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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Aristóteles pelo armamento

Por André,



Tentando traduzir a discussão sobre armamento em termos da famosíssima teoria aristotélica das quatro causas, a coisa fica mais ou menos assim, creio:

Desarmamentistas não estão de todo incorretos quando querem dizer que "armas matam". Se encaixarmos o ato de assassinar com arma de fogo na teoria das quatro causas, observaremos que a "causa material" de uma morte por arma de fogo é a arma de fogo (o "meio" material para o ato é a arma). Contudo, e aí entra o argumento inescapável e, creio eu, evidentemente, insuperável, dos "armamentistas": se eu mato alguém a cadeiradas, a culpa é minha ou do marceneiro que fez a cadeira?

Ainda poderiam objetar que a "causa final" de uma arma de fogo é a morte, ao passo que a "causa final" da cadeira é o sentar-se. Contudo, além disso não ser exatamente verdadeiro, pois posso usar a arma para intimidar um agressor, para me defender de forma não-letal (como é recomendado que se faça à luz de cada situação), a arma jamais encontra sua "causa final" por si só, mas apenas com um agente que possa atualizá-la. Também, embora a causa final de uma faca seja, por exemplo, cortar alimentos e a de um carro, deslocar-se mais rápido e com mais conforto, nada impede que eu desvirtue esse dado de sua natureza e use esses objetos para matar (no caso de uma faca fica difícil falar em desvirtuamento se você a usa para "cortar uma pessoa"). Portanto, argumentar que a "causa final" de uma arma de fogo é o assassinato não é um bom argumento contra sua posse, porte ou uso.

Eis então que, a "causa eficiente" de uma morte por arma de fogo é o sujeito "agressor", só é possível assassinar com arma de fogo com uma causa eficiente que torne possível o ato de assassinar. Sem causa eficiente não há causa final, então é nesta que jaz a culpa.

Portanto, como mais uma vez fica evidente, aqueles genuinamente preocupados com a violência devem combater a causa material, a causa final ou a causa eficiente, sabendo que sem causa eficiente não há causa final?

Até Aristóteles concordaria que armas não matam.

sábado, 2 de novembro de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Estatísticas para calar seu amigo desarmamentista

Por André,

A clássica correlação "nº alto de armas circulando" = "violência" promovida pela esquerda é tão falsa quanto uma nota de três reais. Poucas questões controversas são tão bem resolvidas com estatísticas como essa. A insistência em resistir a esta verdade só denota o real plano: a execução da agenda da esquerda IGNORA a realidade.

Primeiro temos um panorama global da correlação armas e violência:



Depois os números mais específicos, de uma comparação EUA e Brasil (para aquele seu amigo que cita os casos, horríveis, porém isolados, de massacres coletivos:


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Olavo de Carvalho: "Desarmando as criancinhas"


Na cidade de Mount Carmel, Pennsylvania, uma menininha de cinco anos foi suspensa da escola por ter ameaçado atirar na colega com um revólver de plástico cor-de-rosa que dispara... bolinhas de sabão.

Na iminência de passar das palavras aos atos, a perigosa criaturinha foi rovidencialmente desarmada pelas autoridades competentes e submetida à penalidade prevista no sábio regulamento escolar.

É a prova de que os EUA melhor fariam se proibissem logo todos os brinquedos em forma de armas, quer disparem bolinhas de sabão, tufos de pelúcia ou bilhetinhos de "Eu te amo", e obrigassem todas as crianças a brincar de casinha, independentemente dos sexos, para que não cultivem o desejo maligno de algum dia atirar num bandido antes que o bandido atire nelas. 

Mas a grande nação do norte não atingiu ainda aquele estágio  superior de civilização que permitiu ao nosso País, mediante essa medida profilática e a drástica repressão do comércio de armas entre adultos, ter apenas 4,5 vezes mais assassinatos anuais a bala do que a truculenta sociedade gringa, embora tenha também cem milhões de habitantes a menos e trinta vezes menos armas legais em circulação.

Eu mesmo sou  exemplo vivo do perigo extremo de deixar as crianças brincarem com armas. Passei a infância tentando ser Roy Rogers ou Hopalong Cassidy e, ao crescer, tornei-me um assassino intelectual de idiotas, um dano que poderia ter sido evitado se no meu tempo, em vez de uma indecente facilidade de acesso a revólveres e espingardas de plástico, existissem os Teletubbies, os Menudos e sr. Luiz Mott. Estes, infelizmente, só apareceram por volta da década de 90 do século XX, quando   minha alma já  estava  corrompida.  

Mas às vezes as criancinhas, essa parte especialmente temível da espécie humana, frustram as melhores intenções dos desarmamentistas e descobrem meios incomuns e patológicos de se dedicar à prática da violência mortífera. Numa escola de Maryland, dois meninos sofreram a mesma punição da garotinha da Pennsilvanya porque, sem armas de plástico ou de madeira ao seu alcance, mas empenhados assim mesmo em brincar de polícia e ladrão, trocavam tiros com pistolas imaginárias formadas com o  indicador e o polegar, este imitando o cão do revólver, aquele o cano. Em situação tão inusitada, o educador, não podendo apreender equipamentos bélicos inexistentes nem cortar os dedinhos assassinos, só tem um caminho a seguir: investigar cientificamente de onde os meninos tiraram a ideia extravagante de que polícias e ladrões troquem tiros, e em seguida submetê-los a rigoroso treinamento de sensitividade para que entendam que essas duas classes de profissionais jamais se entregam a semelhante exercício.

Aí novamente os nossos vizinhos do norte muito teriam a aprender com a experiência brasileira. Por aqui não tiramos as armas somente das mãos das crianças, mas da sua mente, dirigindo sua atenção desde a mais tenra idade para práticas mais saudáveis como a masturbação solitária ou coletiva e a interbolinação de ambos os sexos.

Infelizmente, a dureza implacável do universo reacionário tem impedido que tão salutar medida surta os efeitos esperados. As forças do além coligam-se para frustrar as iniciativas mais belas dos nossos governantes iluminados e intelectuais progressistas.

Numa verdadeira conspiração voltada a desmoralizar em especial  a nossa mídia, tão merecedora do nosso respeito e consideração, que com desvelo maternal nos adverte diariamente para a crescente epidemia de violência assassina nos EUA, o número total de homicídios naquele país vem caindo despudoradamente nas últimas três décadas, passando de 9,8 por cem mil habitantes em 1981 para menos da metade (4,7) em 2011, malgrado o aumento prodigioso do número de armas legais em posse da população civil.

No nosso País, ao contrário, com um controle de armas cada vez mais severo, a proibição total de brinquedos em forma de armas e as sucessivas campanhas de entregas voluntárias de revólveres, pistolas, rifles e espingardas ao governo, o número de homicídios duplicou no mesmo período, chegando a uns 36 por cem mil habitantes em 2010. Oh, mundo injusto!

Ainda assim, continuam existindo na república americana mentes lúcidas e corajosas, como a do presidente Barack Hussein Obama, que prometem eliminar, mediante a proibição das armas, os oito mil homicídios anuais que ali se verificam. É verdade que, no mesmo período de um ano, segundo as estatísticas oficiais, quatrocentos mil cidadãos e cidadãs dos EUA salvam suas vidas reagindo a bala contra serial killers, assaltantes, estupradores etc. Desgraçadamente as almas de pedra dos reacionários e sócios da National Rifle Association ainda se recusam a entender que para impedir oito mil assassinatos vale a pena fomentar outros 392 mil.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Jesse Ventura coloca jornalista Pier Morgan (pra variar, CNN) em seu devido lugar

Por André,


Ainda que Morgan seja um "moron with british accent", vale lembrar que o jornalismo americano é menos covarde que o brasileiro, há debate entre entrevistado e entrevistador e nem tudo se resumo a lobby, jogo de interesse e cupinchas do governo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Editorial Estadao: "Os bandidos agradecem"

Por Estadão,


A cada Campanha Nacional do Desarmamento, como a que está sendo veiculada, a sociedade fica mais vulnerável, e os bandidos, mais à vontade. Os argumentos das autoridades permanecem mais ou menos os mesmos desde 2004, quando essas campanhas começaram: a defesa dos cidadãos cabe exclusivamente à polícia e disparos acidentais de armas de fogo provocam tragédias familiares. Não se discute que é preciso treinamento para manejar armas, como, de resto, é preciso treinamento para dirigir um carro, cujo mau uso o torna tão letal quanto um revólver. Já o argumento de que não cabe ao cidadão ter instrumentos adequados para se defender da ameaça de bandidos armados é ominoso.
O mote da campanha atual é: "Proteja sua família. Desarme-se". Trata-se de uma série de depoimentos de pais cujos filhos foram vítimas de disparos acidentais de armas de fogo. A intenção, segundo o Ministério da Justiça, é mostrar que não vale a pena correr os riscos que ter uma arma em casa implicam. "A arma é um excelente instrumento de ataque e um péssimo instrumento de defesa, principalmente para as pessoas que não têm habilidade em usá-la", disse a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki. Segundo ela, "a sociedade tem o direito de exigir do Estado que qualifique e equipe muito bem os policiais para defendê-la", pois "essa é competência do policial, e não do cidadão".
Trata-se de um raciocínio primário. É óbvio que cabe ao Estado proteger seus cidadãos, pois é o Estado que detém o monopólio do uso legítimo da força. No entanto, como sabe qualquer cidadão letrado, esse monopólio tem sido diuturnamente desafiado pelo crime organizado e pela bandidagem em geral, que mesmo de dentro das penitenciárias conseguem fazer valer a lei da barbárie. Há cidadãos que desejam ter meios para enfrentar os criminosos caso os agentes do Estado não estejam por perto para fazê-lo, situação que é rotineira nas grandes cidades. A lei faculta a esses indivíduos o direito de proteger a si e a sua família da melhor maneira possível - é a chamada legítima defesa. Trata-se de uma questão pessoal, sobre a qual o Estado não pode jamais interferir, pois a lei não determina que os cidadãos devam ficar inertes ante a violência que eventualmente sofram.
Mas o discurso das campanhas de desarmamento transformou o ato de se defender em uma violência equivalente à cometida pelos bandidos - se não pior, porque os criminosos, de acordo com o sociologuês acadêmico que pauta esse debate, agem porque são vítimas do "sistema", enquanto os indivíduos que se defendem usando armas de fogo são, estes sim, elementos violentos. Somente neste ano, três inocentes que reagiram a assaltantes armados foram processados por crime de homicídio doloso triplamente qualificado. Em um dos casos, uma senhora de 86 anos cuja casa estava sendo assaltada, em Caxias do Sul (RS), pegou um velho revólver calibre 32 e conseguiu matar o ladrão a tiros. Como a arma não tinha registro, ela foi indiciada e se tornou ré, apesar de ter somente tentado proteger sua vida e seu patrimônio. Trata-se de um episódio exemplar dessa "equalização moral" entre bandidos e vítimas.
Ademais, de que valem campanhas de desarmamento se os bandidos têm enorme facilidade para obter seu arsenal, até mesmo sob as barbas da Justiça? Têm sido frequentes os assaltos a fóruns, onde ficam guardadas as armas e a munição apreendidas e que serão usadas como prova nos processos. Sem segurança adequada, esses locais são de "fácil acesso" para os criminosos. O caso mais recente ocorreu em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, em 2 de dezembro. Havia apenas um vigia no local, facilmente rendido.
O fato é que as campanhas de desarmamento não são a panaceia contra a violência, e a interpretação que se faz da legislação vigente trata o cidadão possuidor de armas como um delinquente. Isso só é possível num país em que as autoridades, para escamotear sua incompetência na área de segurança pública, atribuem a responsabilidade por parte da violência à própria vítima. Os bandidos agradecem.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Rodrigo Constantino: Sejamos pragmáticos

Rodrigo Constantino: Sejamos pragmáticos: João Luiz Mauad, O GLOBO Tão logo surgiram as primeiras notícias do mais recente massacre de crianças nos Estados Unidos, começaram ...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Com menos armas, Brasil tem três vezes mais mortes a tiro que os EUA

Por BBC Brasil,

Apesar do número bem inferior de armas de fogo em circulação entre a população do que nos Estados Unidos, o Brasil registrou, em 2010, 36 mil vítimas fatais de tiros.

O total é 3,7 vezes o registrado pelos americanos, que tiveram 9.960 mortes, colocando o país no topo dos que mais registram óbitos por arma de fogo no mundo.

Os números oficiais foram recolhidos por um relatório do Escritório da ONU contra Drogas e Crimes (UNODC, na sigla em inglês). Os dados do Brasil foram fornecidos pelo Ministério da Saúde.

Nos Estados Unidos, o debate sobre o porte de armas voltou à tona após o massacre em uma escola no Estado americano de Connecticut que resultou na morte de 20 crianças e 6 adultos.

O acesso a armas de fogo no país é bem mais fácil; é possível comprar armas em vários Estados sem a necessidade de registro ou autorização de autoridades - e o direito à posse é determinado pela própria Constituição. No Brasil, a posse de armas de fogo é permitida após registro e análise de antecedentes, mas o porte de armas de fogo é proibido, salvo em casos excepcionais.

Baseado em estimativas colhidas em 2007, o relatório do UNODC diz que, nos Estados Unidos, havia 270 milhões de armas em posse da população, contra 15 milhões no Brasil.

Não fica claro, entretanto, se os números são apenas de armamentos registrados, ou também se englobam estimativas de armas ilegais. O que fica claro é que os americanos vivem bem mais "armados" do que os brasileiros.

Mas enquanto nos EUA a taxa de óbitos por arma de fogo é de 3,2 por 100 mil habitantes, no mesmo ano, em 2010, os brasileiros contavam 19,3 mortos por 100 mil.

Na América do Sul o Brasil só perde para a Venezuela, com 39 mortes por 100 mil habitantes (2009 – último dado) e para a Colômbia, com 27,1 mortes por 100 mil habitantes (2010).

O México, que vive uma epidemia de violência, viu seu índice de mortalidade saltar de 2,9 por 100 mil em 2003 para 10 para 100 mil em 2010.

Impunidade

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil veem diferenças nos graus e na forma como violência é tratada por americanos e brasileiros.

Para o sociólogo Guaracy Mingardi, ex-secretário de Segurança de Guarulhos (SP) e atual assessor da Comissão Nacional da Verdade, "Brasil e EUA tem culturas diferentes de violência".

"A principal questão é a Justiça. Nos Estados Unidos a probabilidade de levar um homicida para a prisão é muito maior que no Brasil", afirma. Segundo ele, a impunidade abre caminho para a violência no país.

A natureza dos crimes também é diferente. "No Brasil, a violência interpessoal, que engloba briga de bar, de vizinho, marido e mulher, responde por mais da metade das mortes", diz.

Para José dos Reis Santos Filho, sociólogo e professor da Unesp de Araraquara, existe uma cultura de violência no país.

"No Brasil ainda há a tendência de se resolver as coisas de maneira imediata, ir rápido às vias de fato", diz.

"Nos Estados Unidos, a ofensa à integridade física é um tema sensível", diz, observando que é possível com muito mais facilidade conseguir indenizações na Justiça em casos de agressões.

Desarmamento

Santos observa que a legislação contra armas no Brasil é muito mais dura que nos EUA, onde é fácil o acesso a armamentos.

"Mas o fato de haver uma legislação avançada na área não significa que o conjunto dos cidadãos avançou nesta área", diz.

Em 2003, entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento. Desde então, o governo passou a promover campanhas de entrega de armas. Segundo o Ministério da Justiça, mais de 612 mil armamentos foram entregues desde então.

Mingardi se mostra otimista. Diz que desde então o "Brasil está em uma fase de evolução".
Ele chama a atenção, no entanto, para o grande número de armas contrabandeadas.

"Com o Estatuto há um controle das armas. Mas a questão é que há um grande número de armas ilegais circulando no país", diz. 



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Adeus às armas? por João Pereira Coutinho


COMEÇA A ser clichê: um estudante entra em escola armado; aponta a arma a colegas e professores; dispara; mata alguns, fere outros; a polícia chega tarde e persegue o criminoso quando o massacre está feito; o criminoso suicida-se porque se sente encurralado. Corre o pano.

Nos dias seguintes, entram em cena outros delinquentes: "especialistas" em coisa nenhuma que dissertam sobre os "males da juventude". Como explicar que jovens aparentemente normais possam cometer semelhantes atrocidades? Os "especialistas", que visivelmente nunca leram Hannah Arendt sobre a "banalidade do mal", oferecem conversa nula e conhecida: os jovens têm acesso fácil a armas, e as armas, por definição, são um convite à matança.
 
Curioso. Os "especialistas" ignoram, ou propositadamente esquecem, que países como a Suíça, onde existe praticamente uma arma em cada casa, têm das mais baixas taxas de criminalidade do mundo. O Japão, onde a proibição é quase total, também. Suprema heresia: será possível que não exista nenhuma relação entre a posse de armas e o número de crimes? E, quando não são as armas, é o resto: uma cultura de violência, promovida pela TV, pelos filmes de Hollywood e pelos jogos de vídeo, que arruina os pobres neurônios das crianças.

Elas veem violência, elas querem violência: uma reação pavloviana e primitiva. Curioso novamente. Os "especialistas" ignoram, ou propositadamente esquecem, que o mundo pré-televisivo era incomparavelmente mais violento do que o mundo pós-televisivo e anestesiado de hoje. Leiam história. Ou perguntem aos vossos bisavós. Feito o diagnóstico, vêm as soluções: proibir as armas; proibir a violência nos filmes, nos jogos e, de preferência, no mundo inteiro; espalhar exércitos de psicólogos nas escolas, dispostos a acompanhar e a vigiar a saúde mental das crianças. Ao mínimo sinal de alarme, internamento com elas!

Aconteceu novamente: não nos Estados Unidos, essa pátria de imoralidade sem fim. Mas na Alemanha, país europeu com legislação rigorosa sobre a compra e posse de armas. Um jovem criminoso, Tim Kretschmer, entrou na escola e foi matando. Saldo: 15 mortos. Minto: 16. Tim foi o último da contagem, por suas próprias mãos. Nas horas posteriores, todos os clichês sobre "massacres escolares" voltaram a ser ouvidos: as armas; o cinema; os jogos; o Mickey.

Longe de mim perturbar a sabedoria dos "especialistas". Mas posso contar uma história nunca contada que o jornalista Phil Valentine relembrou recentemente em obra sobre o assunto? Era uma vez nos Estados Unidos. Mais propriamente em Pearl, cidade do Mississippi, corria 1997. Um jovem de 16 anos, Luke Woodham, entrou na escola local com uma arma. Matou dois estudantes, feriu sete. Posso contar outra história? Era uma vez nos Estados Unidos.

Mais propriamente em Edinboro, cidade da Pensilvânia, corria 1998. Um jovem de 14 anos, Andrew Jerome Wurst, entrou na escola local com uma arma. Matou um professor e feriu mais três pessoas. Não quero abusar. Mas posso contar mais uma? Era uma vez no mesmo país. Mais propriamente em universidade da Virginia, corria 2002. Um antigo estudante de 43 anos, Peter Odighizuwa, entrou na faculdade com uma arma. Matou três pessoas e feriu outras três.

E vocês sabem por que motivo esses episódios nunca foram narrados na mídia tradicional com a intensidade dedicada à infame escola de Columbine? Porque eles tiveram final "feliz". Ou infeliz, dependendo da perspectiva: apesar dos mortos envolvidos, os massacres poderiam ter sido incomparavelmente maiores. Não foram. E não foram porque os criminosos acabaram sendo imobilizados a tempo por pessoas com armas: funcionários ou professores.

A moral dessas histórias não é simpática. Mas quem disse que o mundo era simpático? Jovens alienados continuarão a entrar nas escolas de todo o mundo, dispostos a cometer o impensável e a horrorizar as nossas sociedades. Essa fatalidade não se explica pelas armas, pelos filmes, pelos jogos; mas, repito, porque existem jovens alienados dispostos a cometer o impensável e a horrorizar as nossas sociedades.

A única forma de proteger as escolas não está em desarmá-las perante um agressor desse tipo. Está em permitir que exista em cada uma delas alguém -um professor, um funcionário, um diretor, na impossibilidade de um policial permanente- que possa parar uma arma com outra arma. O resto são filosofias românticas e vagas: filosofias que servem de pouco quando o criminoso tem um revólver, e os inocentes, não.

jpcoutinho@folha.com.br

Tiroteio nos EUA, metralhadora de chavões antiamericanos

Por André,

Algo que sempre me incomodou em alguns brasileiros é esse fetiche ideológico em falar do país alheio, enquanto o quintal de casa tá precisando de uma reforma geral.

Um dos momentos em que isso sempre acontece é quando um evento extraordinário, do tipo tiroteios públicos promovidos por malucos em países como EUA de um lado, e Finlândia e Canadá, de outro (oponho estes porque a política referente ao porte de armas varia entre essas nações).

Me sinto extremamente desconfortável com habitantes de uma nação que tem um índice de homicídios anual de 50.000, dando pitaco num evento que ocorre duas vezes por década num país com mais habitantes, um território maior (e 30.000 homicídios anuais).

Não contentes com dar pitaco, os tupiniquins também farão protesto! (Massacre de Connecticut terá protesto em Copacabana). Enquanto isso, no paraíso nórdico-tropical, nada de protesto em memória do meio milhão de civis mortos na última década, nada de protesto contra a exploração sexual de crianças. Vamos falar de um evento lamentável, porém isolado, da nação mais próspera do universo.

O problema da violência claramente está atrelado a inúmeros outros fatores, que não o porte ou não de arma da população. Um exemplo é suficiente para falsificar a relação de causalidade entre porte de arma e violência: a Suíça ('apresentando a Suíça').

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Tudo isso, sem mencionar a discussão sobre porte de arma, que sempre emerge nessas ocasiões. Como bem sabemos, o porte de arma é deveras fácil na terra do Tio Sam, e um tanto quanto difícil por aqui. E é claro que, eventos como o de Connecticut ocorrem diariamente por lá, ao passo que a marca registrada da terra de Santa Cruz é a paz entre seus habitantes (os 50.000 homicídios anuais devem ser invenção do PIG ou dados fraudados pelo par Veja-Globo para denegrir a governança petista).

Os oportunistas sempre aproveitam dessas situações (tendo, inclusive, pequenos orgasmos com a morte dessas pessoas) para dar um passo adiante em sua guerra ideológica. Primeiro, bradando por um Estado que cerceia direitos individuais, intervindo no direito de defesa do indivíduo, pregando um estatismo latente de pior espécie (o mesmo estado que permite a violência quer privar o cidadão do direito de se defender), em segundo, tirando proveito da ocasião para destilar seu antiamericanismo típico. Nunca é tarde demais para criticar a nação que representa a evidência empírica em favor de tudo aquilo que sua ideologia critica.

Continua sendo cool, bonitinho, politicamente correto falar mal dos EUA, especialmente em público, com membros da CHEC (Comunistas Hipócritas da Esquerda Caviar) presentes. Comunistas (sim, eles continuam existindo), hipócritas porque fazem esse protesto via iPhone, iPad, Blackberry, vivem numa constante transa promíscua com tudo aquilo produzido à base da busca egoísta pelo lucro que move o capitalismo, da esquerda caviar porque são os mesmos de sempre, membros da classe alta que criticam a classe média e "defendem" os pobres tomando vinho do Porto e comendo caviar, ansiosos pela próxima ida à Disney ou a Paris.

O mundo muda, os idiotas seguem os mesmos.

domingo, 1 de agosto de 2010

Apresentando a Suíça

Os suíços têm a ideia certa sobre armas de fogo
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Rich Wehr | 13 Janeiro 2010
Artigos - Direito
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A Suíça é o lugar mais duro do mundo para ser criminoso porque se você planejar arrombar a casa de alguém, você tem a certeza de que o dono da casa tem uma arma de fogo e foi treinado para usá-la.
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A Suíça é o país mais seguro do mundo para se viver. Não porque é um país neutro ou qualquer coisa desse tipo.
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Creio que é devido ao fato de que cada cidadão do sexo masculino é obrigado a manter uma arma de fogo em casa.
Quando um cidadão suíço do sexo masculino completa 20 anos, ele recebe um rifle totalmente automático.
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Todo cidadão do sexo masculino é convocado para defender sua pátria se seu país o chamar.
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Os suíços e as armas de fogo andam de mãos dadas como vão junto o arroz e o feijão no Brasil. O tiro ao alvo de estilo olímpico é o esporte nacional da Suíça e não é nada incomum ver um cidadão normal num trem, ônibus ou apenas caminhando pela rua com um rifle no ombro.
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A política da Suíça de exigir que todos os lares tenham uma arma de fogo é uma das principais razões por que os nazistas não invadiram a Suíça na 2ª Guerra Mundial.
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Tivessem os nazistas invadido, teria havido muito mais sangue alemão escorrendo pelas ruas do que sangue suíço.
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A Suíça é o lugar mais duro do mundo para ser criminoso porque se você planejar arrombar a casa de alguém, você tem a certeza de que o dono da casa tem uma arma de fogo e foi treinado para usá-la.
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Se você acha que os americanos são obcecados com a manutenção da Segunda Emenda [que protege o direito de eles terem e usarem armas para defesa], você ainda não viu nada até que visite a Suíça.
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A Segunda Emenda da Constituição dos EUA foi inspirada nas políticas da Suíça. Se os suíços não tivessem as mesmas políticas do século XVII, é bem possível que a Segunda Emenda não existiria nos Estados Unidos hoje.
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A maioria dos meninos dos Estados Unidos joga em pequenos times de beisebol ou futebol.
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Mas a maioria dos meninos da Suíça participa de competições locais de tiro ao alvo e se filia a clubes de tiro ao alvo quando completam 10 anos.
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O passatempo nacional dos EUA é o beisebol. O passatempo da Suíça é tiro ao alvo de precisão.
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Na Suíça, há menos de um homicídio por cada 100.000 cidadãos por ano, e em 99 por cento dos casos, não há envolvimento de uma arma de fogo.
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Há apenas 26 tentativas de roubo por ano para cada 100.000 cidadãos.
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A maioria desses roubos é cometida por estrangeiros e não envolve armas de fogo.
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Os crimes violentos praticamente não existem, mas todo lar tem uma arma de fogo. Surpreso?
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Está escrito na lei suíça: "O elevado número de armas de fogo per capita não leva a um índice elevado de crime violento". Isso está solidamente confirmado na Suíça.
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A Suíça é um dos países mais pacíficos do mundo. O resto do mundo precisa pegar essa dica.

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Tradução: Julio Severo
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Fonte: CourierPress
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