Vocês já perceberam que entre os intelectuais da direita os historiadores profissionais (não os amadores, como Narloch) costumam ser os mais intransigentes e rígidos? Três exemplos rápidos, dos mais conhecidos: Robert Conquest (maior historiador da URSS, junto de R. Pipes e O. Figes; primeiro historiador do Grande Expurgo stalinista), o ''anti-bolchevique número um'', segundo Chris Hitchens, o que disse que ''todo mundo que não se diz de direita é de esquerda'', Paul Johnson (maior historiador-geral), defensor da Guerra do Vietnã, que em 1999 se expressou publicamente pela extradição de Pinochet para a Espanha (ele estava preso na Inglaterra) e admirava, com ressalvas, o general Franco, e Niall Ferguson, o historiador-celebridade do momento, apoiador da Le Pen e Guerra do Iraque, que também disse que a imigração dos refugiados sírios na Europa é como a antiga brutal invasão dos hunos na Alemanha, popularmente conhecida como Völkerwanderung (invasões bárbaras).
O que eu quero dizer com isso? Que o estudo intensivo de história cedo ou tarde acaba com seu idealismo e te torna um puro realista prático. Te faz compreender padrões pela história e perceber o que dá certo e o que dá errado, sempre encontrando analogias históricas com acontecimentos atuais. Esse realismo e intransigência não existe, no mesmo nível, entre os filósofos e economistas de direita tanto quanto nos historiadores. Estes são estudiosos da pura empiria, do que ocorreu, e entendem como a realidade é dura, decepcionante e cheia de dilemas, com poucas ocasiões em que as decisões são fáceis e completamente limpas, sendo mais questão de colocar na balança o que é mais importante e optar pelo ''mal menor'', que os idealistas tanto rejeitam por não combinar com sua Weltanschauung pouco embasada e muito hipertrofiada.