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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Democratização & Indiferenciação? Afinidades entre Freyre e Girard

Por Miméticos,

O sociólogo Gilberto Freyre, em seu clássico Casa Grande & Senzala, propôs o argumento de que a miscigenação racial combinada à mobilidade social — ambas decorrentes das estratégias de conquista e povoação do período colonial — teriam, incidentalmente, suscitado no desenvolvimento da sociedade brasileira uma situação de “democratização racial”1, que poderia ser aferida pela mitigação de atitudes segregadoras. Esse argumento resultou da análise de uma vastíssima documentação, criteriosamente referida e circunstanciada, na qual sobejam registros oficiais e extraoficiais que apresentam pessoas negras não em situação de escravidão, mas desfrutando de recursos e confortos materiais, ou ainda ocupando posições de confiança e prestígio na hierarquia da sociedade colonial. Isso bastou para que Freyre se tornasse no bode expiatório de uma intelectualidade ideologicamente engajada que o distinguiu como apologista de uma elite branca e escravocrata, da qual era descendente direto.
Embora possa soar demasiado otimista e, por isso, apologético, o argumento de Freyre revela-se pontual, e menos polêmico, quando entendido em termos de uma democratização relativa e, portanto, real; e não em termos de uma democratização absoluta que, segundo ele, aquém de qualquer idealismo, jamais se realizou plenamente na história humana. Sem pretender aprofundar o mérito do debate, importa aqui admitir que a obra de Freyre é bastante honesta por diagnosticar uma indiferenciação coletiva, tão criativa quanto violenta, onde as franqueadas possibilidades de contato produziram atritos frequentes e antagonismos generalizados.2
E, pela ótica analítica de René Girard, talvez seja possível reelaborar o conceito freyriano de “democratização racial” como a descrição de um estado preponderante de mediação interna, onde a realidade social se desdobra numa intrincada trama de relações interdividuais, que jamais poderia ser apreendida por dicotomias sociologicamente definidas, como branco-negro, inferior-superior, rico-pobre, etc. Não por acaso, o emprego sutil que Freyre fez de títulos dicotômicos (Casa-Grande & SenzalaSobrados e Mocambos etc.) sobreveio apenas para acentuar esta dialética inapreensível e duplamente vinculante, então caracterizada pelo “&”.
Com efeito, é necessário ler mais de um destes livros para perceber a hipótese de “indiferenciação” subjacente a seu conceito de “democratização”, o qual, mal comparando, constitui-se de uma hipótese análoga àquela que Alexis de Tocqueville, sociólogo francês, fez das relações sociais observadas na já institucional democracia norte-americana — conforme ficou demonstrado por Stéphane Vinolo.
Tocqueville constatou que o processo de “democratização” faz com que as posições outrora reservadas aos privilegiados pareçam acessíveis a todos, se não de fato, pelo menos de direito, resultando daí um estado latente de arrivismo conflituoso.3 Freyre detecta os mesmo sintomas desta indiferenciação ao sondar o colapso do patriarcado colonial mediante as novas conjunturas sociais suscitadas pelo transplante da corte portuguesa para os trópicos. Em Casa-Grande & Senzala, essa indiferenciação é apresentada em germe (por isso ele não usa o termo democratização), ainda contida pelas convenções já frouxas do patriarcado, em que a rivalidade era anulada por uma abissal desproporção social, inibindo o desejo de se apropriar ou mesmo de se comparar com modelos tão remotos. Nesta situação, o desejo de imitação ocorreria de forma reverente, não competitiva, entendida apenas como uma cordial admiração.
Falando em cordialidade, seria interessante lembrar que Sergio Buarque de Holanda, ao propor o arquétipo brasileiro do “homem cordial”, também sublinhou certo horror às distâncias, apontando o uso excessivo de diminutivos (inho, inha) como uma tentativa de aproximação, “um desejo de estabelecer intimidade” entre indivíduos socialmente apartados.4 Gilberto Freyre complementa esta observação, mostrando que tais atitudes eram também uma tática de arrivismo que, por seu turno, fundamentava-se num desejo de imitação:
Essa exuberância de diminutivos, que vai até extremos de denguice — certas ternuras de moça, certos modos doces, gestos quase de mulher agradando homem, em torno do branco socialmente dominante. Alguma coisa também do adolescente diante do homem sexual e socialmente maduro, homem completo e triunfante que ele, adolescente, no íntimo quer exceder; que imita, exagerando-lhe os característicos de adulto — a voz grossa, a força, a superioridade intelectual e física; e junto a quem se extrema em agrados e festas, em desejos de intimidade. Socialmente incompleto, o mulato completa-se por este esforço doce, oleoso, um tanto feminino.5
Freyre observa, porém, que essa imitação cautelosa, doce, dengosa, quase feminina, extinguir-se-ia com a degradação do patriarcado, ou seja, quando as oportunidades de mobilidade embotariam os distintivos sociais e nivelariam as aspirações interdividuais, culminando naquele mesmo arrivismo conflituoso observado por Tocqueville.
E essa mobilidade, que no dizer de Freyre não foi só social, mas racial (em virtude da miscigenação), calha precisamente como circunstância de mediação interna dos desejos, criando uma aproximação arriscada entre o sujeito e os seus modelos, de modo que as oportunidades de apropriação, ou tão somente de comparação, ocasionariam uma constante tendência à emulação e ao ressentimento. Neste sentido, Freyre vai além de Tocqueville (aproximando-se ainda mais de Girard) ao constatar não só a indiferenciação vigente, mas também algumas atitudes sadomasoquistas que são próprias de coletividades indiferenciadas.
Em Casa Grande & Senzala, ainda à sombra do patriarcado, ele diz que o sadomasoquismo era doméstico: a sinhá que espezinha cruelmente as mucamas com as quais compete pelo desejo do marido; o sinhozinho que se desforra da astúcia e destreza dos moleques fazendo-os de montaria, sodomizando-os, etc.6Em Sobrados & Mocambos esse sadomasoquismo sai às ruas, se redimensiona, ganhando proporções grupais, manifestando-se nos cortiços, nos colégios internos, nas corporações militares, nas repartições públicas, e até nas irmandades religiosas.7 E contrariando os críticos e censores que o acusavam de escamotear abusos racistas, Freyre mostra neste segundo livro que o racismo puro e simples não seria bastante para explicar, por exemplo, o sadomasoquismo místico que, nos idos de 1830, impeliu fanáticos sertanejos (pertencentes às diversas classes e matrizes raciais) a praticarem rituais de autoimolação com o fim de obter riqueza, poder e até uma transformação fenotípica.8 Esses casos extremos eram tentativas tão óbvias quanto desesperadas de estabelecer alguma “diferenciação”. E o racismo era tão somente um dos muitos obstáculos que, ao invés de refrear, excitava as reciprocidades violentas.
René Girard, em Mentira Romântica e Verdade Romanesca (livro que Freyre leu e comentou entusiasticamente)9, detectou e interpretou de maneira análoga padrões equivalentes de conduta social, como os trotes impiedosos que as pessoas impunham ao doido e vulnerável Dom Quixote; ou o fascínio humilhante que prendia Julien Sorel à soberba residência de la Mole; ou o desprezo que o homem do subsolo buscava nas reuniões com seus compartes, para em seguida despejá-lo sobre a prostituta; e, sobretudo, a sinistra cadeia de retaliações mútuas na qual se imbricavam os habitués dos salões proustianos. Em cada uma destas ocorrências, Girard observa, tal como Freyre, que as relações masoquistas e sádicas medram com a mediação interna que caracteriza os grupos sociais indiferenciados. São faces opostas da mesma moeda: o masoquista precipita-se contra o modelo-obstáculo, que, quanto mais inexpugnável é, mais desejável se torna. O sádico, por sua vez, é o modelo-obstáculo que se assume como ídolo, todavia tornando-se dependente da sujeição idolátrica que o confirma enquanto tal.10
Essa intuição comum acerca da mediação interna evidencia as não poucas afinidades teóricas entre Gilberto Freyre e René Girard. Tanto que, através do conceito de “indiferenciação” de um, é possível esclarecer e revalidar o conceito de “democratização racial” do outro. Por conseguinte, é possível também constatar que, longe de minimizar as mazelas e vicissitudes da sociedade escravocrata, Gilberto Freyre as compreendia e apresentava, em toda sua complexidade, nos aspectos mais banais do cotidiano, desempenhando assim a função do gênio romanesco que se eleva acima do esquematismo romântico das dicotomias. Ou como diz Girard:
O gênio romanesco se eleva acima das oposições geradas pelo desejo metafísico. Ele procura nos mostrar seu caráter ilusório. Ultrapassa as caricaturas rivais do Bem e do Mal que nos propõem as facções. Afirma a identidade dos contrários no âmbito da mediação interna.11

  1. FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala: Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal. 49a edição. São Paulo: Global, 2003, p. 33. 
  2. FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mocambos: Decadência do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano. 1a edição. Rio de Janeiro: Editora Record. 1998, pp. 398–400. 
  3. Stéphane Vinolo é doutor em filosofia pela Universidade Michel de Montaigne Bordeaux III. Suas pesquisas procuram determinar o status e o papel do “desconhecimento” (méconaissance) nas teorias da auto-organização do social. (VINOLO, Stéphane. René Girard: Do Mimetismo à Hominização. São Paulo: É Realizações, 2012, pp. 39–43.) 
  4. HOLANDA. Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, pp. 139 a 151. 
  5. FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mocambos: Decadência do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano. 10a edição. Rio de Janeiro: Editora Record. 1998, p. 647. 
  6. FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala: Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal. 49a edição. São Paulo: Global, 2003, pp. 393–394. 
  7. FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mocambos: Decadência do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano. 10a edição. Rio de Janeiro: Editora Record. 1998, pp. 270–271. 
  8. Ibid. p. 365. 
  9. FREYRE, Gilberto. Como e Porque Sou Escritor. João Pessoa: Departamento Cultural da Universidade da Paraíba, 1965. pp. 24–26. 
  10. GIRARD, René. Mentira Romântica e Verdade Romanesca. Trad. Lilia Ledon da Silva. São Paulo: É Realizações, 2009, pp. 205–221. 
  11. Ibid. p. 221. 

domingo, 30 de março de 2014

Villa: "Esquerda tinha ditaduras como modelo"

Por Estadão,

Durante a ditadura, a oposição de esquerda transformou a experiência dos países socialistas em referência de democracia. A ditadura do proletariado foi exaltada como o ápice da liberdade humana e serviu como contraponto ao regime militar. A falácia tinha uma longa história. Desde os anos 1930 brasileiros escreveram libelos em defesa do sistema que libertava o homem da opressão capitalista.

Tudo começou com URSS, Um Novo Mundo, de Caio Prado Júnior, publicado em 1934, resultado de uma viagem de dois meses do autor pela União Soviética. Resolveu escrevê-lo, segundo informa na apresentação, devido ao sucesso das palestras que teria feito em São Paulo descrevendo a viagem. À época já se sabia do massacre de milhões de camponeses (a coletivização forçada do campo, 1929-1933) e a repressão a todas os não bolcheviques.
Prado Júnior justificou a violência, que segundo ele "está nas mãos das classes mais democráticas, a começar pelo proletariado, que delas precisam para destruir a sociedade burguesa e construir a sociedade socialista". A feroz ditadura foi assim retratada: "O regime soviético representa a mais perfeita comunhão de governados e governantes". O autor regressou à União Soviética 27 anos depois. Publicou seu relato com o título O Mundo do Socialismo. Logo de início escreveu que estava "convencido dessa transformação (socialista), e que a humanidade toda marcha para ela".
Em 1960, Caio Prado não poderia ignorar a repressão soviética. A invasão da Hungria e os campos de concentração stalinistas estavam na memória. Mas o historiador exaltava "o que ocorre no terreno da liberdade de expressão do pensamento, oral e escrito", acrescentando: "Nada há nos países capitalistas que mesmo de longe se compare com o que a respeito ocorre na União Soviética". E continua escamoteando a ditadura: "Os aparelhos especiais de repressão interna desapareceram por completo. Tem-se neles a mais total liberdade de movimentos, e não há sinais de restrições além das ordinárias e normais que se encontram em qualquer outro lugar."
Seguindo pelo mesmo caminho está Jorge Amado, Prêmio Stalin da Paz de 1951. Isso mesmo: o tirano que ordenou o massacre de milhões de soviéticos dava seu nome a um prêmio "da paz". Antes de visitar a União Soviética e publicar um livro relatando as maravilhas do socialismo - o que ocorreu em 1951 -, Amado escreveu uma laudatória biografia de Luís Carlos Prestes. A União Soviética foi retratada da seguinte forma: "Pátria dos trabalhadores do mundo, pátria da ciência, da arte, da cultura, da beleza e da liberdade. Pátria da justiça humana, sonho dos poetas que os operários e os camponeses fizeram realidade magnífica".
A partir dos anos 1970, o foco foi saindo da União Soviética e se dirigindo a outros países socialistas. Em parte devido aos diversos rachas na esquerda brasileira. Cada agrupamento foi escolhendo a sua "referência", o país-modelo. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) optou pela Albânia. O país mais atrasado da Europa virou a meca dos antigos maoistas, como pode ser visto no livro O Socialismo na Albânia, de Jaime Sautchuk. O jornalista visitou o país e não viu nenhuma repressão. Apresentou um retrato róseo. Ao visitar um apartamento escolhido pelo governo, notou que não havia gás de cozinha. O fogão funcionava graças à lenha ou ao carvão. Isso foi registrado como algo absolutamente natural.
O culto da personalidade de Enver Hoxha, o tirano albanês, segundo Sautchuk, não era incentivado pelo governo. Era de forma natural que a divinização do líder começava nos jardins de infância onde era chamado de "titio Enver". As condenações à morte de dirigentes que se opuseram ao ditador foram justificadas por razões de Estado. Assim como a censura à imprensa.
Com o desgaste dos modelos soviético, chinês e albanês, Cuba passou a ocupar o lugar. Teve papel central neste processo o livro A Ilha, do jornalista Fernando Morais, que visitou o país em 1977. Quando perguntado sobre os presos políticos, o ditador Fidel Castro respondeu que "deve haver uns 2 mil ou 3 mil". Tudo isso foi dito naturalmente - e aceito pelo entrevistador.
Um dos piores momentos do livro é quando Morais perguntou para um jornalista se em Cuba existia liberdade de imprensa. A resposta foi uma gargalhada: "Claro que não. Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês". Outro jornalista completou: "Liberdade de imprensa para atacar um governo voltado para o proletariado? Isso nós não temos. E nos orgulhamos muito de não ter". O silêncio de Morais, para o leitor, é sinal de concordância. O pior é que vivíamos sob o tacão da censura.
O mais estranho é que essa literatura era consumida como um instrumento de combate do regime militar. Causa perplexidade como os valores democráticos resistiram aos golpes do poder (a direita) e de seus opositores (a esquerda).
HISTORIADOR, É AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE 'DITADURA À BRASILEIRA. 1964-1985. A DEMOCRACIA GOLPEADA À ESQUERDA E À DIREITA' (LEYA). 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Kim Jong-un é reeleito com 100% de votos. Quem se opõe a seu governo é golpista?


A imprensa oficial norte-coreana anunciou nesta segunda-feira a vitória, com 100% dos votos e sem abstenção, do ditador Kim Jong-un nas eleições legislativas de domingo, absolutamente controladas e com apenas um candidato por circunscrição. 

Em cada uma das quase 700 circunscrições do país havia apenas um candidato, apresentado pelo partido único, o que permite conhecer o resultado das eleições antes mesmo do processo. 

A 'eleição', na qual os eleitores podem optar apenas entre 'sim' e 'não', serve mais às autoridades para detectar as deserções no exterior. Segundo o correspondente da Al JAzeera, Stefanie Dekker, o eleitor que quiser votar 'não' tem que se dirigir a outra cabine e "isso é algo que poucos estão dispostos a arriscar". 

A lei afirma que o voto é facultativo, mas a imprensa estatal destacou que todos os eleitores registrados compareceram aos locais de votação, com exceção daqueles que estão fora do país. 

Na circunscrição de Kim, todos os votos foram atribuídos ao dirigente do país, que além de deputado é comandante supremo das Forças Armadas e presidente da poderosa Comissão Nacional de Defesa.
De acordo com a agência oficial, "isto expressa o apoio absoluto do povo e sua profunda confiança no supremo líder Kim Jong-Un". 

As eleições para Assembleia Suprema do Povo acontecem a cada cinco anos e estas foram as primeiras sob o comando de Kim Jong-Un, que assumiu o poder após a morte do pai, Kim Jong-Il, em dezembro de 2011. 

Kim era o candidato único na circunscrição número 111, a do Monte Paektu. Este monte tem uma dimensão sagrada para os coreanos e, segundo a propaganda, Kim Jong-Il nasceu neste local.
A assembleia se reúne apenas uma ou duas vezes por anos para confirmar as decisões tomadas pelo Partido dos Trabalhadores. 

A votação serve à ditadura para atualizar o censo, já que os funcionários responsáveis por organizar o processo visitam todas as residências para confirmar a presença ou ausência de eleitores registrados.
A lista de candidatos também serve aos analistas estrangeiros para conhecer as promoções ou punições de dirigentes do regime. 

IRMÃ
 
Kim Yeo-jong, irmã mais nova do jovem líder norte-coreano Kim Jong-un, pode ter passado a fazer parte da exclusiva elite de poder do Estado comunista, publicou nesta segunda-feira o jornal sul-coreano "Chosun". 

A imprensa estatal norte-coreana mencionou neste fim de semana pela primeira vez o nome de Kim Yeo-jong, o que faz supor que a irmã do líder conquistou uma posição com certa influência nos círculos de poder do hierarquizado regime, explicaram analistas consultados pelo jornal do Sul. 

A televisão estatal norte-coreana "KCTV" informou ontem que Kim Jong-un visitou um centro de votação em Pyongyang para as eleições da Assembleia Popular Suprema acompanhado pela "camarada Kim Yeo-jong", além de outras altas figuras do regime, como o considerado número dois Choe Ryung-hae. 

O termo "camarada" sugere, segundo a análise, que a irmã do líder possui uma categoria superior ao de subdiretora no Partido. 

Alguns dos analistas especulam também que, com menos de 30 anos, Kim Yeo-jong poderia ostentar a categoria de secretária do partido da mesma forma que sua tia Kim Kyong-hui, irmã de Kim Jong-il e viúva de Jang Song-thaek, ex-número dois do regime e executado em dezembro por traição. 

"Chosun" já especulou anteriormente sobre a ascensão da jovem Kim, a quem atribuiu diversas responsabilidades relacionadas à tesouraria do Estado e a captação de divisas estrangeiras.
Mas o extremo isolamento que caracteriza o regime da Coreia do Norte torna impossível confirmar as informações das elites do poder do Estado comunista e da família do líder Kim Jong-un. 

Por isso, os meios de comunicação e analistas se limitam a repercutir a informação dos veículos estatais de Pyongyang e dos poucos dados que vazam do país mais hermético do mundo.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Polícia de pensamento, em breve no Brasil: "Justiça condena empresário por chamar filho de Lula de 'idiota'"

Por Folha de São Paulo,

O empresário Alexandre Paes dos Santos foi condenado a pagar R$ 5.000 a Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, por tê-lo chamado de "primário", "idiota" e "uma decepção" em conversa com jornalista da revista "Veja" que não chegou a ser publicada. Cabe recurso. 

Lulinha, como Fábio é conhecido, soube das declarações ao processar a publicação por reportagens em que foi apontado como lobista. 

Santos, também apresentado como lobista nas reportagens, teria dito ao jornalista Alexandre Oltramari, da "Veja", que Lulinha despachava em seu escritório em Brasília. 

O empresário negou as afirmações, mas tornou-se réu em processos que o filho de Lula moveu contra a Editora Abril, que publica "Veja", e Oltramari.A revista entregou à Justiça a gravação das conversas de Santos com o repórter, incluindo o trecho em que ele criticava Lulinha. 

Ao saber do diálogo, Fábio abriu um novo processo, por dano moral. Perdeu em primeira instância, mas, no último dia 10, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu em parte seu recurso. 

A decisão foi divulgada pelo site Consultor Jurídico. 

O desembargador Alcides Leopoldo e Silva Júnior considerou que Santos teve intenção de ofender Lulinha, mesmo que sua frase não tenha sido publicada. Para o magistrado, a Abril e Oltramari não causaram danos. 

O advogado de Lulinha, Cristiano Martins, disse que recorrerá para que eles também sejam responsabilizados, porque teriam tornado as ofensas públicas ao anexar o áudio ao processo. 

Alexandre Fidalgo, advogado da Abril e de Oltramari, refuta o argumento. "Se Lulinha quisesse preservar sua honra, teria pedido segredo de Justiça", disse. O advogado de Santos, Eduardo Ferrão, não foi localizado.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Esquerda: pela liberdade e pela diversidade: "Após grupo interromper mesa, Flica cancela dois debates neste sábado"

Por G1,

Após manifestação que interrompeu o primeiro debate da Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira) neste sábado (26), quarto dia do evento, a organização resolveu cancelar duas das mesas. O protesto aconteceu após 15 minutos do início de “Donos da Terra? – Os Neoíndios, Velhos Bons Selvagens” e, segundo os manifestantes, contra a presença de um dos convidados, o sociólogo, colunista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Demétrio Magnoli.

A mesa "As Imposições do Amor ao Indivíduo”, em que estariam Jean-Claude Kaufmann e Luiz Felipe Pondé, e estava marcada para as 20h, também não vai mais acontecer. “Foram canceladas porque a organização não conseguiria garantir a integridade física dos dois autores [Luiz Felipe Pondé e Demétrio Magnoli]”, diz um dos organizadores, Emanuel Mirdad.

Protesto
Um grupo formado por cerca de 30 pessoas invadiu o saguão do Convendo do Carmo logo no início da primeira mesa. A escritora Maria Hilda Baqueiro Paraíso pediu diálogo, o que foi negado pelos manifestantes. Pessoas se pintaram de rosa e alguns ficaram seminus.

Os manifestantes afirmaram repudiar a posição crítica do participante da mesa ao sistema de cotas para ingresso nas universidades, chamando-o de racista. A mesa seria retomada às 13h, segundo o curador do evento, Aurélio Schommer, e depois foi cancelada.

'Vandalismo'

Demétrio Magnoli conversou com o G1. O escritor, cuja obra mais recente é "O Mundo em Desordem - Liberdade versus Igualdade (1914 - 1945)", criticou o fato da manifestação interromper o debate. "O grupinho que fez a baderna, que impediu o debate, eles imaginam que estão impedindo a minha liberdade de expressão, mas estão enganados, porque a minha liberdade de expressão está garantida. O que eles cerceiam é o direito das pessoas de ouvirem um debate, então eles estão contra as pessoas comuns, que vão ouvir um debate. Não estão contra o palestrante, embora eles imaginem que estejam", afirmou.

Na opinião do sociólogo, como não houve diálogo, não há crítica, mas sim vandalismo. "A crítica envolve a articulação de sentenças com começo, meio e fim, com o uso de sentenças subordinadas e principais, isso é o campo da crítica. O vandalismo não deve ser confundido com a crítica, assim como a manifestação não deve ser confundida com a depredação. Eles são vândalos e depredadores do direito das pessoas debaterem, eles não são críticos". Ainda em conversa, Magnoli fala sobre a sua opinião em relação às cotas.

"A minha posição sobre as cotas é porque, justamente como sou um anti-racista convicto, eu sou contra que estados classifiquem as pessoas na lei segundo critérios de raça. Os estados que classificaram as pessoas na lei segundo critérios de raça produziram desastres horríveis, como a África do Sul com o Apartheid, como os Estados Unidos, que no início do século XX criaram leis de segregação racial. Essas leis se baseiam no mesmo critério, que as pessoas são aquilo que a aparência delas diz que elas são. Os anti-racistas acreditam que as pessoas são aquilo que querem ser, que as pessoas são aquilo que pensam, que criam, aquilo que inventam, não são alguma coisa definida pela sua aparência, pela sua cor da pele, qualquer coisa assim. É justamente porque eu sou anti-racista que eu sou contra as cotas raciais", diz.

 

domingo, 16 de junho de 2013