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sábado, 10 de novembro de 2018

Entrevista sobre eleições

Por André,



Tive a oportunidade de conceder entrevista a alguns amigos, estudantes de jornalismo da FMU, sobre as eleições que se passaram. A entrevista foi em vídeo, mas fiz um esboço das respostas, que são levemente diferentes das que aparecerão no vídeo (a ser divulgado no momento oportuno).

Seguem as respostas:

Onde está localizada e o que significa essa renovação no espectro político?

            Essa renovação está atrelada ao cansaço da dualidade entre esquerda trabalhista (PT) e esquerda democrática (PSDB). As pessoas tiveram boas doses de ambas e decidiram rejeitá-las. As demais tonalidades também eram todas vermelhas. O espectro ganhou representantes efetivamente à direita e as pessoas preferiram esse.

            O eleitor-padrão brasileiro é personalista, grande parte dos deputados do PSL foram eleitos a partir da associação com a figura de Bolsonaro – embora essa eleição tenha sido bastante ideológica para os padrões brasileiros.

            Após 3 décadas de democracia, as pessoas também já se saturaram da política tradicional, dos representantes distantes das pautas populares.


Quais influências/motivos (políticos e culturais) possibilitaram que ela acontecesse?

            Olavo de Carvalho e a abertura dos caminhos para a presença do pensamento conservador.

            O abismo entre classes falantes e povo (populismo/soberania popular).

            O cansaço com a realidade imposta pelo estamento político, bem como sua falta de representatividade real.

            As redes sociais e descentralização da informação.


Se havia uma revolta contra a velha política, por que todo analista da grande mídia tratou o resultado das eleições como algo imprevisto? E tal falta de governabilidade?

            Porque a grande mídia faz parte do consórcio da velha política. A manutenção dos mesmos no poder é a manutenção de alguma posição de privilégio, respeito, além, é claro, das verbas de publicidade.

            Os grandes analistas fazem parte das elites falantes que perderam o contato com o povo.

            Há também o wishful thinking, muitos simplesmente torciam contra Jair Bolsonaro e esperavam que sua torcida virasse realidade como mágica.


No que corroborou nisso tudo a figura de Jair Bolsonaro? Qual o papel que ele tomou pra si?

            Bolsonaro conseguiu condensar em sua figura boa parte das demandas mais básicas do “little guy” (homem comum) que fala Steve Bannon: segurança, impostos, emprego etc. Por oposição às pautas “progressistas” da elite falante (banheiro trans, ascensão do “fascismo”.

            O representante da “dona Regina” ganharia a eleição.         


O que essas mudanças no cenário político sinalizam para o futuro?

            Sobre o presente elas sinalizam com clareza o que as pessoas realmente querem, a guinada de Haddad no segundo turno prova isso.

            Para o futuro dizem que provavelmente a esquerda fará alguma revisão estratégica e se separará do PT.

            Bolsonaro tem a faca e o queijo na mão para colocar o Brasil numa rota em que nunca esteve. Caso consiga, pode pavimentar o caminho para sua reeleição e solidificar a existência da direita no espectro político.


Pequena participaçao na versao oficial:


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Eleitor de Luciana Genro é endinheirado. Ela chegou a 6% dos votos nas mesmas áreas onde Aécio venceu. Rico quer expiar as culpas por sua condição social elevada


Com discurso favorável a uma maior distribuição de renda, direitos das minorias e taxação das grandes fortunas, a presidenciável do PSOL, Luciana Genro, chegou ao quarto lugar nas eleições deste domingo (5) com votos alavancados pelas regiões mais ricas do país.

Em autoavaliação, ela diz que o partido precisa "se enraizar" nos "setores mais empobrecidos da população".

Nas regiões Sul e Sudeste, a candidata obteve porcentagem de votos acima da média de 1,5% da votação nacional. De um total de cerca de 1,6 milhão, 554 mil vieram do Estado de São Paulo. No Norte e Nordeste, ela não chegou a 0,9%.

Na capital paulista, onde Luciana levou 3,3% dos votos, sua maior proporção de eleitores estavam nas zonas eleitorais de Pinheiros e Perdizes, bairros de classe média alta. Nesses locais, ela obteve quase 5%.

"Falta o PSOL conseguir chegar de forma mais intensa em todos os eleitores", disse Luciana à Folha nesta segunda (6).

"Não é casual que a gente tenha uma votação maior nos grandes centros urbanos e na população com maior renda, mas é porque essa população tem um acesso mais facilitado à informação, principalmente através da internet."

Ela voltou a criticar o tempo de televisão no horário e a falta de uma cobertura jornalística igualitária pela falta de disseminação de sua candidatura e afirmou que priorizou fazer campanha em setores em que tem "maior penetração e enraizamento partidário".

"O processo de enraizamento nos setores mais empobrecidos da população é mais complexo, porque a gente disputa nesse segmento com o poder econômico de forma muito contundente", disse, acrescentando que concorreu com "candidatos que compram lideranças das comunidades para fazer campanha para eles" e "programas como o Bolsa Família que, infelizmente, são utilizados como moeda de troca eleitoral".

A ex-presidenciável comparou sua legenda aos primeiros anos do PT. "Quando era oposição, o PT também tinha apoios significativos dos setores médios, mais do que os setores pobres, que apoiavam o [ex-presidente tucano] Fernando Henrique", afirmou.

Para a ex-deputada federal e filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), a campanha do PSOL atraiu um público jovem e dos grandes centros urbanos a partir de "um programa de mudanças estruturais" e "defesa dos direitos civis, como a pauta da luta contra a homofobia".

Parte dos temas também foram defendidos pelo candidato do PV, Eduardo Jorge, que ficou com 0,6%. Luciana diz que a diferença se deu porque "não se pode ser consequente em defesa de pautas progressistas se aliando a setores conservadores", em referência à participação do ex-adversário nas administrações de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) na prefeitura de São Paulo.

Até esta quarta-feira (8), o PSOL deve anunciar se apoia a candidatura de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno ou se mantém neutralidade. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Kim Jong-un é reeleito com 100% de votos. Quem se opõe a seu governo é golpista?


A imprensa oficial norte-coreana anunciou nesta segunda-feira a vitória, com 100% dos votos e sem abstenção, do ditador Kim Jong-un nas eleições legislativas de domingo, absolutamente controladas e com apenas um candidato por circunscrição. 

Em cada uma das quase 700 circunscrições do país havia apenas um candidato, apresentado pelo partido único, o que permite conhecer o resultado das eleições antes mesmo do processo. 

A 'eleição', na qual os eleitores podem optar apenas entre 'sim' e 'não', serve mais às autoridades para detectar as deserções no exterior. Segundo o correspondente da Al JAzeera, Stefanie Dekker, o eleitor que quiser votar 'não' tem que se dirigir a outra cabine e "isso é algo que poucos estão dispostos a arriscar". 

A lei afirma que o voto é facultativo, mas a imprensa estatal destacou que todos os eleitores registrados compareceram aos locais de votação, com exceção daqueles que estão fora do país. 

Na circunscrição de Kim, todos os votos foram atribuídos ao dirigente do país, que além de deputado é comandante supremo das Forças Armadas e presidente da poderosa Comissão Nacional de Defesa.
De acordo com a agência oficial, "isto expressa o apoio absoluto do povo e sua profunda confiança no supremo líder Kim Jong-Un". 

As eleições para Assembleia Suprema do Povo acontecem a cada cinco anos e estas foram as primeiras sob o comando de Kim Jong-Un, que assumiu o poder após a morte do pai, Kim Jong-Il, em dezembro de 2011. 

Kim era o candidato único na circunscrição número 111, a do Monte Paektu. Este monte tem uma dimensão sagrada para os coreanos e, segundo a propaganda, Kim Jong-Il nasceu neste local.
A assembleia se reúne apenas uma ou duas vezes por anos para confirmar as decisões tomadas pelo Partido dos Trabalhadores. 

A votação serve à ditadura para atualizar o censo, já que os funcionários responsáveis por organizar o processo visitam todas as residências para confirmar a presença ou ausência de eleitores registrados.
A lista de candidatos também serve aos analistas estrangeiros para conhecer as promoções ou punições de dirigentes do regime. 

IRMÃ
 
Kim Yeo-jong, irmã mais nova do jovem líder norte-coreano Kim Jong-un, pode ter passado a fazer parte da exclusiva elite de poder do Estado comunista, publicou nesta segunda-feira o jornal sul-coreano "Chosun". 

A imprensa estatal norte-coreana mencionou neste fim de semana pela primeira vez o nome de Kim Yeo-jong, o que faz supor que a irmã do líder conquistou uma posição com certa influência nos círculos de poder do hierarquizado regime, explicaram analistas consultados pelo jornal do Sul. 

A televisão estatal norte-coreana "KCTV" informou ontem que Kim Jong-un visitou um centro de votação em Pyongyang para as eleições da Assembleia Popular Suprema acompanhado pela "camarada Kim Yeo-jong", além de outras altas figuras do regime, como o considerado número dois Choe Ryung-hae. 

O termo "camarada" sugere, segundo a análise, que a irmã do líder possui uma categoria superior ao de subdiretora no Partido. 

Alguns dos analistas especulam também que, com menos de 30 anos, Kim Yeo-jong poderia ostentar a categoria de secretária do partido da mesma forma que sua tia Kim Kyong-hui, irmã de Kim Jong-il e viúva de Jang Song-thaek, ex-número dois do regime e executado em dezembro por traição. 

"Chosun" já especulou anteriormente sobre a ascensão da jovem Kim, a quem atribuiu diversas responsabilidades relacionadas à tesouraria do Estado e a captação de divisas estrangeiras.
Mas o extremo isolamento que caracteriza o regime da Coreia do Norte torna impossível confirmar as informações das elites do poder do Estado comunista e da família do líder Kim Jong-un. 

Por isso, os meios de comunicação e analistas se limitam a repercutir a informação dos veículos estatais de Pyongyang e dos poucos dados que vazam do país mais hermético do mundo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012