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sábado, 15 de fevereiro de 2020

A meia noite do Direito

Por André,




Que a academia de ciências humanas, especialmente as típicas – sociologia, história, filosofia etc. – estão tomadas pelo “esquerdismo cultural” é fato tão notório e tão ad nauseam repetido que se tornou topos nos meios direitistas. E como tudo que entra em repetição mecânica, acaba perdendo os efeitos devidos.

Nessa toada, quero chamar a atenção para fato tão verdadeiro e, talvez, ainda mais urgente: o esquerdismo cultural no Direito. Provavelmente estamos tentados a crer que professores doutrinadores são a extrema excrescência – e até são! –, esquecendo que igualmente grave e socialmente danoso são advogados, juízes, promotores, catedráticos do Direito etc., tomados pelo esquerdismo, que nessa seara atende pelo nome de bandidolatria. A bandidagem, ao contrário do que o instinto e o bom senso nos dizem, encontram mais alento naqueles que deveriam ser seus algozes que em quaisquer outros.

O Brasil, esse vale de jabuticabas, vale lembrar, é um dos maiores formadores de bacharéis em direito do mundo. Há mais doutores nestas plagas que no mundo inteiro (removidos EUA e Índia da equação). E nas faculdades os ditos cujos recebem ideais de esquerda em doses cavalares e intravenosas desde a infância. Juntem a isso o fato que a confluência entre concurseiros e bacharéis em direito é galopante e podem ter uma vaga ideia do cenário para o qual estou tentando chamar a atenção aqui: mais perigoso que o professorzinho barbudo e fedido de sociologia do seu filho e o “dotô” engravatado e cheirosinho que vai defender o ladrão ou engrossas a fileira de defensores do PCC ou do Comando Vermelho.

Falo por experiência própria e sem subestimar o problema da doutrinação ideológica nas escolas: salvo exceções, o maconheiro de 35 anos que mora com a mãe e dá aula para o seu filho é, no longo prazo, menos perigoso que qualquer recém formando em Direito no Brasil (guardadas também, é claro, as exceções). Além do que já documentaram os promotores Diego Pessi e Leonardo Giardin no definitivo livro Bandidolatria e Democídio, gostaria de chamar a atenção para o que diz o filósofo francês Michel Foucault, um dos gurus do abolicionismo penal e dos cursos de direito Brasil afora:


o crime é um protesto reativo da individualidade humana [...] pode, portanto, acontecer que o crime constitua um elemento político que acabará por ser tão precioso para a libertação de nossa sociedade como foi para a emancipação dos negros (Vigiar e Punir).


            Após serem instilados ano a ano com peças como esta, não surpreende que de futuros funcionários públicos a advogados de porta de cadeia estejam tomados por sentimentos bandido-afetivos.

            Foucault, ainda que negue, nada faz além de replicar a relação marxista burguês-opressor versus proletário-oprimido tanto – em outras obras – nas relações entre médicos psiquiatras e loucos confinados em sanatórios e também entre feitores e mantenedores da lei e bandidos. Estes últimos são vítimas da sociedade, do sistema e do capitalismo que devem ser libertados até prova em contrário e depois das provas em contrário também.

            Ainda que pareça sonho de uma noite de verão ou delírio reacionário, ou o Direito tanto enquanto ciência como enquanto prática recupera os ideais do direito natural e da busca por Justiça ou continuaremos a ser confinados enquanto transgressores estão soltos, numa espécie de paródia d’O Alienista de Machado de Assis.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Mourão, por que você não se cala?

Por André Assi Barreto,



Antes das eleições todos achavam que um general para vice-presidente, escolhido a dedo por Bolsonaro, sepultaria os interesses da esquerda em um impedimento. Apenas eventual cassação de chapa seria do interesse deles, visto que o general deveria ser ainda mais firme e rigoroso que o capitão (não é?). Mas bastou gen. Mourão abrir a boca para percebermos duas coisas: nos primeiros meses ele se comportou como ombudsman – profissional que acata reclamações externas e tenta resolvê-las de maneira supostamente imparcial – do governo, não-requisitado, diga-se; a cada declaração de algum dos ministros de seu governo plantada como “polêmica” pelo quarto poder (que vilipendiou Mourão e sua chapa ao longo de toda a eleição), Mourão surgia para apaziguar e contradizer seus ministros (exemplos logo a seguir) e, ainda, as declarações de Mourão, por mais direito que o general tenha a elas, costumam ir na completa contramão da plataforma ideológica que levou Bolsonaro à presidência: autenticidade, característica totalmente vinculada à figura de Bolsonaro, era ele e não Mourão que era recebido por multidões nos aeroportos; conservadorismo de costumes e liberalismo na economia. 

A patente de general pode ser superior à de capitão, mas a de vice-presidente não poderia ser mais decorativa que a da senhorinha que serve café em relação ao CEO da empresa. Com um agravante: ninguém votou na chapa PSL-PRTB por causa do Mourão (nem por causa do PSL ou do PRTB, aliás), figura que virtualmente ninguém conhecia. PRTB/Mourão não agregaram tempo de TV, votos ou manobras com o centrão, porque PRTB e Mourão são praticamente insignificantes a esse respeito. Quem fez a campanha virtual, pelas redes sociais, para eleger a chapa que alçou Mourão à vice-presidência do Brasil foram os olavetes, que já estavam em campanha por Jair Bolsonaro há muito tempo, aliás, com clareza de pontos de vista indiscutível. 

Considerando isso, algumas trupes se juntaram: petistas e esquerdistas, que veem em Mourão desdizendo o governo do qual faz parte uma oportunidade para instar o caos, além de quererem apontar para uma suposta equiparação que, em verdade, é absurda: Mourão seria o Temer de Bolsonaro. Isso não poderia estar mais errado. Temer agregou à chapa petista tempo de TV, palanques pelo Brasil inteiro e a submissão da grande bancada fisiológica do PMDB aos projetos do governo e mesmo com toda essa contrapartida e poder de barganha, não se viu Temer agindo como se fosse chefe de governo de Dilma logo nos seus primeiros dias de governo. Aliás, isso nunca foi visto, exceto para dias antes da confirmação do impeachment. A comparação é absurda, Temer foi escolhido e aceito porque tinha muito a dar, de Mourão e do PRTB esperava-se, no mínimo, o apoio ideológico, já que a aliança surgiu supostamente por afinidade de ideias – algo que nunca veio. 

A estes dois primeiros grupos juntaram-se os “isentominions”, isto é, gente que não é de esquerda e não é petista, mas só consegue dar dois suspiros seguidos se reafirmarem publicamente sua isenção “crítica” com relação ao governo; inclui estirpes liberais, “turma da kombi” (eleitores ideológicos de Meirelles, Amoedo e Alckmin) e outros tipos isolados e numericamente insignificantes. Para estes, Mourão virou herói, mesmo que esteja em região distante deles no espectro político, pois suas tiradas contrárias a Olavo de Carvalho ocupam lugar especial no pedestal de prioridades: seja militar progressista e positivista, seja comunista, seja lá da coloração que for, uma lacrada anti-olavete tem preço inatingível para essa turma – e cada um tem os heróis que merece (isso inclui outras esferas de anti-olavetes: antissemitas, tradicionalistas, islamofílicos etc). 

Muita gente, que pensa exatamente do jeitinho que a esquerda quer que pensemos, pode estar surpresa com isso, porque “não é óbvio que um militar é um direitista malvadão”? A esquerda quer pintar todos à sua direita com a mesma cor, mas a verdade é que militares sempre tiveram uma ideologia não muito simpática ao conservadorismo. A ideologia predominante ali faz parte da velharia francesa, um daqueles lixos ideológicos que só sobrevivem depois de mortos no Brasil, como dizia Millor Fernandes, o positivismo. Daí vem a crença pueril no “progresso” como a marcha inevitável da humanidade, desde que os preceitos científicos sejam aceitos e implementados, então a marcha inexorável da ordem e do progresso triunfará. 

Nesse meio pode tanto haver espaço para algum ocasional conservadorismo de costumes, quanto para um caso quase completo de progressismo moral, como o de Mourão. Mesmo o propalado anticomunismo do regime militar, característica que, se demovida da narrativa histórica oficial, faz cair por terra as tentativas da esquerda de comparar nossos militares a outros ditadores ou ao próprio nazismo, pode ser questionado quando observamos, por exemplo, que o ditador comunista da Romênia, Nicolai Ceausescu, deposto e morto pelo seu próprio povo foi, antes disso, condecorado com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul pelo general Geisel. Não que isso seja prova de comunismo do general, evidentemente, mas conseguem imaginar qualquer um com um programa anticomunista (ainda que seja anarquista ou social-democrata) que congratule com a mais alta pompa um notório comunista? Não sabemos se Mourão faria isso, crê-se que não, mas quem sabe para agradar a imprensa? A mesma que quis destruí-lo com suas declarações escorregadias durante a campanha (e Mourão, nessa época, quem defendeu a honra da sua chapa não foram seus parceiros militares, mas a ativa ala olavete do governo que hoje você quer expurgar). 

Muito foi dito que Carlos e Eduardo Bolsonaro, além do professor Olavo, serem responsáveis por criar cisões e atrapalhar o governo, mas na pior das hipóteses, o inaugurador da cizânia fora o próprio Mourão quando decidiu autoproclamar-se ombudsman do governo. Uma pesquisa rápida e um punhado de notícias deixa isso evidente:






[Dica: apenas o homem que te deu a posição que ocupa e seus filhos]. 












Vice-presidente general Mourão, já sabemos que nada que levou o presidente Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil é do seu agrado e já que você não revelou isso antes da eleição, poderia ao menos deixar de contribuir com a imprensa que quer destruir o governo do qual o senhor faz parte com fogo amigo? Atitudes dos seus ministros que não forem do seu agrado podem ser resolvidas internamente, sem querer jogar um prato cheio no colo da oposição do tipo “quanto pior melhor”. Se o seu desejo é ver o governo prosperar só há duas alternativas, a descrita acima ou se calar.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Podcast: Luciano Oliveira e eu comentamos a viagem de Bolsonaro ao Chile

Por André,




Podcast: Luciano Oliveira e eu comentamos a viagem de Bolsonaro aos EUA e seu encontro com Trump

Por André,







domingo, 7 de abril de 2019

1964 - O Brasil entre armas e livros - o filme que a esquerda tentou censurar

Por André,

A rede Cinemarx tentou censurar a exibição do filme produzido pelo Brasil Paralelo. A esquerda, como era de se esperar com respeito ao assunto liberdade de expressão, burra como uma porta, só fez atiçar o sentimento de curiosidade a respeito do filme ao se negar a exibi-lo.

Segue a produção, disponível no Youtube e já com mais de 4 milhões de visualizações (recorde para o gênero):






domingo, 20 de janeiro de 2019

Guia definitivo para liberais e conservadores sobre “meritocracia”: da meritocracia à “fracassocracia”

Por André,

A esquerda adora usar certos lugares-comuns para atacar o caráter de interlocutores de não-esquerda. “Cidadão de bem” e “pai de família” estão entre eles. E também a famigerada “meritocracia”. Pretendo esgotar essa questão nesse texto, esclarecendo o que é a tal meritocracia e qual deve ser a abordagem correta em relação a ela[i].

No que diz respeito ao seu uso mais frequente, como lugar-comum e espantalho, nada a ilustra melhor que a imagem a seguir (e variações):


Imagem: Reprodução

Na cabeça de esquerdistas, a meritocracia é a justificativa reacionária para todas as mazelas do mundo. Quem está mal, assim está porque lhe falta mérito; caso o tivesse, qualquer anônimo miserável seria o Steve Jobs. E muitas vezes, equivocadamente, liberais, libertários ou conservadores caem na armadilha e se põem a defender mais ou menos essa versão do conceito.

Caso essa seja a meritocracia a ser defendida, estaríamos todos obrigados a concluir que 99,99% dos seres humanos não têm mérito, visto que a ocorrência de gênios que derivam riqueza financeira estratosférica a partir do nada é estritamente ínfimo. Não existem Steve Jobs, Bill Gates, Silvio Santos em cada esquina (ou existem e então a “meritocracia” é que não existe).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Discurso de posse de Ernesto Araújo confirma minhas expectativas

Por André,


Nos textos em que expliquei meu voto em Bolsonaro, coloquei a política externa em muita alta conta e como elemento importante de justificativa do meu voto.

Quem preferir se perder nos preciosismos, que se perca.

Quem preferir se perder nas picuinhas também.

Quem quiser reclamar porque ele cita Guenón e Evola, realmente, isso vai mudar o eixo da terra de lugar, pode acreditar.

Ao que tudo indica meu voto está suficientemente justificado.

O discurso foi transcrito pela brilhante Estudos Nacionais e pode ser lido aqui.


domingo, 11 de novembro de 2018

Ditadura brasileira foi branda e universitários brasileiros são analfabetos

Por André,

Achou que foi o Olavo de Carvalho que disse esses "impropérios", né? Não, não. Foram duas vacas sagradas do esquerdismo acadêmico:


Safatle:

"A ditadura militar brasileira não foi uma ditadura do assassinato: foi uma ditadura dos processos jurídicos. Você vê o número de assassinatos e desaparecimentos, e fala 'Ah, foi uma ditadura branda'. Foram 500 desaparecidos, enquanto na Argentina foram 30 mil. Só que isso foi compensado pelo desenvolvimento de um aparato jurídico que só nos primeiros anos já tinha 30 mil processos. A lógica era: você paralisa as pessoas jogando processo atrás de processo."


VLADIMIR SAFATLE, professor universitário (USP) e filósofo de esquerda (https://bit.ly/2QyU2VP).


José Paulo Netto:


"Temos, no Brasil, alunos que chegam semianalfabetos ao mestrado e saem do doutorado analfabetos especializados".


JOSÉ PAULO NETTO, professor universitário e intelectual da tradição marxista (https://youtu.be/2WndNoqRiq8).