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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Discussão nas ruas do Leblon sintetiza debate político na Banânia

Por André,


Esquerda caviar ("pinguim", o cineasta "que ganha muito dinheiro" e vê o Batman como a marca do imperialismo americano) versus esquerda chulé (que abraça árvores e "manifesta" e ao fazer isso acha que está ajudando o mundo a se tornar um lugar melhor) versus lances de "direita caricata" repetidora de chavões mal-digeridos, coisas que ouviu aqui e ali e mal sabe o que significa.

A América Latina é o Jurassic Park das ideologias; o Leblon, ao que parece, é a morada dos tiranossauros.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Ainda sobre funk

Por André,

"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário."
George Orwell

Comentei ontem o veto do prefeito Haddad ao projeto que previu proibir bailes funk, o amigo Flavio Morgenstern fez o mesmo, só que com a maestria que lhe é característica. Quero retomar o tema para fazer mais alguns adendos de ordem filosófica e antropológica.

O especialista em música Régis Tadeu participou de um "debate" sobre o funk com as "Tequileiras" e com "MC Rodolfinho" num programa da Redetv. Não conheço o trabalho de Régis, mas o sujeito claramente é um entendedor do assunto música, tanto do ponto de vista técnico quanto histórico, ele segue o estilo "jurado linha-dura", marrento, exigente e de poucos sorrisos, esse é o estilo que ele faz quando trabalha como jurado no show de calouros do Raul Gil (ele é o Simon brasileiro do British Got Talent - a plateia vaia, xinga, mas os candidatos entram lá para impressioná-lo e saem de lá felizes quando recebem elogios dele). Régis é dono de um acervo pessoal de mais de 2.000 discos, certamente um estudioso da matéria.

Pois bem, ao "debate":


Vamos ignorar a total e completa falta de articulação e capacidade de argumentar dos convidados e partir para o que interessa. Após muito esforço, o que sobra dos "argumentos" em defesa do funk?

1) "mas as pessoas gostam" ou "temos público" - subjetivismo coletivo.

Isso certamente é verdade, mas de forma igualmente certa não depõe em favor da beleza estética do funk. Aliás, qualquer manifestação artística que precise recorrer ao apoio da voz popular, como se a Beleza/Arte/Cultura fosse algo decidido por maioria de votos, está num péssimo caminho.

Ademais, a maioria numérica das pessoas já gostou de muitas coisas admitidamente ruins. Por que no caso do funk isso serviria como critério de prova?

2) subjetivismo individual: "essa é a sua opinião, eu tenho a minha".

Num nível ainda inferior ao 1, apela-se ao puro sentimento individual de que sua opinião própria, mesmo que desprovida de argumentos sólidos, traz algum significado positivo à discussão.

É um argumento "imbatível", porém aplicável a QUALQUER coisa! Alguém que afirme que matar judeus é moralmente justificável porque estes são judeus não pode se defender da sua afirmação alegando que esta é apenas "sua" opinião e ponto final. O subjetivismo nada prova e legitima qualquer coisa.

3) apelo ao sensualismo e estetismo rasteiro.

Esse é um argumento com que os 'intelectuais' costumam flertar bastante (impossível não me remeter ao texto de Alexandre Borges "Mais uma jabuticaba brasileira: o sociólogo de entrevista" - 99% da classe intelectual "defensora" do funk é oriunda de alguma área das humanidades, cheio de fala malemolente e teorias mirabolantes - mas quantos experts em música do gabarito de Régis são convidados a opinar?).

No fundo, o funk é "lindo" porque é "agradável" aos olhos/ouvidos de alguns que o veem/ouvem. Por que é agradável? Porque ativa as áreas animalescas, do prazer sexual, daqueles que o assistem - ou tem, ou alega-se ter, uma "batida" agradável. Como os que assistem são, usualmente, pobres, é natural que o revolucionário que afirmar a verdade em duas frases ganhará uma empolada crítica dos intelectuais de boteco de plantão e causará críticas do tipo "fascista", "nazista" e "reacionário" aos que ousarem criticar o sensualismo que causa prazer nos pobres.

Hipnotismo sensualista
Está implícito no argumento que o funk não é grande coisa mesmo. Provavelmente não é belo nem possui qualquer outra virtude estética. Mas é agradável aos sentidos e nada mais importa. É a apoteose da sensação. Qualquer um deveria ver problema nisso, pedófilos sentem-se bem ao estuprar crianças, nazistas sentiam-se bem ao matar judeus. Desde quando o "sentir" pode ser critério racional para alguma coisa? Desde Aristóteles que sabemos que agir de maneira correta, isto é, moral, é justamente, não dar vazão às nossas "inclinações".

O defensor desse argumento é o mais perigoso de todos. É um "Stalin filosófico". Para ele as coisas não guardam qualquer valor por elas próprias, só o que importa é o que as pessoas depositam nela (que pode ser algo bom, algo ruim, hoje algo bom e amanhã algo ruim e assim sucessivamente). Se todos gostam, é bom.

Se você é incapaz de notar como esse argumento poderia municiar simplesmente QUALQUER coisa, inclusive, por exemplo, o nazismo (não, eu não estou comparando o funk ao nazismo, apenas mencionando que o argumento utilizado para defender um poderia tranquilamente ser usado para defender o outro), você está em sérios problemas.

MC Rodolfinho é quase um filósofo pós-moderno: é relativista, sensualista e adepto do estetismo rasteiro que denuncio aqui, quando Regis afirma que ele é destonado, o MC replica "eu não acho". Oras, estar fora do tom não é uma questão de "achar ou não achar", é um dado objetivo da realidade teorizado pela análise técnica da música.

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Que um certo grupos de intelectuais está empenhando em avançar contra a realidade ostensiva e pragmaticamente desde, no mínimo, a década de 60, é evidente. Mas pergunto aos mais desavisados que podem não ver "nada demais" em toda a história: se sabidamente o funk é esteticamente ruim e também é ruim do ponto de vista estritamente técnico da teoria musical, qual o interesse subjacente dos sociólogos e "senhores das humanidades" (mesmo que, muitas vezes, as letras de funk tenham teor machista e de "ostentação" - coisas que deveriam deixar a intelligentsia esquerdista de cabelo em pé) em defender o ritmo, senão algum ardil puramente ideológico?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O baile funk do Haddad

O baile funk do Haddad

A defesa do funk e seus ardis

Por André,

Me surpreende uma declaração do prefeito Fernando Haddad acerca de seu veto à lei que proibiria os "proibidões". Segundo o ilustríssimo prefeito:

“funk é uma expressão legítima da cultura urbana jovem”

O que a declaração de Haddad revela? Que todos que forem contra a utilização de espaços públicos para realização de bailes funk são contra a expressão de uma "cultura urbana jovem". Malvadões demais, não?

Ao que parece já existe lei que preveja a proibição de eventos do tipo em espaços públicos. O caso é mais sério do que parece: um largo espaço é monopolizado, utilizado para emissão de som alto que vara a madrugada, consumo ostensivo de drogas, ocupação do espaço de entrada e saída de veículos etc. etc. Que o caso se enquadra num típico caso de "perturbação da ordem pública" é evidente a quaisquer olhos que repousem sobre a questão. 

Contudo, como tudo que envolva a "defesa" de certas minorias nos dias de hoje, a questão está envolta por um espesso véu ideológico. Segundo os experts de plantão, todo o ódio da classe média fascista contra o funk é explicado porque este representa a "felicidade" do pobre. Será mesmo?

Mais uma vez a visão desses intelectuais volta-se para a lua em vez da terra. Será mesmo que o funk representa a ~felicidade dos pobres~? Todo pobre aprecia o som alto e as letras poéticas na porta de suas casas por toda uma madrugada? Ou seriam essas explicações apenas a tentativa de CRIMINALIZAR não o funk, como alega a intelligentsia, mas justamente quem simplesmente não aprecia o estilo?

Pois as explicações e justificativas dão a entender que apenas quem é contra a "expressão de uma cultura urbana jovem" ou quem é "contra a felicidade dos pobres" não gosta de funk e quer criminalizá-lo. A imaginação totalitária dessas pessoas não conhece limites. Que tal simplesmente ser um barulho incômodo, como qualquer outro? Que tal uma simples perturbação da ordem pública, como qualquer outra?

Muitos poderão alegar que tais acusações só recaem sobre o funk porque ele "é de pobre", de "favelado" etc, não atinge outros tipos musicais que até falam de sexo ou drogas. Porém, você já viu (e mesmo que tenha visto, pense na frequência) alguma orquestra fechando vias públicas para se apresentar? Já viu um monte de gente de meia-idade sentada no asfalto, impedindo o tráfego, ao som de uma MPB alta e "nervosa"? E não me falem em falta de espaço, pois o comportamento se observa nos carros individuais de funkeiros. O som ser alto e ouvido por todos é condição sine qua non do "processo funkeiro". A coisa é toda construída para ser alta e, consequentemente, incômoda.

É evidente que tais acusações recaem sobre o funk porque apenas ele se propõe a gerar tais incômodos. Desconheço gente que tenha sofrido algum caso semelhante devido à truculência do maestro João Carlos Martins em ocupar por 12 horas uma via pública para executar suas bachianas.

A discussão segue, mas o post tentava alertar contra os ardis dos intelectuais engajados na defesa do funk (procurem um padrão entre eles, pois existe um e ele é muito claro): eles querem pintar uma imagem muito específica e delimitada de quem é "contra o funk" (curiosamente é a mesma que tenta-se imputar a quem defende penas rigorosas para criminosos, o combate às drogas, o porte de armas e outras pautas ditas "reacionárias"). Essa gente é perigosa (literalmente, não é exagero) e está aí para excluir qualquer postura que não seja a sua. Cuidado.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Vladimir Volkoff e a definição do “politicamente correto”


Vladimir Volkoff é doutor em filosofia, professor de inglês, militar durante a guerra da Argélia, funcionário do Ministério da Defesa e, mais tarde, professor de línguas e literatura francesa e russa nos Estados Unidos. Foi o primeiro escritor que dedicou seriamente seus estudos na França à manipulação informativa. Parente de Tchaikovsky, é um dos escritores melhor situados na hora de explicar o conceito que conhecemos como “politicamente correto”, tema de seu último livro publicado pela Editions du Rocher: “La désinformation par l’image”. Nos encontramos com este autor que transpira humor e cultura por todos os seus poros e que nos prodigalizou alguns conselhos para combater esse veneno que ataca nossa sociedade.

      Marc Vitellio – Qual é a sua definição do “politicamente correto”?

      Vladimir Volkoff – O politicamente correto tal como o conhecemos hoje, representa a entropia do pensamento político. Como tal, é impossível defini-lo, pois carece de um verdadeiro conteúdo. Seu fundamento básico é aquele do “vale tudo”. Nele encontramos restos de um cristianismo degradado, de um socialismo reivindicativo, de um economicismo marxista e de um freudismo em permanente rebelião contra a moral do ego. Se compararmos a demolição do comunismo com uma explosão atômica, diríamos que o politicamente correto constitui a núvem radioativa que acompanha a hecatombe.

      Marc Vitellio – Em que consiste o “politicamente correto”?

     Vladimir Volkoff - O politicamente correto consiste na observação da sociedade e da história em termos maniqueístas. O politicamente correto representa o bem e o politicamente incorreto representa o mal. O sumo bem consiste em buscar as opções e a tolerância nos demais, a menos que as opções do outro não sejam politicamente incorretas; o sumo mal encontra-se nos dados que precederiam à opção, quer sejam estes de caráter étnico, histórico, social, moral ou mesmo sexual, e inclusive nos avatares humanos. O politicamente correto não atende à igualdade de oportunidade alguma no ponto de partida, mas ao igualitarismo nos resultados no ponto de chegada.

     Marc Vitelilo – Quem o inventou?

     Vladimir Volkoff – Ninguém inventou o politicamente correto: ele nasceu como conseqüência da decadência do espírito crítico da identidade coletiva, quer seja esta social, nacional, religiosa ou étnica.

     Marc Vitellio – Quem o pratica?

     Vladimir Volkoff – O politicamente correto é de uso comum entre os intelectuais sem raízes, porém como é contagioso, é normal que outras pessoas estejam contaminadas sem que estejam conscientes disso.

     Marc Vitellio – Como podemos nos desintoxicar?

     Vladimir Volkoff - A desintoxicação é difícil, na medida em que vivemos em um mundo onde a mídia (e a palavra mídia é, em si mesma, um barbarismo politicamente correto) adquiriu uma importância desmesurada e são precisamente os responsáveis por essa infecção coletiva. O primeiro remédio consiste em tomar consciência de que o politicamente correto existe e que circula sobretudo através de nosso vocabulário. O segundo, seria tomar consciência de que o “eu” forma parte de um “nós”  e de que este “nós” deve proteger o “eu” contra o que “se diz…” politicamente correto. O terceiro remédio consiste em pôr em prática a consciência de renúncia à toda terminologia politicamente correta e às ideologias sobre às quais se apoia. Por exemplo, devemos dizer “aborto” em vez de “interrupção da gravidez”, “surdo” em vez de “deficiente auditivo”, “velhice” em vez de “terceira idade”, “bandido” em vez de “inadaptado”. Nem todo “professor” é um ”mestre”.

     Marc Vitellio – Quais são os estragos produzidos pelo “politicamente correto”?

     Vladimir Volkoff - Consistem fundamentalmente em confundir o bem e o mal, sob o pretexto de que tudo é matéria opinativa.

     Marc Vitellio – À parte a nação, quais são os alvos do “politicamente correto”?

     Vladimir Volkoff – Os alvos prediletos são a família, as tradições e, sobretudo, a crença nisto, posto que para o politicamente correto só há uma verdade e o resto é falso.

     Marc Vitellio – O senhor tem a impressão de que a França é um dos países mais atingidos pelo “politicamente correto”?

     Vladimir Volkoff – O politicamente correto é supranacional como todas as enfermidades. Se estamos em condições de afirmar que nasceu em determinadas universidades americanas, a verdade é que expandiu-se rapidamente por todo o mundo. Talvez nos países de tradição cristã-ortodoxa se resista mais e melhor a esta epidemia, provavelmente devido à propaganda comunista, talvez à própria fé religiosa. Vimos recentemente com os casos da Sérvia e da Rússia.

     Marc Vitellio – Como identificar uma pessoa “politicamente correta”?

    Vladimir Volkoff – Geralmente é uma pessoa que se considera tolerante, mas jamais pratica a tolerância.

    Marc Vitellio – Como evitar a contaminação?

     Vladimir Volkoff – É verdade que o politicamente correto nos espreita e se apresenta sempre com argumentos inocentes e de fácil assimilação. Trata-se de rechaçar sua inocência e repudiar essa facilidade de assimilação. É necessário, do mesmo modo, prevenir-se contra o mimetismo de falar como os demais. Novamente sob o risco de parecer enfadonho, o vocabulário politicamente correto é o principal veículo de contágio. Em qualquer caso, devemos afirmar que o politicamente correto é uma fé débil e, como tal, não resiste a uma enérgica aplicação do espírito crítico. Não devemos ser submissos aos sentimentos e opiniões generalizadas: o espírito contraditório mais obtuso vale sempre mais do que a livre aceitação do pasto midiático.

     Marc Vitellio – Segundo o sr., quais podem ser as conseqüências a curto e médio prazo do triunfo do “politicamente correto”?

     Vladimir Volkoff – O politicamente correto prepara o terreno de forma ideal para as operações de desinformação e para a expansão da globalização. Quando todo o mundo acreditar que as verdades podem ser objetos de truque, de que não existem nem verdades nem mentiras, o mundo estará preparado para receber a mesma propaganda, de participar da mesma pseudo-opinião pública fabricada para consumo universal. E esta pseudo-opinião pública aceitará qualquer ação, inclusive as mais brutais que indefectivelmente irão em benefício dos manipuladores.

     Notas

     1. Obras de Vladimir Volkoff sobre a manipulação da informação: “Le montage” (ganhador do Grand Prix du Roman da Academia Francesa, 1982), “La désinformation, arme de guerre”, “Petite histoire de la désinformation”, “Désinformation, flagrant délit”, “Manuel du politiquement correct” e “La désinformation par l’image”.
     2. Tradução de Graça Salgueiro

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Contra o mimimi acadêmico de Pindorama: "Elogio do insulto"


Bem, não tivemos em nossa última edição o elogio do jeitinho? Agora teremos a defesa da polêmica, do humor escrachado, do palavrão desequilibrado, do sarcasmo – enfim, de tudo aquilo que o jornalismo cultural (em especial, o tupiniquim) evita como o diabo que foge da cruz. Lá na terra de Obamis, tivemos o caso de David Denby, que resolveu publicar um pequeno livro contra uma determinada espécie de polemista: o snark. O termo parece ter saído do Finnegans Wake, de James Joyce, e significa mais ou menos o seguinte: para Denby, existe um tipo de polêmica cultural que infecta os meios intelectuais e que é nociva porque incentiva o xingamento pelo xingamento, o sarcasmo pelo sarcasmo – ou seja, a diversão de ofender o seu adversário sem se importar se ele tem alguma dignidade.

Ao que parece, o livro de Denby – crítico de cinema da The New Yorker que não hesitou em fazer as suas polêmicas sobre alguns filmes – foi um fracasso de público e de crítica (é só ler as resenhas dos leitores da Amazon). Não é por acaso: apesar da maioria dos americanos achar que Obamis é o salvador do mundo, alguns ainda acreditam que uma boa polêmica é sempre igual a uma boa porrada. Os EUA sempre foram uma nação dominada pela luta intestina entre suas várias facções políticas, que muitas vezes terminam em tragédias (é só lembrar das lutas raciais e dos atentados contra vários presidentes), outras vezes terminam em reformas fundamentais para a estrutura democrática (é o exemplo do debate em torno da Constituição que aconteceu na década de 1780).

Mas há algo mais para a defesa da polêmica, do sarcasmo e do insulto no ambiente cultural. Sem estas três características, não poderíamos recuperar a nossa própria humanidade. A tese não é minha, mas sim de Nicholas Desai, autor de um excelente ensaio sobre Aleksander Solzhenitsyn, o responsável por esse grande livro de mártires que é Arquipélago Gulag. De acordo com Desai, em resposta ao argumento de Denby, Solzhenitsyn é um excelente exemplo de snark russo, que usou do sarcasmo e até da ofensa (afinal, o russo foi para um gulag justamente porque fez uma piada a respeito de Stálin) para relembrar ao leitor da crueldade que o totalitarismo estava a provocar com a Rússia. Desai exemplifica:

One of the funniest (and snarkiest) passages in the whole book describes how the Tsarist justice system dealt with Lenin before the revolution. After relating, among other things, how under communism entire peasant families were executed for “hoarding” the crops they hoped to subsist on, Solzhenitsyn describes the ordeals of the young Vladimir this way:
…he was merely expelled. Such cruelty! Yes, but he was also banished….To Sakhalin? No, to the family estate of Kokushkino, where he intended to spend the summer anyway. He wanted to work, so they gave him an opportunity….To fell trees in the frozen north? No, to practice law in Samara, where he was simultaneously active in illegal political circles. After this he was allowed to take his examinations at St. Petersburg University as an external student. (With his curriculum vitae? What was the Special section thinking of?)
That dismissive “Such cruelty!” is related to what is one of his strangest rhetorical effects, namely how when describing the remorseless cruelty of the Soviet system, he seems almost, but not quite, to convey admiration for their total lack of scruples. This black humor is just one element of tone that achieves a chord-like complexity, giving the lie to the notion that snark is always simple.

Ou seja: um mundo cultural destituído de polêmica e de insultos é um mundo que começa a perder a sua humanidade. No Brasil, o caso é de uma patologia clássica: todo mundo agrada todo mundo e, quando há sempre um outcast que resolve furar o bloqueio, sacam misteriosamente um abaixo-assinado ou chamam as forças da mídia para a realização de um manifesto ou de uma passeata. Nem sequer é uma espécie de “patrulha ideológica”; é um exemplo cristalino de “egocentrismo cognitivo“, para usar o termo de Richard Landes. O intelectual ou jornalista brasileiro só vê o que quer porque é a única coisa que o seu mundinho fashion permite. Ao contrário dos EUA, o meio cultural brasileiro sempre preferiu a conciliação e, exceto por um ou outro evento, nunca houve um embate intelectual de grande porte por essas plagas.

Aqui, se alguém parte para a verdadeira porrada, logo é tratado como “louco”, “grosso”, “paranóico” – termos vazios de sentido que atingem a pessoa, nunca o que ela está a discutir. Com este tipo de argumentação, a única coisa que resta para os poucos snarks nacionais é mandar seus oponentes para o lugar que merecem. Afinal de contas, a humanidade só recupera o que é seu se levar um bom pontapé na bunda.

E nem preciso dizer que, da minha parte, se alguém me chamar da mesma coisa, quero mais é que tome um piparote na testa.

Paulo Ghiraldelli: querer punir pedófilo é coisa da "direita fascista"

Por André,

Muitos dos que têm o desprazer de acompanhar os sites e blogs do (sic) "filósofo" da cidade de São Paulo (risos) Paulo Ghiraldelli; dizem que este senhor, apto a mostrar a própria bunda em vídeos públicos, expor a esposa mais jovem e bonita que ele publicamente, fazer postagens seguidas e sem nexo em grupos no Facebook etc. etc, já é conivente com a pedofilia abertamente desde um bom tempo, porém, o texto a seguir é emblemático, "Amor e sexo entre pequenos e grandes":

 A nossa história está repleta de exemplos de uniões com êxito – legitimadas por épocas, locais e culturas correspondentes – entre pessoas de idades diferentes. A nossa história registra casos em que relações sexuais, até mesmo com certa violência, não deixaram marcas físicas e psicológicas em nenhuma das pessoas que estiveram envolvidas com isso na infância (lembrem de suas infâncias, leitores). A nossa história tem nos ensinado, também, que não são poucas as crianças que fantasiam experiências com adultos e que, uma vez perguntadas se foram “abusadas” sexualmente, dizem sim – com orgulho, de acordo com a expectativa dos que perguntam.

Esses três itens, se bem observados, já seriam o suficiente para que a “caça às bruxas” que nossa sociedade ocidental tem desenvolvido recentemente contra o que classifica de “pedofilia” fosse repensado. Todavia, parece que as pessoas que descobriram esse filão – a denúncia da pedofilia – já não estão mais interessadas em desenvolver esse tipo de reflexão que eu levo adiante, pois elas temem perder o emprego. Sim, infelizmente, a denúncia da pedofilia virou menos um dever de cidadão e mais um emprego. E eis que nossa sociedade começa a se aproveitar de um rousseuísmo perverso, disseminado entre nós, para condenar toda e qualquer prática de relacionamento que não se enquadre nos padrões que elas acham o correto. O resultado parece ser algo pouco saudável. O resultado nos coloca na busca de uma comunidade asséptica, que ao fim e ao cabo deverá punir todos os que não fazem sexo no estilo “papai e mamãe”, isto é, de pijama, só depois da novela e, enfim, rigorosamente com parceiros heterossexuais e de mesma idade.

Isso não é só hipocrisia. Isso não é só cegueira ideológica e, quem sabe, religiosa. Isso é nazismo. Tudo que destoa de um padrão que não é de fato padrão, pois ninguém segue, mas que é adotado como padrão por funcionários públicos e pessoas mal amadas, é transformado em crime. Começamos o retorno a um clima de Inquisição: todos são pecadores, todos são pedófilos, pois em algum momento entraram em um site – e tiveram tal atividade registrada no seu PC – que continha algum tipo de foto considerada por esses especialistas como “fora da lei”. Aos poucos, pais que tomam banhos com filhos começam a ser vistos como pervertidos. O terrorismo em uma sociedade pode ser feito de diversas maneiras.

Tudo isso é incentivado pela “denúncia anônima”, qu é um perigo – todos sabemos. Cada um pode pegar seu telefone e denunciar o comunista de hoje em dia, ou seja, o “pedófilo”. Junto com o pai que não paga pensão, com o ladrão de galinha e com aquele que realmente nunca fez nada de errado mas tem inimigos, o pedófilo é agora o “top de linha”. Já ganha, de longe, para o suposto marido que agride a esposa. É o inimigo número 1 da nação. Pobre nação.

Aos poucos, na busca de conseguirmos uma sociedade melhor, em que pessoas que possam ser violentas sejam coibidas, damos passos largos para a criação de uma sociedade que ampliará a criminalização a um ponto de enfrentarmos os mesmos problemas que a sociedade americana enfrenta. Qual? Hoje, os Estados Unidos possuem um número de presos que é proporcionalmente o dobro do de outros países campeões nessa modalidade. Visivelmente isso não é Justiça; é isso que os americanos discutem atualmente. Eles se perguntam: em que momento de nossa história demos o passo errado e criamos um monstrengo que faz com que todo e qualquer cidadão possa ter uma ficha policial com alguma infração? E pior: em que momento entulhamos nosso aparato judiciário de modo que os crimes que realmente prejudicam a sociedade como um todo foram deixados de lado?

Estou longe de querer deixar crimes impunes. E mais longe ainda de fazer a defesa de algo como a pedofilia. Mas não concordo com a forma como a nossa sociedade está julgando várias pessoas, sem levar em conta nossa tradição cultural, sem considerar o que de fato consideramos correto no Ocidente, e o que é e o que não é “abuso sexual” com crianças e jovens.

Nisso tudo há uma falta completa de reflexão filosófica. E as pessoas que estão envolvidas em órgãos que buscam coibir a pedofilia, nem sempre se mostram preparadas para entender situações que só com mais esclarecimento intelectual e mais vivência poderíamos entender. Uma coisa que essas avaliações não levam em conta é que crescer e se tornar adulto não é uma tarefa fácil. Nem todos conseguem. Talvez, até, possamos dizer: poucos conseguem. Parece natural nascer e crescer e ficar adulto. Mas não é natural. É um processo social e histórico.

Caso os que estão envolvidos em estudos sobre pedofilia, abuso sexual, relacionamento familiar, violência doméstica etc. quiserem começar a pensar seriamente, podem inciar pelo filme “Little Children” (“Pecados íntimos”, no Brasil). Ele esteve em nossos cinemas, e agora já está disponível nas locadoras. Não prestem atenção somente no pedófilo do filme. Prestem atenção em todos os personagens. Cada um deles, em um determinado momento, ainda está preso em sua própria infância ou em uma situação em que a infância ainda não se tornou coisa do passado em sua vida. Apesar de todos serem oficialmente adultos e de todos tentarem cumprir, como nós, suas obrigações sociais, todos os personagens são um pouco ... infantis. Cada um de nós, de algum modo, é um daqueles personagens. Cada um de nós não cresceu tudo que queria ou tudo que deveria. Somos “pequenas crianças”. E as crianças, muitas vezes, sabem disso. No limite, às vezes é mais fácil uma criança levar na brincadeira – e não ficar traumatizada – um jogo sexual proposto por um adulto do vermos tal jogo ser aceito entre dois adultos que estão marcados por outros traumas. Os olhos dos adultos é que ficam marcados, e não por terem sido atacados, quando crianças, por supostos pedófilos.

Isso precisa ser levado em conta para analisar cada caso, e ver a diferença entre alguém que precisa de um tratamento por ser pedófilo e alguém que está propondo práticas – que no limite não serão malévolas – que são as possíveis de serem propostas segundo uma série de fatores culturais.

É claro que quando se fala de sexo, há pessoas que ficam de cabelo em pé. As mesmas pessoas que não se chocam com a morte bárbara de uma mulher esfaqueada ficam horrorizadas se uma outra mulher morreu em um estupro. A faca na garganta não tem importância. Mas um apertão no pescoço em uma luta de abuso sexual, esta sim, é crime bárbaro e um pecado. Um bandido que dá um tiro na cabeça de uma criança deve ir para a cadeira elétrica ou pegar prisão perpétua, dizem muitos. Mas dizem, às vezes, sem ódio. Agora, um bandido que estupra uma menina de 10 anos, nem pode ter sua identidade revelada, as pessoas não querem esperar qualquer julgamento, querem linchá-lo e, principalmente, terem o prazer de cortar o pênis do homem.

Esse segundo tipo de desejo, o de castrar pessoas, deve ser observado e estudado. As pessoas que desejam castrar o estuprador ou o que chamam de pedófilo, não raro, são tão ou mais perigosas que o pedófilo. Ele, pedófilo, se de fato é alguém que quer abusar de crianças à força, ataca individualmente. Os que querem castrá-lo são pessoas com sentimentos tendentes à direita, e podem atacar coletivamente. Podem incentivar o fascismo.

Enquanto não entendermos que é difícil ficar adulto, e que isso deve ser estudado, não iremos nos transformar em uma sociedade civilizada. Temos de compreender melhor o que o somos, para podermos saber quem de nós precisa ou não de ajuda, quem não está conseguindo crescer, ficar adulto, e quem pensa que está fazendo isso melhor do que outros. Não vamos chegar a bom termo criminalizando várias práticas sociais que até bem pouco tempo, havíamos elogiado. O amor entre pessoas de idades diferentes foi e, em alguns lugares ainda é, é uma prática incentivada no Brasil. E visivelmente desejada. Muitas de nossas avós casaram com homens bem mais velhos, quando ainda eram meninas. Não foram infelizes. Muitas meninas atraem propositalmente homens mais velhos, e isso não é o fim do mundo. Muitos relacionamentos homossexuais se dão de modo melhor quando há grande diferença de idade, e isso não traumatiza ninguém. Regras rígidas e sem uma base de estudo podem nos conduzir a criar um Brasil como prisão coletiva ou simplesmente uma sociedade infeliz.

Além de defendar a pedofilia, Ghiraldelli advoga em favor dos seus pares pedófilos, equiparando quem os "persegue" a nazistas e no melhor espírito da capacidade máxima de argumentação da esquerda, dizendo que, no fim das contas, "é tudo culpa da direita".

Em status no Facebook, Ghiraldelli disse que nos primórdios dos tempos, a regra era sexo anal, entre homens e mulheres, o sexo vaginal é posterior e corrompido!

A academia filosófica brasileira é uma fábrica de monstrinhos... Assustador.

Para os que perderam, em entrevero com Olavo de Carvalho, Paulo fora metaforicamente (para tristeza dele próprio) enrabado pelo primeiro, ouçam (e desafio, você nunca vai ter aprendido tanto, ter ouvido tantos nomes importantes, ainda que desconhecidos, em tão pouco tempo):


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ciências Humanas viraram motivo de piada. E não sem razão.

Por André,

Por meados de 2007 eu havia assistido o curta abaixo. Estava no ensino médio e ainda não sabia quão grave era a situação, embora estivesse relativamente por dentro da destruição do ideal de universidade, de intelectual etc:


Baboseira, textos crípticos, indecifráveis, ininteligíveis, essa é a tônica das humanidades nos últimos anos. A consequência clara, óbvia e natural diante do relativismo que emana dos centros universitários.

Penso que o experimento de Sokal na Social Text seja definitivo como ilustração do que ocorre. Na perca de qualquer critério objetivo, de verdade, de beleza, de moral, qualquer coisa é verdade, é bonita, é certa.

E ainda perguntam por que Filosofia e outras outrora chamadas "ciências" humanas é motivo de piada?

Que bom que a Filosofia não se resume a isso, pois caso se resumisse, seus adeptos não seriam merecedores de mais que uma cusparada.

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E não apenas a Filosofia é um problema, mas também a literatura:

http://www.youtube.com/watch?v=BbI9tYgbiJc

segunda-feira, 22 de abril de 2013

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ficha de Fernando Haddad: confessou ser socialista, atenuante: é 'frankfurtiano'


Por Época,

Quando o ex-presidente Lula deu os primeiros sinais a favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, muita gente desconfiou da viabilidade daquela operação política. Dilma nunca disputara eleição, era desconhecida do grande público e não parecia ter aquela desenvoltura típica dos políticos tradicionais. 

Agora, os petistas acham que podem repetir o feito com o acadêmico Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, neófito em disputas eleitorais. Depois de morar oito anos em Brasília, ele deixou o Ministério da Educação há dez dias para se dedicar exclusivamente à eleição. Feita em dois encontros, esta foi a primeira entrevista de Haddad após ele desembarcar definitivamente na cidade que quer governar.

ÉPOCA – Lula e Dilma estão dando conselhos ao senhor?

Fernando Haddad –
Conversamos frequentemente.

ÉPOCA – Que conselhos eles dão?

Haddad –
São observações, preocupações, antecipações...

ÉPOCA – Dê um exemplo concreto.

Haddad –
O tipo de ataque que vai ser feito. A presidenta sofreu muitos ataques pessoais, difamação, injúria. Ela fala sobre como lidar com esse tipo de provocação. A vida pública é difícil por esse lado... Você quer fazer um debate de nível, e aí de repente sai alguém com comentários que você nem compreende a intenção. Olha, o maior drama que a presidenta Dilma sofreu foi essa coisa de rebaixar o debate, de usar a crença e a fé das pessoas, estimular a intolerância, criminalizar comportamentos, não se solidarizar com dramas pessoais. A campanha é um momento precioso: a sociedade se reúne em torno da discussão pública. Mas às vezes involui. Ela me dá diversas sugestões de como resistir a eventuais ataques desse tipo.

ÉPOCA – Na última eleição municipal, a campanha do PT perguntou se o prefeito Gilberto Kassab era casado e tinha filhos.

Haddad –
Foi um equívoco. O partido reconheceu. E veja a diferença: a campanha admitiu o erro, assumiu o erro e se retratou. É diferente de uma prática que foi usada sistematicamente e da qual não se fez autocrítica até hoje.

ÉPOCA – Por falar em autocrítica, o senhor vai passar a campanha toda respondendo sobre as falhas do Enem.

Haddad –
O Enem é um trunfo importantíssimo. Uma de nossas maiores realizações foi inscrever 5 milhões de brasileiros para concorrer a 450 mil vagas na universidade. Acabou com 95 vestibulares. As pesquisas dão conta de um número recorde de aprovação. O Enem americano tem 85 anos e enfrenta problemas até hoje. Não sou estrategista, mas é um tiro na água que vão dar se quiserem acertar no Enem.

ÉPOCA – Ficou a imagem de um exame com problemas de gestão.

Haddad –
Uma imagem artificialmente construída. Em 2009, realmente houve um problema grave. Mas depois foram questões muito pontuais. Em 2010, 0,1% das pessoas refizeram a prova à custa da gráfica que errou num lote de impressão. Em 2011, foi um colégio afetado pela questão do pré-teste. Um.

ÉPOCA – O senhor escreveu um livro chamado Em defesa do socialismo. O que é ser socialista?

Haddad –
Eu sou um socialista. O socialismo, em minha opinião, tem dois compromissos importantes. O primeiro é a recusa de toda experiência autoritária em nome da igualdade. Entrei no movimento estudantil numa quadra histórica em que ainda havia forte presença de stalinistas e trotskistas. E nunca militei nessas organizações, justamente em virtude do viés autoritário. Então, sou de linhagem mais frankfurtiana, por assim dizer.

ÉPOCA – E o segundo compromisso?

Haddad –
É o apreço pela agenda da igualdade, a ampliação de oportunidades, a emancipação dos indivíduos. Pela intolerância em relação à desigualdade e tolerância em relação à diversidade. Até fico impressionado com a quantidade de neoliberais ex-comunistas. É notável. A pessoa é neoliberal, mas foi comunista na juventude, o que revela certa coerência na forma, mas incoerência no conteúdo. Eram autoritários de esquerda, viraram autoritários de direita. E não prestaram contas dessa trajetória. Defendiam o Estado absoluto, defendem agora o mercado absoluto. Então essa recusa ao autoritarismo – estatal ou de mercado – é o apreço pela diversidade e a busca por equalização de oportunidades e combate à desigualdade.

(Segue no site da Época).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dê uma espiadinha na poesia de cordel sobre o Big Brother Brasil

Por Blog do BG,


Big Brother Brasil,
um programa imbecil
(Antonio Barreto)


Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dá muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As três leis que regem o Brasil: o jeitinho, a Lei de Gerson e mais inovadora, a lei de Vampeta!

Dos blog do André Barcinski,


Dia 21 de dezembro, o Ajax recebia o AZ Alkmaar pela Copa da Holanda. O Ajax vencia por 1 a 0 quando um de seus torcedores invadiu o campo e começou uma briga com o goleiro do AZ.

O goleiro agrediu o torcedor e foi expulso pelo juiz. O técnico do AZ, revoltado, tirou o time de campo, e o juiz encerrou a partida.

A reação das autoridades foi rápida: o torcedor foi condenado a seis meses de prisão e pegou um gancho de 30 anos – repito, 30 anos – sem entrar em estádios de futebol. O Ajax foi multado em 10 mil euros e o jogo foi remarcado, com portões fechados e o placar zerado. Tudo isso levou seis dias para ser decidido e aplicado.

Na mesma semana, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que pretende proibir a venda de cerveja nas imediações do Engenhão para combater as brigas de torcidas.

Fica a pergunta: qual a diferença entre a atitude dos dirigentes holandeses e a dos cariocas?

Simples: os holandeses querem resolver o problema e agem de forma rápida e eficiente . Já os cariocas querem empurrar o problema com a barriga e violam a liberdade individual do cidadão apelando às manobras mais fascistas e preguiçosas, numa tentativa patética de encobrir a sua própria incompetência para lidar com o problema.

O futebol, nos dois casos, é um exemplo de como diferentes países lidam com suas questões.

É bom lembrar que já tivemos grandes filósofos futebolistas: nos anos 70, o craque Gerson celebrizou - em um anúncio de cigarro do qual viria a se arrepender depois - a frase “Você tem que levar vantagem em tudo, certo?”

Anos depois, outro filósofo das quatro linhas, Vampeta, soltou uma pérola que resume perfeitamente nosso Brasilzão. Comentando sua apagada passagem pelo Flamengo, Vampeta disse: “Eles fingiam que me pagavam e eu fingia que jogava”.

Em uma frase, o gênio sintetizou o país do faz de conta, onde quem manda finge resolver os problemas e a gente finge que acredita.

A Lei de Vampeta está em todo lugar.

Ela explica, por exemplo, como Ricardo Teixeira e o governo federal têm a cara de pau de dizer que a maior parte da verba para a Copa do Mundo de 2014 viria da iniciativa privada.

Explica como um político carioca pode afirmar que proibir cerveja em volta do estádio vai coibir a violência das torcidas.

Explica por que Kassab acha uma boa idéia proibir motocicletas na via expressa da Marginal Tietê para reduzir acidentes.

Finalmente, explica como Geraldo Alckmin pode dizer que vai acabar com a cracolândia em 30 dias.

Acho que a era de Gerson já passou. Levar vantagem em tudo já não é uma idéia, mas um dever cívico, impregnado em nosso DNA.

Já a Lei de Vampeta é bem mais complexa e, até certo ponto, metafísica. O filósofo questiona o próprio conceito de sociedade e relações sociais, estabelecendo um ponto de partida para discutir o teatro do nosso cotidiano.

Agora, quando o encanador que já furou três vezes diz que vem na segunda; quando um camarada que está te devendo grana há anos avisa que vai te pagar amanhã, ou quando o despachante promete “fazer um algo a mais” para resolver o seu caso, console-se: são todos discípulos de Vampeta.

Tchutchucas e tigrões


O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza.

Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher. Nos anos 40, cantava-se que "a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar". Nos anos 50, "o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar". Nos anos 60, "nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito". Hoje, a coisa está assim: "Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão". Ou, então: "Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó".  Ou ainda: "Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar bunda lelê". E, para arrematar: "Eu sou o lobo mau, au au". "E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer".

Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, bom gosto e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores. Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas. O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.

Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível. Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem. Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.

"E daí?", talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade. A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada. Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo. Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social. O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?

As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Carnaval vem aí. Jornalista Raquel Sherazade desmistifica "festa" e diz montanha de verdades


sábado, 10 de dezembro de 2011

As raízes comunistas do politicamente correto

Retirado de João Carlos Zamboni,


O politicamente correto é uma AIDS intelectual. Tudo que ele toca adoece e eventualmente morre. Nos campi das universidades americanas ele diminuiu a liberdade de expressão, deformou os currículos, politizou as notas e substituiu a integridade intelectual por uma propaganda enfadonha. De uma sala de aula a outra, os professores oferecem diatribes ideológicas que os estudantes são obrigados a regurgitar para conseguir nota: o vômito retorna ao cachorro. Esses lugares – e são muitos – não são mais universidades, mas pequenas Coréias do Norte cobertas de hera.

Mas o que vem mesmo a ser o politicamente correto? As pessoas “politicamente corretas” no seu campus não gostariam de jeito nenhum que você soubesse a resposta a essa pergunta. Por quê? Porque o politicamente correto nada mais é que marxismo traduzido de termos econômicos a culturais.

Os paralelos são óbvios. Em primeiro lugar, tanto o marxismo econômico como o cultural, que é o politicamente correto, são ideologias totalitárias. Ambos insistem em “verdades” que são contrárias à experiência e à natureza humana. Ao contrário do que acredita o marxismo econômico, não existe isso de “sociedade sem classes”, e os incentivos econômicos são importantes. Ao contrário do que prega o politicamente correto, o homem e a mulher são diferentes, como o são seus papéis naturais na sociedade; as raças e os grupos étnicos têm características específicas; e o homossexualismo é anormal. Como a única maneira de as pessoas aceitarem as “verdades” dos ideólogos é por meio da força, elas serão forçadas – pelo poder total do estado, se marxistas de qualquer dos dois tipos puderem controlá-lo.

O segundo paralelo é que ambos os marxismos, o clássico e o cultural, têm explicações de fator único para a história. Enquanto o marxismo clássico defende que toda a história foi determinada pela propriedade dos meios de produção, os marxistas culturais do politicamente correto dizem que a história se explica segundo o poder que alguns grupos – definidos por sexo, raça e normalidade ou anormalidade sexual – exercem sobre outros.

O terceiro paralelo é que ambas as variedades de marxismo declaram certos grupos virtuosos e outros maus a priori, sem considerar o comportamento real dos indivíduos. Assim é que o marxismo econômico definiu trabalhadores e camponeses como bons e a classe média como má, enquanto o marxismo cultural define negros, hispânicos, mulheres feministas, homossexuais e algumas outras minorias como virtuosos e os homens brancos como maus. O politicamente correto não reconhece a existência de mulheres não-feministas e define negros que rejeitam sua ideologia como brancos.

O quarto paralelo está nos meios: a expropriação. Os marxistas econômicos expropriaram a propriedade das classes média e alta e deram-na ao estado. Os marxistas culturais, nos campi e no governo, apenam os homens brancos e privilegiam os grupos que favorecem. A ação afirmativa é um exemplo desse tipo de expropriação.

Por fim, ambos os tipos de marxismo empregam um método de análise que garante mostrar a justiça de sua ideologia em qualquer situação. Para os marxistas clássicos, o método é a economia marxista. Para os marxistas culturais, o método é lingüístico: a desconstrução. A desconstrução primeiro remove todo significado dos “textos” e então insere um novo: seja do jeito que for, o texto vai ilustrar a opressão de mulheres, negros, homossexuais etc pelo homem branco e pela cultura ocidental. O significado pretendido pelo autor é irrelevante.

Esses paralelos não são coincidências. Existem porque o marxismo cultural do politicamente correto deriva de fato do marxismo clássico e econômico, em grande parte através do trabalho da Escola de Frankfurt. Após a Segunda Guerra Mundial, os marxistas europeus enfrentaram uma questão difícil: por que o proletariado de toda a Europa não se sublevou em revolução e estabeleceu uma nova ordem marxista, como sua ideologia profetizava? Dois pensadores marxistas proeminentes, Antonio Gramsci na Itália e Georg Lukacs na Hungria, apareceram com a resposta: a cultura ocidental. A cultura ocidental tanto cegou os trabalhadores para seus verdadeiros interesses de classe que não puderam agir de acordo com eles. Assim, antes que o socialismo pudesse chegar ao poder, a cultura ocidental tinha que ser destruída. Em 1919, Lukacs colocou a questão, “Quem nos salvará da cultura ocidental?” Nesse mesmo ano, como subcomissário para a cultura no governo bolchevique húngaro de Bela Kun, a primeira coisa que fez foi introduzir a educação sexual nas escolas de seu país.

Em 1923, Lukacs e alguns intelectuais marxistas alemães fundaram um grupo de reflexão destinado a traduzir o marxismo de termos econômicos para culturais, o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt. O instituto rapidamente se tornou conhecido como a Escola de Frankfurt. Em 1933, quando os nacional-socialistas chegaram ao poder na Alemanha, a Escola de Frankfurt mudou-se para a cidade de Nova York.

Ali, suas figuras principais – Theodor Adorno, Erich Fromm e Wilhelm Reich – desenvolveram a “teoria crítica”, uma mistura de Marx com Freud que rotulou os principais componentes da cultura ocidental como “preconceito”, i.e, doença psicológica. Os “teóricos críticos” defendem que para acabar com o “preconceito”, o cristianismo, o capitalismo e a família patriarcal tradicional devem todos ser destruídos.

A conexão entre a Escola de Frankfurt e a rebelião estudantil dos anos 60 foi feita principalmente por um de seus elementos mais destacados, Herbert Marcuse – o homem que nos anos 60 cunhou a frase “Faça amor, não faça guerra”. O livro de Marcuse “Eros e Civilização” defendia que as ferramentas com as quais se deveria destruir a civilização ocidental eram o sexo, as drogas e o rock’n roll. Ele popularizou as idéias da Escola de Frankfurt de um modo que os estudantes radicais dos anos 60 podiam entender e absorver, e hoje conhecemos seu trabalho como o politicamente correto.

Este é, portanto, o segredinho sujo do politicamente correto: é marxismo, marxismo traduzido da economia para a cultura. Sabemos o que o marxismo econômico fez na União Soviética. Vamos permitir que o marxismo cultural faça o mesmo nos Estados Unidos?

 Em William Lind. PC Marxist Roots Unearthed. Tirado do blog Spem in altum [http://speminaliumnunquam.blogspot.com/], sem referência ao tradutor.