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domingo, 29 de outubro de 2017

Algumas observações sobre feng shui

Por André,



O terreno aqui é perigosíssimo: quero tratar de um tema que não domino e até há relativamente pouco não considerava muito mais que "superstição oriental" que cativa a mente incauta de ocidentais bocós.

Vamos então ao processo que me fez considerar as coisas de forma diferente e como isso se junta a algumas outras ideias que venho tendo e defendendo há mais tempo:

- Sam Harris é um autor que fez (e faz) parte do meu repertório de leitura. Desconsiderem a polêmica sobre religião em que ele está envolto. Sam Harris tem um livro sobre "meditação", onde ele trata da sua experiência com a atividade, como ela pode ser feita de maneira "secular" (em tempos de ateísmo estridente fica difícil falar dessas coisas "supersticiosas" e "espirituais" sem pedir desculpa primeiro) e um pouco da relação de nós, ocidentais, com essas atividades melhor desenvolvidas pelas tradições orientais. Suas conclusões me pareceram curiosas e interessantes e tenho digerido-as desde então. O livro se chama "Despertar"

- Algum tempo depois, passei a fazer uma leitura cuidadosa (e por vezes cuidadosamente distanciada) de autores como René Guenon, Julius Evola, Frithjof Schuon e, principalmente, Mircea Eliade. Todos e cada um, à sua maneira e em contextos diferentes, tratam da sabedoria contida nas diversas religiões espalhadas por aí, especialmente as tradicionais, é claro. Boa parte de tudo que disseram no mínimo fez sentido pra mim. Há coisas valorosas nas "religiões tradicionais", dignas ao menos de consideração (e isso pode ser dito tanto de um ponto de vista religioso quanto absolutamente distante de um pesquisador interessado - meu caso).

- Por fim, conforme eu disse em texto que trato de estar cercado pelas pessoas certas, às vezes precisamos de alguém dando um empurrão em nós na direção certa, tirando-nos da nossa falsa zona de conforto ("já sei e domino tudo que merece ser conhecido e dominado") e que nos faz ver que há mais janelas abertas a serem visitadas do que imaginamos e que não é porque já temos uma que não podemos ter outras.

Dito isso, vamos a uma definição bastante precária e breve de feng shui: seria algo como uma ciência requerida para conservar as influências positivas do espaço e redirecionar as negativas. 

Contrariamente ao que parece, a coisa é bem diferente do que a versão marqueteira e ocidentalizada faz dar a impressão, "onde coloco meu sofá com estampa do Romero Brito para as energias positivas prosperarem? Compre aqui que eu te ensino". 

Segundo a tradição, na verdade, a organização do espaço vai depender inclusive de fatores externos a ele, como o hemisfério em que se está localizado, o território geográfico, se há proximidade com rios ou não e outros fatores.

Desnecessário dizer que não existe qualquer sustentação dada pela ciência experimental para o feng shui, apenas as percepções subjetivas dos envolvidos parecem sustentar as afirmações alegadas.

Contudo, guardadas as devidas proporções e admitindo que raciocino aqui analogicamente e não fazendo uma comparação literal, tenho a sensação que estamos a falar do mesmo problema que falo na série de postagens caos estético: quando entramos em certos ambientes, sua organização nos parece imediatamente desagradável; quando visitamos o Centro de São Paulo e percebemos o quadro apresentado, o caos estético gera uma consequência caótica em nós. Ambientes assim, portanto, devem ser, sempre que possível, evitados.

Em suma: a má organização do ambiente em que estamos inseridos tem alguma influência sobre nós e isso parece intuitivamente verdadeiro numa escala avassaladora demais para ser falso. Se a coisa não está absolutamente certa, ela está atinada com algumas impressões acertadas que temos sobre a ordem das coisas, o que parece uma sugestão razoável para virtualmente todo tipo de conhecimento tradicional/milenar (sendo a própria filosofia um excelente exemplo disso).

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Rua de Londres é símbolo da alfaiataria britânica

Por André,

Programa Mundo S.A da Globo News fala de rua de Londres dedicada as vestes tradicionais dos ingleses. Embora os ternos sejam muito caros, é mais um raro recanto onde a tradição sobrevive, vale a pena ver e visitar, para os que puderem.

Nosso ilustre imperador D. Pedro II frequentou uma loja da rua e suas medidas se encontram registradas até hoje, mostrando que era um homem robusto.