida a um grupo de empresários com
ligações ao regime de Caracas. Mas o governo do Presidente Nicolás
Maduro, que há cinco meses sucedeu a Hugo Chávez (que morreu de cancro),
considerou que a Globovisión foi longe de mais.
Maduro está em
guerra contra as forças internas e externas, que culpabiliza pela
escassez de alguns bens. Na Venezuela faltam muitos produtos, do leite
ao papel higiénicos, e Maduro diz que se trata de uma "guerra económica"
que tem como objectivo o estrangulamento da revolução bolivariana de
Chávez. A guerra, já explicou, é orquestrada a partir do exterior e tem a
colaboração interna da oposição e de agentes económicos
(“especuladores” e “açambarcadores”, chamou-lhes Maduro).
Para
perceber o mecanismo de produção do papel higiénico, a sua distribuição e
a origem da escassez, Maduro ordenou no mês passado a ocupação de uma
fábrica. O governo já gastou o equivalente a muitos milhares de euros a
importar papel higiénico e vai gastar uma boa parcela do seu orçamento a
comprar bens, sobretudo alimentares, ao exterior.
Agora, as
notícias sobre a escassez foram proibidas e Maduro — que pediu às
autoridades locais para estarem atentas e punirem os que as divulgarem —
diz querer vencer a "guerra económica" até ao fim deste mês de Outubro.
Caso
os mecanismos que provocam a escassez persistam, disse o Presidente num
discurso no sábado, os venezuelanos sabem o que fazer: devem assegurar
que a revolução bolivariana entra numa nova etapa.
"Vocês sabem o que fazer, sabem para onde devem ir... Tomar o poder em cada avenida, em cada estrada", disse.
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