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domingo, 24 de dezembro de 2017

2017: o ano em que voltei a aprender - uma retrospectiva

Por André,

Quero dividir essa retrospectiva em duas partes. 2017 foi um ano muito positivo para mim, surpreendentemente positivo; ainda mais surpreendente, não apenas em termos de vida profissional, mas também em termos pessoais, o que me leva a querer rememorar as coisas dividindo-as nesses dois aspectos.

PROFISSIONALMENTE

Profissionalmente, dois acontecimentos são centrais para mim em 2017: uma definitiva estabilidade empregatícia, ainda que pouco rentável, mas muito importante para alguém que decidiu há alguns anos lidar profissionalmente com Filosofia. Depois, minha também definitiva consolidação no mercado editorial.

Para que os mais distantes dessa realidade tenham uma vaga ideia, esse ano eu dei 44 aulas por semana. 42 aulas semanais, divididas entre os períodos matutino e noturno. 44 aulas de 50 minutos, num total de 2200 minutos semanais, 9900 mensais, ou dito em horas: cerca 37 horas por semana dentro de salas de aula (desconsiderados os períodos de deslocamento, evidentemente). Pode parecer muito para alguns, pouco para outros, mas guardados os possíveis problemas, tanto trabalho assim me deu algum fôlego financeiro que eu não tive nos últimos dois anos. Mais a comemorar que a lamentar, certamente.

Nesse meio termo, devo ter trabalhado direta ou indiretamente na produção de mais de uma dúzia de livros, seja com edição, revisão, conferência ou tradução. Tudo isso nas horas do dia que sobravam depois de dormir, comer e dar aula.

2017 também foi o ano em que mais ministrei palestras e, creio eu, as que consegui atingir um melhor resultado. Falei sobre Trump e Brexit na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, sobre Eric Voegelin para o grupo Direita São Paulo, sobre a alt-right em Sorocaba, para mais de 300 pessoas e algumas outras. Já tenho pelo menos duas palestras de mesmo porte articuladas para os primeiros meses de 2018.

2017 também ficará marcado como o ano em que oficialmente estreei como autor de livros, graças ao amigo Marcio Scansani, com quem escrevo Saul Alinsky e a anatomia do mal, que adentrará o mercado no 2018 que já promete grandes realizações.

Desse quadro seria possível deduzir que a vida pessoal não foi lá grande coisa, mas isso não seria verdadeiro. Não em todos os sentidos possíveis pelo menos.


PESSOALMENTE


Peço licença para reproduzir uma postagem que escrevi dias atrás sobre uma das coisas boas que colhi na minha vida pessoal:

Uma das coisas que voltei a me dar conta em 2017 e serei incrivelmente grato a esse ano. 
Não sei se apenas eu ou se todo mundo, mas ser afetado pela soberba é um problema sério. A gente aprende razoavelmente bem certas coisas e começa a achar que aquilo é tudo que existe, presta, tem significado e relevância. Não é que não exista mais nada a ser aprendido (não me refiro a coisas puramente intelectuais, é óbvio, mas especialmente a "coisas da vida"), a sensação é mais ou menos a de saber que existem coisas lá fora que eu não sei, mas que se fossem importantes eu saberia, se não sei é porque não importam, logo, eu as desprezo. 
Aí a vida vai lá e mostra que aquilo que você sabe fazer, mesmo que bem, muito bem ou mesmo que você seja o melhor de todos, ainda sim não é tudo de relevante que existe. Há coisas de valor por aí que merecem ser sabidas, experimentadas e valorizadas. Me parece uma auto-imposição enganosa de uma zona de conforto da qual você só vai ser retirado por uma epifania, por uma surpresa, por um belo insight ou coisa do tipo, de resto vai continuar ignorando uma porção de coisas importantes e valorosas.

Isso é particularmente importante porque, digamos, humildade não é a primeira virtude (virtude?) na lista de virtudes que busco concretizar diariamente. Quando nos especializamos em algo, nos tornamos razoavelmente bons (ehh...) e passamos a nos dedicar praticamente full time a isso, tendemos a acreditar que toda a realidade gira em torno disso, ignorando todo o "resto". Que um puxão nessa corda tenha sido dado em mim e eu tenha recobrado a consciência que o mundo não gira em torno daquele minúsculo punhado de coisas que sei fazer razoavelmente bem foi realmente muito bom.

Outra coisa muito boa que pude experimentar esse ano foi o que tentei sintetizar no tweet abaixo:


Sobre isso escrevi detalhadamente no texto "Indícios de que se está cercado pelas pessoas certas", cujo ensinamento também acredito ser um ótimo legado de 2017.

Ortega y Gasset dizia que viver é eleger. O tempo todo estamos escolhendo aquilo que deve e não deve fazer parte das nossas vidas, considerando o que eu disse acima, digamos que eu pude sair de um estado de "já escolhi tudo que precisava" para "ainda há muita coisa digna, boa e importante" para ser escolhida pela vida que segue em frente. O critério para essas escolhas? Também provém de Ortega y Gasset e sua famosa afirmação sobre os "náufragos". Quais ideias realmente importam (ou deveriam importar)? Aquelas a que nos atemos quando estamos à beira da morte, na condição de náufrago: aquilo que lhe sobrar nessas condições é o que realmente importa a você. Sou grato a 2017 por ter retomado ciência disso.

Ainda nesse espírito, não posso evitar citar um trecho do logoterapeuta Viktor Frankl em que este trata do sentido da vida, o que dizendo de outra maneira também pode ser considerado meu legado pessoal de 2017, todos precisamos saber que nossas vidas possuem sentido e se houver um empurrãozinho de alguém, ainda melhor:

Uma vez que cada situação na vida constitui um desafio para a pessoa e lhe apresenta um problema para resolver, pode-se, a rigor, inverter a questão pelo sentido da vida. Em última análise, a pessoa não deveria perguntar qual o sentido da sua vida, mas antes deve reconhecer que é ela que está sendo indagada. Em suma, cada pessoa é questionada pela vida; e ela somente pode responder à vida respondendo por sua própria vida; à vida ela somente pode responder sendo responsável (FRANKL, 2005, p. 98 e 99).

Em resumo, é nosso hábito desejar um ano novo "próspero". Meu desejo só pode ser que 2018 seja uma continuação e a efetivação de toda a prosperidade que veio e se iniciou em 2017, tanto em nível profissional como pessoal!

E nesse Natal, digamos todos: FELIZ NATAL!








terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Respostas prontas para um Natal progressista

Por André,

Natal: essa festa capitalista e opressora onde as pessoas se presenteiam voluntariamente.

Essa época do ano é muito difícil para os habitantes iluminados do planeta Terra - os adoradores do nosso senhor Karl Marx. Nas mecas da sapiência (universidades públicas, cursos de humanas - onde se apreende a Verdade sobre o mundo), eles aprendem ao longo do ano sobre os males do capitalismo, do patriarcado, das pessoas brancas, dos heterossexuais, dos cristãos; aí chega o Natal, essa época em que as famílias, esse núcleo duro do capitalismo e da moral burguesa, se reúnem e aquela horda de parentes conservadores - tios, tias, avôs e avós particularmente - embora muito vividos e tendo servido de base de suas famílias por décadas, ainda não foram tocados pela Verdade do Nosso Senhor Michel Foucault, não atingiram o seu nível de iluminação, ao qual você, a duras penas, chegou a partir de uns baseados, a leitura de dois livros (e olhe lá) e a mesada do papai - realmente o prodígio da família.

Vamos lá. Algumas saídas pela tangente básicas pra você aplicar nos seus parentes reaças (nunca subestime o poder das clássicas "burguês!", "fascistas!", "racistas!" e "reacionários!" são onipotentes e se aplicam a todos que discordam de você, não economize nesses argumentos tradicionais e brilhantes):

"E as namoradas?" - se seu tio neonazista (ele até é careca!!) vier com essa, diga que você jamais teria namoradaS porque não faz parte do patriarcado opressor que coisifica a feminilidade - você só tem relacionamentos abertos e do bem. Também mencione que essa perseguição com namoradXs é caso típico da opressão ocidental heteronormativa.

"E os namorados?" - se sua vó ou tia fascista e reacionária vier com essa pergunta preconceituosa pra cima de você, diga que você não aceita pressões dessa sociedade podre e opressora. Você é feminista e independente com muito orgulho, terá quantos gatos e pêlos (talvez coloridos) na axila quiser. Você não precisa de um namorado ou marido para ser mãe de pet.

"É pavê ou pacumê?" - você não pode deixar essa "piada" politicamente incorreta do seu tio passar batido, pois ela denota a indiferença capitalista pelas criancinhas famintas, além de ostentar esta sobremesa típica da elite reacionária paulistana - lembre-se que ostentação deveria ser crime previsto no código penal, segundo São Sakamoto.

"O que você quer ganhar do Papai Noel" - ganhar presente do Papai Noel? Essa sua vó ou mãe acha que o descendente moral direto de Che Guevara acredita nessa invenção capitalista, nesse velho moralista e meritocrata, inventado por esse sistema podre pra controlar nossas crianças? Não, não e não! Papais Noéis NÃO PASSARÃO!

"Você se comportou bem esse ano?" - comportar bem? Jamais! Tirei muita foto na Paulista nas manifestações de junho, "só olha no Insta e no Face, tia" #ogiganteacordou #desculpeotranstornoestamosmudandoopaís. Não aceito os padrões de comportamento judaico-cristãos, ocidentais, conservadores e opressores.

EDIT 2018: você não emplacou o #EleNão nas redes sociais pra ter de ouvir esse tipo de pergunta dos parentes reaças. O combate ao fascismo não acabou! A resistência começa hoje, na ceia de Natal!!

"Quer um pedaço do peito do peru, meu filho?" - sério isso? Apenas nesse festejo burguês e machista, além de matarem o inocente animalzinho, o centro das atenções é um peru (!) e a parte mais suculenta o peito (!!). Absurdo! Essa é a liberdade neoliberal tucana?! Esse é um dos sinais mais claros que vivemos sob uma ditadura falocêntrica e carnocêntrica.

"Em quem você votou, meu queridx?" - se seus tios tucanos quiserem ressuscitar o tema eleições, não deixe barato e demarque bem sua posição: votou na tia Lulu no primeiro turno, porque você acha que ela ia fazer o socialismo dar certo pela primeira vez na história do mundo. Depois diga que você "não é petista, mas..." votou na Dilma porque jamais elegeria o playboyzinho que ia acabar com a Petrobrás, aumentar os juros, cortar gastos e colocar um banqueiro no ministério da Fazenda! Vê se pode, votar no PSDB é votar contra os oprimidos e você jamais faria isso.

EDIT 2016: seus tios reaças provavelmente apoiaram o golpe, saíram na rua gritando "Cunha guerreiro, herói do povo brasileiro" na esperança que Aécio assumisse a presidência. Não deixe de mostrar que você é como o Murilo Cleto, autor do livro "Por que gritamos golpe": foi GOLPE sim! Nesse caso deixe no ar se você se refere à queda do governo Dilma ou às porradas que enfia na cara da sua namorada.

EDIT 2018: as coisas pioraram muito desde que este manual foi escrito. A luta agora não é mais apenas contra o apocalipse neoliberal tucano, mas contra o nazifascismo daqueles que compartilham sua carga genética. Seus parentes não apoiaram apenas o golpe. Seu tio pançudo não vai se vestir de papai noel, mas de Duce, ele mesmo, o próprio Benito Mussolini (não sem antes sua vó ter adornado a árvore de natal com sininhos com carinhas de Adolf Hitler) e é claro que você, voz da resistência, irá afrontá-lo - suba antes disso com os presentes para o seu quarto, é claro). Se fere sua existência (infelizmente seu cunhado está bem triste que sua existência não foi ferida até agora), você será resistência! Agora vai funcionar!

É muito difícil lidar com o atraso medieval dos seus parentes, todos sabem. Quando você, único iluminado da família, for professor, articulista ou político, todo mundo será politizado e bem informado, pensando igualzinho a você e rejeitando essas instituições homofóbicas e tucanas. Ah, e falando em tucanos, caso algum cunhado venha lhe falar do mensalão, Genoíno, Dirceu e outros cumpanheiros, não se esqueça de enfatizar a burrice dele por assistir a Globo e ler a Veja, empreste suas últimas edições da Carta Capital e Caros Amigos - ou um link do blog do PH Amorin, pois lá sim você vai ouvir falar do 'mensalão tucano' e vai descobrir que o PT fez o seu apenas para não ficar pra trás.

A época é triste, mas tenha esperança: seu paraíso onde todos pensam que nem você, fumando um, nunca esteve tão próximo. Não perdoe sua família atrasada, eles precisam saber a Verdade.

P.S.: apague o "sent from iPhone" das suas fotos com cara ateu na igreja (e esconda o docinho da vovó que reza o terço toda semana, por favor), pode pegar mal com aquele cumpanheiro das manifestações de junho. Ou não.

"Boas festas".

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Ateus devem comemorar o Natal? A concepção objetivista de Ayn Rand

Por André,


É ADEQUADO A UM ATEU COMEMORAR O NATAL?

Claro que sim. Um feriado nacional [em um país laico] não pode ter um significado exclusivamente religioso. O significado secular do feriado de Natal é mais amplo do que os dogmas de qualquer religião em particular: significa boa vontade para com os homens - um estado de espírito que não é propriedade exclusiva (embora supostamente seja parte, mas uma parte grandemente não observada) da religião cristã.

O aspecto atraente do Natal é o fato de que ele expressa boa vontade de uma maneira alegre, feliz, benevolente, não-sacrificial. As pessoas dizem: "Feliz Natal" – e não "Chorai e vos Arrependei." E a boa vontade é expressa em uma forma material, terrena - dando presentes aos amigos ou lhes enviando cartões em sinal de recordação.

O melhor aspecto do Natal é o aspecto normalmente condenado pelos místicos: o fato de que o Natal foi comercializado. A compra de presentes (...) estimula uma enorme exibição de engenhosidade na criação de produtos devotados a um único propósito: dar prazer aos homens. E as decorações de rua instaladas pelas lojas e outras instituições - as árvores de Natal, os pisca-piscas, o brilho das cores - dão à cidade um aspecto espetacular, o qual só a "cobiça comercial" poderia nos fornecer. É preciso ser terrivelmente deprimido para resistir à maravilhosa alegria deste espetáculo". (AYN RAND)

http://aynrandlexicon.com/lexicon/christmas.html
Leia também: O Natal deve ser mais comercial por Leonard Peikoff, estudioso do objetivismo.
Créditos pela tradução: Breno Barreto, do grupo Ayn Rand Brasil no Facebook.

IMB - Um presente de Natal definitivo para a minha filha

IMB - Um presente de Natal definitivo para a minha filha

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Natal deve ser mais comercial

Por Leonard Peikoff



O Natal na America é uma demonstração exuberante da generosidade humana, produtividade capitalista e uma celebração da vida. Ainda assim, todas essas coisas são castigadas como “materialistas”; o significado real do feriado, eles nos dizem, é sobre o mito da natividade e injunções altruístas (como amar o seu próximo) que ninguém leva a sério.

Na verdade, o Natal como nós celebramos atualmente é uma invenção americana do século 19. A liberdade e prosperidade no período após a Guerra Civil Americana criou a nação mais feliz da história. O resultado foi um desejo de celebrar, deleitar-se com os bens e prazeres da vida na terra. O Natal (que não era um feriado nacional até 1870) se tornou a principal data para expressar isso.

Historicamente, as pessoas sempre celebraram o solstício de inverno quando o tempo começava a alongar, indicando o retorno da terra a vida. Os antigos Romanos celebravam isso durante o festival de Saturnalia. Os primeiro cristãos condenaram essas celebrações romanas. - eles estavam aguardando o fim do mundo e tinham uma rejeição profunda a prazeres na terra. No seculo 4, os pagãos adoravam o deus do sol em 25 de dezembro, e os cristãos tomaram uma decisão: se você não pode impedí-los, junte-se a eles. Eles declararam que a data era o nascimento de Jesus e usurparam o feriado de solstício para sua igreja.

Mesmo depois dos cristãos roubarem o Natal, eles foram ambivalentes. O feriado era inerentemente um festival pró-vida de renovação terrena, mas os cristãos pregavam a renúncia, o sacrifício e a preocupação com o outro mundo, não esse. Como Cotton Mather, um clérigo do século 18, colocou: “Você pode em sua consciência pensar que nosso sagrado salvador é honrado por alegria? Será que deve ser dito que no nascimento do nosso salvador nós devemos gastar nosso tempo com ações que tem muito mais a ver com o inferno do que com o céu?

Então vieram os grandes desenvolvimentos do Capitalismo no século 19: industralização, urbanização, o triunfo da ciência - tudo isso levando a transportes cada vez mais fáceis, entrega eficiente de cartas, a publicação generalizada de livros e revistas, novas invenções que fazem a vida confortável e excitante e o surgimento dos empreendedores que entenderam que a forma de lucrar era produzir algo bom e vender no mercado de massa.

Pela primeira vez, dar presentes se tornou uma importante característica do Natal. Os primeiros cristãos denunciaram o ato de presentear como uma prática romana, e os puritanos a chamaram de diabólica. Mas os americanos não foram detidos. Graças ao Capitalismo, há riqueza suficiente para tornar presentes possíveis, um grande aparato produtivo para anunciá-los e torna-los disponíveis de forma barata e um país tão contente que os homens queriam presentear seus amigos e expressar a maravilha que é a vida. O país inteiro começou a dar presentes com alegria em uma escala sem precedentes.

Papai Noel é uma invenção americana. Havia há muito tempo atrás um fraco feriado conectado com o santo Nicholas (em 5 de dezembro). Em 1822, um americano chamado Clement Clarke Moore escreveu um poema sobre uma vista do santo Nick. Foi Moore (e alguns poucos novaiorquinos) que inventaram a aparência física do st. Nick e sua personalidade, e vieram com a ideia de que o Papai Noel viaja na noite de Natal em um trenó puxado por renas, descendo as chaminés, deixando brinquedos para as crianças e então voltando para o Polo Norte.

Como era de se esperar, os puritanos denunciaram o Papai Noel como o anticristo, porque ele colocava Jesus no pano de fundo. Além disso, o Papai Noel implicitamente rejeitava toda a ética cristã. Ele não denunciava os ricos ou demandava que eles dessem tudo para os pobres; pelo contrário, ele dava presentes da mesma forma para as crianças, fossem elas ricas ou pobres. Papai Noel também não era um defensor da misericórdia e do amor incondicional. Pelo contrário, ele defendia a justiça - o Papai Noel presenteava somente garotos com bom comportamento, e não dava nada para os ruins.

Os melhores costumes do Natal, das canções a árvores com decoração espetacular, tem sua raiz em ideias e práticas pagãs. Esses costumes foram ampliados enormemente pela cultura americana, como produto da razão, ciência, negócios, globalização, egoísmo e busca da felicidade.

A tragédia da America é que os líderes intelectuais tem tentado substituir a felicidade pela culpa ao insistir que o significado espiritual do Natal é religioso é o auto-sacrifício. Mas o espiritual deve começar com o reconhecimento da realidade. A vida requer a razão, o egoísmo, capitalismo; isso é o que o Natal deve celebrar - e na verdade, abaixo de toda essa pretensão, isso é o que é realmente celebrado. É hora de pegar de volta o Natal dos cristãos e transformá-lo em um feriado egoísta sem culpa, pró-razão, essa celebração mundial do comércio.

Tradução de Juliano Torres.