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sábado, 14 de abril de 2018

Rússia, Síria e EUA

Por André,

Do ataque dos EUA à Síria, só consigo pensar que:

- ontem, por não retaliar, a narrativa era de Trump "bundão", "afinou para a Rússia".
- hoje, ao atacar, a narrativa será de cão raivoso belicista.

Do mesmo jeito que ontem havia um acordão entre Putin e Trump para elegê-lo, hoje já vejo jornal falando de retorno à Guerra Fria devido à expulsão de diplomatas russos de solo americano.

A narrativa midiática como um todo é tão precisa em vender narrativas antiamericanas CONTRADITÓRIAS que isso parece até um elaborado e exitoso plano de desinformação.

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A IMPRENSA NÃO VAI PEDIR DESCULPAS?

Ficou-se meses a falar do conluio russo para eleger Trump, mas até agora, além das especulações da extrema-imprensa, o que temos de fatos concretos é:

- a América desafiando as vontades russas na Síria;

- expulsão de diplomatas russos;

- novas sanções à Rússia;

- expansão das capacidades dos mísseis de defesa na Crimeia;

- apoio e fortalecimento da OTAN contra a Rússia.

"Hoje estamos em guerra contra a Oceania e somos parceiros da Eurásia, amanhã estaremos em guerra com a Eurásia e seremos parceiros da Oceania", para rememorar a nunca desatualizada referência a Orwell.

domingo, 20 de abril de 2014

Duguinismo é a ideologia diretora da mente de Putin

Por Estadão,

Por trás da ofensiva da Rússia sobre a Ucrânia há mais do que interesses geopolíticos e econômicos. O presidente russo, Vladimir Putin, estaria sendo influenciado também pelo "neoeurasianismo", ideologia radical de inspiração nacionalista nascida nos anos 20 e reescrita após o desmoronamento da União Soviética.

Fiel à tradição e aos valores cristãos ortodoxos, a doutrina reúne princípios da extrema direita e da extrema esquerda na luta contra seus inimigos: os EUA, a Europa, o Ocidente, o liberalismo e a globalização.
A teoria reafirma o que qualifica de "identidade russa", nascida da fusão de eslavos e muçulmanos turcos. A Rússia seria um terceiro continente, situado entre a Europa e a Ásia. Antes de quase desaparecer no século 20, esta linha de pensamento opunha-se tanto ao Ocidente liberal, considerado decadente, quanto aos soviéticos, que baniram o cristianismo ortodoxo da Rússia, assim como seus valores tradicionalistas.
O renascimento do eurasianismo ocorreu após a queda do Muro de Berlim e da URSS, por meio do filósofo e cientista político Alexander Dugin. Filho de um agente da KGB, o intelectual se alinhou com os opositores de Boris Ieltsin, o primeiro presidente da Rússia após o fim do bloco soviético. Aliou-se também ao escritor dissidente Eduard Limonov na fundação do Partido Nacional-Bolchevique, cujo nome e bandeira não deixavam dúvidas sobre sua proximidade com o nazismo.
Em 1994, Limonov e Dugin se separaram. O primeiro fez uma guinada liberal e fundou o movimento Outra Rússia, de oposição a Putin. O segundo criou em 2002 um novo partido, o Eurásia, em atividade até hoje. Nos últimos 25 anos, Dugin ganhou influência em Moscou, onde ficou mais próximo de Putin e de Dmitri Medvedev. Por isso, o presidente russo adotou o discurso da ideologia, ressaltando a ideia de "tradição", cara à Igreja Ortodoxa russa, e recusando o multiculturalismo, o feminismo, o homossexualidade e o que chama de "valores não tradicionais" dos EUA.
"Com certeza, a ideologia do eurasianismo de Dugin influencia Putin", afirma a cientista política russa Tatiana Kastoueva-Jean, coordenadora do centro de estudo de Rússia do Instituto Francês de Relações Internacionais, de Paris. "A teoria de Dugin ressalta o papel específico e único da Rússia e corresponde à visão das autoridades russas."
Para a historiadora francesa Marlène Laruelle, pesquisadora do Centro de Estudos dos Mundos Russo, Caucasiano e Centro-Europeu, a ideologia não explica toda a política externa da Rússia, mas ajuda a entender seus desdobramentos. Um deles é o projeto de criação da União Eurasiática, com sede em Moscou, cujo tratado foi assinado em novembro de 2011 pelos os presidentes de Bielo-Rússia, Casaquistão e Armênia. O grupo incluirá Quirguistão e Tajiquistão a partir de 2015.
Ao convencer o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich a renunciar à ambição de um acordo de livre-comércio com a União Europeia, em novembro - evento que detonou o Movimento EuroMaidan, na Praça da Independência, em Kiev -, Putin planejava a inclusão da Ucrânia no novo bloco, expandindo-o para o oeste e incorporando, futuramente, membros como Geórgia, Moldávia e Armênia.
Na prática, a União Eurasiática reconstituiria a maior parte do território da URSS, cujo esfacelamento é considerado por Putin como uma das maiores tragédias do século 20. "O objetivo era manter a Ucrânia sob sua influência, fazendo-a participar de seu projeto de União Eurasiática, não admitindo sua 'deriva' em direção ao Ocidente", afirma Tatiana. "Esses objetivos estão bem comprometidos hoje."
Em entrevista a um jornalista francês militante do eurasianismo, em 2009, o Dugin foi claro: para ele, não existe povo ucraniano. "Nós somos contra o Estado-nação ucraniano porque ele é pró-americano, atlantista e antieurasiano", disse. "O povo da Ucrânia do leste e da Crimeia está agora em perigo de opressão e destruição."
Para o ucraniano Constantin Sigov, filósofo da Universidade Kiev-Mohyla e militante do Movimento Euromaidan, o eurasianismo tornou-se uma ideologia perigosa para todo o mundo. "Não há nada de bom na ideologia do eurasianismo. É uma salada sem coerência interna que busca elementos do comunismo, do socialismo, do nacionalismo, do cristianismo", diz Sigov, que vê no presidente russo o líder do movimento. "Putin é um louco e precisa ser parado enquanto há tempo."

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Roger Scruton: "O modo errado de lidar com o presidente Putin"

Por MSM,

A paz entre a Rússia e o Ocidente foi assegurada enquanto o interesse próprio dos oligarcas russos assim exigiu. Porém, não está mais tão claro que a paz esteja dentre seus interesses.

Com a cegueira habitual sobre a sua situação real, a União Europeia respondeu ao confisco da Criméia com a imposição de 'sanções' à hierarquia russa. Os chefes da máfia que rodeia e dependem do presidente Putin não mais terão a permissão para viajar às suas villas na Toscana ou para fazer saques em suas imensas contas em bancos europeus. As amantes, com o coração partido, permanecerão solitárias por meses a fio a não ser que convidem um dos eurocratas no restaurante do andar abaixo. As mansões em Mayfair permanecerão fechadas até que o gesso comece a cair, times de futebol em dificuldades e cavalos de corrida buscarão em vão por um comprador. Pensar que essas coisas farão a mais mínima diferença na política externa expansionista russa é uma ilusão de uma inocência inacreditável. Mais importante do que isso, contudo, é a profunda ignorância histórica que essa medida revela.


Para tanto, vamos olhar para o passado, para o colapso da União Soviética no tempo do astuto Sr. Gorbachev. Por que razão, de forma súbita e sem nenhum aviso prévio verdadeiro, a elite Soviética abdicou do poder de mando e silenciosamente retirou-se do governo? A resposta é simples: porque era do interesse deles fazer tal coisa. Graças à estratégia do presidente Reagan e da Aliança do Atlântico Norte, tornou-se evidente que não seria possível tomar posse dos bens localizados a Oeste do Império Soviético mediante o uso da força. Porém, também tornou-se evidente que o uso da força não era mais necessário. Ao longo de um período de setenta anos, a União Soviética construiu um sistema de espionagem e um sistema bancário subterrâneo que em essência conferiu à elite da KGB praticamente total liberdade de movimento no continente europeu, bem como um sistema de finanças pessoais seguro. Já em 1989 os oficiais de alta patente que tomavam as decisões de liderança possuíam propriedades no Ocidente e já haviam transferido para suas contas em bancos suíços a sua parcela de bens furtados ao povo russo no decorrer de décadas.

Então eles perceberam que esse processo poderia ser completado sem nenhum custo adicional. Através da privatização da economia soviética para si próprios e pela adoção de uma máscara de governo democrático, a elite apartou-se do comunismo, ingressando no mundo das celebridades. Então eles passaram a ser cidadãos livres do mundo, aptos a viajar, a possuir propriedades, a gastar o seu bilhão roubado e a se divertir com seus próprios times de futebol. Quão estúpidos eles haviam sido ao longo de todos aqueles anos, mantendo a herança da paranoia comunista e crendo que seus papéis de machos-alfa dependiam de ameaçar, invadir, subverter, e atormentar quando a coisa toda podia ser obtida simplesmente sendo (um cara) legal!

E então o que se passou? Com alguns leads (1) de Gorbachev a KGB captou a mensagem. Privatize o seu pedacinho da economia soviética e, se necessário, mande prender seus competidores por evasão fiscal. Retire um salário vitalício da sua participação nos bens roubados. Mantenha a sua mansão em Londres, a sua conta na Suíça e o seu iate no Mediterrâneo e pose como um homem de negócios interessado em gás e petróleo. Construa uma carreira de alpinismo social e aventuras eróticas no Ocidente e deixe que as velhasmonotowns da Rússia virem pó (2).

Obviamente foi um espetáculo indecoroso, porém não tão indecente ao ponto que as elites alemãs fossem repelidas por ele. Pelo contrário, ao convidar o Gerhard Schroeder (3) para a diretoria da Gazprom, Putin tornou os social-democratas alemães parte do jogo. Por toda a Europa a elite da KGB esteve em condições de fazer solicitações por favores recebidos e, assim, construir o seu caminho numa sociedade que já estava apodrecida com negociações por debaixo dos panos. O resultado, inegavelmente torpe, não é desfavoravelmente comparado à situação anterior na qual a mesma elite retinha o poder por meio da opressão do povo russo, aprisionava o Leste Europeu e agitava conflitos violentos por todo o mundo.

Então qual será o efeito das sanções propostas? Perceba que ela tem indivíduos como alvos e não o estado russo. As sanções foram expressamente desenhadas para aprisionar os oligarcas da Rússia novamente no país que eles arruinaram, e do qual, há um quarto de século, eles escaparam com arrogantes suspiros de alívio. Isto seria uma estratégia viável se a União Europeia possuísse os meios militares para conter os oligarcas atrás da fronteira russa. Esta fora a estratégia do presidente Reagan e que foi abandonada por Obama quando este decidiu não prosseguir com o sistema de mísseis de defesa que havia sido proposto para os países do Leste Europeu, e o qual de qualquer forma, nunca teve o endosso entusiasmado nem da França ou da Alemanha.

Desse modo nós voltamos para o ponto de partida: um poderoso zoológico de machos-alfa raivosos confinados atrás de um gradil que cederá ao primeiro chacoalhão que for dado com determinação. E é apenas uma questão de tempo até que o chacoalhão comece. A paz entre a Rússia e o Ocidente foi assegurada enquanto o interesse próprio dos oligarcas russos assim exigiu. Porém, não está mais tão claro que a paz esteja dentre seus interesses: ademais, assumir que eles irão respeitar os interesses de quem quer que seja é dar mostra de uma espantosa negligência com a história recente deles.


Notas:

1 - Leads, jargão jornalístico para referir-se ao resumo de uma notícia em uma ou em poucas linhas.

2 - Monotowns ou monogorod, em russo. Similar às “cidades militares”, as monotowns são cidades construídas pela planificação soviética teoricamente em localizações estratégicas e em torno de um único complexo industrial estatal, ou ainda, em torno de uma única fábrica/indústria. Com o desmantelamento da União Soviética e a imensa ineficiência do sistema produtivo Soviético essas cidades entraram em crise. Estima-se que 25 milhões de russos vivam nesse tipo de cidade.

3 - Gerhard Schroeder, foi Chanceler da República Federal da Alemanha de 1998 a 2005 pelo Partido Social Democrata. É amigo pessoal de Vladimir Putin a quem descreve como “um democrata sem falhas”, vide:http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/ukraine/10697986/Merkel-fury-after-Gerhard-Schroeder-backs-Putin-on-Ukraine.html



Tradução: Francis Lauer

quarta-feira, 19 de março de 2014

Retorno da URSS é realidade para presidente da Romênia e Dilma proíbe que Itamaraty contrarie Putin

Por André,


Órfã de um ditador poderoso e de uma metrópole que imponha o mínimo de respeito desde a queda da Antiga URSS a esquerda comunista está prestes a ganhar um novo ditador para chamar de seu.