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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Brexit, filme da HBO

Por André,




Assisti "Brexit", produção própria da HBO sobre o principal evento político do Reino Unido em décadas.

A narrativa é construída a partir da perpectica de Dominic Cummings, encarnado por Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho).

O enredo, como se esperaria de uma produção da HBO, é maniqueísta e relata remainers como bonzinhos que lutavam pela economia e pelos empregos com argumentos racionais e leavers como sentimentalistas - curioso, não? Quem leu "Podres de Mimados: as consequências do sentimentalismo tóxico bem sabe quem investiu no sentimentalismo como moeda política nos últimos tempos - irracionais e trapaceiros. Mas acho que quem se interessa pelo assunto pode ver o filme.

Cummings foi uma espécie de Bannon/Alinsky do Brexit. O estrategista amoral e clinicamente cirúrgico que foi atrás da estratégia da vitória. Só que agiu bem mais por trás das cortinas que um Bannon, por exemplo. Tanto é que mesmo eu, que acompanho o debate sobre o Brexit desde 2015, antes do referendo, só vim a conhecê-lo bem depois.

Me parece que muita gente ainda não compreendeu (ou só lembrou dele depois de levar um belo by-pass) um fato elementar: a política, MUITO ANTES DE 2016, é dirigida no andar de cima por forças obscuras, por lobismo de grupos de interesse e jogos de poder. TODOS sempre fizeram isso (de todos os lados possíveis do espectro), apenas com recursos diferentes, limitados pelo tempo. Nesse aspecto, o filme contribui para essa impressão, embora possua diálogos que ao menos tentam esclarecer isso.

A novidade substancial dos anos recentes é o uso das redes sociais para a mesma finalidade da política de sempre. Isso colocou o foco do lobismo menos em figurões e em parlamentares, por exemplo, e mais nas pessoas que precisam ser convencidas a ir votar ou a escolher lados e que estavam acostumadas a ser absolutamente esquecidas e foram colocadas na rota das decisões pela descentralização da informação via redes sociais.

Digo isso porque o filme sugere, é claro, que o resultado foi manipulado via redes sociais, via hackers, via tecnologia. Nesse sentido, a aplicação política da tecnologia é como a aplicação de qualquer tecnologia: é amoral, a virtude de sua aplicação depende do aplicador. A esquerda com as mesmas armas na mão faria o mesmo uso ou pior.

It's the new politics, folks. E está só começando. A esquerda que dominava o debate político ainda não está conseguindo lidar com isso adequadamente, it's the new era. O afegão médio está de volta à arena.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Prospectos para o Brexit

Por André,



O prospecto de um segundo referendo no Reino Unido se torna cada dia mais provável - embora eu ainda duvide um tanto. O ex-premiê Tony Blair está em campanha por isso, o partido Liberal-democrata, reduzido a pó nas últimas eleições gerais, está em campanha por isso. O Brexit-man, Nigel Farage, vem alertando para sua possibilidade todos os dias.

É do histórico da UE tentar (e conseguir) reverter resultados populares do seu desagrado, isso já foi tentado e obtido na Irlanda e na Noruega.

Contudo, estou vendo a trincheira favorável à ideia novamente cheia de si e demasiadamente crente que dessa vez venceriam o voto. Pode ser arrogância, excesso de confiança, crença numa eventual falta de lisura no processo.

Por duas vezes assistindo um programa popular da BBC, o Question Time, vi um membro da plateia e hoje mesmo um membro do partido Trabalhista (Diane Abbott) citar o famoso ditado americano "cuidado com o que deseja, você pode acabar conseguindo".

Na outra vez, o membro da plateia falou que um segundo referendo poderia levar "um Donald Trump ao poder". Hoje, Abbott disse, apesar de defensora da permanência na UE, não crer na vitória da sua posição.

Tentar outro referendo, para agora obter o "resultado correto", coisa que o governo disse que levaria pelo menos 1 ano para ser organizada, pode despertar ainda mais raiva nos leave voters e mais raiva das pessoas contra a classe política.

A análise não me parece de toda errada.

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O acordo ruim de May foi rejeitado no Parlamento por margens históricas. Os jornais deram ares de fim ao brexit, mas a coisa é bem mais complicada:

- o artigo 50 foi acionado e o governo tem até 29 de março para sair da UE. Uma indecisão pode conduzir a uma saída sem acordo algum (possibilidade que Jeremy Corbyn quer descartar para começar a negociar qualquer outra coisa). O prazo do artigo pode ser estendido, mas todos os membros da UE precisam concordar com isso.

- May promete tentar negociar com parlamentares da oposição um novo acordo. Com todo o desgaste e a desconfiança dos parlamentares tories quanto a sua liderança tornam isso altamente improvável. 118 tories votaram contra o acordo de sua líder.

- Um segundo referendo precisa ser aprovado pelo parlamento, organizado e não há certeza de um resultado diferente. Um resultado inverso e apertado manteria o clima de tensão no país.

- Jeremy Corbyn quer eleições gerais, é claro, porque crê que pode vencer. Além de sua vitória não ser exatamente certa, os mesmos problemas continuariam e acreditar que o parlamento concordaria com sua versão do acordo é wishful thinking.

- é pura especulação achar como isso afeta a imagem da UE, das classes políticas e do Reino Unido nos demais países. Pode despertar tanto um desejo de permanecer longe de um caos como esse em caso de eventual saída da UE, como pode estar mostrando o desprezo da classe política e dos burocratas europeus para as decisões soberanas internas dos membros do bloco.

Uma coisa é certa, a emoção está garantida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Debate sobre a crise de refugiados

Por André,



Encontrei por acaso esse debate da rede Munk Debate e os panelistas Nigel Farage e Mark Steyn deram um show nos oponentes.

O tema segue atual.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Uma imagem contra a política de refugiados da Europa

Por André,



A Alemanha, graças a seu complexo de culpa pós-nazista, abriu suas fronteiras para cerca de 2 milhões de supostos refugiados. E mesmo após declarações do Estado Islâmico dizendo que infiltrou terroristas entre essa massa de pessoas, muita gente segue defendendo uma política de "open borders" sobre refugiados.

Vamos aqui, para fins argumentativos, admitir que há algum controle em quem entra (não há) e que a maioria é composta de gente decente, que não são imigrantes econômicos e que são bem-intencionados (se não sabemos quem entra não há como saber nada disso).

A escolha que se coloca diante dos burocratas da União Europeia e dos defensores de uma aceitação irrestrita de refugiados poderia ser chamada de "dilema dos M&Ms envenenados".

Suponha que você está na seguinte situação: alguém lhe oferece uma tigela com 1.000 M&Ms. Você sabe que desse universo de 1.000, 5 doces estão envenenados com uma substância fatal. Mesmo sabendo que a grande maioria dos doces não fará mal algum, você comeria tranquilamente os M&Ms? Daria a tigela para seu filho? Os cidadãos europeus estão exatamente diante desse dilema, mas talvez nem todos encarem a situação com esse grau de crueza e seriedade.

Embora o exemplo seja hipotético, a situação foi alvo de uma pergunta para o jornalista britânico Douglas Murray em palestra. Um membro da plateia foi perguntado se aceitaria normalmente 1 milhão de refugiados mesmo sabendo que entre esse milhão há um homem-bomba. O sujeito da plateia disse que seguiria aceitando o milhão (ao que me parece, pelo contexto da palestra, movido a algum tipo de culpa colonialista), ao Murray sempre de forma sagaz replicou: "isso é válido até seu filho querer ir a um show da Ariana Grande" [referência aos atentados de Manchester): https://goo.gl/asCLhw.

sábado, 27 de maio de 2017

Debate na Universidade de Stanford: o islam é compatível com os valores liberais do Ocidente?

Por André,


Esses debates, muito comuns nas universidades inglesas como Oxford e Stanford, costumam tanto me agradar como irritar. A plateia progressista me irrita. As perguntas da plateia me irritam.

Os debatedores, de ambos os lados, costumam me agradar (porque sinto falta de coisa parecida aqui debaixo do Equador).

Assistam esse debate e, talvez, cheguem à conclusão que cheguei: estamos em maus lençóis.

REPAREM: é preciso ser extremamente cuidadoso com os "apologetas moderados" do islam. Primeiro, porque muitos são fantoches de organizações radicais para reforçar a narrativa do "islam pacífico". Segundo, mesmo que não respondam a nenhuma organização em específico, podem se servir da taqiyya (a "mentira sagrada") como forma de realização pessoal da jihad (guerra santa). Terceiro, visto que por mais moderados que sejam, são incapazes até mesmo de aplaudir o eloquente discurso de seus oponentes, escondendo posições radicais como a não condenação do apedrejamento de mulheres adúlteras:


Para um pequeno respiro de ar puro, ou se estiverem sem paciência, vejam apenas a participação do sempre brilhante Douglas Murray:


E aos mais tradicionalistas, não se deixem levar pelo "frame" do debate: não se trata de ser um liberal no sentido imaginado. Se trata de: a) demarcar o que pensam os islamistas - em países islâmicos e no Ocidente e b) reconhecer que viver em meios aos tais "valores liberais" é e sempre será infinitamente melhor que viver sob a sharia.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Novas regras para identificar terroristas

Por André,



Ontem em falei que o "atacante" (termo do Globo pra se referir a terrorista) de Londres era muçulmano antes da informação sair em qualquer canto da mídia ou até mesmo antes das fotos começarem a pipocar.

Qual meu critério? Muito simples.

Eu cheguei em casa pro almoço e fiquei sabendo do ocorrido com um plantão da rádio Jovem Pan. Na hora pensei: faz 3 horas que o atentado aconteceu. Essa informação me bastou para poder afirmar que se tratava de um terrorista muçulmano.

Apliquei esse critério em outros casos e o método tem uma margem de acerto de 100%: quando mais retardam a divulgação da identidade do sujeito, pode ter certeza que é muçulmano.

Se fosse um "radical de extrema-direita" a informação seria divulgada em muito menos tempo. Até mesmo porque isso reforça a narrativa que interessa aos poderes vigentes da "ascensão da extrema-direita xenófoba", do perigo da "onda conservadora" etc, ao passo que esses mesmos poderes ficam cheios de dedos para declarar a identidade dos terroristas, quando não, muitas vezes, sequer desejam divulgá-la (o governo alemão tentou essa com os ataques de Colônia).

Não falha.


quinta-feira, 9 de março de 2017

Marine Le Pen contra a ideologização da direita

Por André,



Eu não caio mais no engodo de desejar o candidato ideologicamente perfeito.

O facebook me lembrou hoje da publicação que eu fiz da Carly Fiorina dizendo que o Ted Cruz era o único que poderia conter o Trump. Ted Cruz era(é) o candidato perfeito para o que entendemos como conservadorismo americano (genial, constitucionalista, ótimo debatedor etc), ao passo que Trump sequer, penso eu, pode ser compreendido nas chaves tradicionais de análise política.

Hoje eu vejo como isso é bom e como esta eleição quase que certamente não teria sido vencida pelo Ted Cruz (um republicano antiestablishment, mas ainda "mais insider" que o Trump). Só um Trump conseguiria e conseguiu enfrentar e derrotar a máquina democrata de assassinar reputações, espionar e mentir.

É por isso que, apesar de problemas e defeitos que circundam o Frente Nacional de Marine Len, a candidata deve contar com o apoio de todos que realmente desejam afastar a esquerda do poder e enfrentar o PIOR problema para o mundo europeu hoje: o jihadismo caseiro.

Mais senso de realidade, menos ideologia.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Paraíso sueco? A crise migratória na Suécia e a fala de Donald Trump

Por André,

Todos devem ter visto que Donald Trump esteve envolvido em mais uma ~polêmica~ midiática essa semana: Trump disse que não gostaria de ver o que está acontecendo na Suécia acontecendo nos EUA.

Não tardou para que muitos escarnecessem do presidente americano, repetindo o mantra que a Suécia é alguma espécie de paraíso na terra (mito que, aliás, aqui mesmo já foi refutado).

A coisa começa a perder sentido quando o próprio âncora da BBC cita inúmeras estatísticas APENAS sobre a integração de imigrantes que contestam a coisa toda: a taxa de desempregados entre imigrantes é 5 VEZES maior que entre nativos, por exemplo.

No que diz respeito a violência, é simplesmente IMPOSSÍVEL determinar o background étnico porque o governo sueco não divulga e/ou autoriza tal tipo de "profiling". Considerando a fala de Trump, cada um pode deduzir por si se há a menor possibilidade dos responsáveis pelos crimes serem nativos brancos. Se fosse o caso com certeza saberíamos.

Nesse vídeo podemos ver uma parlamentar sueca, do partido social-democrata e claramente não-nativa, negando que algo esteja errado e sendo magistralmente refutada por uma das recomendações dessa página, o jornalista Douglas Murray.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

História do comunismo: mais de 2 milhões de mulheres alemãs estupradas

Por André,

A desumanidade do comunismo é algo tão grande que até as mentes mais treinadas podem se perder em meio a tantas atrocidades. Algum ato grotesco do comunismo pode não ser de conhecimento até de leitores e interessados em História do comunismo.

Não bastando mais de 150 milhões de mortes na sua conta, o Exército Vermelho de Stalin também é responsável pelo maior caso de estupro coletivo da história moderna: mais de 100 mil alemãs apenas em Berlim e cerca de 2 milhões aproximadamente em toda a Alemanha.

São crimes contra a humanidade como estes que acadêmicos brasileiros e professores escolares dos vossos filhos relativizam. Quem nunca apontou algum dos crimes do comunismo e recebeu como resposta um muxoxo de desdém como se se tratasse de coisa insignificante?

Alguém que conheça a história do comunismo e ainda seja comunista é tão desprezível quanto um nazista. Como diz um amigo meu: socialismo/comunismo é nazismo com um bom relações públicas.

domingo, 25 de dezembro de 2016

O multiculturalismo globalista tem sangue nas suas mãos

Por André,



Uma jovem estudante de medicina alemã de 19 anos foi estuprada e morta por um refugiado afegão na Alemanha (confiram a matéria suspeitamente honesta no Globo).

O ponto aqui é que homens jovens em idade militar NÃO SÃO REFUGIADOS.

Refugiado é idoso, criança, mulher viúva.

Marmanjo em idade militar NÃO É REFUGIADO, É IMIGRANTE. Poderiam ir para a Arábia Saudita, para o Kuwait, para o Bahrein, poderiam permanecer na Turquia, mas preferem ir para a Alemanha ou para Calais e entrar de qualquer jeito na Inglaterra (nem mesmo a França basta).

Os pais da garota, militantes ideológicos da doutrina do multiculturalismo e das fronteiras abertas usaram o funeral da filha para angariar fundos para imigrantes.

Os pais da garota, ligados à União Europeia, são militantes do multiculturalismo globalista que pretende abolir as fronteiras dos Estado-nação. E a coisa não para aí, ambos usaram o funeral da filha para arrecadar dinheiro em favor de imigrantes: http://usdefensewatch.com/2016/12/german-parents-of-daughter-rapedmurdered-by-muslim-migrant-collect-funeral-donations-for-migrants/.

A Europa morreu.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit: vitória dos mais pobres, remain: voto das elites, da burocracia e dos ricos

Por André,



PRA SABER COMO A ESQUERDA AMA OS POBRES

Resultados interessantes de uma pesquisa de opinião da The Economist sobre o Brexit:

Entre os conservadores (direita): 38 ficar, 53 sair, 8 não sabem.

Entre os trabalhistas (esquerda): 65 ficar, 28 sair, 8 não sabem.

Entre os homens: 41 ficar, 41 sair, 6 não sabem.

Entre as mulheres: 37 ficar, 39 sair, 10 não sabem.

Entre os ricos: 54 ficar, 37 sair, 7 não sabem.

Entre os pobres: 34 ficar, 53 sair, 11 não sabem.

Grupos que querem ficar: esquerda e ricos.
Grupos que querem sair: conservadores, mulheres e pobres. Oligarcas, eurocratas, Obama, George Soros.

MAIS uma vez, como tem sido há bons tempos, o esquerdismo está associado às vontades das elites autoproclamadas sábias e poderosas, representadas pelo establishment político e, no caso europeu, pela eurocracia de Bruxelas.

SÓ TENHO 01 COISA A DIZER: CHORA MAIS. E se reclamar muito vem Donald Trump por aí.

Dados extraídos de: http://www.economist.com/…/…/2016/06/britain-s-eu-referendum

sexta-feira, 25 de março de 2016

Discurso histórico do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban. A Hungria não se submeterá a Bruxelas!

Por André,

Brilhante discurso do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, acerca da invasão imigratória que se passa na Europa sob o incentivo da União Europeia com sua ideologia internacionalista e cosmopolita:


A Hungria, que já sobreviveu às ameaças e ocupações alemãs e soviéticas não vai se render. O recado foi dado em alto e claro bom tom.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Meu debute no Mídia sem Máscara: artigo sobre a crise "imigratória" europeia e a necessidade de uma direita forte

Por Mídia sem Máscara,

O público brasileiro, carente de qualquer direita organizada, costuma enamorar-se com toda sorte de pretensos direitistas: centro-direitistas, social-democratas, democratas cristãos, liberais e até mesmo meros anticomunistas. Contudo, a crise “imigratória” da Europa tem ajudado a revelar as fraquezas desses ditos políticos “de direita”. Foram as políticas de Angela Merkel, da União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, que arreganharam as fronteiras da Alemanha para talvez um punhado de refugiados genuínos, mas outros milhares de jihadistas, simpatizantes do ISIS, interessados unicamente em duas coisas: os benefícios do estado de bem-estar social europeu e a implementação de uma governança islâmica sobre o ocidente (concretizando as profecias próprias do islã e de seus teóricos, como Guénon e Qutb). Isso tudo não, sem antes, espetáculos de molestação pública de mulheres e arrastões, como vimos na virada de ano em Colônia (na própria Alemanha).

Mesmo depois do ocorrido em Colônia, e de tantos outros por toda a Europa, os políticos da dita direita não mudam sua postura. Seguem atinados à agenda politicamente correta, multicultural e anti-ocidental a que, invariavelmente, pertencem (na Suécia isso é fato estabelecido há bons tempos). Quanto à mídia, o quadro é o mesmo ou ainda pior (a BBC só relatou o ocorrido de Colônia pelo menos dois dias depois e diversos outros órgãos substituíram a expressão “refugiados muçulmanos” por “imigrantes do Norte da África” – como a Deutsche Welle, por exemplo). A prefeita de Colônia sugeriu, como solução para o problema a criação de um código de conduta para as mulheres. Um imã salafista da cidade afirmou que as mulheres foram estupradas porque elas estavam “seminuas e usando perfume”. Exatamente como no lamentável caso da Charlie Hebdo, onde o sangue dos cartunistas ainda estava quente quando políticos e analistas sociais já estavam preocupados com as eventuais “reações (sic) islamofóbicas” que os ataques gerariam. O ministro alemão da Justiça, pouco preocupado em investigar o caso, teme as reações “xenofóbicas” da “extrema-direita”. No parlamento britânico discute-se a possibilidade de impedir a entrada de Donald Trumpna terra da rainha enquanto a pregação radical em escolas, universidades e mesquitas segue livre.

A polícia alemã, que pouco fez (ou estava autorizada a fazer) nos arrastões em Colônia, agiu e age de maneira ostensiva nas manifestações do grupo Pegida, que propõe restrições à imigração: Tommy Robinson, outra voz potente contra a imigração muçulmana para o Reino Unido e criador do “Pegida britânico” foi, recentemente (mais exatamente, dois dias depois de criar a organização), preso (enquanto o clérigo radical que propõe a implementação da sharia na Grã-Bretanha e nos EUA e ameaçou a ativista Pamela Geller ao vivo, Anjem Choudary, continua solto).

É nesse contexto que surge um pequeno, porém importante livro, escrito pelo sueco Daniel Fribergchamado “A verdadeira direita” (a ser publicado pela editora Simonsen, em tradução minha, com campanha de crowdfunding em andamento). Friberg é figura central e basilar para a existência de uma nova direita realna Suécia, sendo que sem Daniel ela provavelmente não existiria, conforme atesta seu amigo, sócio e prefaciador do livro, John Morgan. Considerando o laboratório de causas progressistas que é a Suécia, podemos certamente depreender o elevado mérito de Friberg não apenas por fazer manter algumpensamento de direita no país nórdico, mas bem como por fazer existir um pensamento de direita coeso, forte e ativo.

Três importantes e urgentes lições, tanto para direitistas europeus quanto brasileiros, podem ser deslindadas a partir do livro de Friberg (que tem por subtítulo, pertinentemente, “um manual para a oposição de verdade”): 1) uma direita forte não apenas é possível como é necessária, 2) a já moribunda e falsa direita pode e deve ser definitivamente rechaçada e 3) o caminho para a vitória da direita é pela via de uma batalha no terreno da “metapolítica”.

A Europa, ao menos, já teve uma direita forte, o que leva os teóricos da Nova Direita a se reportarem a políticos, pensadores e situações do passado que representaram bem a corrente de pensamento, ao passo que nós, brasileiros, não podemos ir tão longe*. Estamos, geralmente, acostumados a uma oposição insossa ao esquerdismo tão tipicamente latino, um anticomunismo de manual por parte dos sociais-democratas ou, nos servindo de um exemplo extraído da realidade atual para ilustrar o sentimento, um tímido antipetismo “democrático”; uma direita frágil, acuada, envergonhada e usuária dos cacoetes linguísticos da esquerda (e que, por isso, invariavelmente, pensa como ela).

Friberg mostra em seu livro como essa direita, já moribunda na Europa, pois não atende aos anseios das pessoas (segundo Friberg, por exemplo, embora os políticos “de direita” sejam partidários das políticas imigratórias malucas que têm levado à destruição da antiga cultura sueca e aos episódios ocorridos em Colônia, uma fatia considerável do povo sueco é favorável a políticas imigratórias restritivas, carecendo apenas de uma representação política que faça jus à sua vontade) deve ser absolutamente rechaçada e extirpada da vida política séria para que os problemas mais urgentes da realidade política atual sejam superados; tanto essa direita fraca quanto a esquerda são culpadas pelos problemas que assolam o continente europeu no momento.

Em determinada altura do livro, Friberg dá, literalmente, dicas práticas de como lidar com esquerdistas militantes hostis, como reagir a um jornalista militante de esquerda que bate à sua porta etc.; e a lição é bastante simples, a direita pode e deve ser forte, o que inclui uma militância ativa e ostensiva: Friberg é criador do empreendimento “Motpol”, que, além de assessorar vítimas de assédio ideológico esquerdista (algo extremamente comum na Suécia), é uma força crescente na imprensa, na área editorial, como think-tank e cresceu vertiginosamente em diversas outras atividades ao longo de sua década de existência completada em 2015.

E ainda mais importante, Freiberg é enfático em afirmar que para a direita vencer a guerra, o campo de batalha é a cultura ou, conforme Friberg chama, a “metapolítica”. Não se trata de meramente ganhar eleições, ocupar parlamentos, enfim, vencer a “política de rua”, é mister que as instituições produtoras de cultura sejam retiradas da alçada do esquerdismo radical. Escolas, universidades, imprensa, editoras etc. devem voltar a servir os interesses genuínos das pessoas e não à agenda do progressismo frankfurtiano e da estratégia gramscista. No livro, Friberg oferece todo o passo-a-passo de como essa ofensiva cultural de direita deve ser empreendida para que obtenha sucesso.

Os episódios que chamei a atenção no início do artigo mostram como o diagnóstico de Friberg é preciso: a esquerda preparou o terreno cultural para (entre outras coisas, evidentemente) a aceitação de políticas de imigração em massa, por exemplo, acusando todos que discordam dela de “fascista”, “racista” ou “nazista” e a dita direita, covarde, acuada e cúmplice, sorveu tudo que veio desse caldo politicamente correto que escorreu das universidades sob a alcunha de “multiculturalismo” e de “politicamente correto”, autorizando legal e moralmente a coisa toda. Uma direita que acerta no campo econômico (vale novamente o exemplo alemão, a mesma Merkel que abriu as fronteiras para qualquer um é o principal bastião da ortodoxia e da austeridade econômica) mas erra em todo o resto está invariavelmente fadada ao fracasso e não merece nenhum apoio consistente.


* Para ser justo, Friberg cita no livro a figura de Plinio Correa de Oliveira (1908-1995) como um importante representante das ideias contra-revolucionárias.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Olavo de Carvalho: "Decadência e submissão"

Por Diário do Comércio,

Não lembro quem disse, mas, no fim das contas, um romance nada mais é que uma vida, a biografia de um personagem imaginário. Não necessariamente uma biografia completa, do berço ao túmulo, mas um apanhado dos episódios essenciais que marcam a figura de um destino individual de tal modo a fazer dele um símbolo, um modelo aproximativo de muitos destinos possíveis.

Em Soumission, de Michel Houellebecq (Paris, Flammarion, 2015), romance de sucesso mundial já traduzido no Brasil, a vida do personagem corre paralela à do seu país natal, num roteiro de decadência inelutável que desemboca na submissão quase simultânea de ambos ao islamismo. O paralelo é realçado pelos nomes: François-France.

“Submissão”, em vez de “conversão”, é a palavra correta. François e a França não se convertem ao islamismo: caem dentro dele como corpos fatigados que desabam na cama.

A história transcorre no ano de 2022, numa eleição nebulosa em que o Front Nacional ganha o voto majoritário no primeiro turno (34 por cento), tendo como principal concorrente a Fraternidade Muçulmana que, transformada em partido político, supera em votação os socialistas e a moribunda direita gaullista. O Front representa, em teoria, a identidade nacional francesa, mas muitos católicos lhe sonegam apoio porque são “demasiado terceiromundistas” (sic). Cenas de violência acompanham as eleições, mas, como só são noticiadas na mídia com muitos dias de atraso, tudo transcorre numa atmosfera de aparente normalidade. Para evitar a ascensão do Front Nacional ao poder, as facções minoritárias se aliam à Fraternidade e elegem presidente o muçulmano Mohammed Ben Abbes. É o velho mito comunista da “frente antifascista” restaurado, agora sob patrocínio islâmico.

O novo governante é um homem simpático e moderado, que mantém a ala radical sob rédea curta e faz toda sorte de concessões gentis aos partidos aliados, insistindo em manter sob controle islâmico tão somente... a educação nacional. De início estão todos felizes, porque parece que nada vai mudar substancialmente, mas François logo percebe a profundidade das reformas introduzidas por Ben Abbes quando vai dar suas lições de literatura na Universidade de Paris III – a Sorbonne -- e vê que a mais tradicional das universidades francesas, agora subsidiada por bilionários sauditas, virou oficialmente uma instituição islâmica na qual não há mais lugar para um agnóstico. Pouco após a demissão, convidado a dirigir a edição das obras do romancista J.-K. (Joris-Karl) Huysmans para a Bibliothèque de la Pléiade, ele vai a uma recepção elegante promovida pela editora Gallimard e nota que ali só há homens: as mulheres, no Islam, ficam em casa. Na escala maior da sociedade as mudanças não são menos portentosas: expelido o sexo feminino do mercado de trabalho, sobra emprego para todos os homens. Da noite para o dia, a França mudou de identidade sem nem mesmo perceber. Ben Abbes, o salvador da pátria, já sonha em integrar na Europa várias nações muçulmanas e restaurar o Império Romano em versão islamizada.

Ao longo da narrativa espalham-se muitas observações exatas sobre a lenta e inexorável decomposição cultural e ideológica da França, cada vez mais desprovida de uma autoridade moral e intelectual habilitada a infundir um sentido de ordem na vida nacional. Quando os partidos políticos, a Igreja, a Maçonaria, a intelectualidade e até o movimento nacionalista se mostram incapazes de compreender o enrosco em que se meteram, a entrada do Islam em cena surge como um alívio improvisado e humilhante, mas necessário: a nação confessa sua bancarrota e, com um pragmatismo entre derrotista e cínico, sem alegria nem tristeza, submete-se ao inevitável. Além de mostrar claramente aquilo que ninguém quer ver – que a força do Islam na Europa não está no terrorismo, e sim na imigração em massa --, a islamização da França, tal como a descreve Houellebecq, ilustra, mutatis mutandis, o conceito de “revolução passiva” de Antonio Gramsci.

Igualmente oportunista e leviana é a “conversão” do próprio François. Ela é magistralmente descrita sob a forma de um paralelo inverso com a biografia espiritual de J.-K. Huysmans. François é autor de uma tese universitária sobre o romancista de Là-Bas, com a qual granjeou algum prestígio acadêmico. Huysmans, na juventude, envolveu-se em ocultismo e satanismo e, através de uma longa e atormentada crise espiritual, acabou se convertendo ao catolicismo, encerrando seus dias como oblata de uma ordem religiosa.

Nada de semelhante se passa com François. Sua aproximação com o Islam é tranqüila e sem dramas. Não tem, de fato, nenhuma profundidade espiritual. Mesmo a doutrinação que recebe é rala e brevíssima. Limita-se à leitura de um livreto de Robert Rediger, belga islamizado e discípulo de René Guénon, cuja ascensão na política francesa lhe permite viver com suas várias esposas – uma das quais de apenas quinze anos -- num casarão elegantíssimo outrora pertencente ao crítico Jean Paulhan (precursor do desconstrucionismo, portanto um dos pais da decomposição cultural), discursando sobre as virtudes do Islam e, contra o mandamento corânico expresso, bebendo vinho na maior tranqüilidade (um hábito que nos anos 80 notei ser muito comum entre intelectuais “perenialistas” islamizados).

Os argumentos com que Rediger muda a cabeça de François são de uma leviandade a toda prova. Consistem de:

(1) Uma promessa de reintegrá-lo no corpo docente da Sorbonne.

(2) Uma apologia do intelligent design em termos genéricos que serviriam para qualquer religião.

(3) Um discurso sobre as belezas da poligamia do ponto de vista darwiniano: condena os fracos e pobres ao celibato e oferece aos homens de prestígio, como por exemplo um professor universitário, o acesso fácil a mulheres..

Para o quarentão François, é uma oferta irrecusável. Após perder sua última namorada, uma moça judia que foge para Israel para escapar do anti-semitismo crescente na terra do capitão Dreyfus, ele se convence de que já não tem sex appeal, de que sua vida amorosa chegou ao fim: busca alívio na bebida e nas prostitutas, com as quais se entrega a toda sorte de extravagâncias eróticas sem nenhum prazer. O que Rediger lhe oferece é a restauração, por via legal, da virilidade evanescente: no Islam todos os casamentos são arranjados à distância por meio de alcoviteiras e da instituição dos dotes, poupando aos tímidos, fracos e velhos os desafios da conquista amorosa e favorecendo, em vez dos atrativos viris, a mera superioridade financeira (nem François nem seu novo guru percebem que isso vai contra o princípio da seleção natural).

Tal como a aliança da direita e da esquerda com a Fraternidade Muçulmana, a conversão de François é um arranjo de ocasião, improvisado sem qualquer exame de suas implicações morais e existenciais de longo prazo. François apenas contempla as mocinhas tímidas, mudas e indefesas que se substituíram às ousadas feministas da época pré-islâmica, e conclui, com uma espécie de cinismo inconsciente:

-- Não terei nada a lamentar.

No meio da narrativa, François, instigado por um amigo, faz uma visita à abadia de Rocamadour, imponente monumento da arquitetura medieval e foco de peregrinação tradicional onde se dera a conversão de J.-K. Huysmans ao catolicismo. Mas justamente ali, onde o autor de La Cathédrale vivenciara as mais profundas e arrebatadoras experiências espirituais, ele sente uma vaga emoção estética ante o ritual gregoriano e sai imune a toda mensagem cristã.

Sem nenhuma hostilidade especial ao cristianismo, ele aceita sem exame nem entusiasmo o argumento de Rediger contra a Encarnação, baseado exclusivamente no desprezo à espécie humana: Deus não desceria do Seu Trono de Majestade para se misturar com essa gentalha.

É impossível enxergar em Soumission o menor elemento autobiográfico: Houellebecq jamais freqüentou uma universidade (teve de documentar-se para descrever a vida na Sorbonne) e, com toda a evidência, não se identifica com o personagem central, cujo merecido desprezo por si mesmo transparece a cada linha da narração na primeira pessoa. Houellebecq é um daqueles gozadores a um tempo sádicos e discretos, que demolem tudo sem dar a impressão de estar fazendo nada de mais.

O duplo paralelismo – direto com o do destino nacional francês, inverso com a vida de J.-K. Huysmans – é a chave da sutil estrutura narrativa de Soumission: desaparecida do horizonte mental qualquer referência exceto museológica à experiência cristã, esfarelada a consciência entre mil e um artificialismos culturais e ideológicos – do desconstrucionismo ao darwinismo cínico da Nouvelle Droite --, a alma da nação e a do indivíduo caem juntas no leito cômodo do fato consumado.

Publicado no Diário do Comércio.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Rene Guenon, Michel Houellebecq e o vazio espiritual que aflige a França e o Ocidente por Martim Vasques da Cunha

Por Martim Vasques da Cunha,


RENÉ GUÉNON, O VIRGÍLIO DE MICHEL HOUELLEBECQ?

"Submissão", de Michel Houellebecq, é o verdadeiro livro que explica não só a rendição espiritual da França, mas também de toda a Europa.

Ele é perturbador porque a narrativa segue sua lógica até as últimas consequências e também porque Houellebecq consegue atingir um tom de neutralidade que já existia nos seus livros anteriores, mas que só agora se cristaliza em uma forma que incomoda as nossas sensibilidades ocidentais.

O texto de Stephen Sawyer, com o link abaixo, é o melhor que já li sobre o livro - melhor até mesmo que os artigos escritos por Anthony Daniels (publicado na New Criterion) ou Mark Lilla (New York Review of Books), dois sujeitos que entendem do riscado, mas que infelizmente não citaram uma única vez o autor que surge na conclusão do romance e é uma referência fundamental para se entender as intenções de Houellebecq: René Guénon.

Para quem ainda é novato nessa história da "nova direita", Guénon é um dos homens mais misteriosos do século XX, que, ao diagnosticar o vazio espiritual do Ocidente, resolveu sair do catolicismo, fundar a sua própria maçonaria e, descontente ao cubo, converteu-se ao Islã porque, segundo ele, era a única religião que poderia dar algum sentido para o vácuo existencial que vivia a Europa.

Como se não bastasse, Guénon influenciou outros intelectuais místicos, como Frijoft Schuon, Titus Burckhardt e Martin Lings, que procuraram islamizar o Ocidente por meio da sua "unidade transcendente das religiões". No Brasil, Guénon também influenciou boa parte da obra de Olavo de Carvalho, em especial o formidável "O Jardim das Aflições", mesmo que, anos depois, o filósofo brasileiro tenha reconsiderado boa parte dessa orientação, optando por seguir as descobertas especulativas da obra de Eric Voegelin e outros autores que mostraram que o Islã era uma outra variante da "era ecumênica".

A referência de Houellebecq a Guénon não é aleatória: mostra que ele sabe muito bem que a França e a Europa passam por uma "alquimia da islamização" (novamente, um termo de Olavo de Carvalho, publicado em um artigo que deveria ser dado como cesta básica de sobrevivência) e que o Islã, por mais problemático que possa ser para uma mente secular, é também uma força espiritual avassaladora que dá um sentido a uma existência infeliz (é interessante que a mesma observação é feita por Paul Thomas Anderson em seu filme críptico sobre a cientologia, "The Master". O recado de ambos é claro: seitas são seitas, religiões podem até ser um meio para você perder a sua liberdade, mas elas funcionam e podem até consertar a sua vida).

É esta a incompreensão que assola o comportamento dos estadistas e dos supostos "livre-pensadores" dos EUA e da União Européia: o Islã é uma religião imperial que preenche as lacunas existenciais do Ocidente e aproveita justamente a maior dádiva que o Cristianismo nos deu - a liberdade individual, a raiz do secularismo que separa o Estado e a Igreja - para que ele agremie não só novos fiéis, mas movimentos apocalípticos que não hesitam trazer o paraíso perdido para esta terra devastada, independente do custo de criar, nesse meio tempo, uma "comunidade global de sofrimento".

Com "Submissão", Houellebecq mostra que entendeu isso como poucos escritores, o que o transforma, para a infelicidade de alguns, não em um profeta, como querem pensar aqueles que ainda acham que o futuro pode ser evitado - mas em um visionário, pois o futuro já chegou e, como diria Leonard Cohen, ele é nada mais nada menos que o assassinato de cada um de nós.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Imigrantes legais da Suíça se sentem atraídos pelo partido de direita

Por André,

Partido de direita que propõe controle de imigração vence eleições na Suíça.

Imigrantes se sentem atraídos por partido que propõe leis rígidas para evitar a imigração ilegal.


Se tem um tipo de notícia que me agrada é essa: imigrantes LEGAIS se atraem pelos partidos de direita com políticas rígidas sobre imigração. É mais uma daquelas notícias que buga o cérebro de esquerdista que acha que os esquemas ideológicos criam uma realidade e não que a realidade é soberana na hora de criar teorias explicativas sobre o mundo.

Lembro-me de, à época das eleições para primeiro-ministro na Grã-Bretanha, debater com alguns habitantes das catacumbas de pensamento da internet (a seção de comentários das páginas do El Pais, da BBC e da DW) porque eu, brasileiro, mostrei minha simpatia pelo UKIP e pelo seu candidato Nigel Farage. Como é possível que, na melhor das hipóteses um pretenso imigrante defenda um partido e um candidato pela causa contrária à imigração em massa?

As mentes limitadas funcionam assim: tudo aquilo que não se submeter ao esqueminha ideológico simplesmente não pode existir, mesmo que a realidade esteja aí, soberana e sublime, apontando na direção contrária.

É sempre o mesmo:

- Gay conservador: não pode.
- Negro contra cotas: não pode.
- Mulher antifeminista: não pode.
- Branco pobre: não merece nada porque é branco.
- Pobre de direita: não pode (e essa sempre rende comentários engraçadíssimos!).
- Imigrante contra a imigração ilegal (mesmo depois de anos de labuta para se tornar um imigrante legal, como as coisas devem ser): não pode.

A inteligência simplesmente foi destruída pela ideologia. A realidade é sacrificada no altar ideológico. Esse sociologismo rasteiro e chinfrim onde as pessoas não são indivíduos que pensam por si próprios e que buscam a verdade, mas sim engrenagens de um grupo ou uma classe e que devem aderir ao pensamento de manada - e que grassa forte e vivaz entre os círculos pseudocults) - é das coisas mais baixas que circulam na atmosfera 'intelectual' atual. Embora esse raciocínio deva muito ao marxismo, estou certo que talvez o próprio Marx se envergonharia dele.

O jeito é continuar dando curto-circuito nos esqueminhas ideológicos dessa gente. Além de necessário é engraçado.