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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Críticas de esquerda à USP

Por André,

Compilação no mínimo interessante de críticas de esquerda à USP e à intelectualidade orgânica do PT:



Ressaltando que minha classificação como interessante se dá no sentido puramente intelectual da coisa, isto é, é bom saber que parte da esquerda pensa assim. Do ponto de vista das ideias, a coisa toda pode se resumir à posição geral do PCO: o PT é de "direita", pra resolver os problemas precisamos de mais esquerda. 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Politicamente correto da esquerda é responsável por ataques como o de São Bernardino

Por André,

RETIRADO DO FACEBOOK.

É HORA DE PÔR A CULPA EM QUEM A TEM.

Passou da hora de afirmar categoricamente, os cavalos de Tróia da esquerda "cultural" já são mais que meros engodos puramente intelectuais, já é hora de começar a fazer um "body count".

A começar pelo massacre de São Bernardino:

Sabe-se lá qual poderia ter sido o desfecho do ocorrido se não fosse uma "gun free zone". Com gente de bem com armas nas mãos outras coisas poderiam ter ocorrido: menos gente morta, ninguém morto, terroristas malucos impedidos desde o princípio.

Mas particularmente, conforme relata a notícia abaixo, um vizinho deixou de relatar os envolvidos por medo de ser acusado de racismo. Sabe aquele nosso lamurio que hoje em dia tudo é racismo? Pois é, chegou a sua exemplificação máxima na realidade. Provavelmente algum vizinho detectou atividade suspeita e nada fez por medo da alcunha arbitrária e sem sentido de ~islamofóbico~. É perfeitamente lícito pensar que tudo poderia ser evitado. Menos gente ou ninguém poderia ter morrido, mas o medo do politicamente correto falou mais alto e quem pode culpar o vizinho? Não se trataria da primeira vez e certamente não é a última, infelizmente - esse troço já se impregnou na sociedade.

E não menos importante: o médico que levou uma pedrada na USP e que faleceu hoje, pode botar na conta dos maconhistas leitores de Foucault. É por causa dessa gente que a polícia não entra lá e coisas que vão de pequenos assaltos a mortes têm uma possibilidade grande de acontecer. É pelo puro bel-prazer de achar que a USP é um feudo a parte da sociedade e que lá, misteriosamente, a estudantaiada deve ter o direito de fumar maconha livremente.

Pra mim é hora de bater nessa tecla semanalmente. Se a piadinha com gay que você conta pros amigos causa a morte de 350 gays por ano, por que a cultura autoritária do politicamente correto não pode e deve ser responsabilizada?


Vizinho não denunciou terrorista de São Bernardino por medo de ser chamado de racista.

Médico agredido com pedrada em festa da USP morre.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Universidade como centro de excelência está sendo destruída e professores estão saturados

Por Folha de São Paulo,

Quarta-feira, 13 de maio de 2015. Assim como em todas as quartas no horário do vespertino, chego à Universidade de São Paulo para ministrar a disciplina de História Ibérica 1. Outros colegas fazem o mesmo. Enfim, um dia corriqueiro na universidade, "ma non troppo".

Chego às 13h30 e encontro um animado grupo de percussionistas. Malgrado a péssima qualidade do som, o evento parece aceito naturalmente em um local de trabalho inadequado para semelhante "manifestação cultural". Que, aliás, repete-se em quase todos os dias. Às vezes em nome de alguma causa. Outras, sabe-se lá o motivo.

Justificáveis ou não, essas atitudes servem rotineiramente para prejudicar a atividade-fim daquele espaço: a docência e a pesquisa. E se assim é no modorrento horário da tarde, pior ainda no da noite, quando ocorrem as famigeradas festas que, com níveis de organização empresariais, simplesmente impedem que se trabalhe.

O que parece inacreditável em todo esse ambiente é que ninguém consegue garantir o bom funcionamento de um espaço destinado ao ensino e à reflexão. É terra sem lei.

O clima de banalização do espaço universitário vai além. Basta uma greve, por exemplo, para que cadeiras sejam retiradas das salas de aula e se transformem em barricadas a fim de impedir o livre acesso de docentes, alunos e funcionários. Mobilização fácil essa que, diga-se, resulta apenas no impedimento ao diálogo entre as partes conflitantes.

Além da vedação à troca de ideias, muitas cadeiras, pagas pelos impostos da população, acabam, como é de se esperar, danificadas, resultando em prejuízo para o Estado e para o contribuinte.

Prejuízo, aliás, que virou rotina de forma inacreditável. Só no ano passado, seis projetores foram roubados do prédio da História e Geografia. Ninguém foi responsabilizado. A solução óbvia seria a instalação de câmeras de segurança. Mas na USP contamos com a oposição dos que acham que as mesmas resultarão em "controle".

Em nome de um discurso ideologizado, impede-se a defesa do patrimônio público.

É como se um gestor tivesse que pedir licença para repor um vidro quebrado. Ou um diretor de uma repartição pública tivesse que pedir autorização para colocar as câmeras de segurança no Metrô, na Secretaria de Fazenda ou no Hospital dos Servidores. Acanhados diante da obrigação de fazer valer a lei, como se tal atitude nos fizesse reacionários, ficamos calados.

Esse é o caminho que, lentamente, a universidade trilha no sentido de seu definhamento. Não tenho dúvida de que o poder público também é responsável pela crise vivida nas universidades públicas. A novidade é que não são apenas os governantes os agentes da crise. Há inimigos internos, que desprezam o saber e a hierarquia acadêmica.

Em nome de verdades absolutas, conduzidas por vanguardas autoritárias, não têm dúvidas sobre suas ações. São minorias que, ignoradas no mundo real se escoram nessa bolha que tem se tornado a universidade. O mais grave, insisto, é o acanhamento diante do imperativo de fazer valerem as leis. Estas, universais, se aplicam também para o espaço universitário. Ou deveriam.

É proibido fumar em um ônibus? Na universidade também é. É proibido consumir bebida alcoólica em repartições públicas? Na universidade também é. É proibido apertar e acender um baseado em qualquer lugar, ao menos por enquanto? Na universidade também é. A USP não é uma ágora separada do mundo real. Fazemos parte dele.

Somos sustentados por maiorias que nem sequer sabem onde fica a Universidade de São Paulo. Voltar-se para essas maiorias é tarefa que exige reflexão e empenho, mas precisamos arrumar a casa primeiro. O medo de impor a lei é um caminho curto e fácil para uma reinterpretação medíocre de nossa carreira e do papel da universidade. No mínimo.

FRANCISCO CARLOS PALOMANES MARTINHO, 53, é professor Departamento de História da USP. É autor de "A Bem da Nação: O Sindicalismo Português entre a Tradição e a Modernidade" (Civilização Brasileira)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Instala-se no Brasil o afronazismo: aula de microeconomia do curso de administração é interrompida para discurso racialista, aluno filma e rebate

Por André,


O Brasil acabou. Minha vontade é dar um grande chute nos fundilhos de tudo isso aí e ir catar latinha na rua. A vida intelectual, acadêmica e universitária não existe mais, só o que restou foi o ideologismo barato e a militância racialista. É a vida na sarjeta que fala Theodore Dalrymple.

O último a sair que apague a luz. Que esse último não seja eu.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Artigo implacável de André Lima: "Arrogantezinhos e estridentes"


Se um grupo de música possui alguns integrantes que, no lugar de música, querem fazer propaganda política, se esse grupo é moderado em demasia e não levanta sua voz para condenar e humilhar em público os fanfarrões, a fama da imperícia se espalhará ao conjunto inteiro, efetivando a sua irrelevância. Mutatis mutandis, é o que temos visto acontecer há muito tempo nos departamentos de humanas da USP: um punhado de arrogantezinhos, doutrinados por sindicalistas entrincheirados nos diretórios acadêmicos, a manchar a reputação da universidade ano após ano com a estética e a falta de ética típicas do oitocentismo bronco, enquanto a maioria silenciosa tenta ignorá-los para se concentrar nos estudos. Mas a acédia, nesse caso, funciona como abre alas para que a arrogância impere, e o desejo de não se igualar termina por alcançar exatamente o resultado inverso, já que, à distância, o departamento é uma coisa só. Jon Elster evoca justamente esse argumento para refutar o imperativo categórico kantiano: as consequências podem ser desastrosas se formos bem-sucedidos em generalizar nossas boas intenções, pois se desconsidera aí que o caminho fica livre para o free rider, o burlador das regras, o sujeito que corre pela contramão; uma eficiente campanha de desarmamento, por exemplo, fará com que fiquemos todos desarmados, mas bastará que haja um único espertalhão entre nós para sermos todos rendidos a seu jugo. De modo que, a despeito de nosso amor pelas regras e de nossas boas intenções, o eco da estridência só faz se prolongar, tanto mais quando lhe concedemos o conforto do silêncio cúmplice.
Há sempre um projeto de revolucionário à espreita pelos corredores da FFLCH, pronto para aderir a qualquer causa que o afaste da letargia insuportável do cotidiano burguês. Mas, a não ser que se trate de um raro espécime de bolchevique genuíno, na realidade não passa disso, de projeto, de pastiche; esse esquerdismo que nasce junto com os primeiros fios de barba costuma inclusive fazer troça daqueles que o acusam de ensejar a revolução; isso porque a quase totalidade de sua bagagem filosófica foi adquirida de oitiva, isto é, de orelhada; mal se alcança, desse modo, o significado concreto das teses defendidas; são consumidores compulsivos de oitivas, com que logo alcançam a certeza da onissapiência, e passam então a produzir a espuma da arrogância. Espuma é a sua argumentação em todo debate, sempre pontuada por tiradas sardônicas destituídas de qualquer estofo moral. Alguns são bastante talentosos nesse particular, mas a grande maioria é apenas tacanha; no geral, nem desconfiam que a ironia cabotina e as piadinhas miseráveis dão eco a outro riso, mais antigo e mais perverso: o riso que escarnece da pilha de milhões de mortos no altar do outro mundo possível. Mas nada, absolutamente nada evidencia com maior nitidez a profundidade da ignorância em que estão metidos do que a confusão que fazem com o argumentum ad hominem, estratagema retórico o qual insistem em esgrimir sem ler o manual de instrução; terminam brandindo cabos de vassoura, qual Quixotes que sonhassem ser Sócrates. É sem dúvida escandaloso que tenham distorcido e reduzido o ad hominem a mera crítica ou ofensa pessoal, como se acusa reiteradamente nos debates espumosos de que participam. Outro dia mesmo, um rapaz, achando-se muito esperto em criticar um comentário eivado de erros propositais de concordância (os quais emulavam a fala de um esquerdista bronco), respondeu à questão proposta e na sequência se saiu com a seguinte pérola: “E tem mais: seu comentário está cheio de erros de português. Francamente. Eu não ia mencionar isso, pois sei que é um ad hominem óbvio, mas tem horas que não dá para deixar passar”. Quer dizer: além de não ter compreendido a ironia nos erros propositais, ele conseguiu a proeza de transformar o apontamento desses erros em argumento ad hominem!
Não obstante a incompreensão, vivem incorrendo justamente na canalhice do argumento ad hominem. Um sujeitinho que costuma se passar por moderado e esclarecido nas redes sociais, uma espécie de Montaigne bolchevique, vive os distribuindo sem ter a menor noção disso. Usa sempre a mesma tática: aproxima-se do adversário com certo enfado, buscando com isso se declarar fora da contenda, distante de ambos os extremos; faz então algumas investidas periféricas, sempre distantes do mérito, quase gentis; de repente, o golpe: “Ah, descobri: você é leitor de Olavo de Carvalho. Descobri o seu mentor!”. Acta est fabula: às favas o mérito, o debate se encerrou. Tivesse o pobre diabo a dignidade de ler sobre o assunto, descobriria que está incorrendo nitidamente no argumento ad hominem, isto é, está tentando desqualificar o oponente sem refutar seus argumentos, apenas atacando seu caráter e apontando alguma particularidade sua que supostamente o tornaria equivocado já de saída. Mas o que terá lido da obra de Olavo de Carvalho esse que tenta interditar o debate evocando seu nome como sinônimo de nódoa intelectual? Pouquíssimo. Também aí, não mais que a tosqueira das oitivas. Assombrado com a força de um dos homens mais lúcidos de nosso tempo, limita-se a reproduzir os muxoxos que, em última instância, originam-se da boca de alguns medalhões ali do departamento, os mesmos que foram humilhados por Olavo há duas décadas e que nunca lhe esboçaram uma resposta digna, dando a entender que isso é impossível. Não deixam de dar razão ao filósofo quando ele diz que o ativismo desses acadêmicos diminuiu devido à chegada da esquerda ao poder político no país; o ativismo na academia, diz Olavo, foi legado então aos estudantes, e é assim que se chega ao quadrante tragicômico atual. O que dizer, por exemplo, de outro rapazola que ousou adentrar um debate recentemente com o seguinte anúncio: “Sou pelo partido de que as pessoas são vítimas do meio, o que vai contra Sartre e Aristóteles. Vou aqui primeiro explicar a minha tese, e depois, mais tarde, irei desconstruir as falácias sartreanas e aristotélicas passo a passo, porque acabei de acordar”. Como no clipe de “It’s Only Rock ’n Roll (But I Like It)”, dos Rolling Stones, o ambiente se encheu de espuma, e de imediato tivemos todos de nos retirar.
Mas o que faz afinal um projeto de revolucionário se tornar um projeto de revolucionário? Convém, aos que pretendem opor-se ao maquinário que os fabrica, investigar esse processo. Por exemplo, imaginemos um sujeito que se declara esquerdista deitado em um divã, sendo instado a responder “Por que você é esquerdista?”. Como se trata de um brasileiro, após algumas formulações esparsas, inevitavelmente se cai em um dos temas quentes e que mais induzem a esse posicionamento político: ditadura militar. Ficamos então sabendo que é um esquerdista pois, de acordo com o que aprendeu com algum professor bacana de geografia política, ser de direita é ser simpático ao período em que o Brasil foi governado por uma junta de militares; mais do que isso: ser de direita implica, segundo ele, apoiar os abusos cometidos pelo Estado no período, como sessões de tortura, perseguições e assassinatos.
Bem, aceitemos, por um momento e hipoteticamente, os termos dele. A se utilizar esse critério, seríamos praticamente todos esquerdistas. De fato, ninguém em sã consciência é capaz de defender atos violentos perpetrados arbitrariamente pelo Estado; não se veem multidões nas ruas a defender a volta dos militares ou a defender seus crimes, e é notório que o assunto se tornou motivo de vergonha íntima para o Brasil e para cada brasileiro que aprendeu o básico da história recente do país. Até aqui, portanto, somos quase todos esquerdistas, tirando um contingente ínfimo de antidemocratas. Ocorre que a questão enseja um segundo critério, e este efetivamente diferencia o homem deitado no divã, tornando-o um legítimo esquerdista: sua sensibilidade é seletiva. Assassinatos, perseguições e torturas não constituem, para o esquerdista, procedimentos necessariamente condenáveis, pois tudo depende de qual lado da contenda está recorrendo a eles. Os 475 mortos e desaparecidos vitimados pelo regime militar o sensibilizam a ponto de levá-lo às lágrimas, mas os 119 mortos em atos terroristas praticados à época por grupos de esquerda não o fazem sequer piscar. Tecnicamente, segundo seus parâmetros, tais mortos não pesam nas costas da esquerda; sua justificativa é a de que se tratava de uma guerra, e, como se sabe, não há guerras sem vítimas; mas o Bem e o Justo estavam com os rebeldes, e só a morte deles deve ser lamentada, já que buscavam implementar a democracia no país. Mas espere: evidências históricas comprovam que grupos terroristas de esquerda já atuavam no Brasil em 1961, em plena democracia, bem antes do golpe de 1964; atuavam, aliás, desde muito antes – ou não houve a intentona comunista em 1935? Objetivavam, isto sim, instalar por aqui um regime comunista aos moldes da revolução ocorrida em Cuba em 1959; tudo em consonância, hoje sabemos, com as resoluções dos encontros de dirigentes comunistas de várias partes do mundo, ocorridos em Moscou em 1957 e comandados pelo ditador Kruschev, nas quais se estabeleceram novas metas para distender o comunismo pelo globo. Tais fatos, porém, jamais serão admitidos pelo sedizente esquerdista, pelo simples fato de que ele os desconhece; se alguém tenta alertá-lo, ele recusa de pronto a verdade, estabelecendo uma barreira psicológica decisiva para o funcionamento de seu sistema moral; por meio dessa prodigiosa operação é que consegue dar vazão a sua sensibilidade seletiva.
É preciso, no entanto, ir um pouco mais fundo no subconsciente do rapaz estirado no divã: o que terá dito o professor bacana de geografia de tão extraordinário, a ponto de arrebatá-lo pelo resto da vida? Certamente não foi apenas a falsificação da história pelo maniqueísmo chulo entre rebeldes bonzinhos e militares malvados; essa é só uma das raízes do salgueiro. Alguma outra mensagem foi forte o bastante a ponto de cair na corrente sanguínea e ir direto para o coração, para nunca mais sair de lá. O triunfo do professor, como em toda ocasião em que o conteúdo conta menos do que a forma, se dá por meio da simplificação: nada pode ser mais providencial a um jovem confuso e cheio de angústias (considerando-se o plano da consciência em seu dilema existencial) do que um mestre que se expressa em uma linguagem compreensível, e que – melhor – traz notícias instigantes de certa realidade secreta, de operações realizadas nas sombras com o intuito de construir um mundo melhor. Além de se sentir acolhido, agora o jovem se sente importante, depositário de um segredo que o insere em um plano maior; torna-se parte de um sistema complexo que o arranca, enfim, da letargia insuportável do mundo burguês. São os hormônios. E isso é tudo: a disseminação da doxa esquerdista se dá por meio desse prosaico método de simplificação de conceitos. Prova inconteste disso é o sucesso do vídeo em que o sujeito conhecido como PC Siqueira explica aos incautos o significado político dos termos esquerda e direita: em sua ótica vesga, ser de esquerda é defender a distribuição de renda (“distribuir o dinheiro entre todas as pessoas”), ao passo que ser de direita é defender o acúmulo de capital (“ser a favor de que as pessoas possam ficar ricas, não importa se isso faça as outras pessoas ficarem pobres”). Como se vê, é muito mais fácil se contentar com essa bandeja de danoninho ideológico do que estudar a teoria dos jogos ou a crítica da razão pura de Kant. Vá agora explicar aos dois milhões de usuários inscritos no canal de vídeos de PC Siqueira que o liberalismo não é um jogo de soma zero, para ficar na teoria dos jogos; que, para fazer sentido a suposição de que uns ficam ricos à custa de outros ficarem pobres, seria preciso considerar a absurda hipótese de que a riqueza contida no mundo é constante e imutável. A esse respeito, o economista Flavio Morgenstern sintetizou recentemente tanto a teoria e os fundamentos do liberalismo quanto os equívocos primários de seus críticos no excelente artigo “Uma única lição de economia”:
“A riqueza não existe na terra ou no ar como algo que alguém simplesmente toma para si: ela é criada, e criada através do trabalho. (…) Crê-se que os ‘ricos’ apenas são ricos por terem, num passado remoto, usado de força para tomar tal riqueza, ‘explorando’ os pobres para tomarem seu quinhão, deixando-os mais pobres no processo. É como se no mundo existissem sempre 100 moedas de ouro, e se, entre 100 pessoas, alguém possui mais de uma moeda, foi por ter ‘roubado’ do outro. (…) Se a fé da riqueza estanque possuísse credibilidade, não haveria crescimento econômico, nem diferenciação no PIB que não passasse exatamente para outro país. Os homens das cavernas, raros que compartilhavam o mundo inteiro, seriam muito mais ricos do que Bill Gates.”
Ou seja, o que escapa a PC Siqueira é que os homens precisam se empenhar para produzir riqueza, ela não está simplesmente disposta na natureza pronta para ser repartida. Mas, pensando bem, qual o significado concreto da proposição que, segundo ele, é o lema da esquerda (distribuir o dinheiro entre todas as pessoas)? De que dinheiro se trata aí? Se uns produzem riqueza, nada mais justo que fiquem com ela; terão de distribuir uma parte por meio dos impostos e dos empregos que serão gerados; ora, se ao invés disso essa nova riqueza for simplesmentedistribuída, será muito mais cômodo então ficar sentado em casa esperando o seu quinhão nas próximas riquezas criadas e repartidas; e, se quem fica em casa recebe o mesmo quinhão que o sujeito que se empenhou e forjou a riqueza, quem diabos vai querer ter o trabalho de se empenhar em novas ideias, esforços corporais, noites mal dormidas, tudo para levar adiante algum projeto mirado no progresso? Ora, o progresso nesse caso pode ser alcançado sem um pingo de suor, apenas contando com a benemerência dos que preferem o esforço ao ócio. Mas, uma vez que o conjunto de situações atenta contra o mais básico senso de razoabilidade, simplesmente nada disso acontece. O ideal socialista surge para suprimir especificamente essa dificuldade, ao propor que cabe ao Estado efetuar a distribuição, de modo a desestimular o ímpeto desbravador dos indivíduos e extinguir a desigualdade com um método radical: para que não haja mais desigualdade entre os homens, fica estabelecido que ninguém mais poderá criar riquezas; esta será uma prerrogativa exclusiva do Estado. Todas as nações que sucumbiram aos encantos da mágica socialista foram a pique, como atestam os registros históricos; provou-se que a burocracia estatal é incompatível com a eficiência própria do giro da economia, e na ausência do espírito desbravador dos indivíduos livres, às voltas com a produção de riquezas, qual um tiranossauro tentando esculpir vasos de cristal, resta ao Estado tão somente distribuir a miséria igualmente e impor a necessidade equânime. E, diante do colapso, muros são erguidos para impedir que os cidadãos fujam do experimento, num lance diabólico que ainda hoje é tolerado pela comunidade internacional, como mostram nações-presídio como Cuba e Coreia do Norte.
É o socialismo, portanto, que anima os pruridos de justiça de todos esses arremedos de revolucionários. Mas aqui estamos muito além do plano de sua consciência. Eles próprios não são capazes de fazer essa genealogia: estão ali no ponto em que o professor de geografia os deixou, entusiasmados com a missão e a mensagem social de que se sentem imbuídos, mascando os fiapos de oitivas, atormentados pelos hormônios. Se dissermos que a matriz e a consequência lógica de suas proposições é o socialismo, se sairão com as mesmas piadinhas e as mesmas acusações de paranoia. São vítimas da própria desídia; no sentido de que, pela espuma, demonstram a debilidade de sua capacidade cognitiva, resultado tão somente da falta de iniciativa, além do orgulho que os impede agora de reconhecer a própria estupidez.
Serão eles, os fanfarrões entediados, os próximos professores bacanas de geografia. Nessa perspectiva, a operação toda se assemelha a um encantamento que impede uma geração de amadurecer, a qual deverá, por sua vez, impedir o desenvolvimento intelectual da geração seguinte, e assim sucessivamente. O encantamento, como já se viu, não passa de um punhado de ideais equivocados de justiça, refutados vinte vezes pelos fatos e pela história, condensados em uma linguagem simples e assimilável, de modo produzir no cândido ouvinte o efeito de uma brisa. É uma sina que atualmente acomete especialmente as tantas vezes trevosas nações latino-americanas. Mas essas são questões já muitas vezes tratadas, destrinchadas por analistas muito mais competentes. Faltava apontar com mais vigor o quanto isso tudo está presente em alguns corredores de nossa melhor universidade, a ponto de a voz estridente do atraso às vezes ser a única a soar. Se não serve como oportunidade para que se opere a purgação revigorante de uma autocrítica, posto que o orgulho talvez já os tenha tornado irrecuperáveis, que a análise sirva de estímulo para que a maioria saia da zona de conforto. Ou que sirva à posteridade como registro de que o coro dos irrelevantes não era unânime.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Gonçalo Armijos Palacios aponta erros de Chaui: "Convite à falsificação III"

Convite à falsificação (III)
Gonçalo Armijos Palácios Opção (Goiânia), 25 de novembro de 2001

Se Kant quis pôr o observador no centro e os objetos girando em torno dele, como em Ptolomeu, para que então propôs que se pense essa relação seguindo uma teoria, a de Copérnico, que faz exatamente o oposto? Cabe ao leitor responder.
Hoje quero começar falando sobre como, os animais e nós, enxergamos o mundo. As aves, os peixes, os insetos e os seres humanos, todos sabemos, não miramos com os mesmos olhos e, claro, não obtemos as mesmas imagens das mesmas coisas. Quando um ser humano olha para uma flor toda amarela, é isso que enxerga, uma flor só amarela. Já um rouxinol ou uma borboleta que olhem para a mesma flor verão outras cores, as cores ultravioletas do néctar da flor e das pétalas, por exemplo, que nós, seres humanos, não podemos enxergar. Assim, três observadores diferentes olhando para o mesmo objeto — neste caso uma flor — terão dele três imagens diferentes — imagens que dependerão do tipo de aparelho perceptivo que possuem. Uma ave marinha que olha do alto para o mar consegue ver os peixes dentro da água, já uma pessoa que desde um alto rochedo olhe para o mar, não vai conseguir enxergar dentro da água pois, entre outras razões, é cegada pelo reflexo da luz solar nas ondas. As aves conseguem ver os peixes dentro da água porque seus olhos têm filtros que deixam passar certos comprimentos de onda e não outros. Dessa forma, elas conseguem enxergar o que nossos olhos não podem. Assim, uma gaivota, um rouxinol e um ser humano que dirijam seu olhar para o mesmo ponto no mar formarão nas suas mentes imagens diferentes. Em síntese, a maneira como o aparelho perceptivo está constituído determina como o inseto, a ave e o ser humano constroem sua imagem do mundo. 

Esta propriedade de constituir uma certa imagem das coisas não se limita às cores. Gostaria que o leitor olhasse para a figura desenhada nesta página. O que enxerga? Dificilmente não enxergará um cubo. Posso, então, dizer sem mais que quem olhe para a figura enxergará um cubo? Certamente não pois, na verdade, não é um cubo que está frente ao leitor e sim doze linhas distribuídas de uma tal maneira que levam a pessoa a ver um cubo. Não há um cubo nesta página. Há um desenho numa superfície plana. Um cubo de verdade tem três, e não duas, dimensões. Onde está a terceira dimensão? De onde surge a impressão de profundidade? Bom, ela é posta, criada, construída, para dizê-lo assim, por nós. É a especial maneira em que nosso aparelho perceptivo está constituído que cria a imagem tridimensional de um cubo. Que mais vemos no cubo? Um plano anterior e um posterior. Além disso, alguns leitores verão um cubo orientado para baixo, outros o verão orientado para cima. E o mesmo leitor pode mudar sua perspectiva e olhar o mesmo cubo ora orientado para baixo ora para cima. Veja-se quanta atividade há no aparelho sensorial do sujeito que percebe, ao passo que o objeto, o desenho, continua na sua inerte bidimensionalidade alheio à nossa maneira de olhá-lo. 

Note-se, por outro lado, que quando vemos a figura ocorre, além de uma visualização determinada, uma conceitualização específica. Pensamos: é um cubo — se nos perguntam o que estamos enxergando não respondemos "linhas", respondemos "um cubo". Quando olhamos para a figura, então, a identificamos como algo e, além disso, a quantificamos, a pensamos como uma e não como, digamos, doze linhas ou seis lados. Veja-se, em síntese, quanta atividade há no sujeito que percebe e pensa as coisas enquanto elas, ali onde estão, ficam alheias ao nosso olhar e pensar. É isso que Kant, o grande filósofo alemão, quis mostrar: que vemos e pensamos as coisas o que nós pomos nelas. 

Kant entendeu que sua teoria de como conhecemos as coisas representava uma revolução análoga à que, na astronomia, tinha representado a revolução de Copérnico. Para Ptolomeu, as estrelas giravam em torno da Terra. Copérnico, ao contrário, parte da hipótese de que é o movimento do espectador na Terra que produz a aparência do movimento nas estrelas. Enquanto a atividade em Ptolomeu está nos astros, em Copérnico está no próprio espectador. Do mesmo modo, a maneira como devemos entender a relação cognitiva entre sujeito e objeto, diz Kant, deve ser invertida: não é o sujeito que, imóvel, no centro do universo, vê passivamente os movimentos das estrelas. Não; é a atividade perceptiva e conceitual no sujeito que determina como as coisas sejam vistas e pensadas. Sobre esta sua revolução copernicana na teoria do conhecimento Kant fala no Prefácio à Segunda Edição da Crítica da Razão Pura. Vejamos como o próprio Kant descreve a relação entre sua teoria do conhecimento e a teoria copernicana: "Até agora se supôs que todo o nosso conhecimento deveria regular-se pelos objetos..." Ele propõe que se faça o contrário, que se admita "que os objetos devam regular-se pelo nosso conhecimento". Assim, se nossa percepção se regulasse pelos objetos, não veríamos um cubo nesta página e sim um objeto bidimensional. Mas como são os objetos que se regulam pela nossa percepção, o desenho nesta página é transformado, pela nossa própria atividade sensorial, num cubo, isto é, num objeto tridimensional. Agora vejamos o que Kant diz sobre Copérnico imediatamente depois do trecho citado: "O mesmo aconteceu com os primeiros pensamentos de Copérnico, que, depois de não ter conseguido ir adiante com a explicação dos movimentos celestes ao admitir que todo corpo de astros girava em torno do espectador, tentou ver se não seria melhor deixar que o espectador se movesse em torno dos astros imóveis. Na Metafísica, pode-se, então tentar o mesmo no que diz respeito à intuição dos objetos" (Grifos meus) Então, não pode caber a menor dúvida: para Kant é o sujeito que conhece que devemos pôr a girar em torno dos objetos imóveis, assim como Copérnico pôs o espectador a girar em torno dos astros imóveis. 

Agora vejamos o que os alunos que leiam Convite à Filosofia, da professora Marilena Chauí (São Paulo: Ática, 1995), são obrigados a aprender. Na página 77 encontramos: "Inatistas e empiristas, isto é, todos os filósofos, parecem ser como astrônomos geocêntricos, buscando um centro que não é verdadeiro." A primeira coisa que chama a atenção no trecho é a divisão de todos os filósofos entre inatistas e empiristas. Se isso tivesse sido verdade até a época de Kant, onde deveríamos situar todos os filósofos que não eram nem uma coisa nem outra, como por exemplo os céticos - que existiram não só na época de Kant, mas antes de Kant, na época medieval e na antiga Grécia? A professora Chauí continua o trecho assim: "Parecem, diz Kant, como alguém que, querendo assar um frango, fizesse o forno girar em torno dele e não o frango em torno do fogo"!! Onde é que Kant afirma semelhante disparate? E que tem a ver assar um frango (por outro lado morto e sem cabeça) com um observador vivo girando em torno do objeto que, à diferença de um frango morto e sem cabeça, é por ele observado? Mais um mistério. 

Vimos que Copérnico, em palavras de Kant, fez girar o espectador em torno dos astros imóveis e que isso devia ser feito em teoria do conhecimento: girar o sujeito que conhece em torno do objeto conhecido. Mas a Dra. Chauí apresenta uma revolução copernicana bem ptolemaica: "Façamos, pois, uma revolução copernicana em Filosofia: em vez de colocar no centro a realidade objetiva ou os objetos do conhecimento, dizendo que são racionais e que podem ser conhecidos tais como são em si mesmos, comecemos colocando no centro a própria razão"!! (Meus grifos) Mas não é exatamente o oposto que Kant quer e que, para tanto, apela à analogia com a revolução de Copérnico? Mas não, enquanto o sujeito de Copérnico e de Kant está girando, o da professora Chauí vê, como Ptolomeu, os objetos girando em torno de si!! 

No último artigo vimos como os prisioneiros da caverna de Platão - segundo ele acorrentados e sem poder mexer nem sair do lugar - se reproduziam à beça. (De fato, segundo a professora Chauí, os prisioneiros estão nessa situação "geração após geração"!) Agora ficamos sabendo que a revolução copernicana de Kant não consiste em pôr, como em Copérnico, o observador movendo-se em torno dos objetos. Não; na versão da Dra. Chauí a razão, contra a o que o próprio Kant afirma, vira um Sol "em torno do qual", como ela diz no período seguinte, "tudo gira"! 

Está na moda falar de 'leituras' e dos direitos ilimitados do leitor de interpretar as coisas ao seu bel-prazer. Mas quem tiver dúvidas sobre aquele trecho de Kant pode fazer uma simples pergunta: se Kant quis pôr o observador no centro e os objetos girando em torno dele, como em Ptolomeu, para que então propôs que se pense essa relação seguindo uma teoria, a de Copérnico, que faz exatamente o oposto? Cabe ao leitor responder.

Gonçalo Armijos Palacios aponta erros de Chaui: "Convite à falsificação II"

Convite à falsificação (II)
Uma erótica e ensolarada caverna
Gonçalo Armijos Palácios Opção (Goiânia), 18 de novembro de 2001

Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. Vamos falar de uma caverna em que brilha (mas não queima) a luz do Sol e dentro da qual, presos por grilhões, uns homens se reproduzem sem o auxílio das mulheres. Nesta caverna, quem entra sai e quem sai se adentra. Estes milagres, e outros mais portentosos que o da multiplicação dos pães, encontramos na 'leitura' que a Dra. Marilena Chaui faz de Platão e que reproduz no seu alucinante Convite à filosofia (São Paulo : Ática, 1995). A Dra. Chaui explica o mito já na Unidade 1, Capítulo 3.

Contemos a história como ela foi narrada pelo seu autor. Na República (Livro VII), Platão pretende exemplificar nossa condição no que diz respeito ao conhecimento. No diálogo, Sócrates pede a Glauco imaginar uma caverna subterrânea. "Estão lá dentro desde a infância", diz, uns homens acorrentados de pernas e pescoços, "de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente", para o fundo da caverna, sem poder olhar uns para os outros. A iluminação, diz Sócrates, provém "de um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles". Entre o fogo e os prisioneiros há um caminho "ao longo do qual se construiu um pequeno muro". Por esse caminho passam "homens que transportam toda espécie de objetos... estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira (...) dos que os transportam, uns falam, outros permanecem calados". Pois bem, o único que estes homens acorrentados poderão observar é as sombras dos objetos projetadas no fundo da caverna. Como os homens que passam pelo muro, atrás deles, falam entre si, ouvirão os ecos que chegam a eles do fundo da caverna, atribuindo a origem dos sons às próprias sombras. "De qualquer forma" - afirma Sócrates -, "pessoas nessas condições não pensavam que a realidade fosse senão a sombra dos objetos."

Essa é a caverna e os prisioneiros como Platão os descreve. Agora vejamos a mesma explicação na versão erótico-tropical da Dra. Marilena Chaui: "Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração [!!] seres humanos estão aprisionados." (p. 40) Geração após geração!!?? É essa uma 'informação' adicional interessantíssima. Porque, se estão acorrentados e não podem mexer a cabeça nem as pernas, como será que conseguem mexer outros órgãos para conseguir reproduzir, não uma, mas várias gerações? Enquanto os prisioneiros de Platão estavam ali desde sua infância, os da Dra. Chaui conseguem, imóveis, produzir várias e várias gerações! Como dizia no início, isso é mais portentoso que o milagre da reprodução dos pães. Mas vamos deixar isso. 

Enquanto a fogueira de Platão está, e só podia estar, dentro da caverna para projetar sombras no fundo dela, a fogueira da Dra. Chaui está na parte de fora! Pois, segundo ela, há uma abertura que permite a luz de fora iluminar lá dentro. Diz ela: "A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obcuridade, enxergar o que se passa no interior." Ora, se a luz penetra na caverna, para que precisaria Platão daquela fogueira dentro da caverna? Para a Dra. Chaui, a luz que penetra é da fogueira que está na parte de fora! Difícil de acreditar? Pois segurem seus queixos: "A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa"! (Meu grifo) Será que a Dra. Chaui usou a palavra equivocada? Não, ela insiste em que a fogueira é exterior e o diz no próximo período: "Entre ela e os prisioneiros - no exterior portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta..." (Meu grifo) Aqui acabamos de ser informados que também a mureta está na parte exterior da caverna. Como pode uma fogueira exterior a uma caverna subterrânea produzir, no fundo dessa caverna, as sombras dos objetos que estão dentro da caverna? Esse talvez seja um desses mistérios que só no além poderemos compreender... Se a fogueira está na parte de fora e a caverna é subterrânea, isto é, não está no mesmo nível que as coisas fora da caverna, a luz da fogueira só poderia produzir as tais sombras se percorresse o espaço, contra todas as leis conhecidas, descrevendo ângulos retos, obtusos ou agudos...

Que a tal fogueira se encontra fora da caverna, contrariamente ao que o próprio Sócrates afirma, é dito pela Dra. Chaui com todas as letras e em mais de uma oportunidade. Numa parte da sua intervenção, Sócrates pergunta que aconteceria se libertássemos um desses prisioneiros, o transportássemos para onde está o fogo e, depois, para fora da caverna, para onde está o Sol: "Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objeto cujas sombras via outrora." (515c) "Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objetos para os quais podia olhar..." Não cabe dúvida de que é a fogueira o que o prisioneiro vê primeiro pois só olhando primeiro para a fogueira poderia depois, ao sair da caverna, ver a luz do Sol: "E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e íngreme - diz Sócrates -, e não o deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que ele se doesse e agastasse...?" (515e-516a) Aquele prisioneiro que fosse forçado a sair da caverna, só depois de muito tempo, depois aliás de passar uma noite inteira, poderia, o dia seguinte, se acostumar com a luz do Sol e enxergar o próprio Sol. Vejamos: "Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar, olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos homens e dos outros objetos, refletidas na água, e, por último, para os próprios objetos. A partir de então - continua Sócrates -, seria capaz de contemplar o que há no céu, e o próprio céu, durante a noite, olhando para a luz das estrelas e da Lua, mais facilmente do que se fosse o Sol e o seu brilho de dia. (...) Finalmente, julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar..." (516a-b) (Meus grifos) Segundo a Dra. Chaui, as coisas se passam de outro modo. Uma vez libertado, seu prisioneiro já enxerga a fogueira que é o próprio Sol: "Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a própria luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela." Temos, então, esta sui generis alternativa: ou Sol está lá dentro, por ser a própria fogueira, ou a fogueira está de fora, por ser o próprio Sol!

O mito da caverna é, sem dúvida, a passagem mais reproduzida e explicada em toda a história da filosofia. Não há aluno nessa área que não tenha sido obrigado a ler ou a escutar uma aula sobre o que Platão quer dizer com ele. Como o próprio leitor pode notar, não há nenhuma dificuldade em compreender o que Platão diz nem em visualizar o interior da tal caverna, o fogo, o caminho, o muro e, do outro lado do muro, acorrentados e olhando para o fundo da caverna, os prisioneiros. Como é possível afirmar que a fogueira é o próprio Sol? Que espécie de sortilégio faz aparecer gerações de prisioneiros? Por geração espontânea talvez? Será que os alunos do Departamento de Filosofia da prestigiosa Universidade de São Paulo são expostos unicamente a esta versão esdrúxula de uma das passagens mais conhecidas e menos problemáticas do pensamento ocidental? A resposta é "não". 

Depois veremos que, nas mãos da autora de Convite à filosofia, o heliocentrista e copernicano Kant se torna - mais um milagre - ptolemaico e geocentrista, isto é, sua mesmíssima antítese.

Se tudo isso é um convite à filosofia e ao templo do saber, Deus livre os jovens de seus anfitriões!

Gonçalo Armijos Palacios aponta erros de Chaui: "Convite à falsificação I"

Gonçalo Armijos Palacios
Filósofo, professor da Universidade Federal de Goiás.
Opção (Goiânia), 4 nov. 2001

O veto presidencial do projeto de introdução da filosofia no ensino médio deve levar-nos a algumas reflexões necessárias. Em primeiro lugar: deve ou não a filosofia ser ministrada para adolescentes? A resposta positiva costuma vir com uma justificação: a filosofia deve ser ensinada aos jovens porque ela ensina a pensar criticamente. 

A filosofia, lamentavelmente, é uma das disciplinas menos compreendidas, tanto pelo leigo como por quem diz que a conhece. A lógica, costuma-se dizer, ensina a pensar e a filosofia ensina a pensar criticamente. Das duas afirmações, a primeira é absurda e a segunda é falsa. Para ensinar lógica precisamos, obviamente, que quem vai aprender tenha um mínimo de capacidade intelectual e, portanto, que já saiba pensar. Não digo isto de uma perspectiva exterior à lógica. Estudei lógica formal e lógica matemática e ministrei aulas de lógica formal, lógica informal e lógica matemática. E nunca me passou pela cabeça a peregrina idéia de que ia ensinar a pensar àqueles que estavam na minha frente, pois eles, precisamente, tinham as condições de entender o que eu ia dizer. A lógica formal não ensina a pensar, ensina as formas em que nós, os humanos, costumamos pensar, tanto quando raciocinamos corretamente quando o fazemos incorretamente. A lógica matemática ensina processos mais complexos de demonstração que jamais um indivíduo emprega ou chegaria a empregar no seu dia-a-dia. 

Passemos à suposta característica de a filosofia ensinar a pensar criticamente. Esta afirmação parte daquela falsa imagem do filósofo como de alguém tão afastado dos assuntos humanos que não teria esse apego que as pessoas comuns têm por aquilo em que acreditam. Assim, dois filósofos, argumentando racionalmente, chegariam às conclusões mais lógicas e, portanto, à verdade — mesmo que esta verdade contradiga posicionamentos anteriores. Nada mais afastado da verdade. É só dar uma olhada rápida na filosofia para ver que não é assim. Os filósofos dificilmente se afastam das teorias que defendem. E isto pela simples razão de serem poderosas as razões que os levaram a defender suas teorias. Para citar um único exemplo: todas as evidências do mundo não foram suficientes para convencer Zenão de que o movimento existe! Zenão fincou pé e defendeu a tese de Parmênides com os mais sofisticados paralogismos. Cadê a atitude crítica? Não há nada que indique que Zenão abandonou suas posições. 

Deixemos de lado a tese falsa de que a filosofia ensina a pensar criticamente para perguntar se o mesmo é exigido de alguma outra disciplina. A física ensina a pensar criticamente? A matemática? A biologia? O que a física, a matemática e a biologia ensinam não é mais do que os resultados aos quais físicos, matemáticos e biólogos chegaram. O papel dos professores de física, matemática e biologia deveria ser o de ensinar aos alunos não só os resultados finais aos quais os cientistas chegaram, mas como eles chegaram aos resultados que obtiveram. De maneira análoga, se alguma coisa os professores de filosofia poderiam mostrar aos alunos é como os filósofos chegaram aos seus. Isso mostraria aos alunos quão diferentes foram as motivações, os problemas e os métodos usados pelos vários cientistas e filósofos. Mostraria, entre outras coisas, como cientistas e filósofos divergem e se opõem. Poria em claro, não a inexistente unidade temática, problemática e metodológica na ciência e na filosofia, mas sua pluralidade e diversidade. Mostraria, já na filosofia, que dificilmente encontraremos dois filósofos que concordem sobre o que é a própria filosofia. 

Quando cursei o segundo grau tive matérias filosóficas, ética e lógica, assim como filosofia. Penso que foi muito bom para mim ter tido, já naquela idade, contato com alguns dos infindáveis problemas e enfoques filosóficos. E quero frisar: infindáveis. São tantos os problemas e tão diversos os enfoques que mesmo o mais erudito os desconhece. É por isso que a filosofia é inesgotável e aberta, apesar de todas as definições com que obstinadamente muitos a querem desvirtuar. Mas tive a sorte de não ter sido patrulhado ideologicamente e meu professor não seguia um manual de filosofia escrito para oligofrênicos. 

Posso estar enganado, mas uma das conseqüências da ditadura militar foi ter empurrado os intelectuais a abraçar o marxismo. Poderiam ter sido motivados a ler Marx, mas sempre é mais fácil ler os manuais de divulgação. E muito me temo que é a pior das vulgarizações e deformações do pensamento de Marx que circula por aí em assembléias, artigos e manuais. Conheço a história da filosofia não por ouvir falar, mas pela leitura das fontes. E fiquei espantado quando li um dos manuais que aparentemente é o mais usado no ensino médio. 

Trata-se do texto Convite à Filosofia (São Paulo : Ática, 1995) de uma das mas conhecidas figuras da academia filosófica brasileira, Marilena Chaui. O manual é um eivado de afirmações, umas inexatas, outras falsas, muitas completamente descontextualizadas e outras francamente ridículas. Na página 12, por exemplo, se diz que Sócrates “afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: ‘Só sei que nada sei’”. Sócrates jamais fez semelhante afirmação. E a autora não diz as circunstâncias em que a frase “só sei que nada sei” foi dita. Mas peço ao leitor atenção: uma coisa é afirmar ‘a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer só sei que nada sei’ — nunca proferida por Sócrates — e outra completamente diferente dizer apenas ‘só sei que nada sei’. Isto último, sim, foi dito por Sócrates — mas perceba-se que nada se diz sobre ser a primeira e fundamental verdade filosófica. A autora não diz o lugar em que podemos encontrá-la. A afirmação se encontra nas primeiras páginas da Apologia de Sócrates, escrita pelo seu discípulo Platão, e não deixa lugar a dúvidas sobre o que significa. Sócrates afirma aí que um amigo, Carefon, perguntou ao oráculo de Delfos se havia alguém mais sábio que Sócrates. A resposta foi que “ninguém é mais sábio que Sócrates”. Este conta que ficou perplexo ao saber o que o oráculo tinha dito porque não se considerava sábio. Ora, por outro lado, o deus não podia estar mentindo ao fazer semelhante afirmação. Sócrates, então, se viu na necessidade de interpretar o que o oráculo dizia e chegou à conclusão de que, à diferença de muitos que diziam saber muitas coisas que no fundo não sabiam, ele, Sócrates, era ciente da sua ignorância. Sua sabedoria, portanto, consistia em reconhecer que nada sabia. Era isto que o tornava mais sábio do que os outros. Este é contexto da expressão ‘só ei que nada sei’ e nada há no texto de Platão que indique que Sócrates tenha feito a outra afirmação: “a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer [sic] ‘eu sei que nada sei’”. 

Fiquei surpreso, contudo, quando no final da Introdução li: “O primeiro ensinamento filosófico é perguntar: O que é útil? Para que e para quem algo é útil? O que é o inútil? Por que e para quem algo é inútil?”! Se partimos do suposto que os ensinamentos filosóficos são feitos pelos filósofos, é de se imaginar que essas perguntas tenham sido feitas por algum filósofo antigo. Como, segundo a autora, tais perguntas formam parte “do primeiro ensinamento filosófico”, é óbvio que os primeiros filósofos devam ter sido os que as fizeram. Mas é claro que não há nada nos primeiros filósofos (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Xenófanes, Heráclito ou Parmênides) que indique que eles tivessem tais preocupações utilitárias ou proposto algo parecido com o utilitarismo. “Qual é o princípio de todas as coisas” — que é a pergunta dos três primeiros filósofos gregos — não tem absolutamente nenhuma relação com preocupações utilitárias. A pergunta, aliás, está mais para o pragmaticamente inútil do que para o útil. Mas, note-se, como poderíamos relacionar “a primeira e fundamental verdade filosófica”, que é, segundo a autora, “eu sei que nada sei”, com o “primeiro ensinamento filosófico” que consistiria em “perguntar” “o que é útil”, “para que e para quem algo é útil” etc.? É óbvio que o primeiro ensinamento filosófico deve estar relacionado à primeira e fundamental verdade filosófica. Que relaciona o problema da utilidade com a douta ignorância de Sócrates? Nada, naturalmente. E, por último, por que nem o “primeiro ensinamento filosófico” nem a “primeira e fundamental verdade filosófica” se encontram nos fragmentos deixados pelos filósofos pré-socráticos, isto é, pelos verdadeiros primeiros filósofos? Grande mistério. 

A essas pérolas juntam-se outras que mencionarei nos próximos artigos. Mas, adianto uma delas. Segundo a autora — pasmem — “a física dos átomos revelou ... que não podemos saber as razões pelas quais os átomos se movimentam, nem sua velocidade e direção, nem os efeitos que produzirão”! Que tal? O que o aluno aprende na aula de física, desaprende na de filosofia! Um verdadeiro convite à falsificação...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Editorial Estadão: a USP dá exemplo para o Brasil seguir


José Nêumanne Pinto

Os estudantes e sindicalistas de extrema esquerda que se rebelaram contra a presença da Polícia Militar (PM) no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), sem querer, e o reitor da instituição, João Grandino Rodas, no pleno e voluntário exercício da autoridade de que foi investido, estão fazendo história.

O episódio é notório e recente, mas convém resumi-lo para a argumentação ficar clara: em maio, no ápice de estupros, assaltos relâmpago e outras atitudes violentas de bandidos que se aproveitavam da falta de policiamento nos espaços vazios da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, um estudante foi morto num assalto. A direção da universidade houve por bem firmar convênio com a PM para substituir com soldados fardados da corporação os poucos e desarmados agentes de segurança própria. Ruminando seu ódio contra a presença de agentes da lei num território que consideram, se não fora, no mínimo, além da lei, funcionários, docentes e estudantes filiados a grupos de extrema esquerda encontraram num caso isolado motivo suficiente para armar um fuzuê e tentar forçar a saída dos policiais de uma área pública da qual se acham donos. Três alunos foram flagrados fumando maconha e isso deu origem à ocupação de um prédio administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), invasão depois estendida à Reitoria. Expulsos pela PM cumprindo ordem judicial, os invasores foram levados à delegacia e libertados sob fiança.

Na semana passada, o professor de Filosofia Contemporânea Carlos Alberto Ribeiro de Moura reprovou por faltas 60 alunos que não compareceram ao número regulamentar de aulas para engrossarem o coro dos rebeldes descontentes na greve de novembro. E, pela primeira vez em dez anos, a USP expulsou seis alunos que, sob idêntico pretexto de protesto, ocuparam salas da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) dizendo reivindicar melhoria nas condições de moradia e aumento do número de vagas no Conjunto Residencial da USP (Crusp), na mesma Cidade Universitária, no ano passado. Tanto em 2010 como no mês passado, os pretensos rebeldes quebraram computadores, destruíram prontuários e depredaram os prédios invadidos, construídos e mantidos com dinheiro público.

Como era de esperar, os dirigentes de centros acadêmicos e sindicatos de funcionários acusaram o reitor Rodas de perseguição política, classificando as expulsões de "autoritárias" e as reprovações impostas por Moura, de "intempestivas". As acusações baseiam-se em confusão idêntica àquela com a qual pretenderam confundir a presença da polícia para garantir a vida das pessoas e exercer a força legítima em nome do Estado Democrático de Direito com ocupações manu militari da época da ditadura. Agora o argumento mentiroso é que as expulsões foram baseadas num regimento introduzido por decreto durante o mesmo regime arbitrário. O regimento, na verdade, data de 1990, sob a égide da Constituição de 1988 e de um presidente eleito democraticamente.

A mistificação tem o mesmo objetivo cínico de jogar areia nos olhos do cidadão comum, que sustenta com muito sacrifício os privilégios usufruídos pelos estudantes da USP e tem como recompensa por isso a destruição de prédios e equipamentos comprados com seu dinheiro e tendo muitas vezes de pagar escola particular para os próprios filhos. Os invasores dos prédios em novembro usaram a desfaçatez deslavada de considerar instrumento de tortura os ônibus em que foram transportados para a delegacia e tiveram a caradura de se dizer "presos políticos" durante as poucas horas em que foram fichados pela Polícia Civil antes de serem liberados sob fiança bancada pelos sindicatos de servidores da USP. Ou seja, por mim e por você, leitor, pois tais sindicatos, como quaisquer outros, vivem do imposto sindical arrecadado de um dia de trabalho de todo portador de carteira assinada no Brasil, sindicalizado ou não. Isto é: os baderneiros que se amotinaram para deixar o câmpus "sagrado" livre para a atuação de estupradores, assaltantes, assassinos e traficantes de entorpecentes destruíram patrimônio adquirido com o suor do cidadão, inclusive o mais pobre, e foram soltos sob fiança desembolsada por todos os trabalhadores.

Nem todos os 73 desalojados dos prédios ocupados estavam matriculados na USP. Cabe à autoridade informar à sociedade o que fazia em tais edifícios gente alheia à atividade acadêmica fingindo protestar em defesa dela.
Convém lembrar que quadrilheiros do crime organizado de facções como o Comando Vermelho (CV), no Rio, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, aprenderam nos cárceres em que a ditadura os misturou com presos políticos o emprego da definição de "preso político" para conquistarem a simpatia da população e o beneplácito da autoridade. Os estudantes e seus agregados na invasão não são os primeiros nem serão os últimos a recorrer ao eufemismo como tábua de salvação.

Portanto, as atitudes exemplares do professor Carlos Alberto Ribeiro de Moura e do reitor João Grandino Rodas não apenas restauram a autoridade da administração de uma instituição de ensino e pesquisa que já foi mais respeitada. Elas também deveriam servir de exemplo em outros ambientes institucionais nos quais a leniência quanto ao cumprimento da lei e o relaxamento da ordem põem em xeque o conceito fundamental da democracia, que é o da igualdade de todos perante a norma jurídica. Nesta República do vale-tudo para alguns e onde nada podem quase todos, políticos são autorizados a movimentar caixa 2 em campanha eleitoral, o que não é permitido a cidadãos comuns na escrita de suas contas. A punição a quem cabulou aulas e destruiu equipamentos na USP deveria servir de ponto de partida para atitudes semelhantes no exercício da política e na gestão pública.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A USP, a Folha e a ralé de plantão - Repercussão do artigo de Olavo de Carvalho na Folha deste domingo

RETIRADO DE JUVENTUDE CONSERVADORA UNB,

Uma das coisas mais peculiares do Brasil, sobretudo dos alardeados "formadores de opinião" -- estejam eles em grandes veículos de comunicação ou em pequenos blogs desconhecidos --, é que poucos, muito poucos, são verdadeiramente analistas da situação em que vivemos. Suas preciosas opiniões são normalmente construídas sobre raciocínios sofismáticos que, desde muito tempo, tem sido repetidos à exaustão, martelados como verdades incontestes. E, bom, acaba que eles realmente se tornam verdades incontestes, bem ao estilo goebbelsiano.

Um grande problema dessas criaturinhas rastejantes é que, quando contestadas por alguém que consegue enxergar além dessa trama de delírios que constitui sua verdade fundamental, são incapazes de defender seu ponto de vista com propriedade. Parece que a argumentação lógica do outro aciona dentro delas um mecanismo de defesa, qual besta acuada: baba, rosna, eriça os pêlos e arreganha os dentes num esgar ameaçador. Mas não se enganem. Essa reação não é voltada apenas para a pessoa que contestou suas verdades, mas, antes de tudo, uma admissão inconsciente de sua patente incapacidade de reagir à altura.

Hoje, me deparei com um texto intitulado "Olavão foge do hospício e aparece na Folha", de um sujeito chamado Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho. Cheguei até esse texto através do Correio do Brasil, que o replicou do Blog do Miro, sendo ambos folhetins esquerdistas de quinta categoria que não se prestam a nada além de ruminar ideologias falidas e desfiar infinitas loas pegajosas ao governo federal. Mas isso não vem ao caso, e sim o texto do Sr. Miguel do Rosário.

Do que se pode inferir de seu início, o texto pretendia ser uma crítica ao artigo "A USP e a Folha", escrito pelo professor Olavo de Carvalho e publicado no jornal Folha de S. Paulo. Entretanto, não se deixe enganar pelo começo do opúsculo do Sr. Miguel do Rosário: não há, numa só linha de seu texto, qualquer crítica ou contraponto ao texto do professor Olavo -- a não ser que qualificar alguém de "esquizofrênico", "doente mental", "fascista" e "crápula" sirva como argumento. O Sr. Miguel do Rosário não fornece uma única evidência que conteste ou contradiga as informações que constam no artigo do professor Olavo, preferindo concentrar toda a sua mal-estruturada verborragia em ataques ad hominem destemperados.

Isso não é de surpreender, entretanto. Nas últimas décadas, a esquerdalha intoxicou-se a tal ponto com a idéia de sua pretensa superioridade moral que, de maneira geral, perdeu a capacidade de argumentação -- ainda que fosse uma argumentação erigida sobre uma pseudo-ciência natimorta. Ainda era possível, há algum tempo, encontrar gente da esquerda que, envolvida em algum entrevero ideológico, debatia com o adversário interpondo argumentos (não estou aqui analisando seus méritos ou validades) desenvolvidos pelos principais ideólogos de sua corrente política -- Marx, Gramsci, Althusser, Horkheimer, dentre outros. Hoje, como bem colocou o ex-ministro Nelson Jobim, os idiotas perderam a modéstia. Não julgam mais necessário sequer ler os folhetins intelectualóides que alicerçam sua fanática crença. Aliás, é difícil encontrar algum deles que saiba ler, seja o que for.

Merece destaque, no tocante à imbecilidade do Sr. Miguel do Rosário, citar um e-mail enviado pelo professor Olavo de Carvalho à Folha de S. Paulo, em 15 de maio de 2000, acerca de cartas que, à semelhança do texto do Sr. Miguel do Rosário, não passavam de algaravias ofensivas e baixas:
A constância obsessiva com que expressões de repugnância física - asco e desejos de vômito - aparecem nos protestos das pessoas que me odeiam é para mim um motivo de lisonja e satisfação. Assinala que, diante dos meus escritos, essas criaturas se vêem privadas do dom de argumentar. Paralisada a sua inteligência pela obviedade do irrespondível, vem-lhes o impulso irrefreável de uma reação física. Já que lhes arranquei a língua, querem sair no braço. Mas, como bater em mim seria ilegal e ademais as exporia à temível possibilidade de um revide, a última saída que lhes resta é voltar contra seus próprios corpos o sentimento de raiva impotente que as acomete, donde resulta todo um quadro sintomatológico de diarréia, tremores, cólicas e convulsões. Não suportando passar sozinhas por tão deprimente experiência clínica, apressam-se então em registrá-la por escrito e publicá-la na Folha de S. Paulo, na esperança de que alguém mais forte, revoltado ante a exibição de tanto sofrimento, dê cabo do malvado autor que as deixou nesse estado miserável.
Ironicamente (ou não), ao pretender atacar virulentamente o professor Olavo, o Sr. Miguel do Rosário apenas referendou as palavras acima. Os idiotas podem ter perdido a modéstia, mas certamente ainda têm alguma serventia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Disse que não voltaria a falar sobre a USP, mas não resisti.



As palavras de uma "mamãe" não poderiam me deixar calado:

“Os covardes foram com coturnos para tirar 70 coelhinhos que estavam dormindo. Estudante briga, depois fica em paz”

O poço de 'inteligência' ainda disse mais:

"“Saidinha de banco não tem só na USP, tem todo dia, em qualquer lugar. Foi uma fatalidade”. Com esta frase, Nicéia Cardoso de Souza, de 57 anos, resume sua posição em relação à morte de Felipe Ramos de Paiva, 24 anos, assassinado no campus da Universidade de São Paulo em maio passado. O filho de Nicéia, de 22 anos, foi um dos presos na última quarta-feira, após uma semana de ocupação da reitoria, ato de protesto para pedir a retirada da Polícia Militar da Cidade Universitária. Para Nicéia, não deveria ter sido usado o aparato da Tropa de Choque da PM contra os estudantes." 



Covardes?

Cara senhora, os policiais não são covardes não, a grande maioria são pais de família, que pagam a farra do seu filho na USP, que arriscam suas vidas para garatir as nossas e a nossa segurança; policiais estão incumbidos de garantir a prática da lei, minha senhora, eles não estão nem acima tampouco abaixo das leis, tal como seu (sic) 'coelhinho' e a ninhada de 'coelhinhos' amigos do seu filho. Os policiais fizeram aquilo que são pagos para fazer: garantir a máxima efetivação da lei no território paulista.

Coturnos?

Não minha filha, os policiais não calçavam coturnos não, eles calçavam sapatilhas para dançar balet clássico. 

Coelhinho?



Coelhinho usa coquetel Molotov? Agride e fere policiais, homens da lei? Coelhinhos consomem maconha e sabe-se-lá mais o quê? Coelhinhos militam em favor de sistemas políticos praticamente jurássicos, falhos sempre que postos em prática? São financiados por partidecos como o PCO? São orquestrados por professores frustrados academicamente?

Ah, me poupe. Alguém para essa bagaça que eu quero descer.

Impressões finais sobre a USP



Não vou mais empregar** meu precioso tempo (seria como deixar de ler Flaubert para ouvir Lula) tratando de uma parcela INSIGNIFICANTE de 'alunos'. Dum universo de 90.000, se 1000 estiveram envolvidos nisso são felizardos. O que me chateia é que a fama recai toda sobre toda a FFLCH, e sobre todos os seus alunos em especial, sobre os futuros 'filósofos' (a safra tem sido excelente, não?).






Isso é motivo mais que suficiente para a permanência da polícia no campus. Quem não deve não teme. Já pensaram se a polícia perde essa briga e todos os usuários decidem migrar para a USP? Seria a consequência imediata, afinal ela tem leis próprias que não se aplicam ao restante da cidade/país, apreender as drogas e fichar os drogados é "repressão" do estado opressor.

Os 'estudantes' que protestaram, deveriam estudar mais, parar de torrar as bolsas do CNPq, Capes e FAPESP com álcool e drogas, e deixá-las pra quem sonha em estudar na USP. Parar de bancar o militante socialista/comunista enquanto usa roupas e acessórios de marca, carros do ano etc. Parar de enlamar a imagem da Filosofia e das Humanidades em geral, após espetáculos dantescos como estes, naturalmente associadas a arruaça e movimentos sem causa ou com causas imbecis.

Que tal militarem por milhares de causas que valem a pena? A estrutura física da FFLCH, a democratização/acessibilidade da USP, ah não, eles pensam no próprio umbiguinho, nos direitinhos individuais medíocres deles...

***



** em muito breve escreverei uma pequeno comentário sobre o nível que a organização Liga Humanista Secular do Brasil, expressa pelo site Bule Voador atingiu, nível de panfletagem esquerdista braba. (o que, po exemplo, já levou, por exemplo, o Ceticismo Aberto a remover qualquer associação entre as siglas)  Fiz um comentário contra um textículo ridículo postado na página do Facebook da associação (a qual tenho e mantenho certa simpatia), bem o comentário foi sumariamente apagado, e fiquei inabilitado de escrever na página da Associação. Explicarei o tom da conversa num post futuro, falando da comum e errônea associação entre ateísmo e esquerdismo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Olavo de Carvalho na Folha deste domingo (13/11/2011), espinafrando a própria.


Nos anos 1930-1940, quando a USP ainda estava se constituindo administrativamente e o espírito dessa comunidade se condensava na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a luta dos estudantes contra a ditadura getulista expressa o anseio de uma ordem constitucional democrática, como viria a ser proposta consensualmente em 1945 pelas duas alas da UDN, o conservadorismo cristão e a esquerda democrática.


O suicídio de Getulio Vargas e o recrudescimento espetacular do getulismo na década seguinte afetam profundamente a mentalidade uspiana, que, num giro de 180 graus, adere ao discurso nacional-progressista, em que a ênfase já não cai no culto das liberdades democráticas, mas nos programas sociais nominalmente destinados a erradicar a pobreza, ainda que ao custo do intervencionismo estatal crescente.

Surge nessa época o mito da "camada mais esclarecida da população", que, se conferia aos estudantes o estatuto de guias iluminados da massa ignara, ao menos lhes infundia algum senso de gratidão e de responsabilidade.

Nos anos 1960, o nacional-progressismo uspiano transmuta-se em marxismo explícito, com a adesão maciça do estudantado à revolução continental orquestrada em Cuba.

As correntes liberais e democráticas desaparecem, só restando, como simulacro de pluralismo, as divisões internas do movimento comunista: stalinistas, trotskistas, maoístas etc.

Nas duas décadas seguintes, a esquerda internacional, sob a inspiração da "New Left" americana (herdeira da Escola de Frankfurt), vai abandonando as formulações marxistas dogmáticas para ampliar a base social do movimento, absorvendo como forças revolucionárias todas as insatisfações subjetivas de ordem racial, familiar, sexual etc., muitas das quais a alta hierarquia comunista condenava como irracionalistas e pequeno-burguesas.

Ao mesmo tempo, no Brasil, a derrota das guerrilhas abre caminho à adoção da estratégia gramsciana, que integra como instrumentos de guerra cultural o "sex lib", a apologia das drogas e a legitimação da criminalidade como expressão do "grito dos oprimidos".

O fracasso do modelo soviético acentua ainda a flexibilização do movimento revolucionário, com o abandono da hierarquia vertical e a adoção do modelo organizacional em "redes".

Bilionários globalistas passam a patrocinar movimentos esquerdistas por toda parte, de modo que rapidamente o discurso agora chamado "politicamente correto" se erige em opinião dominante, inibindo e marginalizando toda oposição conservadora ou religiosa, que se refugia em grupos minoritários cada vez mais desnorteados ou entre as camadas sociais mais pobres, desprovidas de canais de expressão.

Os efeitos desse processo na alma uspiana foram profundos e avassaladores: consagrados como representantes máximos do novo ethos global, os estudantes já não têm satisfações a prestar senão a seus próprios impulsos e desejos.

O jovem radical ególatra, presunçoso e insolente, a quem todos os crimes são permitidos sob pretextos cada vez mais charmosos, tornou-se o modelo e juiz da conduta humana, a autoridade moral suprema a quem o próprio consenso da mídia e do establishment não ousa contrariar de frente, sob pena de se autocondenar como reacionário, fascista, assassino de gays, negros e mulheres etc. etc. etc.

Há quem reclame dos "excessos" cometidos por aqueles jovens, mas a expressão mesma denota a queixa puramente quantitativa, a timidez mortal de contestar na base uma ideologia de fundo que é, em essência, a mesma de deputados e senadores, professores e reitores, ministros de Estado e empresários de mídia -a ideologia de todo o establishment, de todas as pessoas chiques.

A ideologia, em suma, da própria Folha de S.Paulo.

sábado, 12 de novembro de 2011

Estudantes, os eternos inimputáveis

Por Juventude Conservadora UnB,

itálicos meus

Um grupo de três universitários é abordado pela polícia na frente da faculdade em que estudam, dentro do campus. Os policiais enquadram os estudantes, que, sem resistência (ênfase aqui, os três não impusseram resistência à ação policial) são conduzidos à viatura policial de modo a serem levados para a delegacia. Outros estudantes, que acompanham de perto a cena, decidem reagir a essa aparente arbitrariedade da força de segurança pública e atacam os policiais (polícia truculenta e repressora, oh deus!) com paus e pedras, ferindo três deles. Tendo rechaçada a atuação da equipe policial, os bravos rebeldes invadem o prédio administrativo da faculdade e exigem que a polícia seja expulsa do campus universitário alegando que sua presença reprime a organização política dos estudantes e representa uma ameaça às suas liberdades civis.

Se estivéssemos durante o afamado Maio de 1968, essa cena seria corriqueira e, é provável, contaria com um grande apoio, tanto dentro quanto fora da universidade. Afinal, cenas de jovens idealistas, movidos romanticamente por concepções de mundo “progressistas” e “libertárias”, sendo combatidos por policiais uniformizados, armados de cassetetes, munidos de escudos e, por vezes, montando cavalos ou trazendo a tiracolo cães treinados, são imagens de fortíssimo apelo emocional. Não é preciso nenhum pingo de senso crítico, de análise minudente ou de raciocínio lógico para se construir o conceito de que a juventude está se manifestando legitimamente contra as iniqüidades do Sistema e que, vitimadas pelo autoritarismo dos cruéis aparatos de repressão do Estado, tem a sua liberdade violada, cerceada, aniquilada sem dó nem piedade.

Carros viram barricadas para parisienses em 1968.

Entretanto, esse quadro romântico, a um só tempo belo e maldito, por mais sedutor que seja, não encontra eco na realidade sob qualquer perspectiva. As concepções de mundo daqueles estudantes eram tão “libertárias” quanto os campos de reeducação de Cuba, as execuções da Revolução Cultural chinesa e a fome provocada pelo governo soviético na Ucrânia. Prédios foram invadidos, patrimônio público e privado foi depredado, e “acadêmicos” apologéticos de sistemas coletivistas, regimes supressores da liberdade e da dignidade humanas, foram alçados à condição de potentados da intelligentsia pós-moderna -- Herbert Marcuse, Louis Althusser, Max Horkheimer e outros.

O mito de 1968 persiste na mentalidade universitária brasileira de um modo surpreendentemente (ou não) insistente. Adicionado a isso, tem-se visto um ingrediente interessante nessas manifestações estudantis: a exigência da inimputabilidade. A lógica que se tenta vender é a mesma de antes, a de que as causas e os métodos não são apenas legítimos, mas moralmente superiores. As pessoas envolvidas nesses protestos costumam também ser do mesmo tipo daquelas de 1968 -- jovens de classe média-alta, cujas vontades sempre foram imediatamente supridas pelos pais e que, na falta de necessidade de alguma atividade produtiva, podem dedicar seu tempo a uma inócua masturbação pseudo-intelectual com teorias que recendem naftalina.

A invasão ao prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, em seguida, à reitoria da USP, mostra isso com clareza. Além disso, essas ações mostram uma natureza profundamente antidemocrática. Afinal, onde está a defesa da liberdade na manobra rasteira de manipulação de uma votação em assembléia para justificar o seqüestro de um prédio público? Onde está a tolerância quando jornalistas são agredidos fisicamente? Onde está a legitimidade de uma manifestação -- que teve como motivação primeira a indignação por não se poder fumar maconha impunemente -- conduzida por pessoas que, como membros de uma facção criminosa que se rebelam dentro da penitenciária, picham muros, arrebentam portas e preparam um pequeno estoque de combustível e coquetéis molotov?

Os 'livros' dos 'estudantes' ocupadíssimos que nos salvarão do malvado capitalismo e do imperialismo. Armas contra a fortíssima 'repressão' feita pela polícia.




Mas possuir essa estirpe de estudante não é prerrogativa exclusiva da USP. A Universidade de Brasília possui uma boa cota de universitários profissionais que, sustentados pelos próprios pais (ora coniventes, ora alheios às atividades dos filhos) ou por partidos políticos, defendem bandeiras “progressistas” com métodos nada democráticos. Durante a votação do Código Florestal, numa sessão conjunta da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária com a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal, um grupo de estudantes achou de bom alvitre colar cartazes nos corredores e gritar palavras de ordem para tumultuar a sessão. Com a aprovação do código, os manifestantes impediram a passagem dos senadores e, ao tentarem ser contidos pela Polícia Legislativa, principiaram um tumulto. Um dos estudantes -- que havia tentado livrar um amigo que chamara um dos os policiais de “ladrão” e estava sendo detido por desacato – foi imobilizado por agentes de segurança e, ao resistir à prisão com socos e pontapés, acabou paralisado por um tiro de pistola elétrica.

O reitor da UnB, o Grande Timoneiro José Geraldo, decidiu inquirir o presidente do Senado, o temível voivode José Sarney, sobre o incidente. Segundo o reitor, a detenção do estudante “aparentemente viola as regras estabelecidas em normativas internacionais sobre uso de força e proteção aos direitos humanos por agentes públicos, relativamente a qualquer ato que possa ser configurado como tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante, ou que aplique meios excessivos em face de outras técnicas que permitam, se necessário, contenção”. O senador Sarney, por sua vez, afastou o policial que paralisou o rapaz e, em nota, disse que “o Senado Federal jamais tolerará violência ou qualquer tipo de abuso contra aqueles que se dirigem à Casa para defender suas idéias democraticamente”. Exatamente: tentar atrapalhar uma sessão pública, constranger senadores no exercício de sua função e recorrer a agressão e desacato significa “defender suas idéias democraticamente”. Nesse quesito, tanto o voivode maranhense quanto o Grande Timoneiro da UnB parecem concordar plenamente.

Responsabilidade individual, para essas pessoas, não passa de uma tergiversação autoritária que visa a solapar o sacramentado direito de fazer o que se bem entende de maneira completamente inconseqüente. É coisa de reacionários conservadores, essa espécie de gente anacrônica e sem escrúpulos que nada contra a maré progressista, insistindo em defender valores ultrapassados como respeito, tolerância e liberdade.