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quarta-feira, 10 de abril de 2019
sábado, 19 de janeiro de 2019
96% da academia é de esquerda
Por André,
A Academia migrou pra Esquerda nas últimas décadas. Mas quanto? Bom, apenas 96% dos acadêmicos são de esquerda.
Pesquisa:
https://heterodoxacademy.org/professors-moved-left-but-country-did-not/?fbclid=IwAR2Lmj_6CEgKk_dWJOEfBw-Gd5-5Erza8yt2t4IakjDs1k0QDSu2tny5OfA
Figura 3, frequência de opiniões de esquerda = 96% NOVENTA E SEIS:
"Only one social psychologist, out of a sample of 327, had views that were right of center".
Isso explica porque classe média e alta migraram pra esquerda (nada a ver com estudo ou esforço intelectual, apenas influência do meio e controle das idéias circulantes). O novo aqui são os números, por observação já sabíamos disso desde a década de 90 - ou antes.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Não-conservadores cientificistas estão alegando que Jordan Peterson não tem treino científico
Por André,
"Só quem concorda comigo tem credenciais científicas", é no que acreditam esses paspalhos.
Jordan B. Peterson tem mais de 100 artigos publicados em periódicos científicos de prestígio. E esses, por sua vez, contam com mais de 10.000 citações.
Não é isso que a turma da ciência considera como critério único, exclusivo e canônico de mérito acadêmico e cientificidade?
O problema, exatamente como eu apontei no meu artigo "Por que precisamos de Jordan Peterson" não é e nunca foi o sujeito ter ou não as tais credenciais científicas, mas o quão adequadas suas opiniões são para a seita em questão (no caso, a da turma do não-conservadorismo ~científico~).
Afirmar que o marxismo se espalhou por áreas além da economia e da sociologia já é associação suficiente demais com o olavismo e Peterson vem dizendo que o marxismo (chame de cultural ou de marxismo cthulhu, é o de menos)* deteriorou a universidade porque espalhou seu repertório "analítico" por todas as áreas das humanidades, dando luz ao pós-modernismo, uma espécie de filho bastardo.
Pronto, traçar essa associação já é anti-cientificismo demais para algumas mentes. Já é identificação, voluntária ou involuntária, grande demais com o olavismo. Olavo não tem as credenciais acadêmicas, Peterson tem, mas os dois deveriam vender miçanga na praia, logo, definitivamente, as credenciais científico-acadêmicas podem ser cortadas da equação, pois não são elas que realmente importam (ainda bem que essa galera é bem restrita, pois chegar a essa conclusão inevitável seria um balde de água fria pra quem quer seguir carreira científica).
É incrível como não-direitistas que também são não-esquerdistas - liberais, libertários e coisas do gênero - transformam seu não-direitismo, nesse caso de tipo científico, tanto numa seita com regras restritas (denunciar o marxismo além das tantas é "astrologismo" e joga seu background científico no lixo) como transformam o marxismo numa vaca sagrada protegida por uma aura de intocabilidade até verbal.
*Certa feita estava a conversar com um marxista que estava cantando em prosa e verso a influência do marxismo na geografia, na sociologia, na filosofia, na história, na economia, na literatura, na crítica literária, na crítica cultural, na arquitetura e no urbanismo etc. Isso você consegue arrancar de qualquer marxista.
Aí se você diz que o marxismo foi longe demais e tem gente usando seu aparato teórico para analisar unha encravada, pronto, suas credenciais científicas vão pro buraco. E se você disser isso e não tiver credenciais científicas, também vai pro MESMO buraco.
Eu não sei vocês, mas se eu prefiro virar apostata do islã do que me meter numa seita dessas.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
domingo, 23 de novembro de 2014
Dois exemplos práticos do que convencionou-se chamar "marxismo cultural"
Por André,
Pois bem, já me posicionei sobre o assunto e disse que, do meu ponto de vista, o fenômeno que chamamos de marxismo cultural é mais importante que o nome que recai sobre ele. O próprio Olavo de Carvalho já disse que a expressão conceitual é uma nomenclatura conveniente que representa certo conjunto de ideias, mas talvez o termo não seja exatamente o melhor que se pode conceber (amigos já me falaram em "contracultura" ou até mesmo manter a própria expressão "teoria crítica").
Muito se discute sobre o que seria o tal "marxismo cultural". Seria pura e simplesmente marxismo? Delírio neoconservador? Conceito imaginário? Teoria da conspiração (a Wikipedia definia assim em seu artigo sobre o tema)?
Pois bem, já me posicionei sobre o assunto e disse que, do meu ponto de vista, o fenômeno que chamamos de marxismo cultural é mais importante que o nome que recai sobre ele. O próprio Olavo de Carvalho já disse que a expressão conceitual é uma nomenclatura conveniente que representa certo conjunto de ideias, mas talvez o termo não seja exatamente o melhor que se pode conceber (amigos já me falaram em "contracultura" ou até mesmo manter a própria expressão "teoria crítica").
Os "adeptos" do marxismo cultural certamente são herdeiros de Marx, admitam isso ou não, muito embora seja fato que há pouco eco do conceito da obra do próprio Marx. Marx via na cultura um elemento de prova das suas teorias (que predomine certa cultura sobre aquela é sinal que a ideologia predominante é a ideologia da classe exploradora etc) e não um campo de ação revolucionária.
A ideia que a cultura não apenas é campo de ação revolucionária, mas é o PRINCIPAL campo de ação remonta a Antonio Gramsci (1891-1937), para quem as ideias do partido só serão alçadas à condição de imperativo categórico depois de sitiadas com intelectuais comunistas escolas, igrejas, universidades, instituições, jornais, editoras etc. Após esse primeiro quadro teórico, temos posteriormente a Escola de Frankfurt, que percebeu a pobreza do reducionismo econômico do marxismo tradicional. A discussão marxista abandonou a retórica sindicalista inflamada e o debate sobre exploração do trabalho, mais-valia etc (discussão econômica) para adentrar o terreno da cultura, juntando as ferramentas oferecidas tanto por Marx como por Freud. Podemos, ainda, ver essas ideias culminando no que hoje chamamos de "french theory" e outros referenciais ideológicos admitidos por feministas radicais, militância racialista (com esses grupos se torna ainda mais evidente que o debate abandonou o terreno da economia e se estendeu para o elástido e indefinível terreno da cultura - o ódio de grupos racialistas e feministas não se volta contra o "patrão explorador", mas contra a cultura "patriarcal" ou "racista" que aí está, isto é, a cultura ocidental) etc.
Isso posto, vejamos dois exemplos práticos, cotidianos e nitidamente pautados naquilo que podemos chamar de "marxismo cultural". Primeiro, vejamos o depoimento do médico psiquiatra dr. Valentim Gentil Filho, relatando sua experiência com a ideia de que pessoas com problemas psiquiátricos são "vítimas da sociedade" e que seu encarceramento só pode ser justificado em algum tipo de preconceito calcado na divisão entre "gente sã" e "gente louca", "gente racional e gente irracional", uma clara reprodução - fora do contexto econômico - da dicotomia "explorador versus explorado":
A ideia que problemas psiquiátricos não representam qualquer problema concreto que justifique o encarceramento, a bandeira pela abolição de manicômios etc remonta às reformas citadas pelo dr. Valentim, em muito pautadas nas ideias de Michel Foucault. A discussão é pura e simplesmente uma extensão da noção de "conflito de classe" para o terreno da psiquiatria. A sociedade burguesa ocidental não consegue/quer lidar com problemas psiquiátricos, então encarcera seus malucos em manicômios para evitar o problema (que só pode ser resolvido com uma vasta revolução na cultura ocidental tal como conhecemos).
O que é isso se não a transposição do marxismo para um terreno distinto da economia? Se chamamos ou não isso de marxismo cultural é mero detalhe, o que importa é documentar o fenômeno e mostrar suas bases intelectuais.
O "louco" digno de internação no manicômio é apenas um "oprimido" e as bases que justificam sua opressão é a cultura vigente. A solução para o fim dessa opressão é prima e necessariamente uma revolução que subverta as bases dessa cultura. A discussão foge e muito do terreno psiquiátrico e passa a ser exclusivamente ideológica.
Como exemplifica Roger Scruton, em seu "Thinkers of the New Left" de 1993:
Como exemplifica Roger Scruton, em seu "Thinkers of the New Left" de 1993:
Em História da Loucura (1961), Foucault dá o primeiro vislumbre desta tese. Ele toma o confinamento de loucos em sua origem no século XVII, associando esse confinamento com a ética do trabalho e com a ascensão das classes médias. O idealismo de Foucault - sua impaciência com explicações que são meramente causais - leva-o constantemente a engrossar sua trama. Assim, ele diz, não que a reorganização econômica da sociedade urbana trouxe o confinamento, mas que "foi em uma certa experiência de trabalho que a demanda indissolúvel por confinamento moral e econômica foi formulada". Mas isto poderia ser visto amplamente como um embelezamento das categorias da explicação histórica que derivam, em última instância, de Marx" (SCRUTON, 2014, p. 61).
O segundo exemplo é fornecido por Theodore Dalrymple em seu excelente A Vida na Sarjeta (É Realizações, 2014). Trata-se do ataque dirigido ao inglês culto e exaltação do inglês periférico e recheado de gírias:
"A BBC, que até poucos anos insistia, com muito poucas exceções, na "received pronunciation" de seus locutores, agora está correndo para assegurar que a fala enviada pelas ondas de rádio seja demograficamente representativa. A ideologia política por trás da decisão dessa mudança é clara e simples, um remanescente do marxismo: as classes altas e médias são más; o que era tradicionalmente considerado alta cultura não é nada mais senão algo usado para esconder o jugo das classes média e alta sobre a classe trabalhadora; a classe trabalhadora é a única cuja dicção, cultura, modos e gostos são verdadeiros e autênticos, pois são valorados por si mesmos e não como um meio de manter a hierarquia social. A utopia comunista pode estar morta na Rússia, mas é modelo na BBC - exclusivamente entre as pessoas de classe alta e de classe média, é claro" (DALRYMPLE, 2014, p. 104).
A classe opressora não é mais a detentora dos meios de produção, é aquela que se serve da received pronunciation. Quem fala corretamente é opressor e oprime quem fala errado. A regra deve ser a dos oprimidos e não a dos opressores. O ataque é à alta cultura, não à burguesia endinheirada.
Dessa maneira, o marxismo - cultural ou como quer chamemos o fenômeno - é um pensamento que forma um tipo de ácido universal que pretende corroer todas as bases da civilização ocidental. Seus tentáculos são claros e visíveis, exorto para que não percamos tempo discutindo como chamamos o fenômeno, mas sim que analisemos e combatamos o mesmo.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Robin Morgan, líder do movimento feminista americano odeia brancos, homens e pais
Por André,
Robin Morgan é uma das líderes feministas mais gabaritadas dos EUA. Atéia de pais judeus. Desde a década de 60 ela aparece da lista de fundadora e organizadora de diversas organizações feministas. É creditado a ela a fundação da "segunda onda feminista".
"Minha pele branca me enoja. Meu passaporte me enoja. Eles são as marcas de um privilégio insuportável propiciado à custa da agonia de outros. Se pudesse me livrar disso de dentro para fora eu o faria e ficaria orgulhoso disso. Se eu pudesse fazer parte dos oprimidos eu ficaria feliz"
E quanto aos demais homens:
Tomem nota:
1- Negue-se a vontade, todas essas doutrinas não passam de marxismo ruminado e regurgitado em campos que fogem da economia ou da história, e por mais que a expressão "marxismo cultural" tenha se pulverizado até significar quase qualquer coisa (a versão 'neoliberalismo' da direita orkutiana), é inegável que o feminismo militante é um de seus tentáculos mais poderosos.
2 - isso NÃO é femismo. A autora das frases se declara feminista, é uma líder respeitada do movimento feminista e seu pensamento é a consequência óbvia e imediata das doutrinas feministas.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Marxismo Cultural: O Marxismo Cultural - Por Linda Kimball
Marxismo Cultural: O Marxismo Cultural - Por Linda Kimball: "A verdade vos libertará” - João 8:32 Os Americanos subscrevem actualmente a duas más-concepções; a primeira é a ideia de que o c...
Marxismo Cultural: A estratégia da Escola de Frankfurt
Marxismo Cultural: A estratégia da Escola de Frankfurt: O que de mais importante se pode assimilar da forma de operação da Escola de Frankfurt é que eles desenvolveram tácticas que visavam a i...
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Resposta ao texto "Contra a imbecilidade do atual anticomunismo" de Leonardo Boff
Por André,
Mandei o texto abaixo como comentário (que não sei se será aceito) ao texto do "grande jornalista" Santayana, publicado por Leonardo Boff em seu site (acrescentei links ao texto aqui):
O tal Mauro, eleito "um dos melhores jornalistas brasileiros", por você - pois nunca tinha ouvido falar do sujeito -; comete o mesmo erro que os direitistas pão-com-ovo que tenta ridicularizar.
Faz afirmações ousadas e não se dá ao trabalho de provar nenhuma, como se fossem fatos evidentes, inscritos na natureza.
Diz que as 100 milhões de mortes comunistas, devidamente documentadas pelo pesquisador americano Rudolph Joseph Rummel sao ilusorias. Provas de que se trata de uma fantasia? Nenhuma (se é para discutir fantasias, que tal falarmos do "Livro Negro do Capitalismo" que para caçar número equivalente, debita nas contas do capitalismo todas as mortes pelas duas Guerras?).
Negar todas as relações íntimas entre nazismo e comunismo soviético, tanto em método como em natureza, é de uma ignorância histórica sem limites. Diversos desertores relatam o fenômeno. Hannah Arendt liquida o assunto em seu clássico "As Origens do Totalitarismo" (inclusive documentando a presença do antissemitismo na URSS - sem falar da ideia de combate ao "fascismo judeu", presente na atmosfera da época). O conflito russo soviético posterior foi uma questão pragmática, ou a URSS aniquilava a Alemanha ou era o contrário, não há espaço para duas ideologias totalitárias por longo intervalo de tempo no mesmo sentido que não há possibilidade lógica para a existência de dois deuses onipotentes. A possibilidade de um aniquila a do outro.
Quanto à "farsa" do marxismo cultural, só pode se tratar de desonestidade (pois o grande jornalista deve conhecer as obras dos marxistas culturais muito bem). Qualquer um que não veja relação entre os ideias de Antonio Gramsci, da Escola de Frankfurt, da French Theory e de muitas ações organizadas e políticas públicas atuais só pode ser desonesto. Está tudo devidamente documentado nas obras dos teóricos do "neomarxismo" ou marxismo cultural.
Essa reação histérica à mera presença de dois ou três sujeitos de "extrema-direita" aqui e acolá só denota a prática da máxima de Marcuse em Tolerância Repressiva: "toda tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita". Vocês não querem travar um debate honesto com habitantes do outro lado do espectro, querem continuar gozando livremente da hegemonia que os fenômenos que negam lhe proporcionaram.
Todos esses fatos são descartados pelo "grande jornalista" como se não gozassem de ampla documentação. Se essa é sua definição de grande jornalista, Leonardo, fico assustado com qual pode ser a de um mal jornalista.
A inabilidade e o amadorismo com que esse pessoal trata questões históricas tão importantes, disparando afirmações ousadas sem oferecer uma evidência sequer é incrível. Não surpreende rejeitarem o debate racional com gente de matizes distintas de pensamento. Um texto recheado de obviedades ou de afirmações carentes de prova não se torna um texto forte.
Santayana diz que o papa Francisco considera os marxistas pessoas normais. Ora, isso eu também faço, e qualquer um pode, e até deve, fazer. Alguns marxistas tiveram, inclusive, trabalhos em outras áreas da filosofia - em especial a estética, muito distintos, que devem ser lidos com afinco (Lucáks, Arnold Hauser e diversos outros). Sartre afirmava que todo anticomunista é um cão, em pleno 2013 a máxima tem de se inverter pra qualquer pessoa com um senso moral apurado: qualquer um que defenda ou seja conivente, nos planos político e/ou moral, com o comunismo não passa de um cão. Ser anticomunista, ao menos no sentido de não ser e negar os tentáculos totalitários do comunismo não é característica de conservador, liberal, democrata, "direitista" ou coisa que o valha, mas apenas de seres humanos capazes de se comprazer por outro ser humano.
Boff fala do desastre da economia de mercado, como se as regiões mais desenvolvidas do mundo praticassem alguma outra coisa em termos econômicos. A negação da eficácia do mercado enquanto gerador de riqueza denota o provincianismo dos intelectuais de esquerda nacionais, atrasados até com muitos de seus pares estrangeiros, que já desistiram de negar o óbvio.
Usa o fato de Marx ser o mais lido, como se isso por si só denotasse algo de palpável, partindo da falsa premissa que uma eventual falsidade das premissas do capitalismo implica em verdade do marxismo.
É praticamente impossível não afirmar a desonestidade de Boff, de Santayana e asseclas - daí a histeria dos próprios com o "anticomunismo" atual. É dever de um intelectual que deseja se posicionar a leitura da literatura crítica do tema. Será que esses caras leram a vastíssima literatura crítica com relação ao marxismo? Cito Roger Scruton:
"Consideremos as teorias de Marx. Desde seu primeiro anúncio, têm despertado controvérsia das mais vivas e é improvável que tenham permanecido intocadas. De fato, me parece que todas as teorias de Marx já foram refutadas em sua essência: a teoria da história por Maitland, Weber e Sombart; a teoria do valor por Böhm-Bawerk, Mises, Sraffa e muitos outros; a teoria da consciência falsa, alienação e conflito de classe por um vasto grupo de pensadores, de Mallock e Sombart a Popper, Hayek e Aron." [SCRUTON, 1985, p. 5]
Daí o ódio desses intelectuais de esquerda de segunda linha pelos ditos "anticomunistas", leitores assíduos tanto de Marx como da literatura crítica do marxismo, quando muito das vezes falta ambos para os próprios:
![]() | ||
| Olavo de Carvalho e sua biblioteca sobre comunismo, socialismo e temas afins. |
Se o anticomunismo pode ser um problema, e realmente pode: se mal-digerido, infantilizado, sem arcabouço intelectual, penso que moralmente falando, a defesa de uma doutrina refutada, antiquada, assassina e sanguinária, não por idiotas úteis, mas por intelectuais que, suponho, leram a bibliografia escrita pelos caras que pensam diferente dele, é ainda mais preocupante.
domingo, 24 de novembro de 2013
O paradoxo da igualdade: o problema da igualdade de gênero na Noruega
Por André,
Este documentário simples, porém excelente, mostra como um dos axiomas mais caros às chamadas "teorias de gênero" pode ser falso e contestado por áreas do conhecimento como a biologia, a genética e a medicina.
Ao contrário do que cientistas sociais e antropólogos tentam diuturnamente nos fazer crer, existem fortes elementos NATURAIS (e não apenas culturais) na formação do gênero de um ser humano (não tem nada de "sentir-se homem/mulher" e assim ser apenas por se 'sentir' assim). O contexto cultural (rs) é a Noruega, tido como país mais igualitário do planeta e, ainda assim, com engenheiros sendo majoritariamente homens e mulheres majoritariamente enfermeiras.
A fala dos sociólogos entrevistados no documentário é emblemática, mas a de Egeland me chamou a atenção pelo grau de absurdidade e dogmatismo. Por volta do minuto 34 o apresentador pergunta a socióloga qual é sua base científica para rejeitar o elemento biológico na formação do gênero, eis a resposta:
Eu tenho o que você chama uma base teórica. Não há espaço para a biologia aí para mim.
Nunca aquela afirmação de Hegel fez tanto sentido: "se os fatos não se adaptam às teorias, pior para os fatos". Como qualquer bom fundamentalista, a socióloga rejeita fatos na base da pura crença e/ou da força. É assim porque simplesmente TEM DE ser assim.
Fica evidente que nesse debate todo, discutir em termos de erro/acerto é impreciso e inapropriado. Nenhuma evidência jamais será suficiente e nenhum depoimento da realidade demoverá estes xiitas de suas posturas radicais. A pergunta que todos devem fazer é: por que isso está a ser defendido com tal vigor e com tal cegueira intelectual? A serviço do que ou de quem estão essas ideias? Qual o interesse em se investir rios de dinheiro privado e estatal em ideias carentes de qualquer evidência?
Este documentário, que na verdade é uma série, foi responsável pelo FECHAMENTO do departamento de estudos de gênero na Noruega (não conheço o teor da celeuma, mas imagino que muita gente se sentido desconfortável com o financiamento público de pseudociência barata).
Pois bem, há mais um episódio da série legendado disponível no Youtube. Trata-se do episódio sobre homossexualidade e heterossexualidade:
Este documentário, que na verdade é uma série, foi responsável pelo FECHAMENTO do departamento de estudos de gênero na Noruega (não conheço o teor da celeuma, mas imagino que muita gente se sentido desconfortável com o financiamento público de pseudociência barata).
Pois bem, há mais um episódio da série legendado disponível no Youtube. Trata-se do episódio sobre homossexualidade e heterossexualidade:
Os demais episódios podem ser assistidos no Vimeo, com legendas em inglês.
O episódio 1 é o primeiro do post, sobre a ideologia de gênero.
Episódio 2, "O Efeito Parental":
O episódio 3 também já se encontra no post, com título "Gay/Hetero".
Episódio 4. "Violência":
Episódio 5, "Sexo":
O episódio 6 é tão polêmico que a conta do Vimeo não carregou o mesmo. Se encontra disponível para download na minha conta no Novo Mega.
Episódio 7, "Natureza ou Nurture (natureza + cultura)?":
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Professores universitários negam "aparelhamento" esquerdista das universidades. É mesmo?
Por André,
Desafio qualquer um a fazer as duas perguntas a seguir e descobrir se a predominância da atmosfera da universidade é de esquerda ou não:
"Existe alguma coisa mais eficaz que o livre mercado para gerar riqueza?"
A esquizofrenia da intelectualidade brasileira não tem limites. Baluartes da 'inteligência' nacional contradizem-se diuturnamente e seguem sendo tratados como gurus e não como os pulhas que realmente são. A análise de dois espécimes mostra como baseiam-se em puro palpitismo impressionado e num experimentalismo rasteiro digno de um cavalo coagido por um cabresto.
Roberto Romano, professor de ética (por Zeus!) da UNICAMP decidiu inverter o interruptor: para o mestre, quem domina a universidade é a direita! Já Adriano Codato, cientista político (sempre que ouço a palavra 'cientista político' no Brasil me lembro da frase "A América tem Eric Voegelin, nós temos... Adriano Codato...) da UFPR, em descompasso com a fala de Romano, vê que a época da superpolitização das universidade "já passou". Antes de analisar alguns pontos específicos das falas dos nossos nobres pensadores, pensemos sobre algumas questões mais genéricas:
- As últimas grandes algazarras universitárias que você ouviu falar: maconheiros da USP, greve de alunos, ocupação da reitoria, impedimento das aulas. Todas essas "manifestações" estavam intimamente ligada a organizações de esquerda; que não encontraram nenhuma oposição "de direita" (o que é MUITO diferente de dizer o óbvio ululante que a maioria do restante de alunos desaprova as ações dos iluminados - como foi no caso dos maconheiros presos, quando cerca de 70% dos universitários aprovavam a presença da PM no campus).
- Quantos DCEs e chapas "de direita" (para fins práticos, de "não-esquerda") existem, das que existem, quantas alternaram-se no poder nas grandes universidades e quantas sequer conseguiram ascender a qualquer comando?
- Qual universidade tem uma militância "não-esquerdista" com tanta relevância quanto as de esquerda? Se existe (eu desconheço), por que ninguém fala dela (sua ação não é ostensiva e fascista quanto às de esquerda)?
O que significa falar da hegemonia esquerdista nas universidades brasileiras?
Muitos, inclusive os professores citados, simplesmente não fazem a MENOR ideia do que o conceito de "hegemonia" significa. Muito menos o de hegemonia cultural. Ao contrário do que pensam aqueles que costumam acusar de "viver na Guerra Fria" qualquer um que ouse falar em comunismo atualmente, não se trata de supremacia numérica ou física. [Dica: não se trata de comunistas de botas, foices e martelos, postados como a guarda inglesa em cada porta de universidade do Brasil].
Sim, é claro que existem professores (uma boa parte, certamente) que rejeitam a doutrinação em sala de aula. É claro que existem estudiosos de pensadores conservadores. A ideia de hegemonia passa longe da noção de maioria (embora nas faculdades de humanas, no frigir dos ovos, certamente a maioria seja "de esquerda"), especialmente maioria NUMÉRICA. E é evidente que há um descompasso da vontade dessa minoria hegemônica com a maioria numérica. Isso também se reflete no próprio contexto nacional: enquanto uma minoria de intelectuais ungidos quer legalização do aborto, descriminalização das drogas, limitação para o porte de armas e ações brandas contra criminosos, a vasta maioria da população civil rejeita essas bandeiras (nem é necessário recorrer ao "Brasil profundo" de que falava Plínio Salgado); para termos ideia, 93% dos paulistanos são a favor da redução da maioridade penal e 95% rejeitam ação dos black blocs.
O fato dessas ideias serem hegemônicas e ostensivamente marteladas nas cabeças de jovens em escolas e universidades e sempre ganharem espaço na mídia impressa e na internet não tem NENHUMA relação com o fato de serem sustentadas por uma MINORIA numérica de intelectuais iluminados. Desconhecer isso é desconhecer o que há de mais elementar na estratégia. Pois bem, nossos professores desconhecem isso e se julgam conhecedores de política.
Dizer que há uma hegemonia de esquerda na universidade nacional tem relação mais com uma "atmosfera" e com um uso exclusivo de "categorias de pensamento" de esquerda, do que com maioria de professores e alunos preocupados com política, do que uma maioria numérica de comunistas, do que a existência de professores ditos de direita (esse argumento me lembra aquele "nossa, até tenho um amigo negro...") ou qualquer coisa do tipo. Ainda que sempre que esse assunto vem a tona eu me lembre da frase de Thomas Sowell "quando um esquerdista vier falar de diversidade para você, pergunte quantos conservadores existem no departamento de sociologia da sua universidade".
Entendendo o fato elementar de que hegemonia cultural é diferente de hegemonia numérica, sanamos a paupérrima objeção dos mestres.
Em verdade, Codato parece estar ciente disso, mas é incapaz de juntar causa e efeito:
Pois bem, meu filho, hegemonia cultural é isso! As mentes estão direcionadas para outros pontos que não a política, as que pensam sobre o assunto, são de esquerda!"O mesmo vale para o movimento estudantil: partidos de extrema-esquerda ou de esquerda controlam a representação mas refletem pouquíssimo o estudante médio."
Desafio qualquer um a fazer as duas perguntas a seguir e descobrir se a predominância da atmosfera da universidade é de esquerda ou não:
"Existe alguma coisa mais eficaz que o livre mercado para gerar riqueza?"
Os que responderem sim não apenas são de esquerda como flertam com o comunismo econômico. Além de estarem da idade da pedra econômica, pois a "esquerda liberal" ou "social-democrata" americana e europeia já admitiram isso há tempos. Uma leitura de "O capitalismo é moral?" de Sponville pode atestar isso.
"Para uns ficarem ricos é necessário que outros fiquem pobres?"
Se a reposta for sim, parabéns, você tem um amigo ou conhecido que acredita em coisas equivalentes a crer no criacionismo num departamento de biologia. E a resposta afirmativa a essa pergunta vai denunciar a todos: marxistas, marxistas de viagem e, aí sim talvez uma maioria numérica, não-marxistas marxistas. A noção implícita na resposta afirmativa é a da teoria da exploração do trabalho de Marx, coisa refutada há pelo menos 80 anos, porém, o aparato cognitivo do sujeito só dispõe dessa categoria para explicar o fenômeno. E agora?
E agora, meu filho, você descobriu um exemplozinho, bastante recortado, da hegemonia cultural da esquerda. O sujeito nem se reconhece como de esquerda, marxista, comunista ou coisa que o valha, PORÉM, pensa como um, explica a realidade como um.
Basta ler as respostas de Romano, que acredito que não se declare marxista, para conferir como ele acredita e interpreta toda a realidade brasileira à luz do marxismo.
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Para encerrar, outros dois recortes simbólicos que ajudam a ilustrar a questão:
Quer saber como a hegemonia esquerdista atravanca o ensino no Brasil?
Leia o texto "Quem tem medo da filosofia brasileira?" do professor Ricardo Vélez Rodrigues e veja como a Capes foi e segue sendo um órgão censor e retaliador da pesquisa de matiz ideológica que não lhe interessa e como isso atravancou e atravanca o estudo da filosofia nacional.
Num exemplo dantesco, caricato e pictórico, veja o que alunos esquerdistas (uma clara minoria, porém fascista, ostensiva e barulhenta) fizeram durante uma aula do também esquerdista Paulo Ghiraldelli (que aposto que não se diz marxista, comunista ou sequer esquerdista, mas se gaba de ter escrito sobre os "movimentos sociais", cujos membros agora querem lhe comer o rabo):
terça-feira, 27 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Cartilha gay é entregue em porta de escola. O objetivo estratégico é chocar.
Por André,
Chocar pode parecer, a primeira vista, pouco interessante do ponto de vista estratégico, mas não é. Enfiar crucifixos no ânus, distribuir cartilhas de como fazer sexo fácil, rápido e seguro em porta de escola é um momento estratégico importante, o do choque. Tal como hoje a violência é cotidiana e poucos brasileiros se ultrajam com os 60.000 homicídios anuais, o mesmo se dá com outros tipos de comportamento.
Como apontou Katia Abreu em coluna este ano:
Segundo ele, é preciso uma reforma intelectual e moral, que leve à superação do senso comum, para a construção de outro consenso monitorado pelo partido.A relativização desses valores resultaria, numa primeira etapa, numa sociedade mais fraca, destituída de parâmetros morais, mais propícia a absorver os valores do socialismo.Desnecessário dizer que essa revolução está em pleno curso no Brasil --e não é de hoje.
Entre os consensos construídos, está o de que o produtor rural é um usurpador social, que deve ser permanentemente molestado.(...)Dentro da estratégia gramsciana, as milícias do pensamento valem-se de escaramuças, que consistem em lançar ao debate teses que sabem serão rejeitadas num primeiro momento.
Importa, porém, romper a aura de tabu e acostumar a sociedade a gradualmente absorver o que sempre rejeitou.
sábado, 6 de julho de 2013
Para quem acha que a postagem anterior é exagero, exceção ou "femismo" (e não feminismo), confira.
Por André,
“Feminism
is the theory, lesbianism is the practice.”
"O feminismo é a teoria, o lesbianismo é a prática".
(Chicago Women's Liberation Union pamphlet, Lesbianism and Feminism, 1971; Stevi Jackson, Sue Scott, Feminism and Sexuality: A Reader, Columbia University Press, 1996, p. 282)
"O feminismo é a teoria, o lesbianismo é a prática".
(Chicago Women's Liberation Union pamphlet, Lesbianism and Feminism, 1971; Stevi Jackson, Sue Scott, Feminism and Sexuality: A Reader, Columbia University Press, 1996, p. 282)
Atkinson, Ti-Grace (radical feminist, writer, founder of the radical group The Feminists)
Feminismo levado às últimas consequências: Lesbianismo Político: A Causa Contra a Heterossexualidade – Primeira Parte Leeds Revolutionary Feminist Group
Por Material Feminista,
Compreendemos que o tópico é explosivo. É algo que devemos falar em casa e em grupos fechados e confiáveis de amigos e não fazer colocações políticas a respeito no movimento, para que nossas irmãs heterossexuais não nos acusem de ódio às mulheres. É verdade que devemos esconder nossas fortes crenças políticas sobre o assunto quando conversamos com outras feministas? Gostaríamos de levantar toda a questão para a discussão em um workshop; não só se todas as feministas devem ser lésbicas, mas precisamente porque pensamos que devem e se e como devemos começar a falar sobre isso mais abertamente.
Nós sim pensamos que todas as feministas podem e devem ser lésbicas políticas. Nossa definição de uma lésbica política é uma mulher identificada com a mulher que não fode com homens. Não significa compulsória atividade sexual com outras mulheres. O escrito é dividido em duas partes. A primeira cobre as razões pelas quais pensamos que feministas sérias não possuem escolha a não ser abandonar a heterossexualidade. A segunda é organizada em forma de questões levantadas e comentários feitos a nós sobre o assunto do lesbianismo político e a forma pela qual achamos que elas devem ser respondidas.
Que papel a sexualidade desempenha na opressão das mulheres? Somente no sistema de opressão que é a supremacia masculina o opressor efetivamente invade e coloniza o interior do corpo do oprimido. Ligados a todas as formas de comportamento sexual estão significados de dominação e submissão, poder e a falta dele, conquista e humilhação. Existe uma importância muito especial relacionada à sexualidade sob a supremacia masculina quando toda referência sexual, toda piada sexual, toda imagem sexual serve para lembrar a uma mulher de seu centro invadido e a um homem de seu poder. Por que toda essa agitação em nossa cultura sobre o sexo? Porque é especificamente através da sexualidade que a opressão fundamental, aquela dos homens sobre as mulheres, é mantida. (Isso deveria ser um livro, realmente não pode ser desenvolvido agora.)
O casal heterossexual é a unidade básica da estrutura política da supremacia masculina. Nisto, cada mulher individual se mantém sob controle de um homem individual. É de longe mais eficiente do que manter as mulheres em guetos, campos ou mesmo em barracões no fundo do jardim. No casal, o amor e o sexo são usados para obscurecer as realidades da opressão, para previnir as mulheres de se identificarem umas com as outras de forma a se revoltarem e de identificarem “seus” homens como parte do inimigo. Qualquer mulher que toma parte em um casal heterossexual ajuda a assegurar a supremacia masculina por tornar sua fundação mais forte.
A penetração (onde quer que for que nos refiramos à penetração, queremos dizer à penetração pelo pênis) não é necessária ao prazer sexual das mulheres e nem mesmo dos homens. Sua performance leva à reprodução de formas fastidiosas/perigosas de contracepção. Por que então ela se assenta no cerne da cultura sexualizada desse estágio particular da supremacia masculina? Por que mais e mais mulheres, de idades mais e mais novas, são encorajadas por psiquiatras, médicos, conselheiros de orientação de casamento, a indústria pornográfica, o movimento de desenvolvimento, esquerdistas e o Masters and Johnson [1] a serem mais e mais fodidas com maior frequência? Porque a forma da opressão das mulheres sob a supremacia masculina está mudando. Assim que mais mulheres são capazes de ganhar um pouco mais de dinheiro e as pressões da reprodução são atenuadas, a manutenção de homens individuais e de homens como uma classe sobre as mulheres está sendo fortalecida através do controle sexual.
A penetração é um ato de grande significância simbólica pela qual o opressor entra no corpo do oprimido. Mas é mais do que um símbolo, sua função e efeito é a punição e o controle das mulheres. Não é só o estupro que serve a esta função, mas todo ato de penetração, mesmo aquilo que é eufemisticamente descrito como “fazer amor”. Todas ouvimos os homens falando sobre uma mulher insolente: “o que ela precisa é de uma boa foda”. Esta não é uma observação inútil. Todo homem sabe que uma mulher fodida é uma mulher sob o controle dos homens, cujo corpo está aberto aos homens, uma muher que é domesticada e quebrada. Antes da revolução sexual não havia qualquer dúvida sobre a penetração ser para o benefício dos homens. A revolução sexual é um contro do vigário. Serve para dissimular a natureza opressiva da sexualidade masculina e somos ditas que a penetração é para nosso benefício também.
Todo ato de penetação para a mulher é uma invasão que mina sua confiança e esgota sua força. Para um homem é um ato de poder e domínio que o torna mais forte, não somente sobre uma mulher, mas sobre todas as mulheres. Então toda mulher que se engaja na penetração reforça o opressor e reinforça o poder de classe dos homens.
Não. Homens são o inimigo. Mulheres heterossexuais são colaboradoras do inimigo. Todo bom trabalho que nossas irmãs feministas heterossexuais fazem para as mulheres é minado pela atividade contra-revolucionária que se engajam com os homens. Ser uma feminista heterossexual é como estar na resistência na Europa ocupada pelos nazistas onde durante o dia que você explode uma ponte, à tarde você corre para consertá-la. Tome o Women’s Aid como exemplo: mulheres que vivem com os homens não podem falar para mulheres agredidas que a sobrevivência sem os homens é possível vez que elas não estão fazendo isso por si mesmas. Toda mulher que vive ou fode com homens ajuda a manter a opressão de suas irmãs e impede nossa luta.
Se você se engaja em qualquer forma de atividade sexual com um homem você está reforçando o poder de classe dele. Você pode escapar à forma mais extrema de humilhação ritual, mas por causa dos desenvolvimentos emocionais a qualquer forma do comportamento heterossexual, os homens ganham muitas vantagens e as mulheres perdem. Não existe tal coisa como um prazer sexual “puro”. Tal “prazer” é criado na fantasia, memória e experiência. O “prazer” sexual não pode ser separado das emoções que acompanham o exercício do poder e a experiência da falta de poder.
(Se você não faz penetração, por que não tomar uma mulher como amante? Se você tirar um homem de sua capacidade única de humilhar, você fica com uma criatura que é meramente pior em qualquer tipo de atividade sensual do que uma mulher é).
Uma rosa é uma rosa por qualquer outro nome e assim também é a penetração. Ou talvez “você não faz uma bolsa de seda da orelha de um javali” seja uma expressão mais adequada. A interpretação mais amável é dizer que acreditar no enclausuramento é um pensamento desejoso. Seria mais realista dizer que é uma desculpa e uma racionalização para continuar com a atividade. Enclausuramento, aonde uma vagina ativa (auxiliada por exercícios de fortalecimento) suga um pênis poderia somente acontecer onde uma mulher e um homem nascessem inteiramente formados, totalmente inocentes, em uma ilha deserta inabitada (aonde eles poderiam muito bem nunca descobrir foder de qualquer maneira).
Abandonar a foda para uma feminista é sobre tomar sua política a sério. As mulheres que são socialistas estão preparadas para abandonar muitas coisas que elas possam gostar porque elas veem como essas coisas se relacionam com e apoiam todo o sistema de opressão de classe econômica que elas estão lutando contra. Elas irão resistir comprar maçãs do Cabo porque os lucros vão para a África do Sul. Obviamente é mais difícil para algumas feministas abandonarem a penetração que é tão fundamental ao sistema de opressão que estão lutando contra.
Isso simplesmente não é verdade. Viver sem o privilégio heterossexual é difícil e perigoso. Tente ir a bares com grupos de mulheres ou viver em uma casa de mulheres onde jovens na rua cercam com pedras e assobios.
Os privilégios heterossexuais são a aprovação masculina, mais segurança de ataque físico, maior facilidade em lidar com as autoridades, conseguir consertos, proteção de um telefonema obsceno e assediador, ser capaz de se referir a um homem na fila do ônibus ou no trabalho que traz sorrisos de aprovação de mulheres e homens, sem contar as vantagens financeiras de se estar ligada a um membro da classe dominante masculina que possui grande poder aquisitivo.
Porque escolhemos viver sem esses privilégios nós ressentimos em sermos usadas por feministas heterossexuais como postos de combustível quando elas são desgastadas por suas lutas contra seus homens. Os grupos de libertação das mulheres e as casas de mulheres deveriam ser um refúgio e um apoio para as irmãs heterossexuais em revolver suas contradições por irem embora, mas não deveriam ser usados para apoiar os relacionamentos heterossexuais e, dessa forma, fortalecer a estrutura da supremacia masculina.
Isso é às vezes verdade, mas o poder de uma mulher nunca é encurralado por uma posição de classe de sexo superior. Lutas entre mulheres não fortalecem diretamente a opressão de todas as mulheres ou constroem a força dos homens. A perfeição pessoal nos relacionamentos não é um objetivo realista sob a supremacia masculina. O lesbianismo é uma escolha política necessária, parte das táticas de nossa luta, não um passaporte para o paraíso.
Nós nunca lhe prometemos um jardim de rosas. Nós não dizemos que todas as feministas deveriam ser lésbicas porque é maravilhoso. O sonho lésbico do amor de mulheres, de seios nus, as softballers que tocam guitarra, cambalhotando em encostas banhadas pelo sol é mais apropriado à Califórnia, supondo que tenha qualquer semelhança com a realidade, do que com Hackney.
Mas sim, é melhor ser uma lésbica. As vantagens incluem o prazer de saber que você não está diretamente servindo aos homens, viver sem a tensão de uma flagrante contradição em sua vida pessoal, unir o pessoal e o político, amar e colocar suas energias naquelas que estão lutando ao seu lado ao invés de naqueles que você está lutando contra e a possibilidade de uma grande confiança, honestidade e franqueza em sua comunicação com as mulheres.
A comunicação com as mulheres heterossexuais é carregada de dificuldades, com a estática que vem de seus relacionamentos com homens. Os homens distorcem tal comunicação. Uma mulher heterossexual terá uma percepção diferente e uma reação a coisas que você diz; ela pode ficar defensiva e é provável de estar pensando “e o Nigel?”. Quando você fala sobre os interesses e o futuro e a sobrevivência de mulheres, sua imaginação pode estar bloqueada pela preocupação por seu homem e seus irmãos. Você se sente sob pressão para dizer coisas boas que não irão ameaçá-la.
Não. A culpabilização é usada para impedir que as mulheres falem a verdade como a veem e de falarem sobre realidades políticas difíceis. São vocês, irmãs heterossexuais, que estão nos culpabilizando. É possível parar de colaborar e pedir para vocês fazerem isso não é uma culpabilização.
Não. Algumas mulheres que são lésbicas e feministas trabalham de maneira próxima a homens na esquerda masculina (quer em seus grupos ou em grupos de mulheres em seu interior), ou fornecem porta-vozes no interior do movimento de libertação das mulheres para as ideias dos homens mesmo quando não-alinhadas. Pode muito bem ser que essas mulheres percebam como sendo mais difícil ver que homens são o inimigo porque elas são tratadas como substitutas mas homens inferiores por homens da esquerda e são capazes de se sentirem superiores às mulheres heterossexuais que ainda estão lutanto contra a opressão sexual em suas camas. Elas não são identificadas com mulheres e ganham privilégios através de associarem-se com homens e impulsionarem ideias que são só suavemente aceitas à ideologia da esquerda masculina.
A maioria de nós sabe por experiência pessoal quão praticamente difícil e doloroso é decidir não foder de novo e ir embora do homem que vivemos com e/ou amamos. Só é geralmente feito com o amor, apoio e força de outras mulheres que fizeram essa quebra e cuja crítica e fala direta nos estimularam. Sabemos que, para algumas mulheres, por exemplo, para aquelas com crianças, aquelas com não fácil aceso ao movimento e aquelas sem a experiência de viverem por conta própria, a quebra é mais difícil do que para outras e elas precisam de mais tempo e apoio prático. Sabemos quão difícil é encontrar uma casa de mulheres para morar e como é sentir-se como uma “nova garota” na discoteca de mulheres. Mas parte do apoio deve ser em explicar o mais claro possível as razões políticas para nossa própria escolha e falar honestamente sobre todas as dificuldades com as mulheres que estão fazendo isso.
Peço desculpa aos amigos por compartilhar o texto por inteiro. Primeiro, é uma peça rara (num sentido não agradável da expressão), os absurdos são tantos que fica difícil resumir, condensar, escolher o pior. Segundo, parto do princípio do "o melhor argumento contra um comunista é deixá-lo falar".
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| Sexo politizado. Para quem duvida. |
Sabemos que a questão de se todas as
feministas devem ser lésbicas não é nova. Nós tivemos que trabalhar
nossas ideias no assunto porque, frequentemente, quando falamos com
outras mulheres sobre nossa política e o que significa dizer que homens
são o inimigo, somos questionadas se estamos dizendo que todas as
feministas devem ser lésbicas.
Compreendemos que o tópico é explosivo. É algo que devemos falar em casa e em grupos fechados e confiáveis de amigos e não fazer colocações políticas a respeito no movimento, para que nossas irmãs heterossexuais não nos acusem de ódio às mulheres. É verdade que devemos esconder nossas fortes crenças políticas sobre o assunto quando conversamos com outras feministas? Gostaríamos de levantar toda a questão para a discussão em um workshop; não só se todas as feministas devem ser lésbicas, mas precisamente porque pensamos que devem e se e como devemos começar a falar sobre isso mais abertamente.
Nós sim pensamos que todas as feministas podem e devem ser lésbicas políticas. Nossa definição de uma lésbica política é uma mulher identificada com a mulher que não fode com homens. Não significa compulsória atividade sexual com outras mulheres. O escrito é dividido em duas partes. A primeira cobre as razões pelas quais pensamos que feministas sérias não possuem escolha a não ser abandonar a heterossexualidade. A segunda é organizada em forma de questões levantadas e comentários feitos a nós sobre o assunto do lesbianismo político e a forma pela qual achamos que elas devem ser respondidas.
(1) O que é a heterossexualidade e por que ela deve ser abandonada
Sexualidade
Que papel a sexualidade desempenha na opressão das mulheres? Somente no sistema de opressão que é a supremacia masculina o opressor efetivamente invade e coloniza o interior do corpo do oprimido. Ligados a todas as formas de comportamento sexual estão significados de dominação e submissão, poder e a falta dele, conquista e humilhação. Existe uma importância muito especial relacionada à sexualidade sob a supremacia masculina quando toda referência sexual, toda piada sexual, toda imagem sexual serve para lembrar a uma mulher de seu centro invadido e a um homem de seu poder. Por que toda essa agitação em nossa cultura sobre o sexo? Porque é especificamente através da sexualidade que a opressão fundamental, aquela dos homens sobre as mulheres, é mantida. (Isso deveria ser um livro, realmente não pode ser desenvolvido agora.)
O casal heterossexual
O casal heterossexual é a unidade básica da estrutura política da supremacia masculina. Nisto, cada mulher individual se mantém sob controle de um homem individual. É de longe mais eficiente do que manter as mulheres em guetos, campos ou mesmo em barracões no fundo do jardim. No casal, o amor e o sexo são usados para obscurecer as realidades da opressão, para previnir as mulheres de se identificarem umas com as outras de forma a se revoltarem e de identificarem “seus” homens como parte do inimigo. Qualquer mulher que toma parte em um casal heterossexual ajuda a assegurar a supremacia masculina por tornar sua fundação mais forte.
Penetração
A penetração (onde quer que for que nos refiramos à penetração, queremos dizer à penetração pelo pênis) não é necessária ao prazer sexual das mulheres e nem mesmo dos homens. Sua performance leva à reprodução de formas fastidiosas/perigosas de contracepção. Por que então ela se assenta no cerne da cultura sexualizada desse estágio particular da supremacia masculina? Por que mais e mais mulheres, de idades mais e mais novas, são encorajadas por psiquiatras, médicos, conselheiros de orientação de casamento, a indústria pornográfica, o movimento de desenvolvimento, esquerdistas e o Masters and Johnson [1] a serem mais e mais fodidas com maior frequência? Porque a forma da opressão das mulheres sob a supremacia masculina está mudando. Assim que mais mulheres são capazes de ganhar um pouco mais de dinheiro e as pressões da reprodução são atenuadas, a manutenção de homens individuais e de homens como uma classe sobre as mulheres está sendo fortalecida através do controle sexual.
A função da penetração
A penetração é um ato de grande significância simbólica pela qual o opressor entra no corpo do oprimido. Mas é mais do que um símbolo, sua função e efeito é a punição e o controle das mulheres. Não é só o estupro que serve a esta função, mas todo ato de penetração, mesmo aquilo que é eufemisticamente descrito como “fazer amor”. Todas ouvimos os homens falando sobre uma mulher insolente: “o que ela precisa é de uma boa foda”. Esta não é uma observação inútil. Todo homem sabe que uma mulher fodida é uma mulher sob o controle dos homens, cujo corpo está aberto aos homens, uma muher que é domesticada e quebrada. Antes da revolução sexual não havia qualquer dúvida sobre a penetração ser para o benefício dos homens. A revolução sexual é um contro do vigário. Serve para dissimular a natureza opressiva da sexualidade masculina e somos ditas que a penetração é para nosso benefício também.
Todo ato de penetação para a mulher é uma invasão que mina sua confiança e esgota sua força. Para um homem é um ato de poder e domínio que o torna mais forte, não somente sobre uma mulher, mas sobre todas as mulheres. Então toda mulher que se engaja na penetração reforça o opressor e reinforça o poder de classe dos homens.
(2) Questões e comentários
(a) Mas parece que você está dizendo que mulheres heterossexuais são o inimigo!
Não. Homens são o inimigo. Mulheres heterossexuais são colaboradoras do inimigo. Todo bom trabalho que nossas irmãs feministas heterossexuais fazem para as mulheres é minado pela atividade contra-revolucionária que se engajam com os homens. Ser uma feminista heterossexual é como estar na resistência na Europa ocupada pelos nazistas onde durante o dia que você explode uma ponte, à tarde você corre para consertá-la. Tome o Women’s Aid como exemplo: mulheres que vivem com os homens não podem falar para mulheres agredidas que a sobrevivência sem os homens é possível vez que elas não estão fazendo isso por si mesmas. Toda mulher que vive ou fode com homens ajuda a manter a opressão de suas irmãs e impede nossa luta.
(b) Mas nós não fazemos penetração, meu namorado e eu.
Se você se engaja em qualquer forma de atividade sexual com um homem você está reforçando o poder de classe dele. Você pode escapar à forma mais extrema de humilhação ritual, mas por causa dos desenvolvimentos emocionais a qualquer forma do comportamento heterossexual, os homens ganham muitas vantagens e as mulheres perdem. Não existe tal coisa como um prazer sexual “puro”. Tal “prazer” é criado na fantasia, memória e experiência. O “prazer” sexual não pode ser separado das emoções que acompanham o exercício do poder e a experiência da falta de poder.
(Se você não faz penetração, por que não tomar uma mulher como amante? Se você tirar um homem de sua capacidade única de humilhar, você fica com uma criatura que é meramente pior em qualquer tipo de atividade sensual do que uma mulher é).
(c) Mas meu namorado não me penetra, eu o enclausuro.
Uma rosa é uma rosa por qualquer outro nome e assim também é a penetração. Ou talvez “você não faz uma bolsa de seda da orelha de um javali” seja uma expressão mais adequada. A interpretação mais amável é dizer que acreditar no enclausuramento é um pensamento desejoso. Seria mais realista dizer que é uma desculpa e uma racionalização para continuar com a atividade. Enclausuramento, aonde uma vagina ativa (auxiliada por exercícios de fortalecimento) suga um pênis poderia somente acontecer onde uma mulher e um homem nascessem inteiramente formados, totalmente inocentes, em uma ilha deserta inabitada (aonde eles poderiam muito bem nunca descobrir foder de qualquer maneira).
(d) Mas eu gosto de foder.
Abandonar a foda para uma feminista é sobre tomar sua política a sério. As mulheres que são socialistas estão preparadas para abandonar muitas coisas que elas possam gostar porque elas veem como essas coisas se relacionam com e apoiam todo o sistema de opressão de classe econômica que elas estão lutando contra. Elas irão resistir comprar maçãs do Cabo porque os lucros vão para a África do Sul. Obviamente é mais difícil para algumas feministas abandonarem a penetração que é tão fundamental ao sistema de opressão que estão lutando contra.
(e) É muito mais fácil para você
no gueto lésbico que para mim. Eu tenho que viver as contradições da
minha política que é uma dura, implacável e diária luta com o homem que
vivo com.
Isso simplesmente não é verdade. Viver sem o privilégio heterossexual é difícil e perigoso. Tente ir a bares com grupos de mulheres ou viver em uma casa de mulheres onde jovens na rua cercam com pedras e assobios.
Os privilégios heterossexuais são a aprovação masculina, mais segurança de ataque físico, maior facilidade em lidar com as autoridades, conseguir consertos, proteção de um telefonema obsceno e assediador, ser capaz de se referir a um homem na fila do ônibus ou no trabalho que traz sorrisos de aprovação de mulheres e homens, sem contar as vantagens financeiras de se estar ligada a um membro da classe dominante masculina que possui grande poder aquisitivo.
Porque escolhemos viver sem esses privilégios nós ressentimos em sermos usadas por feministas heterossexuais como postos de combustível quando elas são desgastadas por suas lutas contra seus homens. Os grupos de libertação das mulheres e as casas de mulheres deveriam ser um refúgio e um apoio para as irmãs heterossexuais em revolver suas contradições por irem embora, mas não deveriam ser usados para apoiar os relacionamentos heterossexuais e, dessa forma, fortalecer a estrutura da supremacia masculina.
(f) Mas os relacionamentos lésbicos são também fodidos por lutas de poder.
Isso é às vezes verdade, mas o poder de uma mulher nunca é encurralado por uma posição de classe de sexo superior. Lutas entre mulheres não fortalecem diretamente a opressão de todas as mulheres ou constroem a força dos homens. A perfeição pessoal nos relacionamentos não é um objetivo realista sob a supremacia masculina. O lesbianismo é uma escolha política necessária, parte das táticas de nossa luta, não um passaporte para o paraíso.
(g) Eu não vou abandonar o que eu tenho a menos que o que você me ofereça é melhor.
Nós nunca lhe prometemos um jardim de rosas. Nós não dizemos que todas as feministas deveriam ser lésbicas porque é maravilhoso. O sonho lésbico do amor de mulheres, de seios nus, as softballers que tocam guitarra, cambalhotando em encostas banhadas pelo sol é mais apropriado à Califórnia, supondo que tenha qualquer semelhança com a realidade, do que com Hackney.
Mas sim, é melhor ser uma lésbica. As vantagens incluem o prazer de saber que você não está diretamente servindo aos homens, viver sem a tensão de uma flagrante contradição em sua vida pessoal, unir o pessoal e o político, amar e colocar suas energias naquelas que estão lutando ao seu lado ao invés de naqueles que você está lutando contra e a possibilidade de uma grande confiança, honestidade e franqueza em sua comunicação com as mulheres.
A comunicação com as mulheres heterossexuais é carregada de dificuldades, com a estática que vem de seus relacionamentos com homens. Os homens distorcem tal comunicação. Uma mulher heterossexual terá uma percepção diferente e uma reação a coisas que você diz; ela pode ficar defensiva e é provável de estar pensando “e o Nigel?”. Quando você fala sobre os interesses e o futuro e a sobrevivência de mulheres, sua imaginação pode estar bloqueada pela preocupação por seu homem e seus irmãos. Você se sente sob pressão para dizer coisas boas que não irão ameaçá-la.
(h) Você está nos culpando.
Não. A culpabilização é usada para impedir que as mulheres falem a verdade como a veem e de falarem sobre realidades políticas difíceis. São vocês, irmãs heterossexuais, que estão nos culpabilizando. É possível parar de colaborar e pedir para vocês fazerem isso não é uma culpabilização.
(i) Todas as feministas lésbicas são lésbicas políticas?
Não. Algumas mulheres que são lésbicas e feministas trabalham de maneira próxima a homens na esquerda masculina (quer em seus grupos ou em grupos de mulheres em seu interior), ou fornecem porta-vozes no interior do movimento de libertação das mulheres para as ideias dos homens mesmo quando não-alinhadas. Pode muito bem ser que essas mulheres percebam como sendo mais difícil ver que homens são o inimigo porque elas são tratadas como substitutas mas homens inferiores por homens da esquerda e são capazes de se sentirem superiores às mulheres heterossexuais que ainda estão lutanto contra a opressão sexual em suas camas. Elas não são identificadas com mulheres e ganham privilégios através de associarem-se com homens e impulsionarem ideias que são só suavemente aceitas à ideologia da esquerda masculina.
(j) Mas você não entende quão difícil é abandonar os homens.
A maioria de nós sabe por experiência pessoal quão praticamente difícil e doloroso é decidir não foder de novo e ir embora do homem que vivemos com e/ou amamos. Só é geralmente feito com o amor, apoio e força de outras mulheres que fizeram essa quebra e cuja crítica e fala direta nos estimularam. Sabemos que, para algumas mulheres, por exemplo, para aquelas com crianças, aquelas com não fácil aceso ao movimento e aquelas sem a experiência de viverem por conta própria, a quebra é mais difícil do que para outras e elas precisam de mais tempo e apoio prático. Sabemos quão difícil é encontrar uma casa de mulheres para morar e como é sentir-se como uma “nova garota” na discoteca de mulheres. Mas parte do apoio deve ser em explicar o mais claro possível as razões políticas para nossa própria escolha e falar honestamente sobre todas as dificuldades com as mulheres que estão fazendo isso.
[1] Masters and Johnson, grupo de
pesquisa sobre o comportamento sexual, o diagnóstico e o tratamento de
transtornos e disfunções sexuais, composto por William H. Masters e
Virginia E. Johnson. Ativo de 1957 até os 1990s. (N. da T.)
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