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sábado, 7 de abril de 2018

Lula e Hitler

Por André,



Não sei se é pertinente ao momento essas comparações, tão corriqueiras e equivocadas (tempos de falácia ad hitlerum), mas crescem e/ou se solidificam como nunca as semelhanças entre Lula e Hitler:


- a megalomania desvairada ("não sou um homem, sou uma ideia");

- a crença de que será desabonado pela História;

- a crença na própria inocência que já ultrapassa o mero nível da mentira e ascende ao da psicopatia pura e simples;

- a capacidade de encantar a subclasse (e não as massas, como se faz crer) que o cerca.

- sua trupe, ao agredir jornalistas e civis que ousam se opor a ele se comportam de maneira IDÊNTICA (não é hipérbole, é idêntica mesmo!) à Sturmabteilung (SA), tropa de choque de rua do nazismo.

- pela triste ocasião da morte de seu neto de 7 anos por meningite, ao leito de morte da criança, Lula teve o disparate de dizer que se encontrará com o neto no céu e levará seu "diploma de inocência". Quem salvou a alma de Lula? Deus ou ele próprio, como Deus não deve ter conversado com Lula, em mais um arroubo de megalomania desvairada, o ex-presidente e atual presidiário concedeu salvação eterna a si próprio. Um herege aos olhos de qualquer cristão.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Enredo da escola que "denunciou o golpe" usou livro do intelectual orgânico Jessé Souza na sua bibliografia

Por André,

Página 178 do link: http://liesa.globo.com/material/carnaval18/abrealas/Abre-Alas%20-%20Domingo%20-%20Carnaval%202018%20-%20Atual.pdf

No início deste ano escrevi artigo alertando para a guinada da intelectualidade orgânica do PT para um discurso mais old school e revisionista (e menos superficial e histérico).

Alguns até duvidaram e insinuaram que eu estava superestimando a importância do livro "A Elite do Atraso" do sociólogo Jessé Souza, que quando escrevi o artigo já havia sido eleito pelos leitores da Amazon como melhor livro de não-ficção de 2017.

Pois bem, eis que, conforme imagem acima e link na legenda, a escola de samba "do lacre" contra o "vampiro neoliberalista", o golpe dos "coxinhas", os "paneleiros" e os "patos da FIESP" usou como uma de suas bases o livro do citado sociólogo. E quem leu o livro bem sabe que não se trata de uma menção para encher linguiça, a narrativa do livro foi expressa integralmente pela escola de samba.

A coisa toda não poderia ser mais petista: uma instituição movida a dinheiro do tráfico e da contravenção, que não emprega ninguém de forma registrada, bradando contra a corrupção e em defesa dos "direitos trabalhistas".

E o alerta segue: quando a direita deixará de ser meramente reativa e terá proposições sólidas para preencher o vácuo deixado quando refutamos as sandices ideológicas da esquerda?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Jessé Souza é a intelectualidade orgânica petista melhorada. Meu artigo para o Gazeta do Povo: "Lições de realidade invertida, ou: como não devemos entender o Brasil"

Por Gazeta do Povo,



A tese do sociólogo Jessé Souza (UFABC) em seu mais recente livro, “A Elite do Atraso”, é ousada (e poderiam dizer alguns, sem receio, até revisionista): tendo por principal alvo Sérgio Buarque de Holanda e sua interpretação do Brasil em “Raízes do Brasil”, a marca da sociedade brasileira não seria o patrimonialismo – e tampouco a cordialidade, o “jeitinho brasileiro” de DaMatta etc., tratados por Souza como “generalidades” acerca do brasileiro (p.10) – mas sim a escravidão (e não a colonização portuguesa ou a miscigenação, conforme também afirmaram os intérpretes clássicos do Brasil). Contudo, a ousadia maior da hipótese está, por incrível que pareça, menos nesse aspecto e mais na motivação que Souza atribui para que a versão de Holanda tenha prevalecido: a manutenção da crença no imaginário das pessoas em geral que a corrupção é o maior mal brasileiro e, por consequência, seu combate o maior objetivo da política.

                Certamente não por engano a operação Lava Jato compõe o subtítulo da obra: se somos marcados pelo patrimonialismo, concentrar poder nas mãos do Estado é equívoco apocalíptico: o Estado é mau gestor, então a administração deve ser transferida o máximo possível para as mãos do mercado e para efetivar a tarefa é necessário vilipendiar as empresas estatais, a começar pela sua maior figura, a Petrobrás (a privatização da Vale é tida como um erro notório por Souza, p. 13), de modo que se inculque nas massas a necessidade de vendê-la para o capital estrangeiro, capaz de administrá-la com eficiência e de maneira impoluta. A narrativa é relativamente simples e não é original, é a ideia de que estaria em curso uma operação para entregar nossa petrolífera aos malvados americanos. Embora não seja citado diretamente, o juiz Sérgio Moro (junto da “mídia”) é reduzido a agente a serviço dos interesses estrangeiros em nossas riquezas nacionais: “o que a Lava Jato e seus cúmplices na mídia e no aparelho de Estado fazem é o jogo de um capitalismo financeiro internacional e nacional ávido por ‘privatizar’ a riqueza social em seu bolso. Destruir a Petrobrás, como o consórcio Lava Jato e grande mídia, a mando da elite do atraso, destruiu, significa empobrecer o país inteiro de um recurso fundamental, apresentando, em troca, não só resultados de recuperação de recursos ridículos de tão pequenos, mas principalmente levando à destruição de qualquer estratégia de reerguimento internacional do país” (p. 12). Note-se bem que a corrupção é jogada para escanteio em nome do nacionalismo, propositalmente ignora as ações da elite do atraso petista, capazes da proeza de fazer uma petrolífera dar prejuízo (tal como se observa na Venezuela ou viu-se com a ANCAP uruguaia, levada à bancarrota pelo pitoresco Mujica).

Não se deixe de notar que se trata da oficialização da versão da nomenklatura petista para a quebradeira da Petrobrás, apenas agora travestida de nova interpretação brasileira. Essa é a diferença substancial de “A Elite do Atraso” para “A Radiografia do Golpe”, do mesmo autor e publicado pela mesma editora; enquanto este último, que veio a público em tempo recorde, quase imediatamente após o impedimento de Dilma Rousseff, é mera caixa de ressonância da narrativa dos sites governistas, o primeiro se propõe a mesma tarefa, mas não sem também tentar oferecer uma explicação “profética” (termo usado por Souza para se referir a Holanda) do Brasil.

                Desse modo, é preciso salientar onde exatamente Jessé Souza está inserido. Trata-se, creio, de uma nova roupagem para a intelectualidade orgânica do PT, que ou deixa de lado ou cria alternativa para o caráter histriônico dos arroubos de uma Marilena Chaui para então alçar voos efetivamente mais altos, é menos fazer a plateia rir – em parte por vergonha e em parte por acordo – e mais fincar bandeira na ciência política nacional. O próprio Jessé, quem vim a conhecer exatamente por essa razão (do minuto 39:50 ao 57:50), é crítico da intelectualidade uspiana, bem como do modo uspiano-paulista de entender o Brasil, trata-se, portanto, de uma crítica à esquerda “da esquerda”, sob o fundamento do que poderíamos chamar de “tradicional” (ou ainda, extremada, pois propõe soluções ainda mais à esquerda para os problemas inflados pelas versões moderadas de suas políticas). Isso também atesta a impressão de que o autor e seus pares querem bem mais que apenas reforçar a narrativa de extrema-esquerda sobre casos de corrupção no Brasil nos últimos anos. A metáfora do lobo em pele de cordeiro nunca fez tanto sentido, como em toda ditadura eficiente, uma infantaria de intelectuais é posta em marcha para que a versão do partido se converta em Ciência – e, portanto, em “verdade” com o peso de revelação divina; o esforço em reaver a sociologia nacional (sobrando até para um dos fundadores do PT, Raymundo Faoro!) não deixa mentir.

Valem aqui três adendos finais: o livro foi escolhido como melhor do ano de 2017 pelos leitores da Amazon e meu próprio artigo se coloca à guisa de resposta à obra de Jessé Souza. Quando a direita conseguirá deixar de ser apenas reativa e adentrará a seara propositiva? Enquanto não o fizermos, só restará a repetição das versões da intelectualidade orgânica do PT (quer a oficial, quer a “do B”) para explicar o Brasil – e se é para recorrer a algo ainda não consagrado como clássico da sociologia nacional, fiquemos com Mario Vieira de Mello, João Camilo de Oliveira Torres e José Osvaldo de Meira Penna, para citar três pesos-pesados – porque são as únicas que existem até agora.

Se compreendida apropriadamente, dentro do quadro conceitual da mentalidade revolucionária, esse esforço atlântico em reduzir a relevância do combate à corrupção também é mais que mero exercício de intelectualismo oficial. A mentalidade revolucionária de fato vê a corrupção (e a criminalidade urbana, acrescento) não apenas como possível mal menor, mas até como aliada pontual, visto que o projeto de chegar ou se manter como estamento, isto é, por o Estado em situação de sítio, é um fim em si mesmo justificado por qualquer meio (e alardeado com os chavões “defesa das riquezas nacionais”, “distribuição de renda”, “justiça social”, como é sabido).

Em época de desgaste e total falta de credibilidade da classe intelectual, que errou quilometricamente o alvo em virtualmente tudo que importa na última década e meia, como é possível não apenas que a versão esdrúxula de Jessé Souza ganhe corpo, mas que passe batida aos olhos mais atentos, senão sem uma resposta pontual, ao menos com a devida exposição como produção subserviente à elite que atrasou o Brasil nos últimos 13 anos, a saber, o corrupto estamento lulo-petista?

domingo, 9 de outubro de 2016

Demétrio Magnoli: "zeitgeist" do petismo precisa ser derrotado

Por Folha de São Paulo,


"Zeitgeist", palavra alemã que, ao contrário do que reza a lenda, Hegel nunca usou, significa o "espírito do tempo" —isto é, as ideias prevalecentes numa época e numa sociedade. Hoje, no Brasil, o zeitgeist pode ser desvendado a partir de três indicadores circunstanciais, entre tantos outros: a Bienal de Arte de São Paulo, o cancelamento da prova específica para ingresso na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP) e o movimento que contesta o ensino da norma culta da língua.

"Faltou arte, que é onde realmente nossas certezas são postas em xeque", diagnostica o crítico Rodrigo Naves, depois de um passeio pelas instalações da Bienal, para completar, certeiro: "ideologias são tigres de papel". Numa avaliação paralela, Ferreira Gullar contrasta a "arte de verdade" com a "arte efêmera" montada pelos artistas de uma exposição dedicada, segundo seu curador, a "questões contemporâneas" como a "ecologia", o "multiculturalismo", o "feminismo" e a "descolonização".

A arte engajada, panfletária, conduzida por "novos Timoneiros, os curadores" (Naves) recicla, quase um século depois, o Proletkult soviético, que dissolveu-se na sopa totalitária do realismo socialista. Os artistas-pedagogos contemporâneos almejam, como seus predecessores, indicar o caminho certo ao povo. A diferença é que eles não contam com o amparo do poder de um Estado profético, mas apenas com a leniência intelectual, a preguiça de pensar, das instituições organizadoras.

O zeitgeist manifestou-se também na FAU-USP. Rotulada como "elitista", a prova de Linguagem Arquitetônica não será aplicada no exame de ingresso em 2017. A professora Raquel Rolnik defendeu a suspensão sob o argumento da "necessidade de democratizar o acesso à faculdade, promovendo ações afirmativas para grupos historicamente marginalizados", enquanto seu colega Renato Cymbalista avançou uma justificativa mais ampla: "Nós formamos um 'arquiteto humanista', que pode atuar em diversos campos: na crítica, na teoria, na curadoria, no ativismo e também nas políticas públicas".

A palavra chave é "ativismo". No desenho, pelo traço, o arquiteto antecipa sua intervenção, testando hipóteses e descortinando possibilidades. Os "antielitistas" querem substituir o traço pelo discurso. Poderiam propor que a FAU, como instituição, seguisse o exemplo de alguns de seus alunos, que criaram o CursinhoLA, um curso gratuito para a prova específica destinado a candidatos de baixa renda. Mas, sem surpresa, preferem imolar o conhecimento, a técnica, no altar do seu "tigre de papel".

A "visão paternalista do povo brasileiro" (Naves, sobre a Bienal) manifesta-se, há anos, na guerrilha contra o ensino prescritivo da língua portuguesa. Tomando como pretexto a crítica moderna, tão necessária, ao ensino tradicional de gramática, os guerrilheiros acusam as escolas e (claro!) a "mídia" de usarem a norma culta escrita como instrumento de "discriminação" e "controle social". Dessa plataforma, suas franjas mais demagógicas propõem a eliminação escolar dos parâmetros unificadores da língua escrita.

Na versão inicial das bases curriculares nacionais, ao lado da abolição da "história ocidental", os demagogos da língua praticamente aboliram a gramática. Assim, escondidos no óbvio, que é o reconhecimento da diversidade no uso da língua, delineiam um programa de oficialização do "apartheid linguístico", condenando os alunos das escolas públicas à incapacidade de apreender o sentido dos textos impressos nos jornais e de apreciar a herança literária portuguesa e brasileira.

"Quando Lula fala, tudo se ilumina", exclamou certa vez Marilena Chaui, formulando uma tese filosófica que, por motivos mais práticos, ganharia a adesão de Marcelo Odebrecht. O PT sofreu uma avassaladora derrota nas urnas, mas o zeitgeist que introduziu segue entre nós.

domingo, 7 de agosto de 2016

Corrupção é um fim justificável para o "meio" revolução

Por André,

O problema das tribos do "eocunha", "eoserra", "eometrô" em condenar (as vezes até em admitir) a corrupção do PT é que suas mentes operam sob a batuta da lógica revolucionária em que os fins justificam os meios. O que tem demais se o Lula roubou, se o PT é corrupto já que (supostamente) o PT trouxe alguma bonança social e, pior ainda, enquanto os demais partidos roubaram mas (supostamente) não fizeram? Estamos falando da galera que não liga de depredar patrimônio público, cercear direito de ir e vir e até nadar no sangue da burguesia se necessário for. O que é um "casinho" de corrupção ou outro pra quem pensa assim?

domingo, 22 de maio de 2016

A suspeita figura de Glenn Greenwald

Por André,

A esquerda histérica que jura de pé junto que odeia o imperialismo ianque e tudo que é (sic) estadunidense, que diz que é síndrome de vira-lata aceitar críticas estrangeiras sobre o Brasil, que vive na eterna esquizofrenia de aceitar ou rejeitar o que sai na The Economist está com a calcinha molhada com os vídeos da figura "jornalística" de Glenn Greenwald, o sujeito que informou o mundo sobre o suspeitíssimo Edward Snowden.

Greenwald é um extremo-esquerdista homossexual e judeu casado com um militante do PSOL e coube a ele denunciar na CNN o "golpe" neoliberal (risos) em curso no Brasil. A despeito de suas escolhas pessoais, Greenwald é um famigerado defensor do Irã (!!) e colocou os ataques à revista Charlie Hebdo na conta dos cartunistas.

Nesse vídeo Sam Harris expõe toda a hipocrisia de Greenwald com crueza, demonstra a fraude jornalística que ele é e como ele não deve ser acreditado em absolutamente nada porque é um farsante desonesto.

O petismo global não poderia ter melhor representante.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O preço do experimento petista no Brasil: 1,4 trilhão

Por Stephen Kanitz,



Mansueto Deve Anunciar Rombo de R$ 1.4 Trilhões, Isso Mesmo

Fiquei feliz com a indicação do economista Mansueto Almeida, "considerado um dos grandes especialistas em contas públicas".

Agora teremos a verdade.

Que segundo meus cálculos, bem mais imprecisos do que alguém de dentro, deverá ser mais próximos de R$ 1.400 bilhões, do que os R$ 96 bilhões divulgados por Dilma. 

Esta monstruosa diferença aparecerá se usarmos os critérios contábeis desenvolvidos, há mais de 700 anos, por Luca Paccioli.

Nos 5 anos da Dilma, todas as contribuições que você trabalhador fez ao INSS, deveriam ter sido contabilizados como Dívida a Pagar aos Futuros Aposentados, de um lado.

E do outro, a débito, uma aplicação no Fundo Financeiro e Atuarial, como reza o artigo 231 da constituição de 88.

Aplicado por 30 anos, em média, suas contribuições renderiam juros e daria até sobras na hora de pagar sua aposentadoria.

Mas Dilma fez outra pedalada fiscal.

Dilma lançou estas contribuições como Receitas do Governo.

E não precisa ser muito inteligente, para perceber que logo em seguida estas "Receitas do Governo" viraram rapidamente Despesas do Governo.

Como mostra o meu demonstrativo.

Quando o correto, e o Mansueto deve saber disto, teria sido lançar como Dívida, e mostrar que agora temos uma Dívida sem lastro.

Ou seja se você pretendia se aposentar, esquece.

Seu dinheiro não foi aplicado como deveria, ao contrário, suas contribuições sumiram e você nem reclamou. Achou que o governo guardaria bem sua contribuição. 

Segunda feira saberemos o número exato.

Poderá ser mais ou menos do que a minha estimativa, mas não será nada perto dos R$ 200 bilhões que vários economistas tem estimado por aí.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Golpe? Que seja provado no STF!

Por André,

STF dá prazo de 10 dias para Dilma provar que se tratou de um "golpe".

A grande (e brilhante) "armadilha" nessa ação é que caso a Dilma se manifeste junto ao STF alegando que sofreu mesmo um golpe e, sabendo disso, não tomou nenhuma das medidas previstas na Constituição para impedi-lo de ocorrer (declarar de estado de sítio, convocar as Forças Armadas etc.), na prática, significará que ela cometeu o crime de responsabilidade previsto no art. 4, II, da lei 1.079/50.

Ou seja, negando que houve um golpe ("ah, é apenas discurso para a militância e tal") Ou afirmando que houve, Dilma se desmoraliza.

sábado, 14 de maio de 2016

Marcelo Centenaro: Entrevista com o prof. Wellington Cidade, da ETEC ...

Marcelo Centenaro: Entrevista com o prof. Wellington Cidade, da ETEC ...: A ETEC “Basilides de Godoy”, na Vila Leopoldina, em São Paulo, foi reaberta no dia 12 de maio de 2016, por iniciativa dos alunos, pais ...

A esquerda pela própria esquerda: comunistas antidemocráticos ou governistas desonestos (e antidemocráticos!)

Por André,

De vez em quando pérolas da prosa são encontradas nos sites de partidos de extrema-esquerda como PSTU ou PCO. Numa classificação bastante chula, eu diria que a divisão entre essas "duas" esquerdas seria entre uma pragmático-estratégica e outra teórica; PT, PSOL, PCdoB se enquadram na primeira categoria, aqueles primeiros nesta última. Enquanto para a esquerda governista a alma é um item supérfluo de barganha, vendido ao Mefisto numa pechincha corriqueira, para os teóricos o esquema marxista de expropriação da burguesia e ditadura do proletariado ainda precisa ser seguido à risca.

A esquerda governista se vende por verbas, cargos e poder, por isso defende tão avidamente a tese do golpe. A esquerda teórica rejeitou esse pacto, logo, está livre para não se associar a essa narrativa mítica. Contudo, isso não é, caro leitor, uma defesa de uma ou da outra, na essência as duas são a mesma coisa, apenas escolheram caminhos diferentes para chegar no mesmo lugar. As duas rejeitam o jogo democrático, mas a honestidade de admitir isso por parte da esquerda teórica é digna de nota:

Além disso, uma verdadeira oposição de esquerda socialista não defende o Estado de Direito. Muito menos a Constituição totalmente reacionária que temos. Em geral, o Estado de Direito e o chamado regime democrático são verdadeiras ditaduras da burguesia disfarçadas pelo direito de escolher, a cada quatro anos, os governantes que vão explorar o povo.
Para toda e qualquer esquerda (esquerda e não centro-esquerda, como a social-democracia), os aparatos democráticos do "estado burguês" são meros mecanismos de manutenção da "exploração da burguesia", formas de dar continuidade ao status quo. A esquerda pragmática, que se serve desses mecanismos mesmo rejeitando-os no campo teórico, o faz  por puro interesse estratégico, como todos os totalitarismos fizeram conforme a ocasião ditou a necessidade.

A pérola pode ser lida inteira aqui.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O governo foi despetizado, mas o Estado não: essa é a próxima briga.

Por André,



As reações raivosas ao primeiro dia do governo Temer já começaram. O PT saiu do governo mas o petismo não saiu do Estado: montagem "machista" de Romero Jucá em primeira reunião ministerial foi falsamente propalada no Facebook, site "O Cafezinho" acusando Temer de ter sido testemunha de defesa de Ustra (!!), blogs agora ex-beneficiários do nosso dinheiro espumando, "alunos engajados" de federais expelindo pus por todos os orifícios imagináveis nos grupos das faculdades.

A de hoje é criticar a extinção do Ministério da Cultura. Ministério da Cultura é uma excrescência brasileira, outras de nossas jabuticabas. Em grande parte do mundo civilizado a cultura está fundida com a educação; a ideia de separá-las, no Brasil, remonta à ditadura militar e a ideia originalmente é mesmo de governos populistas-autoritários que não têm nenhum interesse nobre em financiar Alta Cultura mas sim de fomentar "cultura" que lhe é favorável e fiscalizar cultura que não é.

A verdade é que o SAMU pode ficar em verba em agosto e esse é um dos muitos exemplos da herança maldita de Dilma, o dinheiro para dar conta disso NÃO SERÁ TIRADO DAS IMPRESSORAS MÁGICAS da esquerda! Sigamos em frente, tomemos a frente da narrativa, despetizemos o Estado, do contrário, eles voltarão.

sábado, 30 de abril de 2016

domingo, 24 de abril de 2016

Guilherme Boulos é ensinado de forma massacrante por Demétrio Magnoli

Por André,

Sintetizando alguns pontos que eu mesmo já disse aqui: nosso esforço atual deve ser para COMBATER a narrativa do golpe. Se há um golpe em curso, o PT e os petistas estão chamando todas as nossas instituições de golpistas, inclusive o STF.





Aqui a versão completa:





Dilma antecipa Magnoli a Boulos e chama STF de golpista.

Dias Toffoli afirma que alegação do golpe é por em xeque as instituições brasileiras.


Quatro pontos sobre o debate que destaco:


Primeiro, Demétrio refuta a tese do golpe com uma tranquilidade cirúrgica.

Segundo, a esquerda "que está aí" é, além de desonesta, muito limitada. Um cabo de vassoura com uma guirlanda verde é mais refinado que o Boulos.

Terceiro, dá pra triturar em um debate sem ter o estilão histriônico (Janaína Paschoal etc). Em alguns casos é uma postura interessante a se adotar.

Quarto, se as coisas fossem minimamente normais, o debate deveria ser entre conservadores e esquerdistas como o Demétrio e não entre a esquerda que quer os mesmos remédios que Lênin queria.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A derrocada da narrativa do "golpe": para revista "Carta Maior", STF também é golpista!

Por André,

A "revista" Carta Maior resolveu disparar sobre a última das instituições nacionais, o Supremo Tribunal Federal:


As esquerdas consideram o Brasil uma república de bananas. Todas as nossas instituições, nossa mídia e nosso povo é golpista. Até o famigerado STF, famigerado STF do ultrapetista Celso de Mello, do bacharelzinho do PT Dias Toffoli, até esse STF eles estão chamando de "golpista".

Para não ser golpista só resta uma coisa: pular. Quem não for golpista pula!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Spotniks dá as regras: também foi um congresso sujo que depôs Collor. E aí?

Por Spotniks,

Jair Bolsonaro votou pela abertura do impeachment de Fernando Collor em 1992. Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin também. Roseana Sarney e Sarney Filho votaram da mesma forma. Eram todos então deputados federais.

Ibsen Pinheiro, então presidente da Câmara do Deputados, cargo que pertence hoje a Eduardo Cunha, votou a favor. Ibsen foi cassado poucos meses depois por participar do Escândalo dos Anões do Orçamento - sofreu uma denúncia falsa da revista Veja, mas teve movimentações bancárias que não conseguiu explicar. Foi condenado a ficar afastado da vida pública por oito anos (o processo em que era acusado de sonegação fiscal foi arquivado anos depois). Na primeira eleição em que pode voltar a concorrer, em 2002, não se elegeu.

Os deputados Carlos Benevides, Fábio Raunhetti, José Geraldo e Raquel Cândido também votaram a favor do impeachment de Collor. Todos eles perderam seus mandatos poucos meses depois, envolvidos em esquemas de corrupção.

Cid Carvalho, Genebaldo Correia e Manoel Moreira também tiveram seus mandatos cassados por corrupção, mas renunciaram antes, em 1994. Todos votaram a favor do impeachment de Collor.

Sérgio Naya seguiu o mesmo voto, em defesa do impedimento. Foi cassado cometendo uma imensa lista de crimes, revelados após o desabamento do edifício Palace II, no Rio de Janeiro. Naya possuía milhares de imóveis em diversos países, uma dezena de carros de luxo e três jatinhos. Vivia numa cobertura de mil metros quadrados e era famoso por "ceder" imóveis para que uns 40 amigos e políticos vivessem gratuitamente - tal qual Lula diz ter vivido no sítio de Atibaia.

Todos esses caras eram favoráveis ao impeachment. Todos seguindo o mesmo voto de figuras como os então deputados José Dirceu, José Genoíno e Luiz Gushiken, petistas que entrariam no goto da história, envolvidos nas mais variadas falcatruas.

Em 1992, Collor sofreu um impeachment justo nas mãos de um Congresso sujo. Isso, no entanto, não foi motivo para que movimentos sociais e estudantis, sindicatos, centros acadêmicos, classe artística, imprensa e a esquerda em geral simplesmente deixassem de lutar pelo impedimento do presidente. Ter defensores da ditadura e políticos corruptos do lado pró-impeachment não era razão suficiente para que os então deputados Aloizio Mercadante, Jandira Feghali, Aldo Rebelo, Benedita da Silva, Florestan Fernandes e Miguel Arraes deixassem de dar seus votos favoráveis ao impeachment. Tampouco foi motivo para que Lula não apoiasse a causa.

Agora, você pode continuar usando esse argumento em 2016, negando defender o impedimento de Dilma porque ele é arquitetado por políticos corruptos - e ignorando o cenário vivido em 1992. Mas a verdade é que só estará deixando explícito aquilo que todo mundo já sabe: você não leu as páginas dos livros de história que você jura ter monopolizado a leitura.

- Rodrigo da Silva, editor do Spotniks.

No terreno do discurso, a batalha deve ser para desconstruir a narrativa do "golpe"

Por André,

A guerra contra a esquerda é, em muito, travada no terreno da narrativa, do cativo ao imaginário das pessoas normais e comuns. Os pelegos, incapazes de refutar a argumentação a favor do impeachment, tentam emplacar a narrativa que se trata de um golpe para desmerecer o processo.

Outros tentam emplacar a crítica a Eduardo Cunha, sem estabelecer uma distinção entre a condição abstrata de presidente da Câmara e sua pessoa jurídica. Contudo, como é possível falar em um golpe: 

Que levou 13 meses para ocorrer;

Que teve hora marcada;

Que teve 50h de debates e direito de defesa;

Que teve a confirmação do Tribunal de Contas da União quanto a justificativa;

Que teve direito a questionamento no judiciário;

Que teve o rito homologado pelo Supremo Tribunal Federal;

Que levou 22 dos 27 estados a votarem a favor;

Que foi aprovado por um congresso eleito por 59 milhões de eleitores;

Que será validado por um senado eleito por 57 milhões de eleitores;

Que é aprovado por 2/3 da população;

Que ao final, terá consumido 6 meses para realizar os trâmites burocráticos;

Que resultará em um novo governo determinado pela Constituição Federal;

Que por sua vez governará por um prazo limitado pela justiça eleitoral.

sábado, 19 de março de 2016

João Pereira Coutinho e o caráter cético do espírito conservador: "Macacos como nós"

Por Correio da Manhã,

Nunca entendi gente que se ‘fascina’ com um político. Razão conservadora: um político é membro da espécie ‘Homo sapiens’. Acreditar que um macaco como nós tem poderes mágicos só revela a) infantilidade; b) lesão neurológica grave; ou c) fanatismo ideológico. E, no entanto, a esquerda não tem emenda: aparece um benemérito qualquer e é vê-la a babar de admiração. 

Quando o macaco em causa se comporta como um símio, temos a) desilusão profunda ou b) fanatismo reforçado. Aconteceu agora: a nossa esquerda, que esteve anestesiada com as corrupções do PT, acordou ‘triste’ com Lula – ou, em alternativa, indignada com os brasileiros nas ruas, suspeitando de influência americana (Boaventura, sempre Boaventura).

Pedir que estas pobres almas crescessem um bocadinho ou arranjassem tratamento adequado seria um excesso de optimismo. Mas talvez não fosse inútil levá-las a passear ao jardim zoológico de vez em quando.

sábado, 12 de março de 2016

Os supostos isentos e a não-participação nos protestos de amanhã (13/03)

Por André,

Pululam no dia de hoje chiliques isentistas a respeito da não-participação nos protestos de amanhã: falta de conhecimento histórico, brigaria apenas pelo fim do voto na coligação, financiamento público de campanha etc. Aquelas pautas que os inteligentinhos, eleitores do PSOL e outros esquerdistas afins sempre estão dispostos a disparar.

Contudo, há dois motivos para explicar a não participação desse grupo nos protestos de domingo:

Primeiro porque vocês têm o caráter corrompido igualzinho os membros fundadores e militantes do PT (mesmo que você não seja nenhum dos dois). A ética de vocês é a ética do partido e o imperativo de vida é a política. Pelo seu projeto político você mata, morre, mente e corrompe os outros. Não ia ser agora, não ia ser dessas vez que você trairia seu "ideal" revolucionário.

Segundo porque vocês veem a corrupção como um "mal menor". A corrupção, tal como a criminalidade de rua, seria uma consequência do "sistema capitalista falido". A corrupção é um meio justificável para a realização do "bem maior" (aquelas abstrações que vocês tanto amam: igualdade, justiça social etc) - se matar milhões foi um meio até hoje justificável, por que uma "corrupçãozinha aqui e ali" não seria? O próprio Lula flertou abertamente com isso, "manter" o mensalão foi apenas um meio (justificado) para [sic] "colocar 3 refeições na mesa do pobre". Com o advento do paraíso pós-revolucionário casinhos de corrupção e morte de coxinhas serão meras ninharias, portanto, tudo vale.

Parem de pose.