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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Hannah Arendt: fascismos italiano, português e espanhol não foram totalitários, apenas comunismo soviético e nazismo o foram

Por André,

Hannah Arendt

"Os movimentos totalitários objetivam e conseguem organizar as massas – e não as classes, como o faziam os partidos de interesses dos Estados nacionais do continente europeu, nem os cidadãos com suas opiniões peculiares quanto à condução dos negócios públicos, como o fazem os partidos dos países anglo-saxões. Todos os grupos políticos dependem da força numérica, mas não na escala dos movimentos totalitários, que dependem da força bruta, a tal ponto que os regimes totalitários parecem impossíveis em países de população relativamente pequena, mesmo que outras condições lhes sejam favoráveis. Depois da Primeira Guerra Mundial, uma onda antidemocrática e pró-ditatorial de movimentos totalitários e semitotalitários varreu a Europa: da Itália disseminaram-se movimentos fascistas para quase todos os países da Europa central e oriental (os tchecos – mas não os eslovacos – foram uma das raras exceções); contudo, nem mesmo Mussolini, embora useiro da expressão “Estado totalitário”, tentou estabelecer um regime inteiramente totalitário, contentando-se com a ditadura unipartidária. Ditaduras não totalitárias semelhantes surgiram, antes da Segunda Guerra Mundial, na Romênia, Polônia, nos Estados bálticos (Lituânia e Letônia), na Hungria, em Portugal e, mais tarde, na Espanha. Os nazistas, cujo instinto era infalível para discernir essas diferenças, costumavam comentar com desprezo as falhas de seus aliados fascistas, ao passo que a genuína admiração que nutriam pelo regime bolchevista da Rússia (e pelo Partido Comunista da Alemanha) só era igualada e refreada por seu desprezo em relação às raças da Europa oriental. O único homem pelo qual Hitler sentia “respeito incondicional” era “Stálin, o gênio”, e, embora no caso de Stálin e do regime soviético não possamos dispor (e provavelmente nunca venhamos a ter) a riqueza de documentos que encontramos na Alemanha nazista, sabemos, desde o discurso de Khrushchev perante o Vigésimo Congresso do Partido Comunista, que também Stálin só confiava num homem, e que esse homem era Hitler"

ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo, 2012, p. 436 e 437.

Hannar Arendt acerca dos "revolucionários do bem"

Por André,



“A atração que o mal e o crime exercem sobre a mentalidade da ralé não é novidade. Para a ralé, os “atos de violência podiam ser perversos, mas eram sinal de esperteza”. Mas o que é desconcertante no sucesso do totalitarismo é o verdadeiro altruísmo dos seus adeptos. É compreensível que as convicções de um nazista ou bolchevista não sejam abaladas por crimes cometidos contra inimigos do movimento; mas o fato espantoso é que ele não vacila quando o monstro começa a devorar seus próprios filhos, nem mesmo quando ele próprio se torna vítima da opressão, quando é incriminado e condenado, quando é expulso do partido e enviado para um campo de concentração ou de trabalhos forçados. (...)  Mas, dentro da estrutura organizacional do movimento enquanto ele permanece inteiro, os membros fanatizados são inatingíveis pela experiência e pelo argumento; a identificação com o movimento e o conformismo total parecem ter destruído a própria capacidade de sentir, mesmo que seja algo tão extremo como a tortura ou o medo da morte.”

ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo, 2012, p. 435 e 436.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Histórico de uma citação

Por André,

Sempre ouvi a citação, demasiadamente precisa, pois tem uma evidência histórica estonteante (nomes que viraram à direita: Nelson Rodrigues, Ferreira Gullar, Thomas Sowell, Eric Voegelin) que reza: "Quem não é socialista aos 20 não tem coração, e quem continua sendo aos 40 não tem cérebro". Contudo, a autoria da frase é duvidosa. Atribui-se a Nelson Rodrigues, Winston Churchill e Georges Clemenceau.

Ao que tudo indica, a citação efetivamente pertence ao último. Atribuí-la a Churchill é equivocado. E a Nelson Rodrigues é apócrifo. Clemenceau teria se inspirado na frase do François Guizot, primeiro-ministro francês: "Não ser Republicano aos 20 é não ter coração; ser um aos 30 é prova de não ter cérebro."


Georges Clemenceau, autor da frase. Estadista, médico e jornalista francês.  



domingo, 7 de julho de 2013

Dante Aliguieri e os "moderados"

Por André,

O inferno de Dante, por Gustave Dore
"Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral."

Epígrafe do livro "Inferno" do Dan Brown. A referência é à Divina Comédia. Boa citação para tempos em que as pessoas gostam de arrotar superioridade por se autointitularem "moderadas".





















terça-feira, 11 de setembro de 2012

John Steinbeck sobre o indivíduo

Por André,
"A nossa espécie é a única espécie criativa, e tem apenas um único instrumento criativo, a mente e espírito únicos de cada homem. Nunca nada foi criado por dois homens. Não existem boas colaborações, quer em arte, na música, na poesia, na matemática, na filosofia. De cada vez que o milagre da criação acontece, um grupo de pessoas pode construir com base nela e aumentá-la, mas o grupo em si nunca inventa nada. A preciosidade reside na mente solitária de cada homem.

E agora existem forças que enaltecem o conceito de grupo e que declararam uma guerra de exterminação a essa preciosidade, a mente do homem. Através das mais variadas formas de pressão, repressão, culto, e outros métodos violentos de condicionamento, a mente livre tem sido perseguida, roubada, drogada, exterminada. E este é um rumo de suicídio coletivo que a nossa espécie parece ter tomado.

E é nisto que eu acredito: que a mente livre e criativa do homem individual é a coisa mais valiosa no mundo".

→ John Steinbeck, in "A Leste do Paraíso"

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Citação de Nelson Rodrigues

 Por André,


"Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes 'É proibido proibir' e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais."

(Nelson Rodrigues)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Citação de Roger Scruton sobre liberdade

Por André,

"A liberdade só é genuína quando limitada pelas leis e pelas instituições que nos tornam responsáveis uns perante os outros, que nos obrigam a reconhecer a liberdade dos outros e também a tratar os outros com respeito"

SCRUTON, Roger. As Vantagens do Pessimismo. Lisboa: ed. Quetzal, 2011, p. 54.

Citação de Nelson Rodrigues. Sobre sua estada em São Paulo

Por André,

"Quando o garçom chegou com o melão, perguntei-lhe, irritado: - "Cadê o pessoal que estava aqui? Isso não estava cheio? " O garçom pôs o prato na mesa: - "Perfeitamente". E eu: "Não tem mais ninguém, por quê?" Antes de responder, indagou: - "O senhor é do Rio?" Era do Rio. Deu a explicação sucinta e lapidar: - "Aqui, trabalha-se"

RODRIGUES, Nelson. O Reacionário. Rio de Janeiro: ed. Record, 1977, p. 53

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Citação de George Orwell, sobre 1984 como um romance contra o comunismo e o socialismo


"Marxistas, 1984 não é uma novela exclusivamente contra o nazismo. Se foram icnapazes de identificar o Grande Irmão em muitos dos Estados atuais, então é sinal que não captaram o espírito do livro. Pensar que meu romance possa ser o livro favorito de muitos socialistas e comunistas só me faz pensa na grande manipulação a que foram submetidos. 1984 é um romance contra o coletivismo, o socialismo, o fascismo e a favor da liberdade individual"

Fonte.

Citação de Adam Smith sobre a "mão invisível"



"Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade." - Adam Smith

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Milton Friedman sobre igualdade e liberdade

Por André,


"Uma sociedade que coloca a igualdade antes da liberdade nunca terá nenhum dos dois. Uma sociedade que coloca a liberdade antes da igualdade obterá um elevado grau dos dois".

Pelo economista liberal Milton Friedman

sábado, 2 de junho de 2012

A vida descrita por Schopenhauer

Por André,


"Sua vida, portanto, oscila como um pêndulo, para aqui e para acolá. entre a dor e o tédio, os quais em realidade são seus componentes básicos"

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. São Paulo: ed. UNESP, 2005, p. 402 (§57, l. IV).

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Frase brilhante de Charles Bukowski


“Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: ‘Os homens mais fortes são os mais solitários’. Viu como pensa a maioria: ‘Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?’. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”

sábado, 5 de maio de 2012

Citação randômica (ou não)

"(...)  Fique atento a tudo o que a pessoa que lhe chama a atenção disser: leia as entrelinhas de todas as suas decisões, analise cada palavra, letra por letra, interprete seus gestos, elabore teorias e deduza conclusões arriscadas; se possível, partilhe-as com alguém de confiança, uma pessoa que você possa atormentar com a sua obsessão platônica. Finja um encontro casual com a pessoa amada, a fim de conseguir novas pistas para alimentar as suas ânsias detetivescas e recomece tudo de novo e de novo. Mas, principalmente, não pergunte diretamente o que ela pensa, ou a emoção da busca acabará por se chocar com a realidade (a de que ele/ela sequer está interessado/a em você."

TORRE, Toni de la. Dr. House. Um Guia para a vida. São Paulo: Lua de Papel, 2010.