Por André,
Tive a oportunidade de explicar um pouco melhor os propósitos do livro "Saul Alinsky e a anatomia do mal" para os responsáveis pelo site "O Congressista". O link para leitura é o que segue:
http://www.ocongressista.com.br/2017/11/entrevista-autores-do-livro-saul_19.html
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segunda-feira, 20 de novembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
Meu livro, em parceria com Marcio Scansani: "Saul Alinsky e a anatomia do mal"
Por André,
Em breve maiores informações sobre a campanha de crowdfunding para angariar os valores de publicação do livro. Aguardem!
terça-feira, 23 de junho de 2015
A estratégia do reforço de narrativas chegou ao Brasil
Por André,
Nos últimos dias estamos observando uma série de notícias de agressões mal-explicadas contra membros de religiões de matriz não-cristã. Os casos supostamente evidenciariam que o Brasil é um país religiosamente intolerante. O mesmo país cuja maior emissora de TV vez sim vez não faz novelas com conteúdo espírita e já teve uma novela das 9 cujo tema principal foi a deusa Iemanjá.
A semelhança com a cantilena do "Brasil homofóbico" é a mesma. Menos de 0,5% dos homicídios do país seriam, supostamente, motivados por razões de cunho homofóbico, em números brutos, cerca de 400 casos. A morte de travestis mortos por outros travestis envolvidos com prostituição e drogas entra na conta da homofobia inata do brasileiro, é culpa dessa nossa sociedade "conservadora". Travestis agredindo senhoras idosas não gera uma estatística especial a ser lembrada por todos os meios de comunicação dia sim e dia também.
Tudo isso demonstra a importação de outro esquema de ação da esquerda americana: o reforço de narrativas (já mencionei coisa parecida quando trouxe o vídeo de Bill Whittle sobre o famigerado politicamente correto). A ideia remete ao próprio conceito de narração: uma história criativa, com começo, meio e fim delimitados e onde o autor é livre para exercer toda sua criatividade e impor seus desejos, vontades e valores na história. O problema se dá quando as narrativas deixam o terreno da literatura e começam a fazer parte da história, da política e do jornalismo.
O debate público americano, fomentado nos departamentos de humanas das universidades, é o patriarca da estratégia. A morte de jovens negros por policiais brancos comove o país inteiro e o mundo, protestos massivos são organizados e a consequência é óbvia: está reforçada a ideia que os EUA é um país profundamente racista. O mesmo país que elegeu e reelegeu um presidente negro que era praticamente um desconhecido antes de ter sua candidatura lançada.
Aqueles que pretendem reforçar as narrativas sabem perfeitamente que elas são mentirosas. Dados do FBI provam que a maioria esmagadora dos crimes cometidos contra negros nos EUA são cometidos por outros negros, conforme gráfico abaixo (e conforme eu mesmo já havia abordado aqui):
A própria existência dessas narrativas já mostra que suas bases são completamente infundadas. Se a explicação para a morte de negros é o racismo, como explicar que tantos negros matem outros negros? Será que não se trata de causas muito mais profundas, mas que não reforçam nenhuma narrativa agradável no momento? Larry Elder, a quem cito no link anterior, aventa a possibilidade da desestrutura familiar ser um fator muito mais importante que o racismo. Contudo, será que as pessoas interessadas em reforçar a narrativa do racismo teriam algum interesse em tornar evidente que a falta de uma família coesa, isto é, com a presença garantida de um pai e de uma mãe é um problema grave?
O fato a se chamar a atenção, portanto, é esse. Essa estratégia chegou ao Brasil, o país que supostamente mata 400 homossexuais por serem homossexuais, embora mate outras 59.600 pessoas e que dá o prêmio do maior reality show do país a um homossexual e depois o elege e reelege é homofóbico. Nada mais natural que a necessidade de se reforçar a narrativa que o Brasil é homofóbico se você não apenas quer mas precisa inflamar uma militância que moverá muito dinheiro estatal.
O mesmo vale para a militância feminista, que já fez um mural da vergonha para "estupradores" (estupradores: homens que olharam para a bunda delas, homens que saíram com elas na segunda e não retornaram na terça, homens que discordaram delas em debates sobre feminismo).
E last, but not least, dando azo à contenda do momento entre Malafaia e Boechat, só esta semana devem ter pipocado ao menos uns cinco casos, num país de 200 milhões de habitantes, de agressões de supostos cristãos fanáticos contra espíritas e umbandistas. Certamente tal fato atesta que vivemos numa teocracia de tipo iraniano, caso acatemos à narrativa comprada pela imprensa.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Alguns elementos do 5º Congresso Nacional do PT
Por André,
Os "Cadernos de teses" do PT causaram um boom nas redes. Me abstive de quaisquer comentários no momento. Tanto porque não sabia exatamente o seu significado mais concreto, a razão dos mesmos terem sido liberados ao público e seu conteúdo assustador, como por exemplo, coisas como a estatização da rede Globo. Um comentário pertinente a esses cadernos podem ser lidos no site Reaçonaria, o texto é de autoria do amigo Filipe Martins.
A ideia que o PT é comunista ou socialista segue sendo objeto de escárnio pois se trataria, mais uma vez, de "teoria da conspiração". A saída pela tangente não engana só os mais inocentes, até críticos ferozes do PT como Marco Antonio Villa acham que o PT não é comunista porque não quer ou não está socializando os meios de produção. É como ver um objeto tal e decidir se o tal objeto é ou não o que se diz que é apenas após uma conferida no verbete do dicionário. Um equívoco pueril.
Se a explicação mais teórica, mostrando que a mudança de estratégia da esquerda revolucionária já se passou e discutir se quaisquer adesões - pequenas ou grandes - ao capitalismo denotam ou não traição da causa é puro engodo, talvez a fala de petistas jurássicos ajude algumas pessoas a entender a questão. O fato do PT não estar enforcando burgueses não quer dizer em nenhum sentido que o partido tenha cedido um milímetro sequer em sua estratégia de poder socialista.
No vídeo acima fica claro que a vertente revolucionária economicista está totalmente superada e que duas palavras costuram praticamente todas as falas: hegemonia e projeto. O que sempre esteve e continua em jogo é um projeto de poder que visa a implementação de uma hegemonia socialista que vai muito além da socialização dos meios de produção.
Emir Sader fala claramente na versão revolucionária gramsciana no início do vídeo: a questão é estabelecer uma hegemonia de valores a ponto até que seus adversários usem sua linguagem, compartilhem os seus valores e estejam encarcerados pelas suas categorias de pensamento. Ter a força de um imperativo categórico, como dizia o próprio Gramsci. Mesmo que a luta armada seja justa (sim, para o nobre Emir Sader, ela é), ela é, nas palavras do próprio, ineficiente.
Depois descobrimos que a estratégia do PT pode ser chamada de "democratização profunda". AO nome do processo de criação de um ambiente em que todos pensam como militantes petistas é "democratização". O processo democrático tal como está aí serve para extirpar partidos de esquerda. A discussão de minúcias econômicas como taxa de superávit não é relevante para esse processo de democratização.
A prisão de Vaccari foi "um momento duro". A despeito de todas as acusações, certamente mais um embuste armado pelos imperialistas que querem proibir pobres de andar de avião, o mesmo deveria ter tido seu cargo resguardado.
Embora após quinze (??) anos de governança petista, o processo de disputa sobre a CONSCIÊNCIA do "povo" brasileiro ainda não foi dado.
O feminismo petista é anticapitalista. Antirracista porque antineoliberal (???). Não há feminismo sem socialismo. À parte da querela de que existem "esquerdaS" e não uma esquerda, torno a enfatizar o caráter unitário das esquerdas na escolha de seus inimigos de front. Feminismo supostamente não é femismo, misandria, anti-homenismo etc, mas não há militância feminista dissociada de anticapitalismo.
Outro tema central aos debates foi a questão da imprensa. A proposta inicial é retirar qualquer subsídio da imprensa que, de alguma forma, atravanca o avanço da agenda de "democratização" petista. Jornais ""da sociedade"" e dos movimentos sociais devem receber o dinheiro. A comunicação é um problema.
E por fim, mas não menos importante, onde estavam os black blocks para detonar com os manifestantes da Paulista?
Alguém ainda acha que o PT não é um partido de esquerda que quer implantar o socialismo só que não pela via da força e da socialização forçada dos meios de produção?
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Cretinices gramscianas (II)
Por Diário do Comércio,
A teoria embutida no espaço entre o fato e a generalização que Gramsci dela extrai é a própria teoria gramsciana da hegemonia, segundo a qual a cultura reinante em qualquer época ou lugar é o instrumento pelo qual a classe dominante impõe sua ditadura mental a toda a população.
Interpor uma teoria entre os fatos e a conclusão, em vez de esperar que a própria acumulação de fatos sugira a conclusão, já é trapaça suficiente para desmoralizar qualquer teorizador.
Mas a teoria da hegemonia ultrapassa os últimos limites da vigarice razoável e tenta nos fazer engolir como realidade universal e constante algo que é uma impossibilidade material pura e simples.
Essa impossibilidade já estava presente na teoria marxista da “ideologia de classe”, da qual a “hegemonia” gramsciana é um prolongamento.
Se cada classe tem uma ideologia que é a expressão idealizada dos seus interesses materiais, então, das duas uma: ou cada um dos seus membros está atrelado de uma vez para sempre à ideologia da sua classe como se fosse uma segunda natureza; ou, ao contrário, pode abjurar dela e aderir à ideologia de outra classe, como fez, ou acreditava fazer, o próprio Karl Marx.
Só que neste caso não há mais conexão orgânica entre classe e ideologia; tudo se torna uma questão de livre escolha e não há mais “ideologia de classe” nenhuma, só a ideologia que cada indivíduo, livremente, atribui à sua classe ou a uma outra qualquer, conforme a interpretação que faça dos interesses desta ou daquela.
Gramsci agrava formidavelmente a situação ao declarar que quem produz a ideologia não são propriamente os membros de cada classe, mas sim os “intelectuais” que a representam sem ter de pertencer necessariamente a ela.
Esses representantes são “intelectuais orgânicos” da burguesia e do proletariado. Mas, se o são sem precisar ser eles próprios burgueses ou proletários, a conexão entre eles e a classe que representam não pode ser “orgânica” de maneira nenhuma e sim matéria de livre escolha, nada impedindo que um intelectual passe, ideologicamente, da “burguesia” para o “proletariado” (como Georg Lukács) ou vice-versa (Eric Hoffer, por exemplo).
Ademais, quem infunde nos intelectuais a “ideologia de classe”? Para que o burguês adestrasse intelectuais na ideologia burguesa seria preciso que ele, na condição de mestre, a dominasse melhor que os discípulos: esse burguês seria, então, um superintelectual, um intelectual dos intelectuais, o maître à penser da intelectualidade, reduzindo-a à condição de mera repetidora do discurso aprendido.
Mutatis mutandis, e piorando ainda mais as coisas, os “intelectuais orgânicos” do proletariado se tornariam meninos de escola operária, tomando lições de dialética hegeliana e materialismo histórico com professores pedreiros e ferramenteiros.
Essas situações caricaturais não existem na realidade, no mínimo porque o próprio Gramsci nos assegura que quem cria as ideologias das classes não são as próprias classes, e sim os intelectuais.
Nem poderia ser de outra forma. No mínimo a transposição de interesses materiais numa linguagem de valores, ideias e teorias requer um considerável treinamento especializado nas áreas de filosofia e ciências humanas, que nem um capitalista nem um operário poderiam adquirir nas horas vagas. (Sob esse aspecto é interessante comparar o gramscismo com a teoria da “violência simbólica” de Pierre Bourdieu, outro ídolo, ainda que menorzinho, da intelectualidade esquerdista; (leia aqui e aqui).
Mas, então, nem a ideologia proletária é proletária nem a burguesa é burguesa: são ambas puras criações de intelectuais, que as atribuem a esta ou àquela classe, sem precisar consultá-las, conforme interpretem livremente os “interesses” de cada uma. Não é coincidência, pois, que Karl Marx já tivesse descrito a “ideologia proletária” inteira antes de ter visto de perto um único proletário.
Na melhor das hipóteses, o burguês e o proletário se tornam “tipos ideais” que existem apenas na cabeça do intelectual para fins de comparação com personagens reais que só se parecem com eles de maneira longínqua e esquemática.
Gramsci não admite explicitamente essa conclusão inevitável da sua teoria, mas, como quem não quer nada, extrai dela uma consequência prática que, para o bom entendedor, já denuncia a falácia da construção inteira.
Quem cria as ideologias de classe? Os intelectuais. Quem, com base nela, cria a hegemonia, o controle geral do pensável e do impensável? Os intelectuais. Quem lidera a revolução? Os intelectuais. Quem assume o poder por meio da revolução? Os intelectuais.
Burgueses e proletários são, no fim das contas, apenas os emblemas dos times em jogo. É de espantar que no paraíso burguês os burgueses sejam esfolados com impostos, induzidos a financiar filmes e shows que os demonizam e a contribuir com rios de dinheiro para organizações esquerdistas que prometem matá-los?
É de espantar que no paraíso proletário os proletários sejam submetidos a condições de trabalho escravo, privados do direito de greve, removidos de um lugar para outro sem poder reclamar, policiados vinte e quatro horas por dia e obrigados a entoar cânticos de glória ao Supremo Intelectual e Guia dos Povos?
Tudo não passa, então, de uma disputa de poder entre dois grupos de intelectuais, cada um defendendo os interesses que atribui a uma classe à qual não tem de pertencer e que na maior parte dos casos não foi consultada a respeito.
O que é líquido e certo, embora Gramsci não o diga, é que os intelectuais orgânicos “da burguesia” não pretendem tomar o lugar dela; quem o pretende são os outros, os “intelectuais proletários”.
Nunca se viu um escritor apologista do capitalismo ansioso para deixar de lado seus afazeres intelectuais e tornar-se industrial ou especulador da bolsa. Em contrapartida, nenhum, absolutamente nenhum “intelectual proletário” que eu conheça planeja fazer a revolução proletária para depois continuar vivendo modestamente das suas funções de professor, jornalista ou pesquisador científico.
Tomar o poder e exercê-lo na máxima medida das suas possibilidades é a essência e missão da intelectualidade revolucionária. O que ela quer não é assumir o lugar da intelectualidade direitista, mas o da burguesia.
Isso torna evidente que, na maior parte dos casos, ela disputa o poder com um grupo que não o detém nem o deseja. Basta isso para explicar a inermidade estrutural da intelectualidade conservadora e liberal ante o avanço esquerdista.
É algo que não tem nada a ver com superioridade ou inferioridade intelectuais, mas com desejo ou falta de desejo de poder. Quando o sr. Lula sentenciou que seus inimigos “não tinham perspectiva de poder”, acertou na mosca.
Para completar a fantasia com um toque de alucinação, Gramsci admite que nem todos os intelectuais participam conscientemente da “luta de classes”. Alguns – em geral a maioria deles – são indiferentes à política e se satisfazem com suas ocupações filosóficas, científicas ou artísticas, sem se preocupar em saber quem isso vai favorecer nas próximas eleições.
A esse grupo Gramsci denomina “intelectuais tradicionais”, acrescentando que são neutros e apolíticos só em imaginação, por falsa consciência; na verdade são servos inconscientes do status quotanto quanto os intelectuais orgânicos “burgueses”.
Ou seja: os “intelectuais proletários” estão em perpétua disputa de poder não somente com intelectuais orgânicos burgueses que não aspiram ao poder, mas com toda uma comunidade intelectual que não quer nem saber da existência dessa disputa.
A consequência disso, do ponto de vista cognitivo, é devastadora: o intelectual esquerdista explica toda a sociedade como uma projeção inversa dos seus próprios valores e metas, pouco lhe importando a auto explicação que os demais grupos e indivíduos tenham a apresentar.
Para ele, a sociedade, a história, a existência humana inteira giram em torno do seu objetivo grupal, da sua luta pelo poder, que no seu entender move todo o restante como o cão abana a cauda. Ele, em suma, é o fator ativo, o criador da História, a única realidade efetiva: todo o resto da humanidade são sombras que se mexem à sua voz de comando.
É uma visão horrivelmente autocêntrica, solipsista, psicótica mesmo, que se espalha com facilidade entre estudantes universitários pelo simples fato de que é a mais reconfortante compensação neurótica do seu justo sentimento de inutilidade social.
***
Não é só na esquerda militante que o pensamento de Gramsci inocula o seu veneno alienador e estupidificante. Chego a pensar que basta admirá-lo um pouquinho, suspender o juízo crítico por uns instantes, para que algo do besteirol gramsciano entre e permaneça para sempre.
Por ocasião de um de seus últimos chiliques anti-olavéticos, cuja razão de ser escapa ao entendimento humano, o sr. Marco Antônio Villa, na ânsia doida de exaltar tudo o que critico, chegou a proclamar que a subsistência da democracia na Itália do pós-guerra foi obra do gramscismo imperante no Partido Comunista Italiano.
É com certeza a coisa mais burra que já saiu da boca de um pretenso historiador. Raiva descontrolada é vexame na certa. O regime democrático só sobreviveu na Itália graças à derrota acachapante que, contra todas as previsões iluminadas, a Democracia Cristã de Alcide De Gasperi, mobilizando o apoio de toda a população católica na primeira eleição geral realizada após a queda do fascismo, impôs em 18 de abril de 1948 ao Front Popular comunista, que desde então foi saindo do cenário político, por etapas sucessivas, para a lata de lixo da História.
Se o sr. Villa quiser alguma bibliografia sobre o assunto, posso lhe fornecer, mas só se ele pedir com jeito.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Breve análise do resultado eleitoral e perspectivas futuras
Por André,
Muitos amigos estão literalmente tristes. Eu diria que estou decepcionado. Decepcionado porque nunca estivemos tão perto de tirar o PT do poder. Mas sigo com uma tese que carrego desde 2006 e cansei de expor no finado Orkut: o verdadeiro momento de derrotar o PT era aquele. Em verdade, era antes, em 2005, com o mensalão - o investigado, julgado e condenado mensalão, que faz nomes históricos do PT comemorarem a vitória direto da Papuda. A oposição preferiu a estratégia do "deixar sangrar até as eleições" e um Geraldo Alckmin sem apoio pleno do tucanato perdeu as eleições para Lula (com uma massa eleitora de votos maior que a de Aécio no primeiro turno, frisamos).
Deixar isso passar foi um erro estratégico impagável e imperdoável. É ele que até hoje dá vazão para petistas de carteirinha, gente com medo de perder a boquinha, petralhas e simpatizantes flertarem com o argumento que se tornou o carro chefe do posicionamento pró-PT entre gente parcialmente esclarecida: "o PT rouba mas faz, rouba mas (sic) ajuda os pobres". É a clássica estratégia dos fins justificando os meios aplicada à realidade política nacional.
Já também em 2006 eu alertava para o terrorismo eleitoral do PT: a ideia que seus oponentes acabariam com o Bolsa Família se eleitos. Em 2006 e 2010 ninguém falou praticamente nada a esse respeito, o PT consolidou a prática e seria ilusório achar que não o fariam novamente este ano. A oposição deixou sangrar e ela que morreu de hemorragia. Também já nessa época eu chamava o Bolsa Família de uma "máquina legal de compra de votos". Com ou sem terror muita gente votaria no partido que lhe garante algum trocado todo mês. O programa neoliberal vingou. Nenhum oponente acabaria com o mesmo porque seria suicídio eleitoral. Talvez algum membro da oposição trabalhasse para que 1/4 do país DEIXASSE o programa por não precisar mais dele. Talvez. E é claro, caso o PT tivesse perdido agora e o próximo presidente NÃO acabasse com o BF (ou talvez expandisse o programa, como era a proposta do Serra em 2010).
É inegável que a campanha de 2014 foi a melhor da oposição. Mas ainda com diversas falhas. O marqueteiro do PT conseguiu a proeza de fazer o governo Dilma ter a melhor avaliação dos quatro anos apenas manejando cacoetes e slogans durante o período de campanha. É um feito e tanto.
Contudo, o PT sai derrotado em alguns sentidos: o congresso, até prova em contrário, tem uma oposição larga e bem estabelecida. Os governos estaduais continuam razoavelmente bem distribuídos, Dilma foi bastante mal votada nas regiões mais ricas e desenvolvidas do país (e isso tem mais que apenas um significado simbólico ou regionalista, mas também em termos de investimentos e oposição ao longo dos quatro anos). O PMDB estava a plenos pulmões para mudar de lado e isso pode ser útil em eventual CPI da Petrobrás e no desenrolar dos depoimentos de Alberto Youssef.
Estrategicamente falando, embora me mantenha extremamente cético quanto a possibilidade disso efetivamente acontecer, o que deve ser feito é o seguinte: toda essa massa que se cansou do PT e de seu projeto e pretendia tirá-lo do poder precisa ser capitaneada em torno de um líder (que poderia ser Aécio Neves, mas a julgar pelo seu discurso de derrota não é o que ele pretende ser) e formar uma militância que vai trabalhar pelos próximos 4 anos no mínimo e não aparecer na véspera da eleição a trancos e barrancos. É claro que isso é tarefa difícil, principalmente quando a oposição da concorrência é profissional, bem remunerada e especializada em fazer apenas isso. Mas esse quadro é indispensável para quem pretende concorrer com o aparelhamento das instituições, da cultura, das universidades, das escolas e de tudo mais que dita as regras do debate (por exemplo: quando você culpa o Nordeste pela vitória de Dilma, você debate no terreno do adversário, é impossível sair vitorioso dessa discussão, entrar nela é perder).
É isso que a direita americana faz melhor, muitas ideias não passam ao debate público antes de serem crivadas por experts de think tanks conservadores. O debate deixa de ser um monólogo e deixa de ser categorizado pelo adversário (ou você é um paulista preconceituoso ou um nordestino recebedor do BF, ou você vota no PT ou vota no partido do Herodes etc etc.). É isso que precisamos fazer.
Alexandre Borges, em texto na sua página no Facebook mostrou como a esquerda profissional age quando sofre uma derrota, ela junta os cacos e funda o Foro de São Paulo:
Não custa lembrar que a reação de Fidel Castro ao ver a queda do Muro de Berlim foi fundar o Foro de São Paulo com Lula. Nada de chororô, nada de dar cabeçadas na parede e em 12 anos Lula foi eleito presidente no Brasil, que vai para o quarto mandato consecutivo.
Lembre disso: o outro lado já perdeu e feio. O que eles fazem quando perdem? Juntam os cacos, sacodem a poeira e voltam pra briga. O que fazem quando ganham? Dão um jeito de usar o estado para continuar no poder. Eles sabem que política é uma guerra e quando apenas um dos lados está guerrando o resultado final será sempre o mesmo.
A estratégia é essa, a pergunta é: há tempo, interesse, coragem, habilidade e competência para fazer isso ou o debate continuará sendo em meio a uma troca de tapas para dizer se a culpa pelo PT no poder por 16 anos é ou não do Nordeste?
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Como a esquerda domina o debate público
Por André,
O brilhante site American Thinker publica artigo elencando dez palavras que a esquerda americana monopolizou, fazendo o jogo virar para o lado deles pelo mero uso da linguagem corrente: progressistas, Pró-escolha, capitalismo, racista e democracia são alguns exemplos.
Algumas palavras são aproveitadas para os mesmos fins no Brasil, mas é urgente escrever a versão nacional da lista. O problema não é com os termos em si, mas com seus significados atribuídos. Fascista e nazista devem compor a lista dos termos nacionais.
Aliás, é urgente cá por estas bandas um "Brazilian Thinker".
domingo, 16 de março de 2014
A esquerda e o banditismo: um caso de amor eterno
Por André,
Se você tem uma amigo que não vê o elo causal entre essas palavras e a simpatia ao banditismo, lembrem-se que é a mesma esquerda que vê propaganda subliminar do PSDB em todo comercial da rede Globo. Ou que acha que o mais simples comercial ou anúncio é um atentado à consciência individual, levando todos os seres humanos a consumir.
Last but not least, recebo hoje o seguinte vídeo:
Escrevi, dia desses, no Facebook, uma postagem em que traço uma relação que sempre foi evidente aos meus olhos: a relação de cumplicidade ou conivência entre a esquerda revolucionária e o banditismo de rua, comum ou "profissional" (explico a seguir). Mas para surpresa de um amigo, a relação não é (supostamente) tão clara assim.
Então vamos a um pequeno introito teórico e uma breve compilação recente de casos de apologia ao banditismo.
Em primeiro lugar, a esquerda revolucionária tem de ser favorável ao banditismo de rua por corolário próprio de seus axiomas. Lenin já sustentava a crença de que, com o fim do capitalismo, os bandidos "comuns" acabariam. O verdadeiro criminoso é o criminoso político. Estabelecia-se em uma escala nunca vista o crime não pela ação, mas pela condição (você poderia ser preso por ser aristocrata, da família do czar, burguês ou kulak) e não pela ação criminosa. Anne Applebaum faz um excelente apanhado dessa questão no livro "Gulag: uma história".
O marxismo teórico dispensa o livre arbítrio humano e sustenta o condicionamento pelo ambiente. Você é religioso porque sua condição material atual é miserável, o que te leva a projetar uma realidade futura de abundância material. Os bandidos roubam porque o esquema capitalista (de acordo com a narrativa marxista) não dá meios para que todos adquiram tudo que querem/precisam (adicione a isso a questão da propaganda e do "fetichismo da mercadoria"), o que conduz os mais desfavorecidos ao roubo. Com o fim do capitalismo, esse tipo de condição desapareceria, pois todos disporiam do que precisam conforme suas necessidades, tornando o ato do roubo desnecessário.
Daí o banditismo ser menos uma questão criminal e mais uma adendo à denúncia das mazelas capitalistas. Como tento argumentar no post supracitado, bandidos comuns não são revolucionários de fato (não farão do mundo um lugar melhor porque leram Marx e Lenin), mas são de direito (no frigir dos ovos, seus atos criminosos contribuem para o processo ao exporem as contradições do sistema capitalista).
E muito além de um aspecto teórico, a história do fenômeno é vasta (fiquemos com alguns, usando o mero critério de serem relativamente recentes):
Um clássico do tema. Leonardo Sakamoto em seu "Ostentação deveria ser crime previsto no código penal":
Mais do que uma escolha pelo crime, a opção de muitos jovens pelo roubo é uma escolha pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida. Não defendo essa opcão, mas sabemos que, dessa forma, o jovem pode ajudar a família, melhorar de vida, dar vazão às suas aspirações de consumo – pois não são apenas os jovens de classe média alta que são influenciados pelo comercial de TV que diz que quem não tem aquele tênis novo é um zero à esquerda. Ganhar respeito de um grupo, se impor contra a violência da polícia. Uma batalha que respinga em nós, que temos responsabilidade pelo o que está acontecendo, seja por nossa apatia, conivência, desinteresse, medo ou incompetência. A polícia e os chefes de quadrilhas puxam os gatilhos, mas nós é que colocamos as balas na agulha que matam os corpos e o futuro dessa molecada.
Se você tem uma amigo que não vê o elo causal entre essas palavras e a simpatia ao banditismo, lembrem-se que é a mesma esquerda que vê propaganda subliminar do PSDB em todo comercial da rede Globo. Ou que acha que o mais simples comercial ou anúncio é um atentado à consciência individual, levando todos os seres humanos a consumir.
Agora Francisco Bosco, colunista do jornal o Globo (!!):
“(…) quem está tentando saquear lojas está, precisamente, reivindicando um país melhor. E eles nos representam. São os únicos que realmente nos representam.”
Vou ficar só com essa citação porque ilustra bem o aspecto teórico que expliquei logo acima. O Felipe faz o apanhado geral do convite à violência do bem feito por Bosco.
Chegou a vez de outro garoto propaganda do esquerdismo cheiroso do momento, o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PSOL, Vladimir Safatle em sua coluna na Folha de São Paulo (mais um daqueles jornais controlados por cinco famílias, blablablá...):
Esse caso é mais semelhante com o de Sakamoto. Palavras floreadas, mas cujo significado foi apenas dito de forma direta por Bosco. A resposta violenta da "população" pode vir a ser legítima. Quem vai definir se pode ou não? Vladimir Safatle, é claro.Nesse contexto de mutismo, a violência aparece como a primeira revolta contra a impotência política. A história está cheia de exemplos nos quais as populações preferem a violência genérica à impotência. Ainda mais quando se confrontam com uma brutalidade policial como a nossa. Como todo sintoma, há algo que essa violência nos diz. A resposta a ela não será policial, mas política.
Um caso um pouco mais nobre é o do historiador Eric Hobsbawn (aquele que afirmou que se o comunismo tivesse "dado certo", as 20 milhões de vidas ceifadas por Stalin não seriam aquilo tudo). Hobsbawn tem um livro inteiro sobre "Bandidos", onde faz um estudo histórico-sociológico de bandidos famosos e do banditismo em geral:
Ou seja, o bandido é um tipo de rebelde: resiste ao poder vigente. É produto de seu meio social (qual a diferença entre banditismo 'comum' e banditismo 'social'?), é mais uma vítima do que um vilão. O caso de amor, de fato, é eterno.Obra que deu origem a um novo campo de pesquisa na História: o bandistismo social. Aqui Eric Hobsbawm explora as perpectivas políticas do banditismo e sua história no contexto do poder e do controle por parte dos governos e do Estado. O bandido social - Pancho Villa, Lampião, Robien Hood et caetra - é explicado como um rebelde potencial: o elemento social que, estando fora do alcance do poder e sendo ele mesmo detentor de poder, resiste a obedecer.
Carlos Marighella, mais que um mero apologeta da criminalidade, era um teórico e prático do assunto. Seu "Manual do Guerrilheiro Urbano" é um clássico exemplo disso:
Emboscada
As emboscadas são ataques tipificados por surpresa quando o inimigo é apanhado em uma estrada ou quando faz que uma rede de policiais rodeie uma casa ou propriedade.
Uma mensagem falsa pode trazer o inimigo a um lugar onde caia em uma armadilha.
O objeto principal da tática de emboscada é de capturar as armas e castigá-los com a morte.
As emboscadas para deter trens de passageiros são para propósitos de propaganda, e quando são trens de tropas, o objetivo é de eliminar o inimigo e tomar suas armas. (p. 35)
Para Ricardo Boechat, "vandalismo é o cacete":
Mas também acho que nunca se mudou nada sem sangue nas ruas. Não se muda nada só conversando, infelizmente. Seria perfeito se fosse assim. Mas acho que morrerá mais gente.
Carlos Eugênio da Paz conta as atividades tenebrosas de Marighella e seu amor por elas:
Ex-marido de Dilma Rousseff confessa crimes cometidos na guerrilha:
Felipe Moura Brasil fez um vasto apanhado de intelectuais, artistas e palpiteiros que foram coniventes com as manifestações de junho ou aprovaram a arruaça, inclusive por parte dos Black Blocs:
Felipe Moura Brasil fez um vasto apanhado de intelectuais, artistas e palpiteiros que foram coniventes com as manifestações de junho ou aprovaram a arruaça, inclusive por parte dos Black Blocs:
Last but not least, recebo hoje o seguinte vídeo:
Uma professora palestrando na UNESC afirma que invasão de residências por parte de pessoas armadas ameaçando estuprar outras NÃO É terrorismo.
O que é isso senão a autorização explícita do crime? Nem mesmo do crime comum, mas do terrorismo, "crime com propósito" como diz a professora. Luta de classe é autorização da criminalidade, companheiros.
Aproveitem a ocasião dos 50 anos do golpe militar para registrar esse tipo de opinião, estou convencido que elas aparecerão com frequência.
domingo, 2 de março de 2014
Perfil de Olavo de Carvalho é derrubado do Facebook
Por André,
Acabei de dizer no post anterior: nenhum esquerdista vira ditador por mera casuidade, fatalidade ou eventual contingência do momento. Sua teoria política é ditatorial por essência e por excelência.
Diversas páginas de não-esquerda do Facebook já foram derrubadas: 'Bolsonaro Zuero' e 'Eu era esquerdista mas a zuera me curou', de humor, Meu professor de História mentiu para mim e a última delas foi a de Olavo de Carvalho. Sempre aproveito as ocasiões para emendar: se fazem isso agora, imaginemos quando tiverem um poder real em mãos.
Eu ia manter meu site desconectado pelos próximos tempos. Estou altamente ocupado com a minha vida acadêmica, porém, vou seguir a sugestão dos amigos Luciano Ayan e Flavio Morgenstern:
Perfil do Olavo de Carvalho foi apagado do Facebok. A página Meu professor de História mentiu pra mim, idem. A militância esquerdista (não falo de pessoas com pensamento de esquerda, que votam na esquerda - falo da MILITÂNCIA) estuda cyberwar e infowar e escreve livros a respeito há anos. Têm Anonymous, MAV, manual do militante whiskambal. Tomem cuidado, porque, pela falta de argumentos e pelo vezo de tentar "consertar" a sociedade à força, continuarão fazendo isso. Tenham back-up de tudo de relevante que postarem. Criem blogs, Tumblrs e não postem conteúdo apenas em um lugar (muito menos se esse lugar é o Facebook). Mantenham links de um lugar para outro (isso é importantíssimo, o Google reconhece páginas por links confiáveis que as citem). Tenham ativos perfis no Twitter (acho estranho como a "direita" parece tê-lo deixado ser dominado pela esquerda, focando-se mais no Facebook). Organizem campanhas, façam petições, peçam em massa para seu conteúdo não ser retirado do ar. A KGB 2.0, a Securitate dos socialistas, a Stasi virtual, a al-Qaeda vermelha, a MAV-PT nunca permitirão que vocês tenham opinião livre e possam expressá-la: aprendam a não deixar todos os ovos apenas em uma cesta.
Na sequência, novas dicas muito pertinentes:
Macacada, aqui vai um exemplo de como a esquerda age na internet, e não vejo NINGUÉM (liberal, conservador, anti-petista, o raio que o parta) que consiga emplacar uma coisa dessas. Parece simples, mas é sutil (e sutileza contém muita complexidade).Veja: a página "de humor", "inocente", que só quer "fazer uma piadinha", "apartidária", primeiro faz um belo dossiê pra esquerdista ler contra Rachel Sheherazade. Imediatamente, VASCULHA como NINGUÉM nas últimas décadas vasculhou a vida de Olavo de Carvalho e, mesmo sem ter nada substancial, pratica uma calúnia, trazendo à tona um processo no qual ele já foi inocentado desde que os tiranossauros tavam andando por aí.Aí, agora, com 81 mil curtidas numa página absolutamente sem graça, dão uma de "investigadoras", CONCLAMAM as pessoas para fazer algo (sendo que na verdade farão tudo sozinhos) na base do "vamos investigar isso juntos?", usa hashtags pesquisadas em sites e mecanismos de SEO para analisar palavras mais usadas (querem garantir um vocabulário próprio para a militância sempre repetir e fazer uma historieta "pegar") e, olha que "sutil", EXATAMENTE quando tenta forçar uma incriminação de Aécio Neves (ué, a página não era apartidária, só de humor, só pra zoar a Rachel?), cria uma hashtag a ser repetida:#LigaçõesComAécio (bastará então clicar na hashtag e ler vários posts espalhando a mesma história). Rola um pedido para criar conteúdo coletivo, enviando informações (as mais desconectadas que sejam, eles que vão inventar a história, e depois dizer que é "o povo" contra o principal candidato de oposição ao PT) e se termina com várias palavras de ordem que podem ser usadas tanto como gritinhos histéricos em eventos quanto como novas hashtags (nos protestos de junho, frases gigantescas como essa eram trending topics no Twitter e iam sendo trocadas a cada 15 minutos).Parece só um post bobinho feito sem cuidado, né? Mas é nesses detalhes, com técnicas de pontuação no Google, SEO (Seach Engines Optimization, pesquisem aí), infowar e produção de conteúdo em rede (não, não temos quase nada nem mesmo parecido) que eles emplacam páginas com 80 mil seguidores e destróem reputações, como bem mostra o Romeu Tuma. O resultado final nem parece um post estudado, parece só mais uma encheção de saco de uma página monga. Mas entenderam o tipo de coisa que vocês precisam aprender a fazer agora?
Por mais que o trabalho seja simples, restrito e com um público vastamente já convencido das ideias em questão, a esquerda não tolera isso. Até um mero perfil pessoal numa rede social é um direito que alguém de opinião divergente não deve ter. Daí a importância de se registrar opiniões, em diversas plataformas. Por mais simples, informal e "irrelevante" que seja. A informação pode chegar a alguém que ainda não sabia e se manter em divulgação, mesmo quando excluída de outros meios.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Óbvio ululante evidenciado em definitivo: Black Blocs são pagos para fazer "terrorismo social"
Por Folha,
O advogado Jonas Tadeu, que defende Caio Silva de Souza, disse à Folha
na tarde desta quarta-feira (12) que o seu cliente e outros jovens
recebiam pelo menos R$ 150 por cada protesto que participavam no Rio
–como o da última quinta-feira (6), que resultou na morte do
cinegrafista Santiago Andrade, 49, após ser atingido por um rojão.
Segundo Tadeu, o pagamento vem de um esquema, no qual estão envolvidos
políticos, para promover "quebra-quebra" nas manifestações.
Caio Souza foi preso na madrugada de hoje na Bahia. Em entrevista à
Globo News, ele admitiu ter acendido o rojão que matou o cinegrafista
Santiago Andrade, da TV Band. À polícia, porém, ele disse que só iria
falar em juízo.
O advogado enfatizou que o rapaz preso vive numa "situação miserável,
não no sentido de ser um monstro, um criminoso, mas no sentido de sua
situação financeira, no sentido da pobreza extrema em que ele vive."
Tadeu não citou nomes de quem teria aliciado Caio ou outros jovens, mas
disse que há políticos envolvidos no esquema. Ainda segundo o advogado,
os rojões, máscaras e o dinheiro são entregues por quem alicia esses
jovens.
"O dinheiro era pago por um ativista, que eles não deram o nome. Mas
esse ativista tem envolvimento com político, com diretórios regionais de
partidos, de vereadores, deputados estaduais e senadores", afirmou o
advogado à Folha, por telefone.
Ainda de acordo com o advogado, o rojão que atingiu o cinegrafista
Santiago Andrade foi aceso pelos dois jovens –tanto por Fábio Raposo,
conhecido como Fox, como por Caio Souza. Ele disse ainda que a dupla se
conhecia apenas por apelidos em manifestações.
"Os dois acenderam juntos o rojão: um segurou, o outro acendeu e o outro [Caio] colocou no chão", afirmou.
Tadeu disse ainda que tanto Souza como Raposo conhecem a ativista Elisa
de Quadros, conhecida como Sininho, 28. Ele, no entanto, não confirmou
se a jovem teria informações sobre a negociação de ativistas com
políticos. A reportagem tentou contato com Elisa Quadros, mas não
conseguiu localizá-la.
Segundo o advogado, Souza e o tatuador Fábio Raposo, que também está
preso por participação no caso, "tiveram a liberdade tomada por quem
fomenta o terrorismo social". Preso na madrugada, Souza já foi
encaminhado para uma penitenciária no Rio. Segundo a polícia, ele
pretendia fugir para o Ceará onde ficaria na casa do avô.
Tadeu afirmou que desconhece o nome de quem é responsável por aliciar os
jovens e que seus clientes sabem apenas os apelidos deles. Ele também
negou que Souza e Raposo sejam adeptos à tática Black Bloc.
Ainda segundo o advogado, Souza e Raposo não têm condições financeiras
de pagar um advogado, mas optou em ajudá-los porque já conhecia Raposo.
Souza admitiu, em entrevista à Rede Globo, que acendeu o rojão que
atingiu o cinegrafista no protesto realizado na quinta-feira (6) no
centro do Rio. Ele afirmou, no entanto, que não tinha a intenção de
atingir ninguém e que pensou que o artefato era um "cabeção de nego" [um
artefato que funciona como uma bomba e que não é projetado com um
rojão].
Advogado afirma que jovens pobres recebem R$ 150 por manifestação.
Advogado afirma que jovens pobres recebem R$ 150 por manifestação.
COMENTÁRIO
Essa é pra deixar a turma do "é errado, mas é legal" (traduzindo: toda a esquerda, festiva ou organizada, que adora um piquete, seja lá qual for a causa, motivo, razão ou circunstância) pê da vida.
E digo mais, informação de gente que já foi em "passeatas" menores, antes do negócio virar desfile de escola de samba: tem gente que vai em TODAS as manifestações, até aquelas que podem ter uma causa justa (tratei sobre os "moldes" que uma manifestação com o mínimo de sentido teria) com a ÚNICA intenção de provocar policiais, até que eles reajam de forma truculenta.
Essa é, definitivamente, para os idiotas úteis que saem defendendo qualquer um que se disponha "contra o sistema", sem saber que boa parte dos que estão ali sequer sabem o que estão fazendo, outros tantos em troca de um pão com mortadela, uma coca-cola e 150 "conto", esse é o preço do mundo melhor.
Vejam os "lunáticos", "fascistas", "nazistas" do Tea Party fazendo um protesto:
Agora veja os Black Blocs, iluminados do bem, messias do mundo melhor, aqueles que vão te proteger de todos os males do Estado:
domingo, 12 de janeiro de 2014
A psicologia diabólica do "Golpe Comunista 2014"
Por André,
Muita gente trata o evento do Facebook "Golpe Comunista 2014" como uma simples e saudável brincadeira. Eu mesmo confirmei "participar" no evento e postei algumas ironias quanto a revoluções e comunistas. Mas meus amigos que curtiriam se a "parada" fosse real começaram a ironizar demais, achei estranho. O subtítulo do golpe é suspeito: "os reacinha pira".
Ainda achando que era uma pura e simples brincadeira, mas já com a pulga atrás da orelha, disse para um desses meus amigos, bem, você sabe que o idealizador do evento realmente gostaria que algo do tipo ocorresse no Brasil, não é? A insistência de que a coisa era "apenas brincadeira" fazia a coisa ter um aroma ainda mais estranho.
Real ou não, para mim não é surpresa alguma, pois convivo e debato com essa gente quase que diariamente, a existência de gente que fala com cara de nojo do golpe militar, mas não acharia tão ruim se ocorresse um de tipo comunista. Onde imediatamente os "reacinha" teriam destinos um tanto quanto trágicos. Uma corrida rápida por comentários na internet mostra a quantidade de gente pregando a morte da "burguesia" - coisa um tanto inovadora.
Acho que o amigo Luciano Ayan encerrou as possíveis observações sobre o caráter sinistro por trás do evento, toda sua "dinâmica social".
O efeito causado é interessante: nas postagens do evento, que já começa com uma data delimitada para o golpe, "2014", fala-se em "mandar os reacionários para uma Gulag que se localizaria no Acre".
Como nada disso está acontecendo (e se fosse acontecer, não seria divulgado dessa maneira), qual a inferência imediata? Que não há nada relacionado à pauta "comunismo" ocorrendo no Brasil. Exagera-se as premissas e, necessariamente, chega-se a conclusão que tudo não passa de brincadeira; e enquanto nada do tipo estiver acontecendo, nada de comunistas com as manguinhas de fora por aí.
Sempre é bom ficar atento a esse tipo de coisa.
Sempre é bom ficar atento a esse tipo de coisa.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
A defesa do funk e seus ardis
Por André,
Me surpreende uma declaração do prefeito Fernando Haddad acerca de seu veto à lei que proibiria os "proibidões". Segundo o ilustríssimo prefeito:
“funk é uma expressão legítima da cultura urbana jovem”
O que a declaração de Haddad revela? Que todos que forem contra a utilização de espaços públicos para realização de bailes funk são contra a expressão de uma "cultura urbana jovem". Malvadões demais, não?
Ao que parece já existe lei que preveja a proibição de eventos do tipo em espaços públicos. O caso é mais sério do que parece: um largo espaço é monopolizado, utilizado para emissão de som alto que vara a madrugada, consumo ostensivo de drogas, ocupação do espaço de entrada e saída de veículos etc. etc. Que o caso se enquadra num típico caso de "perturbação da ordem pública" é evidente a quaisquer olhos que repousem sobre a questão.
Contudo, como tudo que envolva a "defesa" de certas minorias nos dias de hoje, a questão está envolta por um espesso véu ideológico. Segundo os experts de plantão, todo o ódio da classe média fascista contra o funk é explicado porque este representa a "felicidade" do pobre. Será mesmo?
Mais uma vez a visão desses intelectuais volta-se para a lua em vez da terra. Será mesmo que o funk representa a ~felicidade dos pobres~? Todo pobre aprecia o som alto e as letras poéticas na porta de suas casas por toda uma madrugada? Ou seriam essas explicações apenas a tentativa de CRIMINALIZAR não o funk, como alega a intelligentsia, mas justamente quem simplesmente não aprecia o estilo?
Pois as explicações e justificativas dão a entender que apenas quem é contra a "expressão de uma cultura urbana jovem" ou quem é "contra a felicidade dos pobres" não gosta de funk e quer criminalizá-lo. A imaginação totalitária dessas pessoas não conhece limites. Que tal simplesmente ser um barulho incômodo, como qualquer outro? Que tal uma simples perturbação da ordem pública, como qualquer outra?
Muitos poderão alegar que tais acusações só recaem sobre o funk porque ele "é de pobre", de "favelado" etc, não atinge outros tipos musicais que até falam de sexo ou drogas. Porém, você já viu (e mesmo que tenha visto, pense na frequência) alguma orquestra fechando vias públicas para se apresentar? Já viu um monte de gente de meia-idade sentada no asfalto, impedindo o tráfego, ao som de uma MPB alta e "nervosa"? E não me falem em falta de espaço, pois o comportamento se observa nos carros individuais de funkeiros. O som ser alto e ouvido por todos é condição sine qua non do "processo funkeiro". A coisa é toda construída para ser alta e, consequentemente, incômoda.
É evidente que tais acusações recaem sobre o funk porque apenas ele se propõe a gerar tais incômodos. Desconheço gente que tenha sofrido algum caso semelhante devido à truculência do maestro João Carlos Martins em ocupar por 12 horas uma via pública para executar suas bachianas.
A discussão segue, mas o post tentava alertar contra os ardis dos intelectuais engajados na defesa do funk (procurem um padrão entre eles, pois existe um e ele é muito claro): eles querem pintar uma imagem muito específica e delimitada de quem é "contra o funk" (curiosamente é a mesma que tenta-se imputar a quem defende penas rigorosas para criminosos, o combate às drogas, o porte de armas e outras pautas ditas "reacionárias"). Essa gente é perigosa (literalmente, não é exagero) e está aí para excluir qualquer postura que não seja a sua. Cuidado.
Pois as explicações e justificativas dão a entender que apenas quem é contra a "expressão de uma cultura urbana jovem" ou quem é "contra a felicidade dos pobres" não gosta de funk e quer criminalizá-lo. A imaginação totalitária dessas pessoas não conhece limites. Que tal simplesmente ser um barulho incômodo, como qualquer outro? Que tal uma simples perturbação da ordem pública, como qualquer outra?
Muitos poderão alegar que tais acusações só recaem sobre o funk porque ele "é de pobre", de "favelado" etc, não atinge outros tipos musicais que até falam de sexo ou drogas. Porém, você já viu (e mesmo que tenha visto, pense na frequência) alguma orquestra fechando vias públicas para se apresentar? Já viu um monte de gente de meia-idade sentada no asfalto, impedindo o tráfego, ao som de uma MPB alta e "nervosa"? E não me falem em falta de espaço, pois o comportamento se observa nos carros individuais de funkeiros. O som ser alto e ouvido por todos é condição sine qua non do "processo funkeiro". A coisa é toda construída para ser alta e, consequentemente, incômoda.
É evidente que tais acusações recaem sobre o funk porque apenas ele se propõe a gerar tais incômodos. Desconheço gente que tenha sofrido algum caso semelhante devido à truculência do maestro João Carlos Martins em ocupar por 12 horas uma via pública para executar suas bachianas.
A discussão segue, mas o post tentava alertar contra os ardis dos intelectuais engajados na defesa do funk (procurem um padrão entre eles, pois existe um e ele é muito claro): eles querem pintar uma imagem muito específica e delimitada de quem é "contra o funk" (curiosamente é a mesma que tenta-se imputar a quem defende penas rigorosas para criminosos, o combate às drogas, o porte de armas e outras pautas ditas "reacionárias"). Essa gente é perigosa (literalmente, não é exagero) e está aí para excluir qualquer postura que não seja a sua. Cuidado.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Marxismo Cultural: O Marxismo Cultural - Por Linda Kimball
Marxismo Cultural: O Marxismo Cultural - Por Linda Kimball: "A verdade vos libertará” - João 8:32 Os Americanos subscrevem actualmente a duas más-concepções; a primeira é a ideia de que o c...
Marxismo Cultural: A estratégia da Escola de Frankfurt
Marxismo Cultural: A estratégia da Escola de Frankfurt: O que de mais importante se pode assimilar da forma de operação da Escola de Frankfurt é que eles desenvolveram tácticas que visavam a i...
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Breve história do politicamente correto
Por André,
Como o chamado "politicamente correto" é filho da Escola de Frankfurt:
Como o chamado "politicamente correto" é filho da Escola de Frankfurt:
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
Documentário "Agenda": por que a esquerda está vencendo?
Por André,
O documentário pode ser baixado diretamente do link da minha conta no Novo Mega.
Você é daqueles que acha que o comunismo acabou, que com a queda do muro de Berlim o comunismo se foi junto dele, não poderia estar mais enganado.
Você é daqueles que acha que o comunismo acabou, que com a queda do muro de Berlim o comunismo se foi junto dele, não poderia estar mais enganado.
Essa afirmação pode ter algumas explicações: a) a do esquerdista desonesto que não quer seus planos expostos a qualquer um, b) a do esquerdista "honesto" porém altamente limitado intelectualmente, frustrado, que não percebe suas próprias ideias a todo vapor ou, pasmem c) você pode ser um libertário brasileiro (entendedores entenderão), que constata que a liberdade econômica cresce no mundo e só, isso é suficiente para resolver todos os problemas do globo.
Antes de prosseguir, uma informação essencial que corrobora uma tese essencial do documentário:
O documentário mostra, basicamente, como a tese de Antonio Gramsci de "vamos dominar a cultura para dominar todo o resto" foi igualmente implementada nos EUA.
Remontando a John Dewey, responsável pela criação da educação pública nos EUA, que foi até a URSS estudar marxismo nos anos 30, passando por Saul Alinsky, um dos mentores intelectuais de Obama e pela Escola de Frankfurt.
O que alguns libertários mela-cueca fingem não perceber, jogando o joguete sujo da esquerda, é que a ideia de revolução armada, de revolução implementada via força, foi abandonada pelo comunismo há tempos, e que é perfeitamente possível militar pelo comunismo sem se reconhecer como um comunista!
O documentário também resvala na questão da formação comunista de Obama, que é melhor observada neste outro documentário (que falta faz gente assim no Brasil...):
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Rodrigo Constantino: Ativismo de rua é vantagem para a esquerda
Rodrigo Constantino: Ativismo de rua é vantagem para a esquerda: Ou Profissão: Revolucionário Rodrigo Constantino Vou tentar explicar de forma bastante sucinta porque a tendência é o ativismo das ruas ...
segunda-feira, 24 de junho de 2013
A técnica da rotulagem inversa
Por Olavo de Carvalho,
O que no Brasil se chama de “noticiário internacional”
consiste em repetir, ampliando-as e radicalizando-as, as mentiras mais
cínicas da mídia esquerdista norte-americana, com a certeza
tranqüilizante de não ter de enfrentar, como ela, a enérgica
reação conservadora de metade da população,
que só ouve rádio e não acredita numa só
palavra dos jornais e da TV. É, a vida da mídia chapa
branca, nos EUA, não é fácil como a da sua confrade
brasileira: aos domingos, o New York Times tira um milhão
de exemplares – a trigésima parte do número de ouvintes
de Rush Limbaugh, o radialista conservador que a família Sulzberger
adora odiar. No Brasil há um clone do New York Times,
que é a Folha, mas as estações de rádio,
concessões federais, estão bem defendidas contra a mera
possibilidade de ali surgir um Rush Limbaugh. Contra a farsa geral da
mídia, só nos resta resmungar em blogs ou, com
mais sorte, neste Diário do Comércio. O resto
é silêncio – ora indignado e impotente, ora temeroso
e servil.
Nos EUA, quanto mais perde público, mais o establishment
jornalístico apela a recursos de difamação histérica
que o próprio Dr. Joseph Goebbels consideraria, talvez, um tanto
grosseiros demais para persuadir um público adulto.
Um desses expedientes é cobrir de invectivas odiosas os personagens
que se pretende rotular de odientos. Não é preciso, para
sustentar o ataque, citar um só apelo de ódio que tenha
saído da boca da vítima. Não é preciso nem
mesmo torcer suas palavras, dando um sentido odiento ao que não
tem nenhum. Ao contrário: basta espumar de ódio contra
a criatura, e fica provado – espera-se – que odienta é
ela. Tudo é feito na expectativa insana de que o automatismo
mental do público o induza a sentir que pessoas que despertam
tanto ódio devem ter ainda mais ódio no coração
do que os jornalistas que as odeiam. Há sempre uma faixa de militantes
estudantis e ativistas ongueiros que, por infalível instinto
colaboracionista, finge acreditar na coisa, reforçando o ataque
com insultos escatológicos e ameaças de morte, de modo
que a violência crua despejada sobre o alvo inerme acabe por se
mesclar tão intimamente à sua imagem que pareça
provir dele.
Lançada pela “grande mídia” em tons de noticiário
posadamente neutro e superior, a tentativa artificialíssima de
inculpar a “direita odienta” e especialmente Sarah Palin
pelos feitos mortíferos de um fanático esquerdista em
Tucson, Arizona, foi imediatamente reforçada por estes e outros
apelos colocados em circulação no Youtube (v. http://www.newsmax.com/InsideCover/Palin-death-tweets-YouTube/2011/01/14/id/382872?s=al&promo_code=B79C-1):
· “Por que não atiraram em Sarah Palin (em vez
da deputada democrata)?”
· “Espero que Sarah Palin morra de uma morte horrível
e leve com ela o seu ódio estúpido.”
· “Alguém, por favor, pode atirar em Sarah Palin?”
· “Espero que Sarah Palin pegue câncer e morra nos
próximos dois anos.”
· “Sarah Palin deveria ser baleada por encorajar o fanatismo
contra os democratas.”
· “Junte-se a nós orando para que Sarah Palin contraia
câncer e morra.”
· “Sarah Palin é a mais perigosa ameaça
ao futuro da espécie humana. Alguém, por favor, atire
nela.”
Não sendo possível encontrar nas palavras de Sarah Palin
nem o mais mínimo sinal de ódio a quem quer que seja,
espera-se que a virulência dos ataques que sofre venha a servir
de prova contra ela. A premissa implícita aposta na estupidez
do público, e às vezes acerta: se a mulherzinha não
fosse mesmo uma peste, não seria tão odiada. Os que não
são tontos o bastante para deixar-se iludir por esse arremedo
de malícia demoníaca têm ainda um subterfúgio
mais “adulto” para não escapar de todo à contaminação:
no mínimo, no mínimo, quem desperta tanto ódio
é, mesmo sem culpa, uma força divisiva, alguém
que, para a felicidade geral da nação, deve ser mantido
longe da Casa Branca, talvez até da política em geral.
Como recomendava Talleyrand: “Caluniem, caluniem, alguma coisa
sempre acabará pegando.”
Em ambos os casos, tanto os acusadores quanto seu público de
idiotas úteis seguem fielmente o mecanismo da inversão
revolucionária: para você ter fama de odiento, não
precisa odiar ninguém; basta que o odeiem.
A imitação brasileira do processo mergulha ainda mais
fundo na infâmia, porque Sarah Palin é personagem distante,
alheia aos debates nacionais. Só mediante uma boa dose de fantasia
histriônica nossos compatriotas podem chegar a odiá-la
pessoalmente. Também é claro que nos EUA ninguém
lê a imprensa brasileira: a vida dos nossos jornalistas consiste
em fingir para si mesmos que são forças auxiliares da
esquerda americana, a qual nem sabe da existência deles. Ah, como
os argentinos acertaram ao apelidar nossos compatriotas de “los
macaquitos”!
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