Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de agosto de 2015

Por Margaretes,

"A missão do feminismo é buscar a total igualdade política e legal da mulher e do homem."

Camille Paglia

Há algum tempo li a seguinte frase, obviamente nas redes sociais, "o cavalheirismo é um machismo envernizado". Nunca mais esqueci essa frase porque ela me incomodou. Pouco depois recebi em casa um casal de amigos para almoçar, formado por uma mulher bastante tocada pelas sucessivas bandeiras sociais da web e um amigo de quem gosto muito. Ao ver que eu servia meu marido de sua parte na comida que havia feito, a mulher prontamente perguntou em tom de deboche para o companheiro dela:

"Vai querer que eu te sirva também? hehe".

Como se fazer o prato de alguém que amamos, ou de nossos convidados, fosse um demérito. Não que ela tivesse algo a ver com minha vida, mas para aquietar seus anseios estereotipados, lhe avisei, "fique tranquila, além de ter ido ao supermercado para mim é ele quem vai lavar a louça".

Aparentemente o "machismo envernizado" e o cavalheirismo se complementam na cabeça de algumas pessoas. Não acredito nessa ideia. Um homem pode ter sido criado por pessoas gentis e simples que tenham, nas melhores das intenções, lhe ensinado desde menino que as mulheres devem ser bem tratadas. Que nossos corpos são diferentes e naturalmente mais delicados. Esses rapazes decentes levam para a vida atitudes até um pouco cafonas como abrir a porta para mulher passar primeiro, pagar uma conta, carregar sacolas pesadas etc. Se observarmos, esse homem decente, geralmente é agradável com idosos, seus pais e com seus amigos homens.

Não está escrito - talvez deva estar, mas não percamos nosso tempo - que ao aceitarmos o cavalheirismo automaticamente nos transformamos em escravas da fragilidade pela condição de ser mulher. A retribuição ao cavalheirismo está, caso haja amor e empatia, em uma troca atitudes gentis que faça o homem e a mulher formarem uma espécie de time em que um cuida do outro. Se ele carrega o feijão, façamos a feijoada - e vice-versa. Aí há o equilíbrio e também é nessa troca harmoniosa que nasce a relação mais justa para ambos. Se transpusermos essa dinâmica para uma relação homossexual, dá no mesmo.

Outra situação: surge a lembrança de um casal com pouco tempo junto em que a mulher decidiu, em comum acordo com seu parceiro, que iria parar de trabalhar para dedicar-se aos estudos. Sendo o homem piloto de uma companhia aérea, passando de dois a três dias ausente, a moça repetia com um orgulho tosco em nossa roda de almoço: "eu que não lavo as roupas dele, coloco as minhas na máquina de lavar e ele quando chegar em casa que lave. Se não for assim eles folgam, minhas queridas". Não consegui falar nada no momento, mas voltei pra casa pensando, "se essa mulher coloca as suas roupas para lavar, por que não pode ajudar o marido nas roupas dele?". Estereótipos. Em algum momento ela leu ou entendeu que lavar as roupas do seu companheiro era uma forma de "degradação" de sua condição feminina, de estudante e de profissional. Em resumo, para que seu parceiro não se sentisse "dono dela" havia a necessidade de retribuir desde já um cenário que nem mesmo era real. Uma vingança preventiva por qualquer coisa que possivelmente o cara fizesse e que no final das contas nos leva ao entendimento de que havia nessa garota uma grande baixa autoestima que lhe impulsionava a atacar antes de ser atacada, a revidar com base em histórias de mulheres que de fato foram subjugadas, mas que não pertenciam a ela. A balança não estava equilibrada e com isso o casamento durou muito pouco.

Acreditar ainda que o cavalheirismo é um golpe previsto e articulado por todos os homens é tirar das mulheres toda sua capacidade de discernimento, atestar que são zumbis capazes de serem ludibriadas por um cara que manda as famigeradas rosas vermelhas. É também atestar que todos os homens que se aventuram no antigo costume do cavalheirismo, são criaturas indecentes, traidoras e manipuladoras que podem apropriar-se da alma de uma ingênua mulher que não tem nem mesmo as rédeas da própria vida. É, por fim, carimbar na nossa testa que somos todas estúpidas.

Camilla Lopes Pacheco

quarta-feira, 14 de março de 2012

Talyta Carvalho: "Não devemos nada ao feminismo"

Do blog do Rodrigo Constantino,

"As feministas chamaram de libertação a saída forçada da lar para trabalhar; sua intolerância tornou constrangedor decidir ser dona de casa e cuidar dos filhos", critica Talyta Carvalho, 25, filósofa especialista em renascença e mestre em ciências da religião pela PUC-SP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 08-03-2012.

Segundo a jovem intelectual, "o erro do feminismo foi reivindicar falar por todas, quando na verdade falava apenas por algumas. De fato, casamento e maternidade não são para todas as mulheres. Mas a nova geração deve debater esses dogmas modernos sem medo de fazer perguntas difíceis".

E, contundente, afirma: "De minha parte, não devo nada ao feminismo".

Eis o artigo.

Na história da espécie humana, a ideia de que a mulher deveria trabalhar prevaleceu com frequência muito maior do que a ideia de que deveria ficar em casa cuidando dos filhos.

Não raro, o trabalho que cabia à mulher era árduo e de grande impacto físico. Para a mulher comum na pré-história, na Idade Média, e até o século XIX, não trabalhar não era uma opção.

Uma das conquistas do sistema econômico foi que, no século XX, a produtividade havia aumentado tanto que um homem de classe média era capaz de ter um salário bom o suficiente para que sua esposa não precisasse trabalhar.

No período das grandes guerras e no entreguerras, a inflação, os altos impostos e o retorno da mulher ao mercado de trabalho (que significou um aumento da mão de obra disponível) diminuíram de tal modo a renda do homem comum que já não era mais possível que maioria das mulheres ficasse em casa.

Esse movimento forçado de saída da mulher do lar para o trabalho as feministas chamaram de libertação.

Óbvio que não está se defendendo aqui que as mulheres não possam trabalhar, não casar, não ter filhos ou que não possam agir de acordo com as suas escolhas em todos os âmbitos da vida. Não é essa a questão para as mulheres do século XXI pensarem a respeito.

O ponto da discussão é: em que medida a consequência do feminismo, para a mulher contemporânea, foi o estrangulamento da liberdade de escolha?

Explico-me. Por muito tempo, as feministas reivindicaram a posição de luta pelos direitos da mulher, exceto se esse direito for o direito de uma mulher não ser feminista.

Assumir uma posição crítica ao feminismo é hoje o equivalente a ser uma mulher que fala contra mulheres. Ilude-se quem pensa que na academia há um ambiente propício à liberdade de pensamento.

Como mulher e intelectual, posso afirmar sem pestanejar: nunca precisei "lutar" contra meus colegas para ser ouvida, muito pelo contrário. A batalha mesmo é contra as colegas mulheres, intolerantes a qualquer outra mulher que pense diferente ou que não faça da "questão de gênero" uma bandeira.

Não ser feminista é heresia imperdoável, e a herege deve ser silenciada. Até mesmo porque há muito em jogo: financiamentos, vaidades, disputas de poder, privilégios em relação aos colegas homens -que, se não concordam, são machistas e preconceituosos, claro.

Outro direito que a mulher do século XXI não tem, graças ao feminismo, é o direito de não trabalhar e escolher ficar em casa e cuidar dos filhos - recomendo, sobre a questão, os livros "Feminist Fantasies", de Phyllis Schlaffly, e "Domestic Tranquility", de F. Carolyn Graglia.

Na esfera econômica, é inviável para boa parte das famílias que a esposa não trabalhe. Na esfera social, é um constrangimento garantido quando perguntam "qual a sua ocupação?". A resposta "sou só dona de casa e mãe" já revela o alto custo sociopsicológico de uma escolha diferente daquela que as feministas fizeram por todas as mulheres que viriam depois delas.

O erro do feminismo foi reivindicar falar por todas, quando na verdade falava apenas por algumas. De fato, casamento e maternidade não são para todas as mulheres. Mas a nova geração deve debater esses dogmas modernos sem medo de fazer perguntas difíceis.

De minha parte, afirmo: não devo nada ao feminismo.