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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Como parecer inteligente sem dizer absolutamente nada

Por André,

Esta curtíssima palestra da TED Talks trata de um tema importante, que muito me interessa e que flerta com o ramo da psicologia comportamental:



O ser humano, ao se tornar civilizado se afastou quase que definitivamente da trilha natural da evolução das espécies. Protegemos os menos aptos, as chances dos menos aptos serem "eliminados" por não poder competir com os mais aptos é altamente diminuta. Contudo, nossas cargas genéticas (as "genetic pools", como dizem os biólogos e geneticistas) ainda habitam nosso corpo e isso pode ser observado em alguns comportamentos. Há uma linguagem corporal humana relativamente objetiva que, com um pouco de treino, pode tanto ser "lida" por um observador atento e se tornar uma interessante ferramente de relacionamento quando pode ser, digamos, "aprendida" e usada em nosso favor pessoal (como tenta ilustrar a pequena palestra acima).

O estado corpóreo do mentiroso não é o estado corpóreo natural, daí que mentir bem requeira certo treino (ou talento natural). Isso é o que leva à possibilidade descobrir se alguém mente ou diz a verdade pelos gestos, direção do olhar, tom de voz, linguagem utilizada etc. O mesmo para diversas outras situações. Toda a propaganda conta com essa verdade elementar. O mesmo para a engenharia social. Os seres humanos têm preconceitos e comportamentos inconscientes que podem ser sistematizados e, por consequência, previstos. O livro "Maquiavel Pedagogo" de Pascal Bernardin expõe uma série de outras técnicas que atestam como as pessoas podem ser controladas graças a esses comportamentos "inatos", por exemplo: um prato exótico, quando simplesmente exposto a uma plateia comum, recebe menos interesse que quando toda uma simpática propaganda é feita (pense em variantes: uma bela mulher faz uma propaganda para jovens soldados de uma iguaria exótica: um número muito maior de homens topa experimentar o prato caso ele tivesse sido apenas servido com os alimentos regulares); a "opinião espacial" das pessoas muda de acordo com o posicionamento de outras, quando num quarto escuro ao avistar um ponto luminoso e localizá-lo as pessoas dizem onde o mesmo está, seu julgamento é afetado para o posicionamento do mesmo ponto se estas ouvem o julgamento de outra. O livro traz uma série de outros exemplos (e de como eles são utilizados em larga escala para fins de controle social).

Já tive a oportunidade de discutir - muito porcamente - esse assunto quando fiz alguns apontamentos sobre a série "Lie to Me" ("Engane-me se for capaz" na edição brasileira). Desde então li também dois livros sobre o assunto (Saiba quem está à sua frente e A linguagem das emoções) e fui tentando aprimorar as técnicas (sim, isso é uma técnica e não uma ciência, entre outras razões porque os fatores e as variáveis são muitos), tudo isso com relativo sucesso (ou penso que sim). Para aqueles que, como eu, muito céticos, acham isso uma balelada pseudocientífica, sugiro o seguinte teste: tente observar em você mesmo, observe suas reações quando estiver contando alguma mentira (pra onde dirige os olhos, onde coloca as mãos, os braços, quais movimentos faz etc), você logo chegará à conclusão que há um padrão e se ele existe em você existe nas outras pessoas também.

A moral da história com a discussão e a palestra é: nossos corpos reagem de maneiras específicas e as pessoas esperam que certos conjuntos de comportamentos sejam indicativos de outras coisas (usar óculos é sinal que a pessoa é inteligente, certos gestos com as mãos indicam certeza e domínio do assunto etc), quem conseguir sintetizar todos esses conhecimentos é capaz de vender qualquer produto ou ideia e de interpretar boa parte das pessoas comuns.


Outra palestra sobre o tema, também da TED Talks:


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Descriminalização da pedofilia: próxima pauta da agenda progressista

Por WND,

Jeromi Corse assina artigo no site "WND" evidenciando como a próxima moda do discurso progressista será a relativização do conceito de "pedofilia": o termo passará a designar uma "orientação sexual" ("ahh, mas é apenas mais uma orientação sexual, guarde seu preconceito pra você) e não um comportamento sexual aprendido desde fora.

A matéria pegou alguns de surpresa, mas muitos já alertavam para o lobby pedófilo há algum tempo. E o que pode assustar alguns é que o modus operandi é o mesmo utilizado pela militância LGBT.

1. Criar um eufemismo ou um novo nome para a pedofilia, abandonando o termo desgastado. Estão tentando emplacar algo como "amor intergeracional".

2. Tirar toda a responsabilidade individual do pedófilo: "ah, ele não tem culpa de se sentir atraído por crianças."

3. Fabricar estudos embusteiros e falsos para convencer a comunidade acadêmica e os formadores de opinião que é algo relativamente comum, que há farto material comprovando que a pedofilia é uma característica humana e que só é condenada pelo moralismo irracional burguês e cristão.

4. A imprensa começa a abordar o assunto "sem preconceitos", entrevistando os defensores do assunto na academia apenas para "abrir a discussão".

5. Filmes e novelas começam também a abordar o assunto "sem moralismos" e "humanizando" os pedófilos.

6. O movimento ganha as ruas e é considerado uma forma de resistência contra a discriminação.

7. Políticos passam a ver ganhos na defesa do grupo e propõe legislações que aprovem a pedofilia como forma de "incluir socialmente" os pedófilos.

8. Livros didáticos produzidos por governos, segundo orientação da ONU, tratam a pedofilia positivamente e em histórias em quadrinhos simpáticas para as crianças.

9. Uma lei criminalizará os "pedofóbicos" como os que têm preconceitos contra os pedófilos e suas "formas de amar".

Esse é um processo que pode e tem que ser parado nos estágios iniciais, antes que seja tarde.

Referências:

Link: "PEDOPHILIA THE NEXT 'SEXUAL-RIGHTS' REVOLUTION?" http://www.wnd.com/2014/01/pedophilia-the-next-sexual-rights-revolution/

"Cem anos de pedofilia" (Olavo de Carvalho) http://www.olavodecarvalho.org/semana/04272002globo.htm

"Dawkins não vê problema na “leve pedofilia”. Eu vejo sérios problemas em Dawkins!" (Rodrigo Constantino) http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/dawkins-nao-ve-problema-na-leve-pedofilia-eu-vejo-serios-problemas-em-dawkins/

"A matemática da suruba" (Felipe Moura Brasil) http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2013/12/10/a-matematica-da-suruba/

"Acusado de estuprar três meninas de 12 anos é absolvido pelo STJ" http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/03/acusado-de-estuprar-tres-meninas-de-12-anos-e-absolvido-pelo-stj.html

Se tiver estômago, leia:

"Amor e sexo entre pequenos e grandes" (Paulo Ghiraldelli) http://ghiraldelli.blogspot.com.br/2007/08/amor-e-sexo-entre-pequenos-e-grandes.html

segunda-feira, 18 de março de 2013

Rodrigo Constantino: Viciado não é vítima

Rodrigo Constantino: Viciado não é vítima: Rodrigo Constantino Não sei quanto a você, mas eu estou cansado de ver drogados sendo tratados como vítimas. Não é como se pegassem um ...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

LUIZ FELIPE PONDÉ: A idiota de Deus

A idiota de Deus

Quando o espírito humano se ergue, o corpo cai de joelhos, dizia o saudoso Otto Maria Carpeaux

Meus leitores sabem o quanto abomino aeroportos. Criei mesmo a expressão "churrasco na laje" para descrever essa sensação de que somos atropelados por uma mistura de música brega e pessoas mal-educadas.

Não se trata de preconceito (no sentido banal que a palavra ganhou depois de virar chiclete com banana na boca de todo mundo) porque não acho que as pessoas não sabem se comportar nos aeroportos porque são de classe social ou cor específicas. Trata-se apenas de falta de educação.

Voltando de um compromisso profissional fora de São Paulo, me encontrei num aeroporto de uma cidade em que as pessoas ainda têm o hábito de ir aos domingos assistir avião subir e descer. O aeroporto em questão tem mesmo um espaço dedicado a "vista panorâmica" da pista de pouso e decolagem. Que horror.

Só pessoas loucas viajam por vontade própria. As normais o fazem por obrigação. Penso mesmo que em alguns anos aeroportos serão os piores lugares para você ser visto, assim como ser visto algemado numa delegacia de polícia. Uma vergonha.

Proponho que as autoridades (vamos "evoluir" nesta direção) proíbam todos, salvo os passageiros, de entrarem no aeroporto. O mesmo tipo de atitude solene e silenciosa dos hospitais deveria ser cobrada nos aeroportos.

Estava eu, então, estoicamente suportando os berros das crianças que lá estavam vendo os aviões, com seus pais que nunca entendem que berros de crianças são apenas berros de crianças e não manifestações sagradas de seus pequenos deuses.

Em meio a isso, bárbaros batendo fotos de si mesmos na frente dos portões de embarque com suas dez malas e funcionárias das empresas aéreas descabeladas justificando o injustificável overbooking.

De repente paro em frente a um balcão desses cafés, sem saber exatamente o que fazer, já que teria que esperar naquele pequeno pedaço de inferno por duas horas. Então, uma jovem garçonete sorriu pra mim. Com seu uniforme amassado, seu rosto cansado, seu corpo pequeno, ela parecia um anjo caído do céu no corpo de uma pequena e pobre princesa africana.

O mundo parou. Seu sorriso e sua generosidade suspenderam o mecanismo infernal do lugar.

Ela me pergunta o que eu quero. Não respondo porque não sabia se queria alguma coisa. Ela então me puxa pela mão e me mostra uma mesa vazia, sem cadeiras, num canto minimamente longe do inferno. Põe-se a limpar a mesa, busca uma cadeira e me dá um cardápio na mão. Volta alguns segundos depois e anota meu pedido.

Nos minutos que se seguem, enquanto tomo um café, acompanho seus movimentos delicados e ágeis, ouvindo, anotando pedidos, limpando mesas. De vez em quando se volta para mim, e repete seu sorriso aberto e generoso. O contraste da cor da sua pele com a cor dos seus dentes produzia uma beleza peculiar. De onde vem tamanha doçura?

Meu Deus, quanta doçura num pequeno corpo como aquele que corre de um lado para o outro, servindo tanta gente, como eu, sem doçura alguma.

Deve ter sido sensações como essas que levou Joaquim Nabuco, o grande pensador conservador brasileiro, a ver o horror que era a escravidão, e lançar a campanha abolicionista. Ainda que no famoso caso dificilmente Joaquim Nabuco estivesse contemplando um sorriso.

Como ele, sou pernambucano. Venho de uma terra onde as diferenças sociais são vistas como marcas da natureza, como montanhas, vales e pragas. Não sou dado a arroubos políticos, sou um niilista e cético. Sou versado em dialética materialista, psicanálise, mercantilização da vida e nos sete pecados capitais. Não tenho esperança alguma.

Por isso mesmo, sempre que percebo a generosidade no mundo, fico paralisado. O mundo cai no silêncio como se ali estivesse Deus em pessoa, cobrindo a precariedade humana com sua misericórdia.

Quando o espírito humano se ergue, o corpo cai de joelhos, dizia o saudoso Otto Maria Carpeaux citando algum luminar alemão.

Antes de eu embarcar, ela me disse: "Deus te abençoe".

Fosse eu um Dostoiévski, diria que fui visitado por uma "idiota de Deus", aquele tipo que ele tinha em mente quando disse que a beleza salvaria o mundo.

ponde.folha@uol.com.br