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quinta-feira, 7 de março de 2019

Historiador marxista Eric Hobsbawm era conivente com genocídio

Por André,

Já abordei em alguns textos a questão da relação entre ideologias políticas e pensamento messiânico ou apocalíptico, fenômeno que fora magistralmente estudado e explicado por Eric Voegelin. Para quem estiver adentrando a literatura sobre o assunto agora, recomendo a leitura do excelente Missa Negra de John Gray.

O pensamento messiânico das ideologias totalitárias costuma se apresentar da seguinte maneira: um endeusamento radical do futuro, transformando o presente em campo de ação para o estabelecimento desse futuro paradisíaco pós-apocalíptico, sendo que o emprego de quaisquer meios para atingir este fim estão automaticamente justificados em nome do bem maior a ser realizado nesse futuro, inclusive o extermínio de quantos milhões for necessário. É a realização maior, ainda que pueril de tão radical, do lema “os fins justificam os meios”.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Pondé sobre o filme "Crimes Ocultos" e o problema de caráter da esquerda

"Não há crimes no paraíso", por Luiz Felipe Pondé

Folha de São Paulo


O filme "Crimes Ocultos" (em cartaz nos cinemas), de Daniel Espinosa, deveria ser visto por todos os alunos que escutam bobagens da boca de seus "professores de humanas" sobre o socialismo.

Antes, um reparo. Estou longe de achar que a sociedade de mercado seja um docinho de coco. Pelo contrário, concordo com o sociólogo americano Daniel Bell em seu primoroso "The Cultural Contradictions of Capitalism".

Nessa obra, Bell deixa claro como as virtudes que produziram o capitalismo -a saber, autorresponsabilidade, contenção do desejo imediato, poupança, dignidade pensada como fruto do trabalho pessoal- estão em crise por conta de toda uma geração mimada, narcisista e consumista que nasceu da própria riqueza capitalista.

Entretanto, a sociedade de mercado continua sendo a única forma conhecida de produção de riqueza social e de preservação da autonomia individual, ainda que não devamos ser os otimistas ingênuos que acham que o mercado "cura" tudo.

Tampouco a direita fascista, homofóbica, escrota, serve. É um lixo. Dito isso, vamos ao que interessa.

"Crimes Ocultos" é uma aula de história sobre a URSS, tão necessária contra as mentiras dos socialistas brasileiros. Na época, anos 1950, a esquerda já era mau caráter e já mentia sobre a URSS. Mas quero pontuar uma questão específica que aparece no filme.

"Crimes Ocultos" narra a história de um oficial da polícia política socialista, a versão comunista da Gestapo, que investiga um serial killer que matava crianças. 

O governo stalinista negava que existissem homicídios na URSS porque isso era coisa do mundo podre capitalista.

Sendo assim, os superiores do herói recusam a investigação sob a rubrica stalinista de que "não há crimes no paraíso", leia-se, no socialismo. Ao final, fica claro como um serial killer era quase "um detalhe menor" no absurdo que era o mundo socialista real.

Qual a questão específica que quero pontuar no filme? É a seguinte: a "versão oficial" que o policial é obrigado a aceitar ao final, para criar um departamento de homicídios na polícia, é que todo e qualquer homicídio na União Soviética seria fruto da contaminação do paraíso socialista pela política do mundo capitalista. 

Não fosse por essa contaminação, não haveria crimes no paraíso socialista.

Voltemos ao Brasil hoje. Não vou falar de política propriamente dita, vou falar da modinha que muitos psicanalistas e associados hoje em dia pregam por aí, a saber, que "a verdadeira clínica é a política".

Ou, o que é a mesma coisa, que a diagnóstica, a ciência que organiza os padrões etiológicos (causas) da psicopatologia, deve ser mudada para que aspectos políticos e sociais tenham espaço na determinação dos sintomas.

Sei que o negócio é complicado, mas, trocando em miúdos, é o seguinte: os sintomas seriam fruto da ordem social injusta do capitalismo. Se mudarmos essa ordem via uma política socialista, muitas doenças desapareceriam.

Ou seja, segundo esses neostalinistas (envergonhados de confessar seu amor bandido pela sociedade totalitária), com o socialismo não teríamos pânicos, impotências, depressões e quadros afins.

Gostaria de ver uma conversa entre Slavoj Zizek (o guru dos neostalinistas tupiniquins), grande representante desse lacanismo meia boca que põe a "culpa" da psicopatologia no capitalismo, e os superiores do policial em "Crimes Ocultos".

Dizer que homicídios são fruto da sociedade doente capitalista, sujando o paraíso socialista, é a mesma coisa que dizer que a verdadeira clínica é a política.

Stálin dizia que o capitalismo gera assassinos, a trupe neostalinista afirma que o capitalismo gera quadros clínicos que noutra ordem deixariam de existir.

Ou seja: a política socialista cura o mundo das psicopatologias capitalistas.

Num mundo em que essa trupe mandasse ("sem porcos capitalistas e indústrias farmacêuticas"), quando deprimidos e afins continuassem a aparecer, eles iriam por a culpa em traidores que mantinham sua vida "promíscua" com as desigualdades do capitalismo. O problema da esquerda não é político, é de caráter.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Alcelmo Góis recebeu treinamento da KGB

Por André,

Conforme explica em entrevista, o jornalista do Globo Ancelmo Góis foi treinado pela KGB durante o período de 68-69. As perguntas que ficam (e certamente devem ser respondidas por aquele amigo que te considera conspiracionista quando menciona as ações de desinformação da KGB) e devem ser respondidas são:

- Ancelmo recebeu o treinamento com quais propósitos?

- Qual o propósito da KGB de bancar uma bolsa de estudos para um jornalista brasileiro durante o regime militar local?

- Quantos mais o fizeram e por que fizeram?

- Quais eram as condições e exigências para realizar o treinamento e o que os treinados deveriam operar depois?

- Qual o conteúdo do estudo, se foi praticado, como e contra quem?

domingo, 28 de setembro de 2014

Filme: Stalin, a personalidade de um tirano

Por André,




Uma obra de arte no relato da vida de um psicopata: a paranoia de ser espionado, a moralidade flexível o suficiente para fuzilar os próprios companheiros, a coragem para fazer o próprio povo passar fome.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Site compila documentos sobre o antissemitismo soviético

Por André,

O ANTISSEMITISMO COMUNISTA SOVIÉTICO

Quinto Grupo era a área de nacionalidades dos passaportes internos na União Soviética. Os judeus eram considerados "nacionalidade" e no uso popular pejorativo, eram os inválidos, os inúteis, marcados em seus passaportes pelo regime comunista soviético.

Site compila livros e textos sobre o assunto. Hannah Arendt, em seu As Origens do Totalitarismo também resvala no assunto.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Roger Scruton: "O modo errado de lidar com o presidente Putin"

Por MSM,

A paz entre a Rússia e o Ocidente foi assegurada enquanto o interesse próprio dos oligarcas russos assim exigiu. Porém, não está mais tão claro que a paz esteja dentre seus interesses.

Com a cegueira habitual sobre a sua situação real, a União Europeia respondeu ao confisco da Criméia com a imposição de 'sanções' à hierarquia russa. Os chefes da máfia que rodeia e dependem do presidente Putin não mais terão a permissão para viajar às suas villas na Toscana ou para fazer saques em suas imensas contas em bancos europeus. As amantes, com o coração partido, permanecerão solitárias por meses a fio a não ser que convidem um dos eurocratas no restaurante do andar abaixo. As mansões em Mayfair permanecerão fechadas até que o gesso comece a cair, times de futebol em dificuldades e cavalos de corrida buscarão em vão por um comprador. Pensar que essas coisas farão a mais mínima diferença na política externa expansionista russa é uma ilusão de uma inocência inacreditável. Mais importante do que isso, contudo, é a profunda ignorância histórica que essa medida revela.


Para tanto, vamos olhar para o passado, para o colapso da União Soviética no tempo do astuto Sr. Gorbachev. Por que razão, de forma súbita e sem nenhum aviso prévio verdadeiro, a elite Soviética abdicou do poder de mando e silenciosamente retirou-se do governo? A resposta é simples: porque era do interesse deles fazer tal coisa. Graças à estratégia do presidente Reagan e da Aliança do Atlântico Norte, tornou-se evidente que não seria possível tomar posse dos bens localizados a Oeste do Império Soviético mediante o uso da força. Porém, também tornou-se evidente que o uso da força não era mais necessário. Ao longo de um período de setenta anos, a União Soviética construiu um sistema de espionagem e um sistema bancário subterrâneo que em essência conferiu à elite da KGB praticamente total liberdade de movimento no continente europeu, bem como um sistema de finanças pessoais seguro. Já em 1989 os oficiais de alta patente que tomavam as decisões de liderança possuíam propriedades no Ocidente e já haviam transferido para suas contas em bancos suíços a sua parcela de bens furtados ao povo russo no decorrer de décadas.

Então eles perceberam que esse processo poderia ser completado sem nenhum custo adicional. Através da privatização da economia soviética para si próprios e pela adoção de uma máscara de governo democrático, a elite apartou-se do comunismo, ingressando no mundo das celebridades. Então eles passaram a ser cidadãos livres do mundo, aptos a viajar, a possuir propriedades, a gastar o seu bilhão roubado e a se divertir com seus próprios times de futebol. Quão estúpidos eles haviam sido ao longo de todos aqueles anos, mantendo a herança da paranoia comunista e crendo que seus papéis de machos-alfa dependiam de ameaçar, invadir, subverter, e atormentar quando a coisa toda podia ser obtida simplesmente sendo (um cara) legal!

E então o que se passou? Com alguns leads (1) de Gorbachev a KGB captou a mensagem. Privatize o seu pedacinho da economia soviética e, se necessário, mande prender seus competidores por evasão fiscal. Retire um salário vitalício da sua participação nos bens roubados. Mantenha a sua mansão em Londres, a sua conta na Suíça e o seu iate no Mediterrâneo e pose como um homem de negócios interessado em gás e petróleo. Construa uma carreira de alpinismo social e aventuras eróticas no Ocidente e deixe que as velhasmonotowns da Rússia virem pó (2).

Obviamente foi um espetáculo indecoroso, porém não tão indecente ao ponto que as elites alemãs fossem repelidas por ele. Pelo contrário, ao convidar o Gerhard Schroeder (3) para a diretoria da Gazprom, Putin tornou os social-democratas alemães parte do jogo. Por toda a Europa a elite da KGB esteve em condições de fazer solicitações por favores recebidos e, assim, construir o seu caminho numa sociedade que já estava apodrecida com negociações por debaixo dos panos. O resultado, inegavelmente torpe, não é desfavoravelmente comparado à situação anterior na qual a mesma elite retinha o poder por meio da opressão do povo russo, aprisionava o Leste Europeu e agitava conflitos violentos por todo o mundo.

Então qual será o efeito das sanções propostas? Perceba que ela tem indivíduos como alvos e não o estado russo. As sanções foram expressamente desenhadas para aprisionar os oligarcas da Rússia novamente no país que eles arruinaram, e do qual, há um quarto de século, eles escaparam com arrogantes suspiros de alívio. Isto seria uma estratégia viável se a União Europeia possuísse os meios militares para conter os oligarcas atrás da fronteira russa. Esta fora a estratégia do presidente Reagan e que foi abandonada por Obama quando este decidiu não prosseguir com o sistema de mísseis de defesa que havia sido proposto para os países do Leste Europeu, e o qual de qualquer forma, nunca teve o endosso entusiasmado nem da França ou da Alemanha.

Desse modo nós voltamos para o ponto de partida: um poderoso zoológico de machos-alfa raivosos confinados atrás de um gradil que cederá ao primeiro chacoalhão que for dado com determinação. E é apenas uma questão de tempo até que o chacoalhão comece. A paz entre a Rússia e o Ocidente foi assegurada enquanto o interesse próprio dos oligarcas russos assim exigiu. Porém, não está mais tão claro que a paz esteja dentre seus interesses: ademais, assumir que eles irão respeitar os interesses de quem quer que seja é dar mostra de uma espantosa negligência com a história recente deles.


Notas:

1 - Leads, jargão jornalístico para referir-se ao resumo de uma notícia em uma ou em poucas linhas.

2 - Monotowns ou monogorod, em russo. Similar às “cidades militares”, as monotowns são cidades construídas pela planificação soviética teoricamente em localizações estratégicas e em torno de um único complexo industrial estatal, ou ainda, em torno de uma única fábrica/indústria. Com o desmantelamento da União Soviética e a imensa ineficiência do sistema produtivo Soviético essas cidades entraram em crise. Estima-se que 25 milhões de russos vivam nesse tipo de cidade.

3 - Gerhard Schroeder, foi Chanceler da República Federal da Alemanha de 1998 a 2005 pelo Partido Social Democrata. É amigo pessoal de Vladimir Putin a quem descreve como “um democrata sem falhas”, vide:http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/ukraine/10697986/Merkel-fury-after-Gerhard-Schroeder-backs-Putin-on-Ukraine.html



Tradução: Francis Lauer

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Os EUA financiavam golpes? O mesmo vale para a URSS, mein camarade!

Por André,

Alguns vídeos na internet ajudam a atestar isso. E a URSS tinha interesses no Brasil também, tanto quanto os EUA. Ambos não influenciaram por questões meramente estratégicas, aquele pudesse e precisasse, teria feito sem maior remorso. Não deixe de apresentar essa fato aos contadores de história que postam chapeuzinhos vermelhos de um lado e lobos maus do outro.

Essa constatação também provoca uma reflexão acerca do imperialismo: potências querem expandir suas influências, territórios, parceiros etc. Como potências da época, EUA e URSS tentavam o feito, ambos ora tentando ora conseguindo, financiaram golpes (EUA) e guerrilheiros (URSS). Em resumo: nessa história não há santos ou heróis.

Alguns vídeos importantes sobre o tema:

O Brasil nos arquivos de espionagem da União Soviética:



Militantes confessam o treino em Cuba e China e os famosos "justiçamentos":



Estratégia soviética de derrota ao "grande inimigo":


Acerca dos justiçamentos, conforme postei hoje no Facebook:

Dos tribunais revolucionários da Revolução Francesa até os justiçamentos da guerrilha da década de 60 e 70, o que a esquerda faz de melhor é chamar os amigos de ontem inimigos de hoje e matá-los.