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quarta-feira, 7 de março de 2012

Antonio Prata na Folha de São Paulo de hoje - Inveja dos finlandeses

Estamos sempre tropeçando nos cadarços desamarrados de nossa cordialidade; só um tchauzinho é quase um insulto 

Entro no bar, a vejo, vejo que ela me vê -e, durante o longo segundo que dura o resvalar de nossas pupilas, vivo aquele microdilema da vida social: vou até lá e dou oi ou abaixo a vista e finjo que não a reconheci?

Não lembro seu nome. Marcela? Margarida? Maristela, talvez. Faz uns dez anos, namorou um conhecido meu. Naquela época, dividimos a mesa duas ou três vezes, trocamos algumas frases -nunca os telefones-, mas ela sabe quem eu sou, eu sei quem ela é, e isso é razão suficiente para que eu tenha que dar oi. Ou não?

Ah, ser brasileiro dá um trabalho! Aposto que um finlandês de seis anos já sabe exatamente quem precisa cumprimentar, diante de quem pode passar reto, qual o grau de proximidade que permite apenas um tchauzinho, de longe.

Aqui, contudo, estamos sempre tropeçando nos cadarços desamarrados de nossa cordialidade. Um tchauzinho de longe é quase um insulto. Um oi deve necessariamente ser seguido por uma conversinha sobre o tempo, lamentos sobre o longo intervalo desde o último encontro, uma breve entrevista acerca dos parentes, cônjuges, amantes, amigos, inimigos, o cachorro e o papagaio, promessas de nos vermos mais, um convite para o almoço semana que vem, quem sabe restabelecer aquele futebol das terças, fundar uma revista literária ou voltar pra Caraiva; ah, 1997, aquilo sim é que foi Réveillon!

A brasilidade não admite meios tons: ou se é ou não se é, e com todo o peso de nossa desfraldada sociabilidade sobre minhas cansadas retinas, decido não ser; as volto para o chão, dou uma coçada na barriga, simulo grande interesse no piso, passo reto e sento no fundo do bar.

A culpa, contudo, é como uma espinha na bunda: espeta assim que botamos as nádegas na cadeira, e como o neurótico é um péssimo economista, que prefere pagar dez de juros aos cinco da dívida, tenho a ideia de jerico de ir até a garota -não apenas para dar oi, mas pedir desculpas e explicar que passei reto pois não a reconheci.

Mal termino de cumprimentá-la, vejo em seus olhos o brilho opaco do horror. Claro, ela tampouco pretendia me dar oi -e se um olá de passagem já seria trabalhoso, o que dizer dessa missão diplomática de Brancaleone?

O que se segue é uma cena de cartoon, os dois fugindo do silêncio como personagens subindo uma escada a desmilinguir-se: falamos sobre o tempo -"O dia mais quente em março, desde 1943!"-, sobre "o pessoal" -"A Ju? Agora, assim, não tô lembrando..."-, ela me diz que vai para o interior, na Páscoa- "Nossa, Páscoa, já? O ano voa!"- e que sua filha, Gabriela, vai ficar com a mãe. Empenhados em alimentar o papo, apressado e chocho como uma fogueira de jornais, não deixamos pausa para uma retirada. Estamos num labirinto, afundando na areia movediça da afabilidade e é ao me ouvir elogiando a qualidade das estradas paulistas que me dou conta: é tarde demais, jamais conseguirei romper aquele laço, estou condenado a continuar a conversa para sempre, adotar a tal Gabriela, aceitar a nova sogra, ir pro interior na Páscoa, conhecer a Ju -e torcer para que, até lá, eu lembre o nome daquela mulher. Marcela? Margarida? Maristela, talvez.

Às vezes, tenho inveja dos finlandeses.

antonioprata.folha@uol.com.br
@antonioprata 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Conservadores vencem na Finlândia com ampla maioria

Por G1,

Conservador Niinistö vence eleição finlandesa com ampla maioria

Ele venceu neste domingo, no segundo turno, com 62,6% dos votos. Ecologista liberal Pekka Haavisto ficou no segundo lugar

Sauli Niinistö e sua esposa Jenni Haukio neste domingo (5) (Foto: Reuters)

O candidato conservador e pró-União Europeia, Sauli Niinistö, foi eleito presidente da Finlândia por esmagadora maioria, neste domingo, no segundo turno das eleições, com 62,6% dos votos, de acordo com resultados definitivos divulgados pelo ministério da Justiça.
Seu adversário, o ecologista liberal Pekka Haavisto, obteve 37,4% dos votos, acrescentou a fonte. Os finlandeses enfrentaram um frio intenso para votar no segundo turno das eleições presidenciais.

Sauli Niinistö e Pekka Haavisto, dois ex-ministros pró-europeus, com programas de governo muito similares, disputam um mandato de seis anos em um cargo de poderes limitados, sobretudo no que diz respeito à União Europeia (UE).

Dos 4,4 milhões de eleitores registrados, 36,5% votaram antecipadamente no segundo turno.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Do site da Dicta & Contradicta: Uma Educação Finlandesa

Site Dicta & Contradicta,



Não é fácil identificar a causa, ou as causas, de um fenômeno que se dá fora de ambientes controlados. Os melhores médicos creram, por séculos, que a sangria ajudava na cura de seus pacientes quando na verdade ela era nociva. Curas ocorriam, mas ninguém sabia o verdadeiro porquê.

Parece-me que estamos na mesma situação, hoje em dia, com relação à educação. Certas crianças aprendem melhor do que as outras; certos países têm ensino melhor do que outros. Não há grandes mistérios em se medir isso: bastam provas e testes padronizados. O problema está na hora de explicar as diferenças. Intelectuais, professores e políticos todos têm a sua teoria sobre como melhorar o ensino.

Já medir a qualidade do ensino é algo mais simples, embora diferentes métodos possam ser desenvolvidos e diferentes aptidões analisadas. Há provas uniformizadas que dão uma boa ideia do estado da educação de determinado lugar. Um desses exames padronizados e aplicado mundialmente é o PISA. E desde que o PISA começou a ser aplicado, em 2000, um fato chamou a atenção: dentre os países ocidentais, quem ocupava o primeiro lugar, disparado, era a Finlândia. Isso vale até hoje. Embora tenha ficado atrás de Shanghai em todas as provas, a Finlândia continua muito a frente de qualquer outra nação ocidental, inclusive das escandinavas Noruega e Suécia, cuja nota é medíocre em comparação e que sempre servem de parâmetro uns para os outros.

Os exames do PISA  são sérios (aqui o artigo da Wikipedia com os rankings do PISA 2009); não se trata de fraude ou manipulação. Palmas, portanto, para a Finlândia. Mas a que, especificamente, se deve esse desempenho inesperado?

O candidato mais óbvio é o Ministério de Educação finlandês, que já vem de fato colhendo esses louros há vários anos. Ele vem recebendo visitas de comissões de vários países para expor e mostrar as conquistas do sistema de ensino finlandês; e vários autores têm tirado suas conclusões sobre o que é que dá à Finlândia esse diferencial. Segundo a recente reportagem do The Atlantic, o segredo da Finlândia é que ela, ao contrário dos EUA, valoriza a igualdade e não a excelência. Não existem escolas privadas; não existe um sistema de cobrança e avaliação das escolas; não se premia as escolas com melhor desempenho. “Accountability is something that is left when responsibility has been subtracted.”

A tese é polêmica. Mas ao invés de considerá-la, quero levantar um outro ponto. Desde 2006 a amostra de países do PISA foi aumentada, incluindo diversos países em desenvolvimento. Um deles foi a Estônia. E desde então ela também passou a ocupar as posições mais altas no PISA dentre as nações ocidentais (nunca tão boas quanto as da Finlândia, mas ainda assim acima de Noruega, Suécia, Alemanha).

Há um fator em comum entre Finlândia e Estônia: as línguas de ambos os países não pertencem ao ramo indo-europeu comum a quase toda a Europa, mas ao ramo fino-úgrico; e são muito parecidas entre si. Poderia a língua explicar o desempenho educacional? A tese ainda parece duvidosa, mas considerem o seguinte: dentro da Finlândia há uma minoria de falantes do sueco. Essa minoria é, em média, mais rica do que a de falantes do finlandês. No entanto, as notas dela no PISA são muito inferiores às deles. A tese do papel da língua na educação finlandesa é exposta neste breve artigo de Taksin Nuoret.

Talvez o melhor para nossa educação seja abandonar de vez o ENEM (que ainda não escolheu se vai priorizar a igualdade ou a excelência) e implementar o ensino universal do finlandês.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Aproveitando o ensejo sobre a Finlândia: atrás apenas dos EUA e Iêmen em armamento, ainda assim, um dos menos violentos do mundo.

Por Movimento Viva Brasil,

Chupem essa os desarmamentistas,



01/10/2007 - Finlândia: Muitas armas, poucos crimes.


Apesar de o país ter uma das mais fortes concentrações de armas de fogo do mundo, o alcoolismo e marginalidade social são as principais causas dos homicídios.

De acordo com estatística divulgada pela Agência de Notícias de Helsinque (AFP), entre 2002 e 2006 apenas 15% dos homicídios na Finlândia foram cometidos com armas de fogo, embora o país seja o terceiro no mundo com maior número de armas por habitante, atrás apenas dos Estados Unidos e Iêmen.

Um total de 111 homicídios foram cometidos em 2006, contra uma média anual de 130 no decorrer dos últimos dez anos, revelou o Instituto Nacional de Pesquisas sobre a Criminalidade na Finlândia em seu relatório anual.

O Estudo aponta que o álcool é a causa de 80% dos homicídios. O alcoolismo no país — onde o número de assassinatos está em baixa e no qual se registra um dos níveis de vida mais elevados do Planeta — concentra-se num pequeno nicho de marginalidade social.

O presidente do Movimento Viva Brasil e especialista em segurança pública, Bene Barbosa, afirma que as estatísticas apresentadas sobre a Finlândia provam, mais uma vez, que não é quantidade de armas existentes em um país que o torna mais ou menos violento. “Aqueles que, no Brasil, querem retirar do cidadão o direito de possuir armas de fogo poderiam começar provando a relação direta entre posse de armas e criminalidade, pois todos os estudos internacionais sérios não provaram relação alguma até hoje”.

De acordo com o levantamento feito pela Small Arms Survey de Genebra, entre 25 países, o Brasil é o último colocado em número de armas por habitante porém figura entre os países com o maior número de homicídios.

"Entidades pró-desarmamento apontam a queda de homicídios por armas de fogo no Brasil, mas escondem que assassinatos cometidos com outras armas, como armas brancas – facas, estiletes, dentre outras -, continuam crescendo assustadoramente. Para quem perde um filho, um irmão ou um pai assassinado, duvido que faça diferença que tipo de arma o assassino usou. O que dói para essas vítimas, além da perda do ente querido, é a certeza quase total da impunidade dos criminosos, já que no Brasil apenas 10% dos homicídios são esclarecidos”, salienta Bene.

Se o infográfico não aparecer abaixo, use o link:

http://www.movimentovivabrasil.org.br/userfiles/armas_paises.jpg



Conclusão:


O problema está onde ninguém quer admitir que está: desnível de culturas. É óbvio ululante que isso é resultado da cultura finlandesa ser superior a outras. Arma na mão de uma pessoa educada, civilizada etc, ela não vai matar o vizinho por causa de um olhar torto. Agora, num paiseco de terceiro mundo (ou seria quinto?) onde pessoas são exterminadas, onde mata-se oficialmente 50.000 pessoas por ano, onde impera o coronolismo, o "sabe com quem está falando", não dá para esperar melhor coisa...

Como diz o Olavo de Carvalho, só não dá vergonha porque não tenho culpa nenhuma de ter nascido aqui.

Pego em flagrante? Que seja na Finlândia. Depois tem gente que não acredita em desnível de culturas. Até os bandidos deles são civilizados...

A "feiura" natural da Finlândia.


Ou como eu disse certa vez, antes preso na Finlândia que "livre" no Brazil-zil-zil.

Por NYTIMES,

Esse texto fala sobre o sistema carcerário finlandês, talvez o mais brando do planeta. Prisões abertas, ausência de tratamento hierárquico entre encarcerados e funcionários, baixíssimo número de presos, economia de 20 milhões de dólares em trinta anos...

Um sistema interessante, mas que depende totalmente da pacificidade da cultura finlandesa, que estimula a obediência às leis e a cooperação. Não por acaso, nos últimos tempos, o país vem registrando mais prisioneiros russos e estonianos do que qualquer outra coisa.

O que vocês acham? Eu sei, o artigo é do democrata NYT e é de 2003, mas achei interessante ainda assim.



Going by the numbers, Antti Syvajarvi is a loser. He is a prison inmate in Finland -- the country that jails fewer of its citizens than any other in the European Union.

Still, he counts himself fortunate.

''If I have to be a prisoner,'' he said, ''I'm happy I'm one in Finland because I trust the Finnish system.''

So, evidently, do law-abiding Finns, even though their system is Europe's most lenient and would probably be the object of soft-on-criminals derision in many societies outside of the Nordic countries.

In polls measuring what national institutions they admire the most, Finns put their criminal-coddling police in the No. 1 position.

The force is the smallest in per capita terms in Europe, but it has a corruption-free reputation and it solves 90 percent of its serious crimes.

''I know this system sounds like a curiosity,'' said Markku Salminen, a former beat patrolman and homicide detective who is now the director general of the prison service in charge of punishments. ''But if you visit our prisons and walk our streets, you will see that this very mild version of law enforcement works. I don't blame other countries for having harsher systems because they have different histories and politics, but this model works for us.''

Finland, a relatively classless culture with a Scandinavian belief in the benevolence of the state and a trust in its civic institutions, is something of a laboratory for gentle justice. The kinds of economic and social disparities that can produce violence don't exist in Finland's welfare state society, street crime is low, and law enforcement officials can count on support from an uncynical public.

Look in on Finland's penal institutions, whether those the system categorizes as ''open'' or ''closed,'' and it is hard to tell when you've entered the world of custody. ''This is a closed prison,'' Esko Aaltonen, warden of the Hameenlinna penitentiary, said in welcoming a visitor. ''But you may have noticed you just drove in, and there was no gate blocking you.''

Walls and fences have been removed in favor of unobtrusive camera surveillance and electronic alert networks. Instead of clanging iron gates, metal passageways and grim cells, there are linoleum-floored hallways lined with living spaces for inmates that resemble dormitory rooms more than lockups in a slammer.
Guards are unarmed and wear either civilian clothes or uniforms free of emblems like chevrons and epaulettes. ''There are 10 guns in this prison, and they are all in my safe,'' Mr. Aaltonen said.

''The only time I take them out is for transfer of prisoners.''

At the ''open'' prisons, inmates and guards address each other by first name. Prison superintendents go by nonmilitary titles like manager or governor, and prisoners are sometimes referred to as ''clients'' or, if they are youths, ''pupils.''

''We are parents, that's what we are,'' said Kirsti Njeminen, governor of the Kerava prison that specializes in rehabilitating young offenders like Mr. Syvajarvi.

Generous home leaves are available, particularly as the end of a sentence nears, and for midterm inmates, there are houses on the grounds, with privacy assured, where they can spend up to four days at a time with visiting spouses and children.

''We believe that the loss of freedom is the major punishment, so we try to make it as nice inside as possible,'' said Merja Toivonen, a supervisor at Hameenlinna.

Natalia Leppamaki, 39, a Russian immigrant convicted of drunken driving, switched off a sewing machine she was using to make prison clothing and picked up on Ms. Toivonen's point. ''Here you have work, you can eat and you can do sports, but home is home, and I don't think you'll see me in here again,'' she said.

Thirty years ago, Finland had a rigid model, inherited from neighboring Russia, and one of the highest rates of imprisonment in Europe. But then academics provoked a thoroughgoing rethinking of penal policy, with their argument that it ought to reflect the region's liberal theories of social organization.

''Finnish criminal policy is exceptionally expert-oriented,'' said Tapio Lappi-Seppala, director of the National Research Institute of Legal Policy. ''We believe in the moral-creating and value-shaping effect of punishment instead of punishment as retribution.''

He asserted that over the last two decades, more than 40,000 Finns had been spared prison, $20 million in costs had been saved, and the crime rate had gone down to relatively low Scandinavian levels.

Mr. Salminen, the prison service director, pulled out a piece of paper and drew three horizontal lines. ''This first level is self-control, the second is social control and the third is officer control. In Finland,'' he explained, ''we try to intervene at this first level so people won't get to the other two.''

The men and women who work in the prisons also back the softer approach. ''There are officers who were here 20 and 30 years ago, and they say it was much tougher to work then, with more people trying to escape and more prison violence,'' said Kaisa Tammi-Moilanen, 32, governor of the open ward at Hameenlinna.

She conceded that there were people who took advantage of the leniency. Risto Nikunen, 41, a grizzled drifter who has never held a job and has been in prison 11 times, was asked outside his drug rehabilitation unit if he might be one of them. ''Well,'' he shrugged, ''many people do come to prison to take a break and try to get better again.''

Prison officials can give up to 20 days solitary confinement to inmates as punishment for infractions like fighting or possessing drugs, though the usual term is from three to five days. Mr. Aaltonen said he tried to avoid even that by first talking out the problem with the offending inmate.

Finnish courts mete out four general punishments -- a fine, a conditional sentence, which amounts to probation, community service and an unconditional sentence. Even this last category is made less harsh by a practice of letting prisoners out after only half their term is served. Like the rest of the countries of the European Union, Finland has no death penalty.

According to the Ministry of Justice in Helsinki, there are a little more than 2,700 prisoners in Finland, a country of 5.2 million people, or 52 for every 100,000 inhabitants. Ministry figures show the comparable rate is 702 per 100,000 in the United States, 664 in Russia and 131 in Portugal, the highest in the European Union.

Finland's chief worry now is the rise in drug-related crimes that do result in prison sentences and the growing number of Russians and Estonians, who Mr. Lappi-Seppala said were introducing organized-crime activities into Finland.

Finns credit their press and their politicians with keeping the law-and- order debate civil and not strident. ''Our newspapers are not full of sex and crime,'' Mr. Salminen said. ''And there is no pressure on me to get tough on criminals from populist-issue politicians like there would be in a lot of other countries.''

One reason why the Finnish public may tolerate their policy of limited punishment is that victims receive compensation payments from the government. Mrs. Tammi-Moilanen was asked if this was enough to keep them from getting angry over the system of gentle justice.

''My feeling is that victims wouldn't feel that justice is better done by giving very severe punishment,'' she said. ''We don't believe in an eye for an eye, we are a bit more civilized than that, I hope.''

Mr. Syvajarvi, a muscular 21-year-old with close-cropped hair who become a heroin addict at age 14, received a six-year sentence for drug selling and assaults. As a young offender, he will serve only a third of that time, and he is expected to be out in a year.

He is now the appointed ''big brother'' peer counselor to other youths in the jail, must submit to random drug checks to make sure he remains off the habit and has undergone training with anger management specialists that he says has prepared him to rejoin society with a new outlook.

''Before, I wanted to be like those drug dealers in the States,'' he said, adding in English, ''I was a gangster wannabe.'' He went into a boxer's crouch and popped punches in the air. ''I used to think the most important thing was to stand up for yourself.

''Now I've learned that it takes more courage to run away.''