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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O problema da definição – como a política de cotas PODERIA colapsar

Por André,

Em janeiro de 2014 escrevi um texto chamado “O problema da definição. Como a política de cotas poderia colapsar”, cuja profecia estava correta em sua essência, mas falhou devido a minha pouca fé na loucura humana com motivações ideológicas.

Segue o texto, com comentários novos e frescos logo na sequência:

“Também circulou por esses dias na internet um vídeo de um sujeitinho muito tosco (custei a acreditar que a história do vídeo era real) chamado Craig Cobb e tido como “supremacista branco”, onde o próprio está num programa de TV em que, após ser submetido a um teste de DNA, descobre que tem uma porcentagem razoável de ascendência africana, jogando sua “branquitude” pura por água abaixo:

Segue em Burke Instituto Conservador:

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Avançam os tribunais raciais no Brasil

Por André,



Em 2014 eu escrevi um texto (https://goo.gl/wFsAVs) afirmando que cedo ou tarde a política de cotas colapsaria e encontraria seu fim. Meu argumento era simples e se mostrou parcialmente correto: as pessoas AUTODECLARAM seu pertencimento a determinada raça e então se beneficiam de cotas raciais. Como autodeclaração é, por definição, subjetiva, pessoas não-negras poderiam se declarar negras e se beneficiar; assim que muita gente percebesse isso, todos se autodeclarariam negros (algo não completamente errôneo considerando o grau de miscigenação do brasileiro comum) e fariam a ideia de cotas perder sentido.

Estava implícito no meu argumento que a política de cotas colapsaria porque o Estado não ousaria instituir um tribunal racial para conferir se os autodeclarados negros eram de fato negros ou não. Nesse aspecto, minha previsão se mostrou falha (será que os burocratas já montaram uma tabelinha lombrosiana para avaliar tamanho do crânio, nariz, lábios, dentes, tipo de cabelo etc. etc para enquadrar alguém como negro ou não?).

Eis que hoje a maior universidade do Brasil declarou sua adesão à política de cotas:


Agora só resta aguardar pelo tribunal racial uspiano.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O problema da definição. Como a política de cotas pode colapsar

Por André,

O dia da "consciência" (aposto uma bagatela que o pessoal que arrota essa palavra a torto e a direito por esses dias não sabe uma linha sequer sobre o que é a consciência, conhecendo apenas seu significado mais pobre e ideológico) negra. Também circulou por esses dias na internet um vídeo de um sujeitinho muito tosco (custei a acreditar que a história do vídeo era real) chamado Craig Cobb e tido como "supremacista branco", onde o mesmo está num programa de TV e após ser submetido a um teste de DNA, o sujeito descobre que tem uma porcentagem razoável de ascendência africana:


A despeito da imensa estupidez do indivíduo, pensemos na seguinte conclusão, perfeitamente legítima e razoável: na medida em que este tem em torno de 20% de ascendência africana, pode ser considerado um "afrodescendente", certo? O depoimento genético é ainda mais firme que uma mera impressão visual ou uma declaração subjetiva.

Richard Dawkins em seu The Ancestor's Tale afirma uma obviedade: para um visitante alienígena não há diferença étnica visível entre Colin Powell ("afrodescendente") e George Bush ("caucasiano").
Enquanto asseguradamente afrodescendente, Craig Cobb poderia se beneficiar das políticas sociais e de ações afirmativas para negros?

Se não, qual seria a justificativa OBJETIVA para tanto? É afrodescendente e isso é um fato objetivamente atestado.

Se sim, por que simplesmente TODOS não podem se declarar afrodescendentes e se beneficiar das ações afirmativas? O percentual da população com 0,0% de ascendência africana deve ser mínimo; no Brasil talvez nulo (a composição étnica oferecida pela wikipédia indica 50,7% de negros e pardos, ou seja, afrodescendentes. Considerando as origens brasileiras e o caso Cobb, certamente a metade dos 47% de brancos "restantes" poderiam se declarar afrodescendentes de forma legítima).

E na verdade a coisa é ainda pior: se tudo é uma questão de se DECLARAR afrodescendente, sob quais bases (objetivas) seria rejeitada uma declaração em massa de afrodescendência? Qual a definição objetiva de "afrodescendência"? Colin Powell se encaixa nela? Obama? Os mulatos?

Como acredito que todas essas políticas são criadas com o exato propósito de falhar, pois seus proponentes são especialistas numa velha estratégia política: criar um caos e uma desordem tal que só o aumento de poder na mão deles próprios será capaz de sanar o problema, após anos de suas políticas, os problemas se mantém, só que muito mais graves que antes - as soluções são: mais Estado e o poder nas mãos dos "gênios" recém saídos dos departamentos de Humanas. Como afirma Thomas Sowell, exceto para exceções que confirmam a regra, um sujeito que recebe uma péssima educação a vida inteira, invariavelmente fracassará numa universidade de elite.

Um dos tentáculos dessa estratégia malévola é justamente esse: relativizar o direito o máximo possível. Ao fazer isso, o corredor para a corrupção se abre. Favores, indicações e coisas do tipo. Se o texto das leis for dúbio, a decisão passa exclusivamente para a mão dos juízes, que podem ser cooptados. É o caos instaurado.

Ver o implante de uma política evidentemente fadada ao fracasso separado de um quadro estratégico maior vai além da própria burrice: tanto de proponentes quanto de militantes.

Para quem quiser sair do senso comum universitário brasileiro sobre o tema, nunca é demais recomendar:

Thomas Sowell, que fez um estudo ÉPICO sobre o tema "ação afirmativa" ao redor do mundo:


E também Walter Williams, outro perito americano na matéria:





ADENDO DE 16/06/15:

Estourou na mídia americana o curioso caso de Rachel Dolezal, uma professora e militante do movimento negro que até então era considerada ela própria uma negra, mas que os pais resolveram revelar o verdadeiro genótipo da mulher. Segue a foto do antes e depois de Dolezal:



De certa forma meu texto inicial dessa postagem alertava que esse tipo de histeria se instalaria muito em breve. Na medida em que SENTIMENTOS passaram a ser o critério absoluto para questões como gênero e raça, o que impede qualquer um de se declarar membro da raça/gênero que bem desejar? Uma gorda parcela de cientistas sociais fez crescer essa bobajada pseudocientífica, o que se somou a uma longa marcha militante, particularmente da beatiful people - e também saída dos escritórios de "cientistas" sociais, para convencer a sociedade que no fundo no fundo todos nós somos racistas e preconceituosos e que devemos respeitar todo e qualquer sentimento das ditas minorias, inclusive sentimentos que firam a lógica, a razão, a física e a biologia.

No Brasil a discussão sobre cotas em universidades já está ultrapassada, as discussões hoje circulam muito mais em torno da hipótese da existência de cotas para praticamente todo e qualquer cargo público, o que implica a criação de um possível caos jurídico sem precedente. Se a exigência é por auto-declaração de pertencimento à raça X ou Y, quem vai contraprovar a auto-declaração (o que já destrói a própria noção de auto-declaração, se o critério for esse, cada um é livre para se autodeclarar o que bem entender) e como?

Conforme venho dizendo, pra mim isso é só a ponta do iceberg. Caso as coisas eventualmente melhorem (algo que não apostaria muitas fichas), ainda vão piorar bastante. Os casos dos chamados "justiçamentos sociais" estão apenas começando a emergir do mundo universitário para a realidade cotidiana. Como disse G.K. Chesterton, chegará um dia em que precisaremos provar às pessoas que a grama é verde. Esse dia chegou.

domingo, 28 de abril de 2013

Cotistas têm desempenho inferior entre universitários. A razão de Thomas Sowell

Por André,

Thomas Sowell, o historiador e economista americano (e negro), estudioso das ditas "ações afirmativas" na América e no mundo afirma: não é justo oferecer uma educação ruim tanto tempo (no caso do Brasil, do 1º ano do ensino básico ao 3º do ensino superior) e depois, forçosamente, colocar beneficiários de políticas afirmativas em uma universidade, para que então eles falhem.

Contradizendo a reportagem recém-divulgada da revista Isto É, a Folha de São Paulo mostra que cotistas têm desempenho inferior:


Alunos de graduação beneficiários de políticas de ações afirmativas, como cotas e bônus, têm apresentado desempenho acadêmico pior que os demais estudantes nas universidades públicas do país, mostram estudos recentes. 

 
As pesquisas também concluem que a diferença de notas perdura até o fim dos cursos e costuma ser maior em carreiras de ciências exatas. 

Universitários que ingressaram em instituições públicas federais por meio de ação afirmativa tiraram, em média, nota 9,3% menor que a dos demais na prova de conhecimentos específicos do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia cursos superiores no país. 

No caso das universidades estaduais, cotistas e beneficiários de bônus tiveram nota, em média, 10% menor. 

Os dados fazem parte de estudo recente dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da UFF (Universidade Federal Fluminense), com base no Enade de 2008, que pela primeira vez identificou alunos que ingressaram por políticas de ação afirmativa. 

Foram analisados os desempenhos de 167.704 alunos que estavam concluindo a graduação nos 13 cursos avaliados em 2008, como ciências sociais, engenharia, filosofia, história e matemática.
"Encontramos diferenças razoáveis. Não são catastróficas como previam alguns críticos das ações afirmativas, mas é importante registrar que existe uma diferença para não tapar o sol com a peneira", diz Waltenberg. 

Para ele, o desnível atual é um preço baixo a se pagar pela maior inclusão. Mas ele ressalta que, com a ampliação da política de cotas (que atingirão 50% das vagas das federais até 2016), é possível que o hiato entre as notas se amplie. 

EVASÃO MENOR
 
Pesquisa recente feita pelo economista Alvaro Mendes Junior, professor da Universidade Cândido Mendes, sobre o resultado de ações afirmativas na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revela que o nível de evasão entre os cotistas na universidade é menor do que entre outros estudantes.

Mas os dados levantados por ele --que acompanhou o progresso de alunos que ingressaram em 2005 em 43 carreiras-- confirmam as disparidades de desempenho.

O coeficiente de rendimento (média das notas) de alunos não beneficiários de ações afirmativas que se formaram até 2012 foi, em média, 8,5%, maior do que o dos cotistas. Em carreiras como ciência da computação e física essa diferença salta para, respectivamente, 43,2% e 73,2%.