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sábado, 7 de abril de 2018

Lula e Hitler

Por André,



Não sei se é pertinente ao momento essas comparações, tão corriqueiras e equivocadas (tempos de falácia ad hitlerum), mas crescem e/ou se solidificam como nunca as semelhanças entre Lula e Hitler:


- a megalomania desvairada ("não sou um homem, sou uma ideia");

- a crença de que será desabonado pela História;

- a crença na própria inocência que já ultrapassa o mero nível da mentira e ascende ao da psicopatia pura e simples;

- a capacidade de encantar a subclasse (e não as massas, como se faz crer) que o cerca.

- sua trupe, ao agredir jornalistas e civis que ousam se opor a ele se comportam de maneira IDÊNTICA (não é hipérbole, é idêntica mesmo!) à Sturmabteilung (SA), tropa de choque de rua do nazismo.

- pela triste ocasião da morte de seu neto de 7 anos por meningite, ao leito de morte da criança, Lula teve o disparate de dizer que se encontrará com o neto no céu e levará seu "diploma de inocência". Quem salvou a alma de Lula? Deus ou ele próprio, como Deus não deve ter conversado com Lula, em mais um arroubo de megalomania desvairada, o ex-presidente e atual presidiário concedeu salvação eterna a si próprio. Um herege aos olhos de qualquer cristão.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Texto profético de Martim Vasques da Cunha (2002): "A Geração Corrompida", acerca do legado do lulismo para o Brasil

Por Martim Vasques,

"Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. 
A nossa herança passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros. 
Órfãos somos sem pai, nossas mães são como viuvas. 
A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. 
Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços; estamos cansados, e não temos descanso.

"Lamentações de Jeremias", capítulo 5.

Em 2002, escrevi no site "O Indivíduo" as linhas abaixo. Exceto por algumas alterações circunstanciais que fiz agora para esta versão, nunca pensei que elas seriam tão proféticas:

"A partir deste domingo, dia 27 de outubro, provaremos que o Brasil é um país que adora cometer suicídio. Esta é a primeira conclusão que se chega, depois de saber que as últimas pesquisas indicam que Lula pode ser o próximo presidente da República. O suicídio, no caso, não é entregar o país nas mãos de um sujeito nitidamente despreparado e que fala cerca de quatro 'menas' em 2,4 minutos de discurso. É entregá-lo nas mãos do grupo que manipula esta marionete, um grupo que, graças às universidades públicas, aos jornalistas infiltrados em cada redação da mídia nacional e aos intelectuais que disparam as idéias mais absurdas nos ouvidos de estudantes límitrofes, jogaram o Brasil na vala da loucura coletiva.

É isso o que os brasileiros podem esperar se o PT ganhar as eleições: caos e desordem. Não por culpa de Lula ser um semi-analfabeto. Na verdade, é bem capaz que ele seja mais esperto do que todos nós, como provam suas negociatas com Fidel Castro no Foro de São Paulo. O que não lhe falta é determinação: durante quatro fatigantes eleições, Lula lutou tanto pela faixa presidencial que, realmente, como disse um de seus assessores em uma ode que foi publicada no Correio Popular, de Campinas (jornal onde escrevia uns artigos impertinentes, que, vejam só!, eram classificados como 'direitistas' ou 'radicais'), ele se tornou um político profissional, mas não como queria Max Weber, o autor que o fiel servidor de Lula tentou se apoiar para permanecer no mundo do faz-de-conta.

Quem leu Max Weber, na palestra 'A Política Como Vocação', saberia que se Lula fosse o político profissional que o sociólogo alemão defendia, ele teria de aplicar à risca a 'ética da responsabilidade', porque todo mundo já sabe que ele praticou a sua "ética da convicção" ao trocar figurinhas com Fidel Castro e Hugo Chávez. Na verdade, Lula ficou embasbacado pelas suas convicções e se esqueceu da responsabilidade, apesar de pregar nos quatro cantos do país a palavra 'ética'. 

Se fosse um homem realmente responsável, Lula teria que responder, com alguma dignidade, a três perguntas simples: Qual é a relação do PT com as FARCs colombianas, quando é fato notório de que o governo petista do Rio Grande do Sul recebe, com pompa e circunstância, os comandantes desta organização que, não sei se o leitor sabe, tem íntimas ligações com o narcotráfico latino, em especial com um sujeito chamado Fernandinho Beira-Mar? Como explica a admiração que Lula tem pelo ditador Fidel Castro, exibida em fotos e discursos? E, por último, qual é a ligação do PT com o MST, que nunca foi um movimento de protesto pela reforma agrária, mas sim um grupo organizado de guerrilha maoísta?

São três perguntas simples, que até mesmo José Serra precisa da Regina Duarte para apenas insinuar, nunca explicitar essas relações escusas, porque o PSDB já fez a sua 'cristianização', se ocorrer um segundo turno, com o aval do socialista-fabiano FHC. Mas Lula, como dissemos, é esperto demais para dar todas essas respostas, porque elas foram ocultadas displiscentemente por boa parte da mídia que, surpresa das surpresas, reza para que o petista ganhe as eleições. Para muitos sonâmbulos, como são a maioria dos jornalistas brasileiros, a vitória do PT para a presidência seria a prova da rotatividade do poder na democracia, a prova de que o governo neoliberal de FHC se esgotou e é tempo, como diria Leonardo Boff, o ídolo dos hereges da Teologia da Perdição, 'de colher o verdadeiro socialismo e evitar que o Brasil seja o novo quintal dos EUA'.

É um engano primário, que muitos se acostumaram a repetir, como um mantra, talvez para anestesiar o medo de que os novos puritanos serão mais sanguinários do que os aliados de Oliver Cromwell. O problema é que isso não é dito apenas por senis famosos, que os cadernos culturais adoram divulgar como os lumiares da cultura brasileira. São jovens que abusam destes slogans ideológicos, jovens de classe-média, que nunca passaram fome, que nunca souberam o que é a perda da falta de liberdade e que nunca leram um livro de História decente, porque se lessem algum, teriam vergonha em dizer que votarão em Lula.

O PT armou uma bela ratoeira não para os velhos, mas para a próxima geração. A juventude já fez um pacto demoníaco sem saber das condições do contrato, pois seus pais, irmãos, tios e avós assinaram por eles, ao acreditar piamente no deus manco da democracia e no mundo mágico da igualdade perante à lei. Com isso, o sentido de um futuro está acabado, faz parte de um passado que terminará no pó da embriaguez moral. Todos nós somos culpados pela morte espiritual dos jovens que deveriam continuar com nosso trabalho; todos nós somos nossos próprios assassinos. Terminaremos como os bárbaros começaram, ao destruir Alexandria, escolhendo a honra pelo poder, a dignidade pela humilhação.

A pergunta que não quer calar para aqueles que fizeram o seu trabalho de sentinela e que avisaram meio mundo, mas sabem que gritaram para ouvidos moucos, é a seguinte: O que fazer depois que 'a ascensão da lulidade' (esta expressão é cortesia de Bruno Tolentino) tomar o poder oficialmente? Lamento em informar-lhes, mas deveriam ter feito pensado nisso muito antes de imaginar que o molusco sentaria o traseiro na cadeira presidencial. Já conversei com grandes amigos que também lutam o bom combate e avisei-os que, no afã de querer fazer o bem, vamos acabar criando tanto mal quanto os petistas, ainda mais se usarmos os mesmos métodos deles, mesmo de maneira inconsciente ou ingênua. No fim das contas, corremos o perigo de cair na vala da ideologia e criar uma nova fuga da realidade, esquecendo-se dos nossos próximos e lembrando-se apenas dos distantes que, se bobear, sequer prestam atenção ao que fazemos. Infelizmente, esta é a sina de qualquer um que quer cumprir o seu dever moral: tal trabalho será incompreendido numa série de erros, que só prejudicará a nossa vida e a dos outros. O prejuízo é claro: quem avisa amigo é, e se você não escutou, problema seu, meu irmão. O próprio Cristo dizia que não deveria jogar pérolas aos porcos. E estamos fazendo exatamente isso: tornando-nos jogadores profissionais de pérolas aos porcos.

Este engano é fomentado por muitas pessoas que circulam na intelectualidade brasileira - de índole gramisciana - e da qual somos a resistência. Mas como resistir quando os inimigos tomarem o poder? Com armas? Com gritos? Com pauladas? Não, com o espírito, que sopra para onde quer, mas ninguém sabe de onde veio, nem para onde vai. Ele é a única coisa que fica neste mundo de finitude e temos de aprender o seguinte: um dia, Lula e o PT desaparecerão e até mesmo o próprio Brasil irá desaparecer. É como escreveu Bruno Tolentino no soneto 'In Passim', publicado no livro 'O Mundo Como Idéia', o maior livro de poesia já lançado nos últimos cinqüenta anos neste país:

'Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era; é tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.

E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:

intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar-te à porta da saída,

pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas'.

Temos de passar por esta lição - até para amadurecermos como seres humanos. E só podemos fazer isso se ficarmos acima da 'ascensão da lulidade', mesmo que, a partir de agora, só terá futuro neste país quem for um canalha ou um completo ignorante sobre seus próprios passos (bem, isso já é freqüente). Não podemos nos preocupar com vermes porque nosso trabalho é muito mais importante: temos de continuar a herança que nos foi dada - o fato de que, enfim, descobrimos pensadores como Eric Voegelin, Rosenstock-Huessy e Bernard Lonergan (sem falar neste filósofo monumental que é o nosso Mario Ferreira dos Santos); poetas como Bonnefoy e Saint-Jonh Perse; e cientistas políticos como Hans-Hermann Hoppe, Bertrand De Jouvenel e Ludwig Von Mises - sujeitos que, se dependessem da Rive Gauches da vida, nunca ouviríamos nesta terra papagalis. Essa atitude não tem nada a ver em querer ser seguidor ou discípulo de alguém. Tem a ver com dignidade e com nobreza, do fato de perseverar quando tudo parece estar desabando - mesmo neste país ingrato, que trata suas sentinelas como a porca que come os próprios filhos.

Para os brasileiros que escolheram o canceroso imperio da doxa, da opinião alheia que parece ser original, mas não passa de uma colcha de retalhos, a única saída será culpar os outros e recusar a responsabilidade pelo erro que nos acompanha desde o início. Quinze anos de golpes comunistas atrás de golpes comunistas e de uma nação esmigalhada - este será o legado de uma geração corrupta para uma geração corrompida. Quando Thomas Mann escreveu seu romance 'Doutor Fausto' na Segunda Guerra Mundial, ele esperava que o livro servisse de lição para que o nazismo não fosse repetido em nenhum outro lugar da Terra. Sua esperança foi em vão: o Brasil é o novo palco de uma demência que demorará muito tempo para ser purgada do espírito brasileiro. Mas, pelo menos, Mann simbolizou a desgraça alemã na alma de um gênio da música que, por amor à arte, vendia sua alma ao demônio. Aqui temos um espertalhão que brincará de ser um político profissional, manipulado por sujeitos que sabem muito bem que o socialismo é impraticável em qualquer lugar do mundo, exceto para os idiotas úteis que preferem transformar a sociedade, ao invés de saberem onde erraram em suas míseras vidas. Além disso, não há nenhum amor na motivação deles; existe apenas o ódio ao ser humano. E este ódio não permite que eles possam escutar o canto do vento que confirma nosso fim, mas também ilumina a nossa vida, como fala Tolentino no último poema do ciclo 'A Imitação da Música', que fecha 'O Mundo Como Idéia':

'Celebrai-a comigo, ó todos vós
que conheceis, como eu conheço bem,
a rosa em fogo e a terra de ninguém
em que caíram já bilhões de sóis.
Outros virão cair diante de nós,
e esse desastre é doce porque tem
do impulso que nos faz cair também
na escura escadaria... Estamos sós
e todos condenados a perder,
mas celebremos juntos a sentença
e a liberdade em vão do ser que pensa
e repensa essa luz que vai morrer.
Tudo morre e refaz naquela intensa
rosa-múndi agarrada à dor do ser'."

(2002)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Rumos do poder em eventual Brasil sem PT

Por André,

Muita gente acredita que o PT perdeu sua história com a esquerda radical, o papel essencial que ele cumpre para as esquerdas latino-americanas administrando o Brasil e a eventual derrota que isso representaria para os interesses dessa esquerda uma vitória de Aécio Neves agora em 2014. 

Pistas sobre isso podem ser encontradas no blog de Valter Pomar. Valter é filho de Wladimir Pomar. Ambos peças essenciais na história do PT e esquerdistas radicais.

Considerando a tendência de alta de Aécio Neves nas pesquisas, o clima de desespero e a possibilidade de peca do poder, bastante distante há um mês, se instalaram entre petistas mais radicais. Veja o cenário antevisto por Pomar caso o "playboy da direita" vença o pleito:

"(...) a quem fica se iludindo sobre 2018, eu prefiro dizer o seguinte: o caminho para ganhar em 2018 passa por ganhar em 2014. 
(...) se um feitiço desse a presidência ao playboy, é muito pouco provável que a direita cometesse o mesmo erro de 2005. Pelo contrário, tentariam criminalizar, processar e condenar o maior número possível de lideranças da esquerda. A começar por aquela que é a liderança mais querida pelo povo brasileiro."
É uma previsão perfeitamente lícita que, caso Aécio vença, ainda mais casos de corrupção e subversão da máquina pública surjam, sendo esse um dos principais aspectos vantajosos de uma derrota do PT.

Outro texto de Pomar teve circulação elevada em certos meios onde o petista especula sobre o posicionamento das esquerdas com relação ao PT e de como os interesses do Foro de São Paulo seriam caso o Brasil guine à "direita":
"Haveria muito que dizer a respeito da posição oficial do PSOL, mas o fundamental a ser dito, na minha opinião, é que subestima os danos que causaria, à classe trabalhadora brasileira e à esquerda latino-americana, uma vitória de Aécio.
Aliás, é muito revelador que partidos e pessoas que professam o internacionalismo secundarizem o impacto internacional que teria um giro à direita no governo do Brasil. 
Subestimar os danos que causaria, à classe trabalhadora brasileira e à esquerda latino-americana, uma vitória de Aécio também é o erro fundamental do PSTU, cuja posição está expressa no texto assinado por Valério Arcary. 
Arcary diz que o PT estaria 'exagerando nas tintas' e abraçando 'um discurso catastrofista que quer apresentar a disputa entre Aécio e Dilma como um armagedon político', numa 'campanha de dramatização [que] não é educativa'. 
(...) se acontecesse uma derrota, a principal responsabilidade política seria do meu partido, o Partido dos Trabalhadores. Mas uma 'oposição de esquerda' que valha este nome não pode subestimar o desastre que uma vitória de Aécio causaria para a classe trabalhadora brasileira e para a esquerda latino-americana.
(...) 
A estes eleitores, mais do que as comparações de praxe entre passado e presente, cabe lembrar que com Dilma haverá um ambiente político mais favorável à luta por mudanças importantes como a reforma política, através de uma Constituinte exclusiva; como a democratização da comunicação; como a revisão da Lei de Anistia; como a reforma tributária progressiva, com taxação das grandes fortunas; como a jornada de 40 horas; como a revisão do fator previdenciário; como a criminalização da homofobia; como a revisão dos índices de produtividade agrária."

Projetos importantes do PT entraram em curso nos últimos tempos (o que implica que perder o poder nunca esteve nos planos do PT), como a sovietização da vida pública brasileira e a nova constituinte.

O que particularmente me preocupa é um PT ressentido de volta à oposição.

Claro, é difícil falar agora pois parece que o PMDB está plenamente disposto a debandar, o que relaxa um pouco a questão do Congresso.

Mas ainda tem todas as "forças paralelas": Stedile dizendo que fará guerra se Aécio for eleito, todos os ~movimentos sociais~ que o PT pretende/pretendia conceder poder de Congresso etc. etc.

De resto, só o que podemos é aguardar e cravar com tranquilidade que uma derrota legítima do PT significa uma inflexão na política externa nacional (que já é temida na Bolívia).

domingo, 13 de abril de 2014

Acerca do golpe petista

Por André,

Falar que o PT está implantando um golpe pode ser uma aventura. Petistas, espertalhões e o tipo clássico do "não sou petista, mas..." lançarão mão de ironias baratas. É aquele pessoal que acusa os outros de viver com a cabeça na guerra fria, quando na verdade eles é que nunca saíram de lá, por desonestidade ou ingenuidade só acham que há golpe comunista se houver deposição antidemocrática, campo de concentração, guerrilheiros empunhando armas etc. Perderam ou ignoram todo o debate do movimento revolucionário posterior à década de 30, quando os próprios comunistas se deram conta que revolução armada não vai funcionar e que economia planificada é impossível (daí acharem que o PT não pode ser comunista porque adota medidas ""neoliberais"" em economia).

O fato é que o projeto totalitário de poder do PT foi iniciado muito antes da eleição de Lula. Começou a ser feito quando o PT enviou membros do partido para estudar estratégias em outras repúblicas socialistas da América Latina, quando fez filiados contribuírem com "dízimo" para o partido, quando seus membros fundaram o Foro de São Paulo e decidiram que influenciariam eleições por toda a América Latina, se aproveitando dos pleitos democráticos que sempre que possível todos os comunistas fazem troça (a democracia não passa de uma forma de governo burguesa, que deve ser ultrapassada assim que possível e os próprios nunca esconderam isso).

O novo cool é chegar no poder com ares democráticos e colocar todos os elementos constituintes do Estado de direito de joelhos para o projeto do partido. Que é isso senão exatamente o que o PT vem fazendo sistematicamente?

Comprou o Congresso ora por meio do mensalão, ora fazendo alianças diabólicas para garantir a manutenção do poder, deixando os simpatizantes mais ingênuos de cabelo em pé.

Aparelhou o STF e TSE com seus pares, de forma que nada que os atrapalhe passe por ali. Até Joaquim Barbosa foi posto lá por Lula com essas intenções. O próximo a presidir o TSE é um bacharel em direito insignificante, certamente uma ovelha que não se desgarrará como Barbosa.

Aparelhou órgãos de pesquisa como IBGE e IPEA, empregando companheiros, encomendando pesquisas e garantindo as pautas ideologizadas do debate que acirra as divisões artificialmente criadas entre as opiniões dos brasileiros.

Teve ao menos um caso de corrupção gritante para cada ano de governo. E todos eles foram muito mais que meros casos isolados de corrupção, como bem aponta Olavo de Carvalho em "Apoteose da Vigarice":
“No entanto, tão arraigado é o vício mental infundido na população pela propaganda "ética" petista, que ninguém, hoje, parece perceber a diferença entre casos corriqueiros de corrupção e o crime incomparavelmente maior que o PT praticou e está praticando. O que o PT fez não foi desviar dinheiro daqui e dali para construir piscinas ou alimentar amantes de deputados. Foi criar um macro-sistema de corrupção destinado a neutralizar oposições, a debilitar a capacidade investigativa do Estado e a confundir a população inteira para fazer dela e da própria máquina estatal instrumentos dóceis a serviço da instauração lenta e anestésica de uma ditadura informal sob o nome de democracia. Isso não é corrupção. É golpe. É conspiração. É alta traição. Para quem se meteu em empreendimento tão ambicioso, tão perverso, tão maligno, ser acusado de mera corrupção é um alívio”. (Olavo de Carvalho, Apoteose da Vigarice, p.78)
E em caso mais recente, a Petrobrás, que perdeu metade do seu valor sob a tutela do governo petista. Entre outros, Marco Antonio Villa anteviu, como outros, que a Petrobras seria mais uma vítima do projeto de poder petista liderado nesta fase por alguém tão insignificante quanto Dilma Rousseff:

As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram. Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos - a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.
É claro que é difícil ilustrar e provar todos esses pontos quando alguém que está duelando com você simplesmente "argumenta" das seguintes maneiras: "golpe petista? kkkkk", "teoria da conspiração", "comunismo morreu", "não há golpe petista porque não campo de concentração". Mas elencar todos esses fatos para aquele seu amigo ainda sem posicionamento pode ser bastante útil.

P.S.: Agradeço ao amigo Gilvan Albuquerque pelas citações desse artigo.

domingo, 12 de janeiro de 2014

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Polícia de pensamento, em breve no Brasil: "Justiça condena empresário por chamar filho de Lula de 'idiota'"

Por Folha de São Paulo,

O empresário Alexandre Paes dos Santos foi condenado a pagar R$ 5.000 a Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, por tê-lo chamado de "primário", "idiota" e "uma decepção" em conversa com jornalista da revista "Veja" que não chegou a ser publicada. Cabe recurso. 

Lulinha, como Fábio é conhecido, soube das declarações ao processar a publicação por reportagens em que foi apontado como lobista. 

Santos, também apresentado como lobista nas reportagens, teria dito ao jornalista Alexandre Oltramari, da "Veja", que Lulinha despachava em seu escritório em Brasília. 

O empresário negou as afirmações, mas tornou-se réu em processos que o filho de Lula moveu contra a Editora Abril, que publica "Veja", e Oltramari.A revista entregou à Justiça a gravação das conversas de Santos com o repórter, incluindo o trecho em que ele criticava Lulinha. 

Ao saber do diálogo, Fábio abriu um novo processo, por dano moral. Perdeu em primeira instância, mas, no último dia 10, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu em parte seu recurso. 

A decisão foi divulgada pelo site Consultor Jurídico. 

O desembargador Alcides Leopoldo e Silva Júnior considerou que Santos teve intenção de ofender Lulinha, mesmo que sua frase não tenha sido publicada. Para o magistrado, a Abril e Oltramari não causaram danos. 

O advogado de Lulinha, Cristiano Martins, disse que recorrerá para que eles também sejam responsabilizados, porque teriam tornado as ofensas públicas ao anexar o áudio ao processo. 

Alexandre Fidalgo, advogado da Abril e de Oltramari, refuta o argumento. "Se Lulinha quisesse preservar sua honra, teria pedido segredo de Justiça", disse. O advogado de Santos, Eduardo Ferrão, não foi localizado.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mundo em crise cresce mais que Brasil pujante

Por André,

Resultado do trimestre:

Reino Unido em crise: 0,8%
EUA em crise: 0,7%
Espanha em crise: 0,1%
Zona do Euro em crise: 0,1%

Brasil, enfrentando a marolinha com o par "DILMANTEGA: -0,5% 

Depois de uma dessas, o Miguel Nicolelis e outros asseclas subfuncionários do PT não terão como culpar os "analistas malvadões que deveriam ir pra Espanha" pelo desempenho pífio da economia nacional.

E que apertemos os cintos, coisa pior vem por aí, quem diz não é qualquer analista nacional, mas o Nobel de economia alerta: bolha imobiliária estourará no Brasil e ainda Brasil pode ficar isolado com acordo entre EUA e UE.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Blog "estamos ricos" denuncia bolha imobiliária no Brasil

Por André,

Um simples blog está a prestar um serviço público de extrema qualidade: a denúncia de uma verdadeira bolha imobiliária no Brasil (alguns economistas não-governistas já alertavam para o fato há algum tempo). As comparações são incríveis, casas meia-boca têm custo equivalente ao de casas bem estruturadas em capitais ricas, caras (e mais seguras) do mundo:



e ainda

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Aécio Neves põe o dedo na ferida da violência: "Salve-se quem puder". 10% dos assassinatos estimados do mundo ocorrem aqui

Por Folha,

Consideradas em seus resultados práticos, as diretrizes federais para a área de segurança podem ser resumidas pela expressão popular "salve-se quem puder". Essa é a desalentadora leitura da 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado semana passada. 

Em 2012, o número de assassinatos no país ultrapassou a espantosa casa dos 50 mil. Isso representa nada menos do que 10% dos assassinatos estimados em todo o planeta, número superior às baixas verificadas em conflitos armados na Tchetchênia, Angola ou Iraque. 

O Anuário traz outra constatação alarmante. A taxa de estupros ultrapassou a de homicídios e chegou a 26,1 ocorrências por 100 mil habitantes. Os 50,6 mil casos registrados podem estar subestimados, já que muitas mulheres agredidas acabam não indo à polícia. 

Quem está prestes a completar o 11º ano à frente do governo não pode atribuir o patamar atual da criminalidade a qualquer suposta "herança maldita" ou continuar terceirizando responsabilidades. Não há uma política nacional para o setor, em particular para enfrentar o crime organizado, com seu brutal poder de fogo: o contrabando, tráfico de armas e de drogas. 

Chama a atenção a flagrante paralisia do governo nessa área. Segundo dados da ONG Contas Abertas, dos R$ 3,1 bilhões previstos para investimentos no ano passado, R$ 1,5 bilhão sequer foram empenhados. E apenas 23,8% do total previsto se transformaram efetivamente em ações contra a convulsão registrada na área. É inacreditável, mas é verdade: do total das despesas em segurança no país, só 13% vêm dos cofres da União. Isso sem falar das promessas que não saíram da propaganda eleitoral. 

Considerando que os Estados atuam hoje no limite de sua capacidade, o momento exige cada vez mais ações convergentes e de envergadura nacional, já que as organizações criminosas agem em mais de uma unidade da Federação. Em respeito aos brasileiros e ao nosso futuro, é fundamental que o governo federal assuma maior responsabilidade diante desse quadro e coordene um amplo esforço na busca de soluções. Existem experiências localizadas bem sucedidas que poderiam ser úteis aos brasileiros de outras localidades. 

A falência do nosso sistema prisional precisa ser enfrentada. É hora de discutir o papel das polícias, assim como a adoção de medidas que diminuam o escandaloso grau de impunidade existente. É inaceitável a atual tolerância ou disfarçada complacência com o avanço da criminalidade e o recrudescimento da violência no país. 

Nesse quadro perverso, uma antiga desigualdade social se acentua, onde os que detêm poder aquisitivo compram segurança privada e a população mais pobre fica relegada à própria sorte.

domingo, 20 de outubro de 2013

Petrobrás é a empresa com mais dívidas no mundo

Por Estadão,

A Petrobrás é agora a empresa mais endividada do mundo, segundo relatório divulgado pelo Bank of America Merril Lynch. "A dívida da Petrobrás cresceu rapidamente com a empresa implementando um ambicioso programa de investimento de US$ 237 bilhões para o crescimento de sua produção offshore", informa o documento. 

Segundo o BofA, um importante fator para a Petrobrás reverter a tendência de alta da sua alavancagem seria impulsionar o seu Ebitda (geração de caixa), o que ocorreria com um aumento de produção. 

"Sem uma produção maior, a alavancagem continuará a crescer a menos que ocorra um forte aumento nos preços da gasolina e uma forte redução no programa de capex (investimento)", segundo o documento. Para a equipe de análise, a produção da estatal deveria crescer para 3,8 milhões de barris por dia para que a alavancagem da empresa comece a cair.

"Os próximos 6 a 18 meses serão, esperançosamente, o início de uma importante virada para a Petrobrás em termos de produção", ainda de acordo com o documento. 

Outro ponto relevante é o aumento dos preços. "De acordo com a diretoria, um aumento adicional de preços é possível no curto prazo", afirma a analista que assina o documento, Anne Milne, que julga difícil "dada a fraqueza no crescimento da economia, pressão inflacionária, um real fraco e risco de protestos sociais".

Outro ponto que poderia ajudar na redução do endividamento da petrolífera seria a redução do programa de investimentos. "A empresa identificou US$ 29,5 bilhões em projetos que estão com baixa valorização", destaca a analista. Ela frisa que movimento de venda de ativos e de joint ventures pode ajudar a Petrobrás, além de um amplo programa de redução de custos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sem querer, Ipea mostra a pouca relevância do Bolsa Família para o crescimento do PIB




Como parte das comemorações oficiais dos dez anos do Bolsa Família, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) saiu-se com uma tentativa de demonstrar a importância do programa para o crescimento da economia. Vistos com mais atenção, no entanto, os resultados encontrados não são encorajadores.

A partir de cálculos de complexidade inalcançável para os leigos, o instituto, ligado ao Palácio do Planalto, estimou hoje que, para cada R$ 1 adicionado às despesas do Bolsa Família, o Produto Interno Bruto do país cresce R$ 1,78.

Esse efeito se daria, conforme foi explicado, porque a parcela mais pobre da população destina praticamente toda sua renda adicional ao consumo, elevando as vendas do comércio, o que geraria mais contratações e, portanto, mais salários pagos.

Supondo que a conta esteja certa, pode-se tentar imaginar o impacto de uma forte alta imediata _de 10%, por exemplo_ nos gastos do programa, que somam R$ 21,4 bilhões anuais. 

Seriam acrescentados mais R$ 2,1 bilhões em benefícios, o que, com o efeito multiplicador estimado pelo Ipea, significariam R$ 3,8 bilhões a mais na economia.
Ou 0,08% do PIB.

E há um asterisco importante na apresentação do Ipea: os cálculos são válidos para situações em que a economia apresente “capacidade ociosa” _ou, traduzindo, que esteja operando abaixo de seu potencial. Em outro cenário, o impacto do Bolsa Família é menor.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Analfabetismo aumentou de um ano para outro no Brasil. Mídia burguesa e reacionária diz que ele "parou de cair"

Por Globo,

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostrou que o analfabetismo no país parou de cair e que água na torneira e coleta de lixo ainda são grandes problemas.

O lixo da casa de Apolinário Libório de Sousa vai para o fundo do quintal, bem no lugar onde a neta dele brinca todos os dias. “Não passa o caminhão que carrega o lixo, e eu nem sei quando é que vai passar”, diz.

Seu Apolinário mora em Paço do Lumiar, no Maranhão, o estado o país que - proporcionalmente - tem o menor número de casas com coleta de lixo. São 54%, segundo a pesquisa nacional por amostra de domicílios, feita pelo IBGE.

A média de domicílios com coleta, em todo o país, se manteve a mesma entre 2011 e 2012: 88%. 
Em Rondônia, o problema é água na torneira. O pedreiro Gabriel Batista, morador da periferia de Porto Velho, tem que buscar na escola. “Não temos água em lugar nenhum. Só estamos bebendo hoje, agradece a escola", conta.

Menos de 41% das casas do estado tinham água encanada em 2012. A média nacional é bem maior: 85% dos 62,8 milhões de domicílios brasileiros têm abastecimento permanente de água.

A presença de rede de esgoto aumentou entre os dois anos. Chegou a 57,1% das casas pesquisadas. O fornecimento de energia elétrica, no entanto, chega a quase todos os lares. 99,5% do total.

Outra boa notícia foi a queda do trabalho infantil. Entre 2011 e 2012, 156 mil brasileiros entre 5 e 17 anos deixaram e ser explorados. Mas ainda existem 3,5 milhões de crianças e jovens nessa situação. A maioria é homem e trabalha na roça.

A pesquisa revelou também que existem 13,2 milhões de pessoas no país que não sabem ler e escrever. E uma má noticia: o índice de analfabetismo, que vinha caindo no Brasil, voltou a crescer entre 2011 e 2012.

A pesquisa considera analfabetos os cidadãos com 15 anos ou mais que não saibam ler e escrever. O índice foi de 8,6% para 8,7%. A variação de 0,1 ponto percentual é considerada dentro da margem de erro pelo IBGE. Foi a primeira vez que o analfabetismo não caiu em relação ao ano anterior desde 1997.

“Pode ver que em todas as faixas etárias nós estamos em manutenção do percentual. Nós entramos em uma fase de estagnação. Não pode 1% dos indivíduos de 15 anos ou mais ser analfabeto nesse país que conseguiu universalizar o acesso à escola", explica o professor do departamento de geografia da USP Wanderley Messias da Costa.

A região Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do Brasil. O maior índice é o de Alagoas, com 21,8% da população de jovens e adultos do estado.

O IBGE também pesquisou o grupo de analfabetos funcionais, pessoas com menos de quatro anos de estudos completos. Eles representam 18,3% da população com 15 anos ou mais.

Dona Maria do Rosário fez apenas dois anos de escola, tinha que ajudar os pais na lavoura.
A leitura sempre fez falta e agora, aos 55 anos de idade, ela voltou a estudar.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Moradores têm medo de aceitar emprego e perder o Bolsa Família

Por Estadão,

A segurança do Bolsa Família tem um significado tão forte para os moradores de Manari - como de muitos outros lugares no País - que rivaliza até mesmo com um emprego com salário bem mais alto. Quando o repórter do Estado estava na Secretaria de Assistência Social, uma mulher veio perguntar se, uma vez aceitando um emprego com carteira assinada no Espírito Santo, o seu cartão do Bolsa Família, que vence em breve, não seria renovado. O funcionário respondeu que sim. A mulher, que tem um filho, disse ao Estado que então provavelmente não aceitaria o emprego. "Depois volto e fico sem cartão", teme ela. "Não quero ficar sem o cartão." A mulher, que pediu para não ser identificada, disse que o salário oferecido era de R$ 700, para trabalhar de empregada doméstica. Ela recebe R$ 150 do Bolsa Família, e mais R$ 60 por mês como empregada doméstica em Manari - onde salários tão baixos são comuns. O funcionário contou que frequentemente as pessoas em Manari rejeitam empregos com receio de perder o Bolsa Família. 

L.S.

terça-feira, 28 de maio de 2013

"A defesa da classe média" por Rodrigo Constantino

Por Globo,

Todos vimos, chocados, uma turba ensandecida invadindo agências da Caixa em diferentes estados, após rumores de suspensão do pagamento do Bolsa Família. Impressionou o fato de que a maioria ali era bem nutrida, em perfeitas condições de trabalho em um país com pleno emprego.

Uma das beneficiadas pelo programa, em entrevista, reclamou que a quantia não era suficiente para comprar uma calça para sua filha de 16 anos. O valor da calça: trezentos reais! Talvez seja parte do conceito de “justiça social” da esquerda progressista garantir que adolescentes tenham roupas de grife para bailes funk.

Não quero, naturalmente, alegar que todos aqueles agraciados pelas benesses estatais não precisam delas. Ainda há muita pobreza no Brasil, ao contrário do que o próprio governo diz, manipulando os dados. Mas essa pobreza tem forte ligação com esse modelo de governo inchado, intervencionista e paternalista.

O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência. Para gerar melhores empregos, precisamos de menos burocracia, menos gastos públicos e impostos, mais flexibilidade nas leis trabalhistas, mais concorrência de livre mercado e um sistema melhor de educação (não confundir com jogar mais dinheiro público nesse modelo atual).

O ex-presidente Lula criticava, quando era oposição, o “voto de cabresto”, a compra de eleitores por meio de migalhas, esquema típico do coronelismo nordestino. Quão diferente é o Bolsa Família, que já contempla dezenas de milhões de pessoas, sem uma estratégia de saída? Um programa que comemora o crescimento do número de dependentes! O leitor vê tanta diferença assim?

A presidente Dilma disse que quem espalhou os boatos era “desumano”, “criminoso”, e garantiu que o programa era “definitivo”, para “sempre”. Isso diz muito. “Nada é tão permanente quanto uma medida temporária de governo”, sabia Milton Friedman. Não custa lembrar que o próprio PT costuma apelar para o “terrorismo eleitoral” em época de eleição, espalhando rumores de que a oposição pode encerrar o programa. Desumano? Criminoso?

Depois que o governo cria privilégios concentrados, com custos dispersos, quem tem coragem de ir contra? Seria suicídio político. Por isso ninguém toca no assunto, ninguém vem a público dizer o óbvio: essas esmolas prejudicam nossa democracia e não tiram essas pessoas da pobreza. As esmolas estimulam a preguiça, a passividade e a informalidade. Por que correr atrás quando o “papai” governo dá mesada?

O agravante disso tudo é que os recursos do governo não caem do céu. Para bancar as esmolas, tanto para os mais pobres como para os grandes empresários favorecidos pelo BNDES, o governo avança sobre a classe média. É esta que paga o preço mais alto desse modelo perverso. Ela tem seu couro esfolado para sustentar um estado paquidérmico e “benevolente”.

Para adicionar insulto à injúria, não recebe nada em troca. Paga impostos escandinavos para serviços africanos. Conta com escolas públicas terríveis, antros de doutrinação marxista. Os hospitais públicos também são péssimos. A infraestrutura e os meios de transporte são caóticos. A insegurança é total. Acabamos tendo que pagar tudo em dobro, fugindo para o setor privado, sempre mais eficiente.

Como se não bastasse tanto descaso, ainda somos obrigados a ver uma das representantes da esquerda, a filósofa Marilena Chauí, soltando sua verborragia em evento de lançamento de livro sobre Lula e Dilma. Chauí, aquela que diz que o mundo se ilumina quando Lula abre a boca, declarou na ocasião: “A classe média é um atraso de vida. A classe média é estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista.”

É fácil dizer isso quando ganha um belo salário na USP, pago pela classe média. Chauí não dá nome aos bois, pois é mais fácil tripudiar de uma abstração de classe. Mas não nos enganemos: a classe média que ela odeia somos nós, aqueles que simplesmente pretendem trabalhar e melhorar de vida, ter mais conforto material, em vez de se engajar em luta ideológica em nome dos proletários, representados pelos ricos petistas.

Pergunto: quem vai olhar por nós? Que partido representa a classe média? Com certeza, não é a esquerda das esmolas estatais bancadas com nosso suor, que depois ainda vem declarar todo seu ódio a quem paga a fatura.

Perdemos dois ícones da imprensa independente: Dr. Ruy Mesquita e Roberto Civita. Que a chama da liberdade de imprensa continue acesa!

Rodrigo Constantino é economista 

domingo, 19 de maio de 2013

A farsa dos "40 milhões que saíram da linha da pobreza": Indicador defasado 'esconde' 22 milhões de miseráveis do país


O número de miseráveis reconhecidos em cadastro pelo governo subiria de zero para ao menos 22,3 milhões caso a renda usada oficialmente para definir a indigência fosse corrigida pela inflação.

É o que revelam dados produzidos pelo Ministério do Desenvolvimento Social, a pedido da Folha, com base no Cadastro Único, que reúne informações de mais de 71 milhões de beneficiários de programas sociais. 

Desde ao menos junho de 2011 o governo usa o valor de R$ 70 como "linha de miséria" --ganho mensal per capita abaixo do qual a pessoa é considerada extremamente pobre. 

Ele foi estabelecido, com base em recomendação do Banco Mundial, como principal parâmetro da iniciativa de Dilma para cumprir sua maior promessa de campanha: erradicar a miséria no país até o ano que vem, quando tentará a reeleição. 

Mesmo criticada à época por ser baixa, a linha nunca foi reajustada, apesar do aumento da inflação. Desde o estabelecimento por Dilma da linha até março deste ano, os preços subiram em média 10,8% --2,5% só em 2013, de acordo com o índice de inflação oficial, o IPCA. 

Corrigidos, os R$ 70 de junho de 2011 equivalem a R$ 77,56 hoje. No Cadastro Único, 22,3 milhões de pessoas, mesmo somando seus ganhos pessoais e as transferências do Estado (como o Bolsa Família), têm menos do que esse valor à disposição a cada mês, calculou o governo após pedido da Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. 

Esse número corresponde a mais de 10% da população brasileira e é praticamente a mesma quantidade de pessoas que tinham menos de R$ 70 mensais antes de Dilma se tornar presidente e que ela, com seis mudanças no Bolsa Família, fez com que ganhassem acima desse valor. 

Os dados possibilitam outras duas conclusões. Primeiro, que um reajuste da linha anularia todo o esforço feito pelo governo até aqui para cumprir sua promessa, do ponto de vista monetário.
Segundo, que os "resgatados" da miséria que ganhavam no limiar de R$ 70 obtiveram, na quase totalidade, no máximo R$ 7,5 a mais por mês --e mesmo assim foram considerados fora da extrema pobreza. 

Além do problema do reajuste, o próprio governo estima haver cerca de 700 mil famílias vivendo abaixo da linha da miséria e que estão hoje fora dos cadastros oficiais. 
A reportagem pediu outra simulação ao governo, usando agosto de 2009 como o início do estabelecimento da linha de R$ 70. Nessa época, um decreto determinara o valor para definir miséria no Bolsa Família. 

Nesse outro cenário (inflação acumulada de 23,4%), o número de extremamente pobres seria ainda maior: 27,3 milhões de pessoas. A data marcou a adoção do valor no Bolsa Família, mas não em outros programas, diz o governo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rodrigo Constantino: De volta do futuro

Rodrigo Constantino: De volta do futuro: Rodrigo Constantino, O GLOBO O ano é 2030. Cheguei aqui com minha DeLorean, na esperança de encontrar um país mais próspero e livre. Q...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Os reacionários no Brasil de Lula e do PT

Por Época,

“Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário”, disse Nelson Rodrigues numa de suas crônicas, à qual deu o título de O ex-covarde. Publicada em sua coluna no jornal “O Globo”, em 18 de outubro de 1968, a crônica do grande Nelson, na qual ele falava sobre a superação do medo que sentia de expressar publicamente suas ideias libertárias e anti-esquerdistas, é uma daquelas obras primas que sobrevivem ao tempo e ao contexto em que foram produzidas. Não fosse pela menção a alguns personagens da época, como o escritor e pensador católico Alceu Amoroso Lima (1893-1983), o líder chinês Mao Tsé Tung, o “Grande Timoneiro”, e Che Guevara, o “herói” da “Revolução Cubana”, ela poderia ser republicada hoje sem que ninguém pudesse desconfiar de que foi escrita 45 anos atrás. 

No Brasil atual, como nos tempos de Nelson Rodrigues, é preciso ser de esquerda ou pelo menos parecer de esquerda, para não se tornar alvo do escárnio das “patrulhas ideológicas”. Não importa se você é da situação ou da oposição, se é rico ou pobre, doutor ou analfabeto. Pode ser empresário da Fiesp, a entidade que reúne os industriais paulistas, banqueiro de terno escuro, coronel do Nordeste, artista, intelectual, jornalista e até “rato de praia” da zona sul carioca. Ninguém quer ser chamado de “reacionário”, “de direita”, “conservador”, “liberal” ou “neoliberal” – as palavras de baixo calão que designam hoje no país o ser “abominável” capaz de acreditar que “a liberdade é mais importante do que o pão”, como dizia Nelson Rodrigues. “Por medo das esquerdas, grã finas e milionários fazem poses socialistas”, escreveu ele em sua crônica – um fenômeno que continua acontecer no Brasil, em pleno século XXI. Poucos, muito poucos, têm a coragem que ele teve de manter suas convicções e enfrentar o ímpeto difamatório da tropa de choque da gauche. Caberiam numa Kombi.

Embora o Muro de Berlim tenha caído em 1989 e a União Soviética se desintegrado em 1991, a impressão que se tem no Brasil hoje é de que ainda estamos em plena Guerra Fria. Experimente, por exemplo, defender abertamente o capitalismo numa mesa de bar na Vila Madalena, em São Paulo, ou no Baixo Leblon, no Rio. Ou, se preferir, diga que a Cuba de Fidel Castro é uma ditadura que não respeita os direitos humanos. Ou, então, tente defender abertamente os Estados Unidos, considerado o satã mundial pela esquerda tupiniquim. Os “patrulheiros” de plantão provavelmente vão ridicularizá-lo em praça pública, como fazia o regime de Mao, durante a Revolução Cultural, nos anos 1960.

A diferença dos tempos de Nelson Rodrigues é que, na época de Nelson, Lula e o PT ainda não existiam e eram os comunistas de tonalidades variadas que formavam as milícias ideológicas. Hoje, no Brasil, o patrulhamento parte, com frequencia, do próprio governo, que divide a sociedade entre “nós” – a situação -, os defensores dos pobres e oprimidos, e “eles” – a oposição -, os representantes das elites, “que não aceitam a ascensão de um líder popular como Lula”.

No Brasil dominado pelo PT e por seus simpatizantes, o maniqueísmo ideológico transformou-se em política de Estado. Quem ousa dizer que Lula deveria ser investigado por sua participação no mensalão e defende abertamente a condenação dos mensaleiros petistas pelo Supremo Tribunal Federal, por compra de votos no Congresso Nacional e desvio de dinheiro público, é tratado como inimigo público pela turma de Brasília, pelos dirigentes do PT e pela “guarda revolucionária”, que se multiplica pelas redes sociais.

Muitas vezes, como ocorreu com a blogueira cubana Yoani Sánchez, impedida pelos fundamentalistas de esquerda de realizar palestras e noites de autógrafos de seu livro no país, os patrulheiros reagem com truculência. Com frequencia, disparam campanhas difamatórias pela internet, por meio de ONGs obscuras financiadas com recursos públicos ou, nas palavras do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, com “o seu o meu, o nosso” dinheirinho. Se alguém tiver alguma pretensão política e não rezar pela cartilha da esquerda, será carimbado como “inimigo do povo” e dificilmente conseguirá se livrar do rótulo incômodo, por mais que ele tenha pouco ou nada a ver com a realidade. De toda forma, o que é ser “inimigo do povo”? Não foi o capitalismo, afinal, o regime que permitiu o maior desenvolvimento da história às sociedades que o adotaram?

Diante desse patrulhamento obsoleto e inaceitável, ressuscitado com aval oficial, talvez seja o caso de todos os que se sentem incomodados por esse ímpeto difamatório deixarem o medo para trás e repetirem, para si mesmos, as sábias palavras de Nelson Rodrigues: “Sou um ex-covarde”. “Para mim, é de um ridículo abjeto ter medo das Esquerdas, ou do Poder Jovem, ou do Poder Velho, ou de Mao Tsé-Tung, ou de Guevara. (...) Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho”, disse ele, ao fechar sua crônica imortal.
 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vou-me embora pra Bruzundanga por Marco Antonio Villa

Por Estadão,

O Brasil é um país fantástico. Nulidades são transformadas em gênios da noite para o dia. Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres. Temos ao longo da nossa História diversos exemplos. O mais recente é Dilma Rousseff. 

Surgiu no mundo político brasileiro há uma década. Durante o regime militar militou em grupos de luta armada, mas não se destacou entre as lideranças. Fez política no Rio Grande do Sul exercendo funções pouco expressivas. Tentou fazer pós-graduação em Economia na Unicamp, mas acabou fracassando, não conseguiu sequer fazer um simples exame de qualificação de mestrado. Mesmo assim, durante anos foi apresentada como "doutora" em Economia. Quis-se aventurar no mundo de negócios, mas também malogrou. Abriu em Porto Alegre uma lojinha de mercadorias populares, conhecidas como "de 1,99". Não deu certo. Teve logo de fechar as portas.

Caminharia para a obscuridade se vivesse num país politicamente sério. Porém, para sorte dela, nasceu no Brasil. E depois de tantos fracassos acabou premiada: virou ministra de Minas e Energia. Lula disse que ficou impressionado porque numa reunião ela compareceu munida de um laptop. Ainda mais: apresentou um enorme volume de dados que, apesar de incompreensíveis, impressionaram favoravelmente o presidente eleito.

Foi nesse cenário, digno de O Homem que Sabia Javanês, que Dilma passou pouco mais de dois anos no Ministério de Minas e Energia. Deixou como marca um absoluto vazio. Nada fez digno de registro. Mas novamente foi promovida. Chegou à chefia da Casa Civil após a queda de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. Cabe novamente a pergunta: por quê? Para o projeto continuísta do PT a figura anódina de Dilma Rousseff caiu como uma luva. Mesmo não deixando em um quinquênio uma marca administrativa - um projeto, uma ideia -, foi alçada a sucessora de Lula.
Nesse momento, quando foi definida como a futura ocupante da cadeira presidencial, é que foi desenhado o figurino de gestora eficiente, de profunda conhecedora de economia e do Brasil, de uma técnica exemplar, durona, implacável e desinteressada de política. Como deveria ser uma presidente - a primeira - no imaginário popular.

Deve ser reconhecido que os petistas são eficientes. A tarefa foi dura, muito dura. Dilma passou por uma cirurgia plástica, considerada essencial para, como disseram à época, dar um ar mais sereno e simpático à então candidata. Foi transformada em "mãe do PAC". Acompanhou Lula por todo o País. Para ela - e só para ela - a campanha eleitoral começou em 2008. Cada ato do governo foi motivo para um evento público, sempre transformado em comício e com ampla cobertura da imprensa. Seu criador foi apresentando homeopaticamente as qualidades da criatura ao eleitorado. Mas a enorme dificuldade de comunicação de Dilma acabou obrigando o criador a ser o seu tradutor, falando em nome dela - e violando abertamente a legislação eleitoral.

Com base numa ampla aliança eleitoral e no uso descarado da máquina governamental, venceu a eleição. Foi recebida com enorme boa vontade pela imprensa. A fábula da gestora eficiente, da administradora cuidadosa e da chefe implacável durante meses foi sendo repetida. Seu figurino recebeu o reforço, mais que necessário, de combatente da corrupção. Também, pudera: não há na História republicana nenhum caso de um presidente que em dois anos de mandato tenha sido obrigado a demitir tantos ministros acusados de atos lesivos ao interesse público.

Com o esgotamento do modelo de desenvolvimento criado no final do século 20 e um quadro econômico internacional extremamente complexo, a presidente teve de começar a viver no mundo real. E aí a figuração começou a mostrar suas fraquezas. O crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5% de 2010, que foi um componente importante para a vitória eleitoral, logo não passou de uma recordação. Independentemente da ilusão do índice (em 2009 o crescimento foi negativo: -0,7%), apesar de todos os artifícios utilizados, em 2011 o crescimento foi de apenas 2,7%. Mas para piorar, tudo indica que em 2012 não tenha passado de 1%. Foi o pior biênio dos tempos contemporâneos, só ficando à frente, na América do Sul, do Paraguai. A desindustrialização aprofundou-se de tal forma que em 2012 o setor cresceu negativamente: -2,1%. O saldo da balança comercial caiu 35% em relação à 2011, o pior desempenho dos últimos dez anos, e em janeiro deste ano teve o maior saldo negativo em 24 anos. A inflação dá claros sinais de que está fugindo do controle. E a dívida pública federal disparou: chegou a R$ 2 trilhões.

As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram. Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos - a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.

Não há contabilidade criativa suficiente para esconder o óbvio: o governo Dilma Rousseff é um fracasso. E pusilânime: abre o baú e recoloca velhas propostas como novos instrumentos de política econômica. É uma confissão de que não consegue pensar com originalidade. Nesse ritmo, logo veremos o ministro Guido Mantega anunciar uma grande novidade para combater o aumento dos preços dos alimentos: a criação da Sunab.

Ah, o Brasil ainda vai cumprir seu ideal: ser uma grande Bruzundanga. Lá, na cruel ironia de Lima Barreto, a Constituição estabelecia que o presidente "devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total".