Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de abril de 2019

1964 - O Brasil entre armas e livros - o filme que a esquerda tentou censurar

Por André,

A rede Cinemarx tentou censurar a exibição do filme produzido pelo Brasil Paralelo. A esquerda, como era de se esperar com respeito ao assunto liberdade de expressão, burra como uma porta, só fez atiçar o sentimento de curiosidade a respeito do filme ao se negar a exibi-lo.

Segue a produção, disponível no Youtube e já com mais de 4 milhões de visualizações (recorde para o gênero):






quinta-feira, 7 de março de 2019

Historiador marxista Eric Hobsbawm era conivente com genocídio

Por André,

Já abordei em alguns textos a questão da relação entre ideologias políticas e pensamento messiânico ou apocalíptico, fenômeno que fora magistralmente estudado e explicado por Eric Voegelin. Para quem estiver adentrando a literatura sobre o assunto agora, recomendo a leitura do excelente Missa Negra de John Gray.

O pensamento messiânico das ideologias totalitárias costuma se apresentar da seguinte maneira: um endeusamento radical do futuro, transformando o presente em campo de ação para o estabelecimento desse futuro paradisíaco pós-apocalíptico, sendo que o emprego de quaisquer meios para atingir este fim estão automaticamente justificados em nome do bem maior a ser realizado nesse futuro, inclusive o extermínio de quantos milhões for necessário. É a realização maior, ainda que pueril de tão radical, do lema “os fins justificam os meios”.

domingo, 11 de novembro de 2018

Ditadura brasileira foi branda e universitários brasileiros são analfabetos

Por André,

Achou que foi o Olavo de Carvalho que disse esses "impropérios", né? Não, não. Foram duas vacas sagradas do esquerdismo acadêmico:


Safatle:

"A ditadura militar brasileira não foi uma ditadura do assassinato: foi uma ditadura dos processos jurídicos. Você vê o número de assassinatos e desaparecimentos, e fala 'Ah, foi uma ditadura branda'. Foram 500 desaparecidos, enquanto na Argentina foram 30 mil. Só que isso foi compensado pelo desenvolvimento de um aparato jurídico que só nos primeiros anos já tinha 30 mil processos. A lógica era: você paralisa as pessoas jogando processo atrás de processo."


VLADIMIR SAFATLE, professor universitário (USP) e filósofo de esquerda (https://bit.ly/2QyU2VP).


José Paulo Netto:


"Temos, no Brasil, alunos que chegam semianalfabetos ao mestrado e saem do doutorado analfabetos especializados".


JOSÉ PAULO NETTO, professor universitário e intelectual da tradição marxista (https://youtu.be/2WndNoqRiq8).

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Os amantes cruéis da humanidade, por Paul Johnson

Por André,

Traduzido por Filipe Amaral.

Por Paul Johnson
Do Wall Street Journal, 5 de janeiro de 1987.
[Nota: Datas entre colchetes não estão no original.]


Sepulturas em massa de Choeung Ek, Camboja

Nos últimos 200 anos, a influência dos intelectuais cresceu de forma constante. Ele sempre esteve lá, é claro, pois em suas encarnações anteriores, como sacerdotes, escribas e adivinhos, os intelectuais reivindicaram guiar a sociedade desde o começo. Desde o tempo de Voltaire [1694-1778] e Rousseau [1712-78], o intelectual secular preencheu a posição deixada pelo declínio do clérigo, e está se mostrando mais arrogante, permanente e acima de tudo mais perigoso que sua versão clerical.

Foi Percy Bysshe Shelley quem, em seu tratado de 1821 "Em Defesa da Poesia", articulou pela primeira vez o que eu poderia chamar de Direito Divino dos Intelectuais. "Poetas", escreveu ele, "são os legisladores não reconhecidos do mundo". Essa alegação é agora tomada como garantida pelo grande corpo amorfo que se vê como "os intelectuais" ou "a intelligentsia". A influência prática dos intelectuais se expandiu enormemente desde então. Como Lionel Trilling [1905-75] coloca, "o intelecto se associou ao poder como talvez nunca antes na história, e agora é reconhecido como um tipo de poder".

Eu acredito que a porção reflexiva da humanidade é dividida em dois grupos: aqueles que estão interessados nas pessoas e se preocupam com elas; e aqueles que estão interessados em ideias. O primeiro grupo forma os pragmatistas e tende a fazer os melhores estadistas. O segundo são os intelectuais; e se o seu apego às ideias é apaixonado, e não apenas apaixonado, mas programático, é quase certo que abusem de qualquer poder que adquiram. Pois, em vez de permitir que suas ideias de governo emerjam das pessoas, moldadas pela observação de como as pessoas realmente se comportam e o que realmente desejam, os intelectuais invertem o processo, deduzindo suas ideias primeiro do princípio e tentando impô-las a homens e mulheres vivos.

Quase todos os intelectuais professam amar a humanidade e trabalhar por sua melhoria e felicidade. Mas é a ideia de humanidade que eles amam, em vez dos indivíduos que a compõem. Eles amam a humanidade-em-geral, ao invés de homens e mulheres em particular. Amando a humanidade como uma ideia, eles podem então produzir soluções como ideias. Aí reside o perigo, pois quando as pessoas entram em conflito com a solução-como-ideia, elas são primeiro ignoradas ou descartadas como não representativas; e então, quando as pessoas continuam a obstruir a ideia, elas são tratadas com crescente hostilidade e categorizadas como inimigas da humanidade-em-geral. Assim, o caminho é aberto para o que W.H. Auden [1907-1973], um típico intelectual cabeça-dura de seus dias, chamou com aprovação de "o assassinato necessário". "A liquidação de inimigos de classe", para usar a expressão leninista, e "a solução final", como dizem os nazistas, são o ponto terminal do processo intelectual.

A insensibilidade às necessidades e opiniões de outras pessoas é, de fato, uma característica daqueles apaixonadamente preocupados com ideias. Pois seu principal foco de atenção é, naturalmente, a evolução dessas ideias em suas próprias cabeças; eles se tornam, no sentido pleno, egocêntricos. A indiferença ou hostilidade do intelectual não se dirige apenas àqueles que não se encaixam em seus esquemas para a humanidade-em-geral, mas também àqueles em seu próprio círculo que, por uma razão ou outra, se recusam a desempenhar seus papéis atribuídos na sua vida.



O Explorador Hábil


Quanto mais estudo as vidas dos principais intelectuais, mais percebo a devastação de um flagelo comum e debilitante, que chamo de crueldade das ideias. A ascensão do novo intelectual secular produziu alguns espécimes notáveis.

Shelley (1792-1822) foi o protótipo, no que diz respeito aos países anglo-saxões, do moderno intelectual progressista ocidental. Ele cunhou a noção do direito dos intelectuais de influenciar eventos públicos. O poeta, e por extensão a classe intelectual como um todo, era o verdadeiro legislador, porque tinha uma pureza em sua devoção a idéias, não aberta aos homens do mundo, o barro comum: Ele era desinteressado. Mas Shelley exibiu, em sua própria vida, o que pode ser visto como uma falha característica dos intelectuais progressistas: a incapacidade de igualar sua benevolência geral a seu comportamento particular. Seu tratamento em relação a praticamente todo ser humano sobre o qual ele era capaz de exercer algum poder emocional ou físico era, pelos padrões do barro comum que ele desprezava, atroz. Qualquer mariposa que chegasse perto de sua feroz chama era chamuscada. Sua primeira esposa, Harriet, e sua amante, Fay Godwin, cometeram suicídio quando ele as abandonou. Em suas cartas, ele denunciou suas ações por lhe causar aflição e inconveniência. Parece que ele estava prestes a abandonar sua segunda esposa, Mary (a autora de "Frankenstein"), quando sua morte por afogamento acabou com seu poder de machucar. Seus filhos com Harriet foram feitos guardas da corte. Ele os apagou completamente de sua mente, e eles nunca receberam uma única palavra de seu pai. Outra filha, uma bastarda, morreu em um hospital em Nápoles, onde ele a abandonou.

Shelley foi particularmente hábil em explorar mulheres e criados. Ele arruinou a vida de uma professora, Elizabeth Hitchener, seduzindo-a tanto para a sua cama quanto para seus esquemas políticos, meteu-a em problemas com a polícia, pegou emprestado 100 libras de suas economias (que nunca foram pagas) e depois a abandonou, denunciando a sua visão estreita e egoísmo. Ele deixou um rastro de outras vítimas, a maioria proprietárias humildes e comerciantes. Ele sempre teve criados, mas poucos foram pagos.

As depredações de Shelley nunca abalaram sua soberba confiança no que ele chamou de "minha integridade testada e inalterável". Críticas, não obstante bem documentadas, tornavam-no frio: "Eu rapidamente recuperei a indiferença", escreveu ele, "que a opinião de qualquer coisa ou de qualquer pessoa que não seja a nossa consciência merece." Explicando a um amigo por que ele estava abandonando sua esposa e fugindo com outra mulher, ele escreveu: "Estou profundamente convencido de que, assim habilitado, [eu] me tornarei um amigo mais constante, um amante mais útil da humanidade, um defensor mais ardente da verdade e da virtude."

Karl Marx (1818-1883) foi outro exemplo de um homem que se convenceu de que era seu dever colocar ideias na frente das pessoas. Daí a sua implacável e muitas vezes irrefletida crueldade para com aqueles que o rodeavam tornou-se uma espécie de longínquo presságio da crueldade em massa que as suas ideias promoveriam quando finalmente se tornassem o modelo da política estatal soviética. Seu pai, que tinha medo dele, detectou a falha fatal: "Em seu coração", ele escreveu a seu filho, "o egoísmo é predominante. Marx era particularmente odioso com sua mãe, que o repreendeu por sua imprevidência financeira e tentativas incessantes de cobrar dinheiro. Que pena, ela observou, que ele não tentou adquirir capital em vez de escrever sobre ele.

Havia uma enorme lacuna entre as ideias igualitárias de Marx e o modo como ele realmente se comportava. De uma forma ou de outra ele herdou somas consideráveis de dinheiro. Ele nunca teve menos de dois criados. Ele tinha horror ao que chamou de "uma configuração puramente proletária". Ele fez sua esposa mandar cartões de visitas em que ela foi descrita como "nee Baronesse Westphalen". Ele não deixou suas três filhas se formarem em nenhuma profissão ou aprenderem qualquer coisa, exceto tocar piano. Ele manteve as aparências, empenhando a prata e até mesmo os vestidos de sua esposa. Ele seduziu a criada de sua esposa, com quem teve um filho, e então obrigou Friedrich Engels a assumir a paternidade. A filha de Marx, Eleanor, uma vez soltou um cri de coeur [*grito do coração] em uma carta: "Não é maravilhoso, quando você chega a olhar as coisas diretamente no rosto, quão raramente parecemos praticar todas as coisas boas que pregamos - para os outros?" Mais tarde ela cometeu suicídio.

Toda a vida de Marx foi um exercício de exploração emocional ou financeira - de sua esposa, de suas filhas, de seus amigos. Estudar a vida de Marx nos leva a pensar que as raízes da infelicidade humana, e especialmente a miséria causada pela exploração, não estão na exploração por categorias ou classes - mas na exploração de um-para-um por indivíduos egoístas. Tampouco essa indiferença para com os outros é uma mera falha humana em um grande homem público. É central para o trabalho de Marx. Ele não estava realmente interessado em seres humanos reais, como eles se sentiam ou o que eles queriam. Ele nunca conheceu um membro do proletariado, exceto do outro lado da tribuna do orador em uma reunião pública. Ele nunca fez uma visita a uma fábrica de verdade, rejeitando as ofertas de Engels para organizar uma. Ele nunca procurou encontrar ou interrogar um capitalista, com a exceção solitária de um tio na Holanda. Da primeira à última, sua fonte de informações eram livros, especialmente os livros de relatórios governamentais.



Um bom homem, mas...


Não é por acaso, penso eu, que Lenin [1870-1924] nunca pôs os pés em uma fábrica até se tornar o ditador soviético, e nunca, até onde sabemos, teve qualquer contato real com os trabalhadores cujas vidas ele reivindicou o direito de transformar. Ele, também, era um socialista de biblioteca. Stalin tampouco procurou o operário ou o camponês para descobrir o que ele realmente queria; ele também era um grande devorador de colunas estatísticas. Que massa de fatos esses monstros ingeriram antes de irem devorar carne humana! Pode-se dizer que o caminho para o gulag é pavimentado com teses de doutorado não-escritas.

Muitos, é claro, lamentaram a maneira como o marxismo reflete a indiferença de seu fundador em relação às pessoas como seres humanos vivos e emocionais. Se apenas, diz-se, Marx fosse capaz de ler Sigmund Freud! Mas se examinarmos a vida de Freud, encontramos a mesma dicotomia: uma lacuna intransponível entre teoria e prática, entre ideias e pessoas. Agora Freud (1856-1939), ao contrário de Shelley e Marx, era em muitos aspectos um homem bom - até mesmo um homem heróico.

Mas este, também, foi outro caso de um homem que nunca permitiu que suas ideias penetrassem em seus relacionamentos pessoais ou melhorassem suas relações com as pessoas. Ao contrário de Marx, ele não olhou para os livros de relatórios; ele olhou em sua própria mente, e lá encontrou infinitas razões para a justiça. Freud foi o macho patriarcal dominante durante toda a sua vida. Sua esposa era pouco mais que sua criada, até mesmo espalhava a pasta de dente em sua escova de dentes, como um valete à moda antiga. Ele nunca discutiu seu trabalho ou teorias com ela, e nunca a encorajou a aplicar seu trabalho na criação de seus filhos. Nem ele mesmo o fez. Ele enviou seus filhos ao médico da família para aprender os fatos da vida. Sua grande família girava inteiramente em torno de suas próprias necessidades e hábitos. Quando um visitante levantou uma questão freudiana, a esposa de Freud respondeu enfaticamente: "Não discutimos nada disso aqui". 

Houve uma distensão de exploração, tanto em sua vida familiar e ainda mais em seu tratamento dado aos seus seguidores . Homens como Adler [1870-1937] e Jung [1875-1961] foram acusados de "traição" e repudiados como "hereges". Pior, ele escreveu sobre sua "insanidade moral". Ele não podia acreditar que alguém que uma vez esteve sob sua influência e depois se afastou poderia ser totalmente são. Ele achava que heresiarcas como Jung precisavam, na realidade, de tratamento psiquiátrico.

Modernos intelectuais progressistas são igualmente frustrados por aqueles que não compartilham suas ideias. Eu tenho lido um livro de Robert L. Heilbroner chamado "A Natureza e a Lógica do Capitalismo". Não há evidência de que o autor, mais do que Marx, realmente saiba alguma coisa sobre os capitalistas ou o que os motiva. Heilbroner simplesmente assume que o capitalismo é principalmente sobre o exercício do poder sobre as pessoas. Isso parece-me completo absurdo. Inclino-me para a crença contrária do Dr. Samuel Johnson [1709-84] quando ele observou: "Senhor, um homem raramente é tão inocentemente empregado como quando está recebendo dinheiro". A opinião de Johnson foi compartilhada por John Maynard Keynes [1883-1946]. "É melhor", escreveu ele, "que um homem deva tiranizar sobre sua conta bancária do que sobre outros seres humanos".

Johnson e Keynes estavam entre os muitos intelectuais que não sucumbiram ao desejo de intimidar os outros, um desejo que também pode afetar os intelectuais sobre o que a maioria chamaria de direita. Por exemplo, Ayn Rand [1905-82], a romancista-filósofa que defendeu a dignidade do homem e o direito do indivíduo de ser livre do controle por outros, humilhou e dominou muitos que vieram a conhecê-la em particular. 

Mas há boas razões pelas quais a maioria dos intelectuais compartilha um terreno comum com os socialistas. Keynes chega ao cerne da questão, pois a avareza é muito menos perigosa do que a vontade do poder, especialmente o poder sobre as pessoas. Não é a formulação de ideias, por mais mal orientada que seja, mas o desejo de impô-las aos outros que é o pecado mortal do intelectual. É por isso que eles se inclinam pelo temperamento de tal forma para a esquerda. Pois o capitalismo simplesmente ocorre, se ninguém fizer nada para detê-lo. É o socialismo que deve ser construído e, como regra, imposto à força, proporcionando assim um papel muito maior para os intelectuais em sua gênese.

O intelectual progressista hospeda habitualmente as visões de Walter Mitty de exercer poder. Freud, por exemplo, costumava descrever-se como um pretenso conquistador (era a palavra que usava), empunhando a caneta em vez da espada e mudando a história através de exércitos de seguidores em vez de soldados. Precisamente, talvez, porque levam vidas sedentárias, os intelectuais têm uma curiosa paixão pela violência, pelo menos no abstrato.



Aplausos das poltronas


No século XX, baseando-se nas fundações do século XIX, o apetite pela violência na busca e realização de ideias tornou-se o pecado original do intelectual. Considere, por exemplo, a repetida expressão de admiração dos intelectuais por homens de ação implacáveis e sua longa sucessão de heróis violentos: Stalin, Mao Tsé-tung, Castro, Ho Chi Minh. Intelectuais ocasionalmente questionam a quantidade de abates, o grande número de "assassinatos necessários"; eles quase sempre aceitaram o princípio de que as utopias socialistas devem, se necessário, ser erguidas em bases violentas. Lembro-me bem de meu antigo editor, Kingsley Martin, escrever no New Statesman, por meio de uma gentil reprimenda a Mao Tsé-tung, que acabara de massacrar três milhões de pessoas: "Era realmente necessário que o presidente matasse tantos?" Isso provocou uma carta de seu velho amigo liberal Leonard Woolf. O Sr. Martin poderia gentilmente informar os leitores, ele questionou, "o número máximo de mortes que ele consideraria apropriado?"

Enquanto os homens de violência da poltrona no Ocidente aplaudiam e toleravam, intelectuais de outros lugares participavam e muitas vezes dirigiam os grandes massacres dos tempos modernos. Muitos ajudaram a criar a Cheka, a progenitora da atual KGB. Os intelectuais eram proeminentes em todos os estágios dos eventos que levaram ao holocausto nazista. Os acontecimentos no Camboja na década de 1970, em que entre um quinto e um terço da nação morreram de fome ou foram assassinados, foram inteiramente obra de um grupo de intelectuais, que na maior parte eram alunos e admiradores de Jean- Paul Sartre [1905-1980] - "Filhos de Sartre", como eu os chamo.

Onde quer que os homens e os regimes busquem impor ideias às pessoas, onde quer que o processo desumano da engenharia social seja colocado em ação - cavando carne e sangue ao redor como se fosse solo ou concreto - lá você encontrará intelectuais em abundância. Intimidar as pessoas é a atividade característica de todas as formas de socialismo, seja o socialismo soviético, ou o nacional-socialismo alemão, ou, por exemplo, a forma peculiar do socialismo étnico, conhecido como apartheid, que encontramos na África do Sul; esse conjunto sinistro de ideias, vale notar, era totalmente invenção de intelectuais reunidos no departamento de psicologia social da Universidade de Stellenbosch. Outras ideologias totalitárias africanas são igualmente trabalho de intelectuais locais, geralmente sociólogos.

Então, uma das lições do nosso século é: cuidado com os intelectuais. Não apenas devem ser mantidos longe das alavancas do poder, mas também devem ser objetos de suspeita peculiar quando procuram oferecer conselhos coletivos. Cuidado com comissões, conferências, ligas de intelectuais! Pois os intelectuais, longe de serem pessoas altamente individualistas e não-conformistas, são de fato ultra-conformistas dentro dos círculos formados por aqueles cuja aprovação eles buscam e valorizam. É isso que os torna, em massa, tão perigosos, porque lhes permite criar climas culturais, que muitas vezes geram cursos de ação irracionais, violentos e trágicos.

Lembre-se sempre que as pessoas devem sempre vir antes das ideias e não o contrário.


O Sr. Johnson é autor do livro "Uma História dos Judeus" (Harper & Row). Este texto é baseado em uma palestra realizada no Instituto de Estudos Contemporâneos.

sábado, 21 de julho de 2018

20 de julho, aniversário da Operação Valquíria. Nazismo de extrema direita?

Por André,



Ontem foi 20 de julho, aniversário da Operação Valquíria, o mais próximo que se chegou de aplicar um golpe de estado em Adolf Hitler.

A cabeça da operação foi Claus Schenk Graf von Stauffenberg (1907-1944). A ocasião é mais uma boa oportunidade de relativizar o "extremo direitismo" do regime imposto por Hitler.

[https://pt.wikipedia.org/wiki/Claus_Schenk_Graf_von_Stauffenberg]

Antes, nunca é tarde lembrar que, independente das opiniões dos historiadores, a ideia que o comunismo soviético é um bastião do "combate ao fascismo" é fruto da propaganda e da desinformação soviética. Não que ocasionalmente a URSS não tenha de fato combatido o fascismo, mas o fez apenas quando era de seus melhores interesses, abandonando posições de aberto apoio no passado. Diversos livros registram esses sentimentos difusos de comunistas com relação aos fascistas. A postura, de início, era de oposição, quando Moscou anuncia o Pacto Ribbentrop-Molotov, seus satélites comunistas em outros países ficam confusos: "apoiamos ou lutamos contra os fascistas?". Cada partido comunista adotou posturas diferentes, o inglês ficou mais reticente com a nova amizade, o francês seguiu a matriz moscovita. Tudo isso se encontra bem descrito em Stalin's War, de Ernst Topitsch.

Mesmo depois, quando o atrasado exército vermelho ruma a Berlim, o faz vitaminado por dinheiro e armas americanas e livre dos ataques da Luftwaffe, destroçada pelas forças aéreas britânicas.

Claro que comunistas omitem todos esses fatos de suas narrativas históricas, visto que não contribuem para sua versão propagandística de puros combatentes do fascismo.

Outros fatos que merecem atenção:

- conteve a possibilidade do Anschluß o quanto pode o monarquista católico de extrema direita, Engelbert Dollfuss, que chegou a dissolver o partido nacional socialista na Áustria.

- o próprio Stauffenberg, motivo dessa postagem, também era um tradicionalista, monarquista, católico e portanto muito mais apto à classificação como "extrema direita". Seus valores não toleraram o genocídio nazista [https://www.mittelbayerische.de/politik-nachrichten/schwieriges-gedenken-an-stauffenberg-21771-art1094726.htm]. Todos que insistem no simplismo de chamar o nazismo de "extrema direita" precisam ser confrontados com esses e outros fatos.

Não se trata AQUI de afirmar que o nazismo seja de esquerda, mas apenas de relativizar cada vez mais a obviedade de seu "direitismo". Fato é que a coisa é tratada nos termos que é não graças ao trabalho de historiadores sérios, que consideram os fatos acima citados e outros (por que tantos partidos de extrema direita incluíam o "socialismo" em seu nome? Se Hitler era de extrema direita, o que eram católicos monarquistas como Stauffenberg, Dollfuss, o que era o Império Britânico e Winston Churchill e o que era o establishment norte-americano, todos NESSA MESMA ÉPOCA tão distintos do nacional socialismo?), mas no puro elemento propagandístico das estratégias soviéticas do pós-guerra.

A ideia de implantar na cabeça das pessoas que o racismo era de direita e que, portanto, o nazismo, que levou o racismo aos níveis de eugenia que conhecemos, era de extrema direita e a aceitação disso sem questionamento é fruto dessa peça de propaganda que, aliás, ainda funciona muito bem hoje.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Tese de Robert Paxton: fascismo foge da dicotomia direita/esquerda e teve liberais e conservadores como companheiros de viagem

Por André,


Estou a ler um clássico sobre o fascismo, o The Anatomy of Fascism, do professor da Columbia University Robert Paxton e a confirmar algumas impressões que tinha intuitivamente ou como fruto de outras leituras, um pouco desconexas.

O fascismo era anti-liberal, anti-burguês, anti-marxista e anti-conservador e em alguns sentidos, revolucionário, ainda que tenham existido liberais (em sentido clássico) e conservadores que tenham se tornado companheiros de viagem do fascismo pois preferiam este em detrimento do bolchevismo.

Ainda, sim, o fascismo era antissocialista, mas o que muitos esquerdistas desconsiderarão é que fascistas eram antissocialistas porque passaram a considerar o socialismo de seus respectivos países internacionalista, "pacifista" (oposição à entrada na Primeira Guerra Mundial, naquele momento tida como "guerra imperialista") e "democrático" demais. Ou seja, todos saíram do seio do socialismo de seus países e tinham problemas com esses aspectos do socialismo. Mussolini é o caso a ser citado e os comentaristas debatem até hoje quando foi exatamente o momento de abandono do socialismo da parte de Mussolini.

Seguem alguns trechos que corroboram as informações acima:

"O programa fascista, divulgado meses mais tarde, era uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de "nacional-socialismo". Do lado nacionalista, ele conclamava pela consecução dos objetivos expansionistas italianos nos Balcãs e ao redor do Mediterrâneo, objetivos esses que haviam sido frustrados meses antes, na Conferência de Paz de Paris. Do lado radical propunha o sufrágio feminino e o voto aos dezoito anos de idade, a abolição da câmara alta, a convocação de uma assembleia constituinte para redigir a proposta de uma nova constituição (presumivelmente sem a monarquia), a jornada de trabalho de oito horas, a participação dos trabalhadores na "administração técnica das fábricas e a "expropriação parcial de todos os tipos de riqueza", por meio de uma tributação pesada e progressiva do capital, o confisco de certos bens da Igreja e de 85% dos lucros de guerra" (p. 16 e 17).

Sempre gostei de destacar quando o debate sobre o enquadramento do nazismo no espectro político surge que, sejam nazismo e fascismo socialistas e revolucionários ou não, é inegável que sempre quiseram ao menos PARECER socialistas. Seus programas não podem indicar isso de maneira menos clara.

"Os sindicalistas pró-guerra haviam sido os companheiros mais próximos de Mussolini durante a luta para levar a Itália à guerra, em maio de 1915. Na Europa anterior à Primeira Guerra Mundial, o sindicalismo era o principal rival da classe trabalhadora do socialismo parlamentar. Embora, por volta de 1914, a maioria dos sindicalistas estivesse organizada em partidos eleitorais que competiam por cadeiras no parlamento, estes ainda mantinham suas raízes sindicais. Os socialistas parlamentares trabalhavam por reformas pontuais, enquanto esperavam pelos desdobramentos históricos que tornariam o capitalismo obsoleto, tal como profetizado pelos marxistas, ao passo que os sindicalistas, desdenhando as concessões exigidas pela ação parlamentar, e também o fato de a maioria dos socialistas estar comprometida com a evolução gradual, acreditavam que poderiam derrubar o capitalismo com a força de sua vontade" (p. 17).

"É difícil situar o fascismo no tão familiar mapa político de direita-esquerda. Será que mesmo os líderes dos primeiros tempos saberiam fazê-lo? Quando Mussolini reuniu seus amigos na Piazza San Sepolcro, em março de 1919, ainda não estava bem claro se pretendia competir com seus antigos companheiros do Partido Socialista Italiano, à esquerda, ou atacá-los frontalmente a partir da direita. Em que ponto do espectro político italiano se encaixaria aquilo que ele, às vezes, ainda chamava de "nacional-sindicalismo"? Na verdade, o fascismo sempre manteve essa ambiguidade" (p. 28).

"Para eles, a esquerda socialista e internacionalista era o inimigo, e os liberais eram os cúmplices do inimigo" (p. 43-44).

"De modo geral, os conservadores europeus, em 1930, ainda rejeitavam os princípios da Revolução Francesa, preferindo a autoridade à liberdade, a hierarquia à igualdade e a deferência à fraternidade. Embora muitos deles tenham visto os fascistas como úteis, ou mesmo essenciais, em sua luta pela sobrevivência contra os liberais dominantes e uma esquerda em ascensão, alguns tinham aguda consciência de que seus aliados fascistas seguiam uma agenda diferente e sentiam uma aversão desdenhosa por esses forasteiros rudes. Quando o simples autoritarismo era o bastante, os conservadores o preferiam. Alguns deles mantiveram sua postura antifascista até o fim. A maioria dos conservadores, entretanto, estava convicta de que o comunismo era pior. Se dispunham a trabalhar com os fascistas caso a esquerda mostrasse a possibilidade de triunfar" (p. 48).

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Brilhante entrevista de Dave Rubin com o historiador escocês Niall Ferguson

Por André,

Ferguson falou sobre a "Dark Web Intellectual", uma espécie de rede de conexões entre intelectuais não-esquerdistas, guerra cultural, Trump, sua mudança de opinião sobre o Brexit e o destino do Reino Unido de Theresa May.

Detalhe para o jeito caridoso e amoroso com que Niall se refere a sua mulher, Ayaan Hirsi Ali:

domingo, 14 de janeiro de 2018

Estamos na Gazeta do Povo: "Por que a América segue, sim, uma força mundial pelo bem e pela paz"

Por Gazeta do Povo,



Quero aqui fazer duas coisas: defender uma tese radical sobre a América e replicar o artigo “Os EUA já não são uma força global pelo bem”, em tradução do The New York Times divulgada pela Gazeta do Povo.

Primeiro, a tese radical: a América o império mais pacífico que a História humana já viu e a famigerada “pax americana” é uma dádiva geopolítica provavelmente incomparável também em proporção histórica.

Defendo-me: um império se faz à base de dominação política, militar, cultural-científica e econômica. A América domina todos esses campos com folga. No aspecto militar, poderia subjugar qualquer país do planeta sem maiores dificuldades, continentes inteiros poderiam ser colônias americanas nesse momento. Mesmo assim, esse não é o caso até mesmo nos países cuja presença militar americana é constante; o Iraque pós-2003 não virou uma colônia americana e por frustrada que tenha sido, o que se tentou ali foi estabelecer uma democracia[1].

Não afirmo que a América faça isso por bondade, mas porque seus interesses imperialistas convergem, peri passu, com a manutenção (ainda que, às vezes, relativa) das soberanias nacionais dos demais países do globo. Isso, por si só, já alça o imperialismo americano a uma condição única (e desejável) na História. As vontades imperialistas vorazes de China e Rússia são exemplos vivos do que digo, uma eventual substituição da pax americana por uma pax russa ou chinesa (ou, pudera, islâmica!) nos faria rememorar o terror dos antigos impérios (julgo que parte dos que criticam a posição de supremacia americana façam isso com ciência do que digo aqui, outros, o fazem por puro desconhecimento de História humana, crendo que eventual derrocada do império americano implicaria em algum tipo de “paz perpétua” kantiana), onde, simplesmente, não haveria a paz que temos hoje e tampouco o conceito de soberania nacional.

Dessa forma, a América é o império mais pacífico já visto até hoje. Desnecessário ressaltar que ser o mais pacífico não significa absolutamente pacífico, portanto, réplicas como “e o Iraque?”, “e a Síria” (intervenção perpetrada por um dos presidentes mais antiamericanos de todos os tempos) não refutam minha tese. Algum belicismo sempre haverá, a questão é quanto e como. E minha tese não se compromete com uma aceitação tanto a priori como a posteriori das ações externas dos EUA – a priori estou ao lado da América em suas medidas de política externa, a posteriori uma análise caso a caso sempre se faz necessária: retroativamente falando, a operação no Iraque foi um erro, o mesmo para a Líbia e a Síria e não diria isso sobre o Afeganistão, por exemplo.

Segundo, o artigo. Não sem antes chamar a atenção para o fato de que os que agora lamentam a suave “saída de cena” americana de certos cenários internacionais (“clima”, “direitos humanos” – eufemismos para controle global) com o início da era Trump são os mesmos que há pouco entoavam os mais fervorosos hinos antiamericanos. Logicamente, só poderíamos deduzir que louvariam o fato da tendência mais isolacionista do governo Trump (que ainda não atingiu os níveis desejados por Ann Coulter, por exemplo), mas parecem que na cabeça dessa gente a América joga apenas um jogo de perde-perde: caso intervenha, erra, caso se isole, também erra.

Fato é que o governo Trump está desconstruindo a política de Obama de enfraquecimento de aliados (Israel) e potencialização de inimigos (Irã) e isso nem é contradição com a política do “America First” e tampouco com o propalado isolacionismo, visto que tornar a fortalecer aliados da América é claramente um movimento de interesse nacional americano e tampouco é prova de que os EUA não são mais uma “força para o bem”. As elites se acostumaram demais aos ares rarefeitos de seu pedestal moral distante da realidade, sendo que nesse reino hiperbóreo a América só pode ser uma força para o bem no mundo se seguir as diretrizes globalistas da ONU, abaixar a cabeça para a União Europeia, render suas armas e financiar o “fim” (na verdade uma diminuição estimada de 0,2ºC em 100 anos se os 200 países do mundo colaborarem) do aquecimento global em poluidores contumazes como China e Rússia, conforme rezava o Acordo de Paris.

O que o artigo de Susan Rice faz, em resumo, é sintetizar toda a balbuciante argumentação anti-Trump, que pouco mudou após um ano de presidência, a despeito do índice de desemprego mais baixo nos últimos vinte anos (inclusive entre latinos e negros), recordes da Dow Jones, altas previsões de crescimento e retorno de capital estrangeiro para o país. Após 365 dias governo, os maus perdedores ainda querem emplacar a cantilena (já provada falsa) de “colusão” com a Rússia, colar a pecha de nazista no homem que tem netos judeus e se mostrou o mais firme aliado de Israel dos últimos anos e usar o fato de suas promessas de campanha estarem a ser cumpridas contra ele próprio!

Fato é que quando a América é forte, os inimigos dos valores ocidentais pensam duas vezes antes de agir, pois sabem que sentado na cadeira mais importante do mundo está alguém disposto a defender os valores que, em maior ou menor grau, todos defendemos e que qualquer ato impensado não será respondido com um muxoxo ou com uma coletiva de imprensa, mas com ação de mesma (ou maior) força, criando uma espécie de nova “paz armada”. Não apenas Kim Jong-un, rei do blefe, mas os demais líderes mundiais sabem que, se agirem temerariamente contra os interesses da América terão de arcar com a retaliação da maior potência que o homem já viu. Não consigo ver garantia de paz mais sólida.




[1] Vale ressaltar que simpatizo mais com paleoconservadores que com neoconservadores nesse tópico específico. Embora creia que os EUA seja um bom exemplo – genericamente falando – para o Ocidente, não compactuo da ideia que seu modelo deva sem replicado, a fortiori ou não, mundo afora. A ideia de “exportar democracia” para o Oriente Médio me parece tolice.

sábado, 13 de janeiro de 2018

História, conservadorismo e empirismo: a tradição histórica inglesa

Do Facebook de Nicolas Carvalho de Oliveira,

Vocês já perceberam que entre os intelectuais da direita os historiadores profissionais (não os amadores, como Narloch) costumam ser os mais intransigentes e rígidos? Três exemplos rápidos, dos mais conhecidos: Robert Conquest (maior historiador da URSS, junto de R. Pipes e O. Figes; primeiro historiador do Grande Expurgo stalinista), o ''anti-bolchevique número um'', segundo Chris Hitchens, o que disse que ''todo mundo que não se diz de direita é de esquerda'', Paul Johnson (maior historiador-geral), defensor da Guerra do Vietnã, que em 1999 se expressou publicamente pela extradição de Pinochet para a Espanha (ele estava preso na Inglaterra) e admirava, com ressalvas, o general Franco, e Niall Ferguson, o historiador-celebridade do momento, apoiador da Le Pen e Guerra do Iraque, que também disse que a imigração dos refugiados sírios na Europa é como a antiga brutal invasão dos hunos na Alemanha, popularmente conhecida como Völkerwanderung (invasões bárbaras).

O que eu quero dizer com isso? Que o estudo intensivo de história cedo ou tarde acaba com seu idealismo e te torna um puro realista prático. Te faz compreender padrões pela história e perceber o que dá certo e o que dá errado, sempre encontrando analogias históricas com acontecimentos atuais. Esse realismo e intransigência não existe, no mesmo nível, entre os filósofos e economistas de direita tanto quanto nos historiadores. Estes são estudiosos da pura empiria, do que ocorreu, e entendem como a realidade é dura, decepcionante e cheia de dilemas, com poucas ocasiões em que as decisões são fáceis e completamente limpas, sendo mais questão de colocar na balança o que é mais importante e optar pelo ''mal menor'', que os idealistas tanto rejeitam por não combinar com sua Weltanschauung pouco embasada e muito hipertrofiada.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A História será resguardada pela "direita"

Por André,



Por indicação do Nicolas Carvalho de Oliveira, chegou até mim um artigo - surpreendentemente - do esquerdíssimo The Guardian perguntando por que todos os bons historiadores atuais são de direita, encabeçando a lista o titã Niall Ferguson (que acaba de publicar um livro, ainda sem tradução, sobre como as redes sociais movem o mundo) - [https://goo.gl/nJmKum].

Os fatos são: com a prevalência do "pós-modernismo" como paradigma vigente das Humanidades (algo diretamente ligado à derrota da esquerda no campo lógico, daí que precisem abolir a lógica), o que temos visto nas últimas décadas, por parte da esquerda, é uma constante falsificação da História: Jesus era um black bloc anarco-socialista, a escravidão foi uma invenção branca e europeia, fascistas são os outros, Hitler era de extrema-direita, muçulmanos preservaram a cultura clássica, socialismo é direitos humanos, a História humana pode ser explicada à luz da dominação do "patriarcado", Shakespeare e Jane Austen eram supremacistas brancos, obras canônicas da cultura ocidental devem ser substituídas por literatura queer porque são "opressoras", Base Nacional Comum Curricular removendo o eixo Atenas-Roma do currículo do ensino médio nacional, etc. etc.

A História vem sendo reescrita e, conforme o joio seja separado do trigo, caberá a historiadores "out of mainstream" preservar a História tal como a conhecemos. Preservar, contar e fazer História deve ser, nos próximos tempos, a primeira incumbência de historiadores fora desse círculo que são, inevitavelmente, "de direita".

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Why Won't The Nightmare Dream Of Communism Die?

Why Won't The Nightmare Dream Of Communism Die?: A century of Communism achieved four main results: poverty, oppression, war, and mass death. So why does anybody still think this is 'idealistic'?