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terça-feira, 27 de junho de 2017

Conluio Trump-Rússia é fábula midiática; haverá desculpas ou a narrativa pós-verdadeira permanecerá como válida?

Por Exame,

Washington – Três jornalistas do canal de notícias “CNN“, entre eles o chefe da unidade de investigação, pediram demissão após se retratarem por conta de uma história que apontava vínculos financeiros de membros da campanha do presidente Donald Trump com a Rússia.

O autor do artigo, Thomas Frank; o editor-chefe da unidade, Eric Lichtblau, e o responsável máximo da unidade de investigação da CNN, Lex Haris, apresentaram a demissão, que foi aceita pela rede de televisão.

“Após a retratação da história publicada no CNN.com, a CNN aceitou a demissão dos funcionários envolvidos na publicação da mesma”, informou um porta-voz do canal.

Segundo a “CNN”, a história, publicada na quinta-feira, não cumpria com os padrões de qualidade e rigorosidade que foram estabelecidos dentro da redação, especialmente porque a história se baseava em somente uma fonte anônima.

Não obstante, membros da unidade de investigação da CNN indicaram que a retratação não significa que a história não seja verídica, senão que não foram seguidos os procedimentos para ter um artigo sólido e respaldado por várias fontes fidedignas.

A história assegurava que o Congresso estava investigando os laços de fundos de investimento russo com membros da equipe de Trump, entre eles Anthony Scaramucci, assessor do presidente americano.

Este tipo de trabalho de investigação é revisado por vários níveis de edição e verificação e passam pelo filtro de outros jornalistas e chefes de redação, bem como por advogados da empresa.

A história só foi publicada no site, não no canal televisivo de notícias, e todas as ligações a ela foram desativadas.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sócrates e a filosofia como busca pela verdade e o viver como viver bem

Por André,


Num diálogo intitulado Críton, Platão relata a forma como Sócrates (condenado à morte pelo tribunal em 399 a.C por, entre outras acusações, corromper a juventude) responde à proposta que alguns dos seus discípulos lhe fazem: fugir em vez de aceitar a sentença fatal. 

Críton: (…) Mas, caro Sócrates, uma vez mais te peço, obedece-me e salva-te. É que, se morreres não será para mim uma desgraça só, além de ficar privado de um amigo como não tornarei a achar outro, ainda farei aos olhos da maioria, que não nos conhece bem, nem a mim nem a ti, o papel de alguém que podendo salvar-te, se quisesse gastar dinheiro, não esteve para se incomodar. E que fama pode haver mais vergonhosa que parecer ter em maior conta o dinheiro do que os amigos? A maioria das pessoas nunca acreditará que foste tu que não quiseste sair daqui, apesar da insistência dos nossos pedidos. 

Sócrates: Portanto, meu caro, não devemos preocupar-nos muito com as afirmações da maioria, mas sim (…) com a verdade. Não é, por isso, boa a tua sugestão inicial de que devemos preocupar-nos com a opinião da maioria sobre a justiça e a bondade (…). Em todo o caso, poderá alguém observar: a maioria é muito capaz de nos mandar matar. 

Críton: Evidentemente, poderia muito bem dizer-se isso, ó Sócrates. 

Sócrates: Mas, meu caro, a lógica seguida parece-me ser a mesma de há pouco. E repara de novo se este princípio permanece ou não: o que mais importa não é viver, mas viver bem.” 

Platão, ÊutifronApologia de Sócrates, Críton, Edição Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1990.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Stephen Hicks e a tática dos discursos contraditórios do pós-modernismo

Por André,

Mais uma crítica potente dirigida à maior broma intelectual de nossa época, o pós-modernismo e seu relativismo radical:

- Por um lado, toda verdade é relativa; por outro, o pós-modernismo a descreve tal como realmente é.

- por um lado, todas as culturas merecem igual respeito, por outro, a cultura ocidental é exclusivamente destru
tiva e má.

 
- os valores são subjetivos - mas sexismo e racismo são realmente um mal.

- A tecnologia é má e destrutiva - mas é injusto que alguns povos tenham mais tecnologia que outros.

- A tolerância é boa e a dominação é má - ms quando os pós-modernistas chegam ao poder, a correção política se instala.

HICKS, Stephen. Explicando o pós-modernismo. Rio de Janeiro: ed. Callis, p. 216.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Texto espetacular do Dr. Milton Simon Pires, cardiologista em Porto Alegre

A Questão da Verdade e a Obsessão pelo Consenso  Ensaio sobre o Declínio da Razão




Soldados ingleses em 1916 – Antes da Guerra o Consenso sobre a “Morte” de Deus. Depois; a Escuridão como única Verdade.

Há muito tempo atrás li que a característica da verdadeira arte é “transcender o seu tempo”. Tenho certeza que não entendi a afirmação e lembro que não havia, antes ou depois dela, qualquer definição geral do conceito de arte e muito menos de tempo. Sem nenhuma qualificação formal em filosofia é portanto um atrevimento o que pretendo sustentar no início deste artigo – a ideia, evidentemente nada original, de que as grandes questões do entendimento humano são comuns à arte e a filosofia. Mesmo sendo um clichê, permitam que eu escreva que Brahms, Thomas Mann, Kant, Monet e tantos outros usaram formas diferentes de expressão para abordar nosso desespero perante a morte, a indagação do que é o belo, qual a melhor maneira de viver uma vida justa e alguns acrescentariam e perfeita, o que são o mal, o tempo, o amor, a verdade....e assim por diante.

Na minha profissão e especialidade é possível curar algumas vezes, aliviar com frequência e consolar quase sempre. Um médico intensivista, com pretensões de “filósofo”, deveria portanto escrever sobre o tema da morte. Ainda assim não é a morte o enfoque deste texto. Eu gostaria de discorrer sobre a questão da verdade.

É possível, em filosofia, distinguir cinco conceitos fundamentais de verdade – como correspondência, revelação, conformidade com uma regra, coerência, ou utilidade. Assim, Kant afirmava que a verdade é a concordância da razão com seu objeto. Moisés teve a verdade revelada por Deus, nossos juízes sabiam que a verdade deve estar em conformidade com a lei, Maquiavel sustentou que os fins justificavam os meios e Deng Xiaoping (antecipando Lula) afirmava que na verdade não importa se o gato é branco ou preto desde que ele mate os ratos. Embora pueris, são alguns exemplos das maneiras (algumas delas catastróficas) de entender o que seria a verdade.

Em 1987, Allan Bloom em The Closing of the American Mind, afirmou (para desgosto da New Left Americana) que “há uma coisa que todo professor pode ter certeza absoluta: quase todos os estudantes que entram para a Universidade acreditam, ou dizem que acreditam, que a verdade é relativa”. O objetivo de seu livro era mostrar como a democracia ocidental acolheu inconscientemente ideias vulgarizadas de niilismo, desespero, e de relativismo disfarçado de tolerância. Seguindo uma tradição filosófica que entende a história como ciência exata substituímos razão pelo consenso e acabamos com toda possibilidade de revelação na busca pela verdade. Partindo do materialismo histórico, concluímos que a verdade pode ser construída, que a ferramenta é a democracia e o mestre de obras é o Estado. Neste sentido, desde Hegel até Hitler o que assistimos foi o ocaso do indivíduo, a diluição do ser humano na multidão e aquilo que ouso chamar de patologia do tempo - uma espécie de doença onde não há mais passado nem futuro e portanto não há lugar algum para Deus nem para Razão (a Razão como processo  fundamenta-se  em causa e efeito e portanto transcorre no tempo).

Assim sendo, não foi a toa que em 1926 Ortega y Gasset afirmou que “dentro de pouco tempo se ouvirá um grito formidável que se elevará do planeta como uivos de inumeráveis cães, até as estrelas, pedindo alguém e algo que mande, que imponha uma tarefa ou alguma obrigação”. Tomando o lugar da verdade revelada, a obsessão pelo consenso construído liquidou com a noção de mérito. Não podemos portanto afirmar “ nascer, morrer renascer ainda e progredir sempre - tal é a lei” e não podemos fazê-lo não por que não acreditamos na lei da reencarnação, mas por que não acreditamos mais em lei alguma!

O legado final, e verdadeira desgraça do materialismo, não foi a extinção da religião ou de um conceito “social” de Deus. Mesmo Antônio Gramsci sabia que o Estado não pode substituir a consciência do indivíduo, mas ao confundir verdade com consenso destruímos para sempre a noção de que a caridade é feita em silêncio e que fora dela não há salvação.


Para o Pai.

Porto Alegre, junho de 2011

Dr.Milton Simon Pires
Médico Intensivista
Porto Alegre - RS
cardiopires@gmail.com