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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Dois textos que provam: universitários estão sendo enganados e grande entrave à ciência nos últimos 50 anos é a esquerda

Por André,

O renomado psicólogo Jordan Peterson, que se tornou famoso por sua defesa da liberdade de expressão e por se posicionar contra uma lei que obriga funcionários públicos a tratar "pessoas trans" pelo pronome que bem desejarem:

http://xibolete.uk/peterson/

Ataque à ciência traz à mente das pessoas criacionismo, contrariedade ao aborto e a pesquisas contra células-tronco, certo? Certo, porém ERRADO. Ideologia de gênero e o mito da tábula rasa, perpetuados pela esquerda acadêmico-política é que realmente atravanca a pesquisa científica honesta nessas áreas. O argumento faz especial sentido se admitirmos a obviedade de que é a esquerda progressista, predominante nos circuitos públicos, que tem poder de lobby para direcionar verbas de pesquisa. Dados expostos no artigo abaixo atestam a informação:

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Camille Paglia: “O pós-modernismo é uma praga para mente e coração”

Por Setor VIP,

Esqueça o trivial. Feminismo, cultura pop, cantoras mainstream, assuntos sobre os quais fala frequentemente. A filósofa americana Camille Paglia tem muito mais a oferecer, considerando que é uma das intelectuais mais interessantes em atuação no debate público mundial. A gama de assuntos que domina, sempre com uma fala enérgica e rápida, enfeitiça até seus oponentes. Sim, porque a ensaísta, professora de Humanidades e Estudos de Mídia da Universidade das Artes da Filadélfia, não economiza nas frases viscerais – quando não ríspidas – na hora de expor seus pensamentos. Sejam eles sobre arte de vanguarda, pintores, escritores ou cineastas, Paglia fala com eloquência e profundidade sobre tudo: de Anthony Van Dyck a George Lucas, passando por Andy Warhol e T.S. Eliot. Com exclusividade para o Setor VIP, Camille Paglia fala sobre a Arte na pós-modernidade, explorando a intervenção religiosa ao longo da história, a contemplação na era das tecnologias e a possível saída para uma educação com menos intolerância por parte das religiões. Simplesmente imperdível!


Setor VIP: Nas Artes, qual é o pior sintoma da pós-modernidade?

Camille Paglia: A arte vanguardista de oposição, que atacou o establishment cultural, político e religioso, nasceu na insurreição do Alto Romantismo, no fim do século XVIII (1700s). Esse movimento dissidente contou com diversos grandes heróis, que fizeram enormes sacrifícios por ele, suportando até a fome e o ridículo. Entre eles, temos os pintores Courbet, Monet e Jackson Pollock. No entanto, na minha opinião, a vanguarda encerrou-se com Andy Warhol, que teve grande influência sobre mim nos meus tempos de faculdade. Quando a Pop Art abraçou a propaganda comercial e as estrelas de Hollywood, a fórmula oposicionista da vanguarda já estava morta e acabada. O chamado “pós-modernismo” nasceu depois da Pop Art. É um termo que rejeito com toda a força, pois o considero totalmente desprovido de sentido. Não existe essa coisa de pós-modernismo. Continuamos na era do modernismo, que começou no início do século XX, com o Cubismo de Picasso, o Dadaísmo de Duchamp e o Expressionismo Alemão. Tudo aquilo que se pretende pós-moderno já estava contido e definido em “A Terra Desolada”, de T.S. Eliot, com sua paisagem estéril e coberta de fragmentos desconexos do passado cultural.

Por que se deu o título pós-modernismo, então?

O pós-modernismo como fenômeno é um subconjunto do pós-estruturalismo, que se valeu da linguística antiga e ultrapassada de Ferdinand de Saussure para postular que tudo o que sabemos (ou pensamos saber) é mediado pela linguagem. Essa alegação absurda – que pode ser facilmente rebatida com a simples observação do cotidiano de escultores, pintores e dançarinos, todos fundamentados no universo material – foi difundida nas universidades nos anos 1970 e hoje em dia envenenou também o mundo da arte. O pós-estruturalismo é uma postura de ironia cínica, “desconstruindo”, desestabilizando e alegando o tempo todo que qualquer obra de arte, em última instância, subverte a si mesma. O pós-estruturalismo nega que exista qualquer ordem ou sentido na história – o que é manifestamente falso quando examinamos a evolução dos estilos na história da arte. Por exemplo, o neoclassicismo como reflorescimento do humanismo greco-romano constitui uma refutação óbvia dos clichês pós-estruturalistas.


Quais foram outras influências?

O pós-modernismo também foi impactado pela Escola de Frankfurt de análise da cultura popular – outro sistema maçante e fora de moda, criado na década de 1930, antes mesmo do nascimento da televisão! A Escola de Frankfurt, baseada no marxismo, é repleta de suposições ofensivas sobre a mídia moderna: ela postula que a grande massa do público comum é estúpida e passiva, e, por isso, é presa fácil da lavagem cerebral operada por impérios de mídia conspiradores e malignos. Essa é uma visão estúpida da cultura popular. A verdade é exatamente o oposto: as pessoas escolhem o que gostam – no cinema, na televisão e na música – e votam nisso com seu dinheiro. Os impérios de mídia são operações comerciais que buscam apenas o lucro. Assim, os próprios impérios de mídia é que são passivos contra forças externas – e não as pessoas, que detêm o poder real. Tanto a Escola de Frankfurt como o pós-estruturalismo são arrogantes e elitistas, impregnados de desprezo pela gente comum que alegam defender.


E quais são os resultados disso?

O resultado final de quatro décadas de pós-modernismo permeando o mundo da arte é que, hoje em dia, existem pouquíssimos trabalhos interessantes e importantes sendo feitos no campo das belas artes. A ironia era uma postura ousada e criativa quando Duchamp a adotou, mas hoje é uma estratégia inteiramente banal, esgotada e tediosa. Foi ensinado aos jovens artistas que eles deveriam ser “cool” e “hip” e, assim, dolorosamente autoconscientes. Eles não são estimulados a serem entusiasmados, emotivos e visionários. Eles foram privados da tradição artística por um ceticismo capenga em relação à história, que lhes foi ensinado por pós-modernistas ignorantes e solipsistas. Em resumo, o mundo das artes não renascerá até que o pós-modernismo desapareça. O pós-modernismo é uma praga para a mente e para o coração.


Com a tecnologia transformando a vida moderna, não deveria haver mais tempo disponível para a contemplação?


A revolução industrial produziu diversos mecanismos mágicos de economia de trabalho, cruciais para o avanço das mulheres na sociedade moderna. Por exemplo, a máquina de escrever, criada no século XIX (1800s), permitiu que as mulheres trabalhassem em empresas nas quais os homens sempre haviam sido os escribas, escrevendo com pena e tinta. As mulheres, com suas mãos pequenas e maior destreza, tornaram-se especialistas em máquinas de escrever. Em um primeiro momento, o emprego de secretária – antes domínio exclusivamente masculino – foi muito liberador para as mulheres, que passaram a poder se sustentar e deixaram de ser dependentes de seu pai ou marido. Por isso é tão irônico que na metade do século XX o emprego de secretária tenha sido denunciado como uma armadilha de baixos salários para as mulheres, que já naquele momento aspiravam a posições gerenciais e de poder na empresa.


Há outros “aparelhos mágicos”?

Outros aparelhos extraordinários para economizar trabalho são a lavadora e a secadora automáticas, que liberaram as mulheres da tarefa de lavar roupas manualmente, um processo muito lento e exaustivo. Mas hoje isso também se tornou uma espécie de armadilha, uma prisão no isolamento dos lares burgueses, já que que as mulheres da era agrária desfrutavam da solidariedade do grupo na hora de levar a roupa para lavar nas margens do rio. De fato, foram exatamente o alegre burburinho e a cantoria de jovens lavadeiras que acordaram o náufrago Odisseu na costa da Feácia, no poema épico de Homero.


De alguma forma, eles se tornaram paradoxos?


Esse padrão de tecnologia moderna, que chega como um presente libertador mas acaba por se tornar uma maldição aprisionadora, é exatamente o que ocorreu no mundo digital. O computador pessoal nos libertou da máquina de escrever, e a internet nos trouxe o milagre da comunicação global instantânea. Contudo, em toda parte, a classe profissional se tornou escrava de seus computadores e iPhones, que se intrometem em cada minuto de nossa vida. Em vez de ter mais tempo para a contemplação, nós temos menos. Não há pausa, descanso ou possibilidade para ativação e cultivo de um ritmo interior, já que somos bombardeados por trivialidades impulsivas de todos os lados. Estamos condenados a um estado perpétuo de ansiedade nervosa e sobressaltada. As redes sociais se tornaram um vício generalizado, especialmente entre os jovens, que precisam checar seus iPhones constantemente ao longo do dia. Não há dúvidas de que, sob o impacto da tecnologia digital, o cérebro humano está sendo remodelado de maneiras ainda obscuras. A informação explodiu, mas temos apenas dados puros, sem uma visão ou reflexão mais amplas. A pergunta permanece: haverá espaço para a arte no futuro digital?


O sentido religioso da humanidade está enfraquecendo? A religião ainda tem força para inspirar a Arte?

Apenas os intelectuais míopes do Ocidente acreditam que a religião está perdendo força. A crença religiosa está se intensificando no movimento evangélico do protestantismo, que está se expandindo por nações outrora inteiramente católicas, incluindo o Brasil. E o fundamentalismo islâmico, com sua minoria jihadista e fanática, também está crescendo por todo o mundo. É certo que as denominações principais do protestantismo, como os episcopais e os presbiterianos, estão perdendo importância, conforme suas congregações se tornam ricas e elitizadas e, portanto, “sofisticadas” demais para demonstrar fervor religioso. Mas existe uma longa história de revivalismo na religião, momentos em que uma crença apaixonada se manifesta de forma emotiva e incendeia tudo ao seu redor. Por exemplo, o “Grande Despertamento”, que varreu os Estados Unidos no século XVIII e começo do século XIX (1700s e 1800s).

A verdade é que o humanismo secular, que começou com o avivamento da cultura greco-romana no Renascimento italiano, tornou-se estéril e niilista. Em alguns momentos, o humanismo secular ofereceu a arte como substituta da religião ortodoxa e puritana. Mas os intelectuais de hoje, intoxicados pelo jargão distorcido e pretensioso do pós-estruturalismo e do pós-modernismo, não acreditam mais na arte. Eles não acreditam em nada e, com isso, criaram um vácuo cultural preenchido apenas pela cultura popular, que, infelizmente, ao longo das três últimas décadas, decaiu em qualidade e profundidade. Embora eu seja ateia, respeito imensamente todas as religiões e considero os símbolos e crenças religiosos tremendamente inspiradores. A religião possui uma dimensão metafisica crucial, uma visão do universo e da existência humana que não aparece de forma alguma nos conceitos políticos limitados forjados pelo marxismo, que enxerga apenas a sociedade. Uma das razões da banalidade e da mediocridade de grande parte da arte contemporânea é que a maioria dos artistas não possui mais um instinto para a espiritualidade.


É possível entender a arte sem entender a religião?


Muitos dos maiores marcos culturais e artísticos da humanidade foram inspirados pela religião. É literalmente impossível para qualquer pessoa entender a totalidade da arte sem respeitar também a religião. Todavia, é difícil prever se a religião será capaz de produzir arte relevante no presente ou no futuro. Em primeiro lugar, o protestantismo é iconoclasta desde seu início: reformadores protestantes como Martinho Lutero e João Calvino acreditavam que as pinturas e esculturas das igrejas católicas eram exemplos heréticos de idolatria e que, portanto, tinham de ser destruídas. A cristandade evangélica permanece orientada pelos cânticos congregacionais endossados por Martinho Lutero (que também escrevia hinos de louvor), mas ela não abraça ou estimula as artes visuais de maneira significativa. O Islã é ainda mais conservador, com a produção de imagens ainda tão limitada quanto era no tempo dos patriarcas hebreus do Velho Testamento. Com efeito, em 2001, os fundamentalistas do Taleban destruíram os colossais Budas de Bamiyan e, no início de 2015, os jihadistas do Estado Islâmico destruíram esculturas assírias ancestrais no Iraque.


Existe uma saída?

Há vinte e cinco anos, propus que as grandes religiões do mundo (Hinduísmo, Budismo, Judaico-Cristianismo e Islã) fossem incluídas no cerne do currículo educacional de todos os países. Todo mundo estudaria os principais textos, a arte, a arquitetura e os locais sagrados de cada religião. Essa é a única maneira de alcançar um entendimento verdadeiro da história e dos povos do mundo. No entanto, se minha proposta algum dia for colocada em prática, ela provavelmente será derrotada em duas frentes. Os conservadores religiosos fariam forte objeção a outras religiões recebendo o mesmo status que a sua, e os esquerdistas se oporiam ao ensino de religião em sala de aula, entendendo-o como uma violação de seu rígido dogma secular. O desdém sarcástico que tantos intelectuais seculares expressam pela religião é uma estupidez que minou a imaginação de jovens artistas aspirantes em toda a parte. Existe apenas uma solução, que permanece inalterada desde os tempos de Sócrates: cada indivíduo é responsável por sua própria educação e instrução.

domingo, 23 de novembro de 2014

Dois exemplos práticos do que convencionou-se chamar "marxismo cultural"

Por André,


Muito se discute sobre o que seria o tal "marxismo cultural". Seria pura e simplesmente marxismo? Delírio neoconservador? Conceito imaginário? Teoria da conspiração (a Wikipedia definia assim em seu artigo sobre o tema)?

Pois bem, já me posicionei sobre o assunto e disse que, do meu ponto de vista, o fenômeno que chamamos de marxismo cultural é mais importante que o nome que recai sobre ele. O próprio Olavo de Carvalho já disse que a expressão conceitual é uma nomenclatura conveniente que representa certo conjunto de ideias, mas talvez o termo não seja exatamente o melhor que se pode conceber (amigos já me falaram em "contracultura" ou até mesmo manter a própria expressão "teoria crítica").

Os "adeptos" do marxismo cultural certamente são herdeiros de Marx, admitam isso ou não, muito embora seja fato que há pouco eco do conceito da obra do próprio Marx. Marx via na cultura um elemento de prova das suas teorias (que predomine certa cultura sobre aquela é sinal que a ideologia predominante é a ideologia da classe exploradora etc) e não um campo de ação revolucionária.

A ideia que a cultura não apenas é campo de ação revolucionária, mas é o PRINCIPAL campo de ação remonta a Antonio Gramsci (1891-1937), para quem as ideias do partido só serão alçadas à condição de imperativo categórico depois de sitiadas com intelectuais comunistas escolas, igrejas, universidades, instituições, jornais, editoras etc. Após esse primeiro quadro teórico, temos posteriormente a Escola de Frankfurt, que percebeu a pobreza do reducionismo econômico do marxismo tradicional. A discussão marxista abandonou a retórica sindicalista inflamada e o debate sobre exploração do trabalho, mais-valia etc (discussão econômica) para adentrar o terreno da cultura, juntando as ferramentas oferecidas tanto por Marx como por Freud. Podemos, ainda, ver essas ideias culminando no que hoje chamamos de "french theory" e outros referenciais ideológicos admitidos por feministas radicais, militância racialista (com esses grupos se torna ainda mais evidente que o debate abandonou o terreno da economia e se estendeu para o elástido e indefinível terreno da cultura - o ódio de grupos racialistas e feministas não se volta contra o "patrão explorador", mas contra a cultura "patriarcal" ou "racista" que aí está, isto é, a cultura ocidental) etc.

Isso posto, vejamos dois exemplos práticos, cotidianos e nitidamente pautados naquilo que podemos chamar de "marxismo cultural". Primeiro, vejamos o depoimento do médico psiquiatra dr. Valentim Gentil Filho, relatando sua experiência com a ideia de que pessoas com problemas psiquiátricos são "vítimas da sociedade" e que seu encarceramento só pode ser justificado em algum tipo de preconceito calcado na divisão entre "gente sã" e "gente louca", "gente racional e gente irracional", uma clara reprodução - fora do contexto econômico - da dicotomia "explorador versus explorado":



A ideia que problemas psiquiátricos não representam qualquer problema concreto que justifique o encarceramento, a bandeira pela abolição de manicômios etc remonta às reformas citadas pelo dr. Valentim, em muito pautadas nas ideias de Michel Foucault. A discussão é pura e simplesmente uma extensão da noção de "conflito de classe" para o terreno da psiquiatria. A sociedade burguesa ocidental não consegue/quer lidar com problemas psiquiátricos, então encarcera seus malucos em manicômios para evitar o problema (que só pode ser resolvido com uma vasta revolução na cultura ocidental tal como conhecemos).

O que é isso se não a transposição do marxismo para um terreno distinto da economia? Se chamamos ou não isso de marxismo cultural é mero detalhe, o que importa é documentar o fenômeno e mostrar suas bases intelectuais.

O "louco" digno de internação no manicômio é apenas um "oprimido" e as bases que justificam sua opressão é a cultura vigente. A solução para o fim dessa opressão é prima e necessariamente uma revolução que subverta as bases dessa cultura. A discussão foge e muito do terreno psiquiátrico e passa a ser exclusivamente ideológica.

Como exemplifica Roger Scruton, em seu "Thinkers of the New Left" de 1993:

Em História da Loucura (1961), Foucault dá o primeiro vislumbre desta tese. Ele toma o confinamento de loucos em sua origem no século XVII, associando esse confinamento com a ética do trabalho e com a ascensão das classes médias. O idealismo de Foucault - sua impaciência com explicações que são meramente causais - leva-o constantemente a engrossar sua trama. Assim, ele diz, não que a reorganização econômica da sociedade urbana trouxe o confinamento, mas que "foi em uma certa experiência de trabalho que a demanda indissolúvel por confinamento moral e econômica foi formulada". Mas isto poderia ser visto amplamente como um embelezamento das categorias da explicação histórica que derivam, em última instância, de Marx" (SCRUTON, 2014, p. 61). 

O segundo exemplo é fornecido por Theodore Dalrymple em seu excelente A Vida na Sarjeta (É Realizações, 2014). Trata-se do ataque dirigido ao inglês culto e exaltação do inglês periférico e recheado de gírias:

"A BBC, que até poucos anos insistia, com muito poucas exceções, na "received pronunciation" de seus locutores, agora está correndo para assegurar que a fala enviada pelas ondas de rádio seja demograficamente representativa. A ideologia política por trás da decisão dessa mudança é clara e simples, um remanescente do marxismo: as classes altas e médias são más; o que era tradicionalmente considerado alta cultura não é nada mais senão algo usado para esconder o jugo das classes média e alta sobre a classe trabalhadora; a classe trabalhadora é a única cuja dicção, cultura, modos e gostos são verdadeiros e autênticos, pois são valorados por si mesmos e não como um meio de manter a hierarquia social. A utopia comunista pode estar morta na Rússia, mas é modelo na BBC - exclusivamente entre as pessoas de classe alta e de classe média, é claro" (DALRYMPLE, 2014, p. 104).

A classe opressora não é mais a detentora dos meios de produção, é aquela que se serve da received pronunciation. Quem fala corretamente é opressor e oprime quem fala errado. A regra deve ser a dos oprimidos e não a dos opressores. O ataque é à alta cultura, não à burguesia endinheirada.

Dessa maneira, o marxismo - cultural  ou como quer chamemos o fenômeno - é um pensamento que forma um tipo de ácido universal que pretende corroer todas as bases da civilização ocidental. Seus tentáculos são claros e visíveis, exorto para que não percamos tempo discutindo como chamamos o fenômeno, mas sim que analisemos e combatamos o mesmo.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Foucault escrevia textos obscuros de propósito para parecer "profundo"

Por André,

Foucault deve ser lido. É um pensador influente do século, gostemos ou não, estando ele quase sempre equivocado ou não. Se pretende-se criticá-lo é obrigatório lê-lo. O mesmo para Marx e os demais gurus da inteligentsia esquerdista. Já tive a oportunidade de escrever um texto bastante crítico ao autor.

É natural que sendo o deus que é para a academia nacional, comprei brigas grandes com colegas e amigos. É sabido da minha crítica ao pós-modernismo e seu relativismo radical, mas um aspecto que costuma ser deixado de lado é o caráter confuso, obscuro e quase críptico de tais autores, especialmente os radicados em França.

Chega ao meu conhecimento hoje uma confissão de própria boca de Foucault que o próprio teria sido "obrigado" a ser obscuro. Isso mesmo! Tal como desconfiávamos e afirmávamos, a coisa era intencional e não por acaso.

A revista Open Culture traz um relato do amigo de Foucault, John Searle, de onde tirou uma confissão da obscuridade proposital do autor. Foucault obscurecia seus textos propositalmente para adequar-se aos padrões de escrita franceses. Searle disse que Foucault o contou: "Na França você deve ser dez por cento incompreensível, do contrário as pessoas não pensarão que se trata de algo profundo, elas não vão pensar que você é um autor profundo". Quando Searle posteriormente perguntou a Bordieu se ele considerava isso verdade, Bordieu afirmou que "era muito pior que dez por cento".

As palavras de Searle podem ser ouvidas aqui:


Como eu sempre digo: mais Hume, Descartes, Schopenhauer e Rand e menos Foucault, Derrida, Deleuze e outros.

sábado, 5 de outubro de 2013

Mundo acadêmico moderno: "Estudo falso é aceito para publicação em mais de 150 revistas"

Por Estadão,

Imagine só o seguinte experimento: Você escreve um trabalho científico falso, baseado em dados falsos, obtidos de experimentos sem validade científica, assinado com nomes falsos de pesquisadores que não existem, associados a universidades que também não existem, e envia esse trabalho para centenas de revistas científicas do tipo “open access” (que disponibilizam seu conteúdo gratuitamente na internet) para publicação. O que você acha que aconteceria?

Pois bem, um biólogo-jornalista norte-americano chamado John Bohannon fez exatamente isso e os resultados, publicados hoje pela revista Science, são aterradores (para aqueles que se preocupam com a credibilidade da ciência): ele escreveu um trabalho falso sobre as propriedades supostamente anticancerígenas de uma molécula supostamente extraída de um líquen e enviou esse trabalho para 304 revistas científicas de acesso aberto ao redor do mundo. Não só o trabalho era totalmente fabricado e obviamente incorreto (com falhas metodológicas e experimentais que, segundo Bohannon, deveriam ser óbvias para “qualquer revisor com formação escolar em química e capacidade de entender uma planilha básica de dados”), mas o nome dos autores e das instituições que o assinavam eram todos fictícios. Apesar disso (pasmem!),  mais da metade das revistas procuradas (157) aceitou o trabalho para publicação. Um escândalo.

O que isso quer dizer? Quer dizer que tem muita revista “científica” por aí que não é “científica” coisíssima nenhuma. E que o fato de um estudo ter sido publicado não significa que ele esteja correto (pior, não significa nem mesmo que ele seja verdadeiro para começo de conversa). A ciência, assim como qualquer outra atividade humana, infelizmente não está isenta de falcatruas.

E o que isso não quer dizer? Não quer dizer que o sistema de open access seja intrinsecamente falho ou inválido. Certamente há revistas de acesso livre de ótima qualidade, como as do grupo PLoS, assim como há revistas pagas de baixa qualidade que publicam qualquer porcaria. Nenhum sistema é perfeito. Até mesmo a Science publica umas lorotas de vez em quando, assim como a Nature e outras revistas de alto impacto, que empregam os critérios mais rígidos de seleção e revisão. Além disso, o fato de uma revista ser gratuita não significa que ela não tenha revisão por pares (peer review) e outros filtros de qualidade. Assim, o que deve ser questionado não é a forma de disponibilizar a informação, mas a forma como ela é selecionada e apurada — em outras palavras, a qualidade e a confiabilidade da informação, não o seu preço.

O relato de Bohannon acaba de ser publicado no site da Science, dentro de um pacote de artigos intitulado Comunicação na Ciência: Pressões e Predadores.

Nessa mesma temática, a revista Nature publicou recentemente também uma reportagem sobre o escândalo envolvendo quatro revistas científicas brasileiras que foram acusadas de praticar citações cruzadas — ou “empilhamento de citações”, em inglês –, esquema pelo qual uma revista cita a outra propositadamente diversas vezes, como forma de aumentar seu fator de impacto (e, consequentemente, o prestígio dos pesquisadores que nelas publicam). As revistas são ClinicsRevista da Associação Médica BrasileiraJornal Brasileiro de Pneumologia Acta Ortopédica Brasileira.

O suposto esquema foi descoberto pela empresa Thomson Reuters, maior referência internacional na produção de estatísticas de publicação e citações científicas. Como punição, as quatro revistas tiveram seu fator de impacto suspenso por um ano. A reportagem pode ser lida neste link: http://www.nature.com/news/brazilian-citation-scheme-outed-1.13604. O texto inclui explicações de alguns dos atores envolvidos e aborda as críticas aos padrões de avaliação da CAPES, bastante frequentes na comunidade científica brasileira, por enfatizar de maneira supostamente exagerada o fator de impacto das revistas.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ciências Humanas viraram motivo de piada. E não sem razão.

Por André,

Por meados de 2007 eu havia assistido o curta abaixo. Estava no ensino médio e ainda não sabia quão grave era a situação, embora estivesse relativamente por dentro da destruição do ideal de universidade, de intelectual etc:


Baboseira, textos crípticos, indecifráveis, ininteligíveis, essa é a tônica das humanidades nos últimos anos. A consequência clara, óbvia e natural diante do relativismo que emana dos centros universitários.

Penso que o experimento de Sokal na Social Text seja definitivo como ilustração do que ocorre. Na perca de qualquer critério objetivo, de verdade, de beleza, de moral, qualquer coisa é verdade, é bonita, é certa.

E ainda perguntam por que Filosofia e outras outrora chamadas "ciências" humanas é motivo de piada?

Que bom que a Filosofia não se resume a isso, pois caso se resumisse, seus adeptos não seriam merecedores de mais que uma cusparada.

--

E não apenas a Filosofia é um problema, mas também a literatura:

http://www.youtube.com/watch?v=BbI9tYgbiJc

domingo, 16 de junho de 2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

Avicena e o princípio da não-contradição. Que se faça uma fila de pós-modernos!

Por André,

Avicena

É bem sabido que o pós-modernismo é uma corrente de "pensamento" (ou não) forte no mundo acadêmico das humanidades, cobrindo todo o globo (talvez um dos poucos casos em que algo é MUITO ruim do Brasil e MUITO ruim no restante do mundo também).

Os mesmo adotam um discurso abertamente antirracional, ilógico, e não percebem (ou não se dão o trabalho de perceber) que é impossível afirmar que "não existem verdades" (caso elas não existam, essa afirmação é verdade? Se não, por que acreditar nela? Se sim, então existem verdades), a lógica não existe ou não funciona (ora, ao fazer afirmações do tipo "isso é aquilo" ou "se isso, então aquilo" você já está implicitamente aceitando a existência e funcionamento da lógica).

E não esperem que seja o caso de que os defensores dessas ideias não entenderam essas observações simples, não é, nem de longe, esse o caso! Eles compreendem perfeitamente bem o problema; as explicações para a adoção de tal postura fogem do propósito desse post, contudo, quem quiser conferir, sugiro a leitura do livro "Explicando o pós-modernismo" de Stephen Hicks. Lá, você encontrará uma argumentação sólida que conecta a derrota da esquerda no terreno da argumentação racional com o advento da (sic) "epistemologia" pós-moderna.

O teor de impostura intelectual do pós-modernismo é patente. Quem quiser mais detalhes, pode ler meu artigo sobre o livro Imposturas Intelectuais, de Alan Sokal e Jean Bricmont, onde os mesmos contam o episódio curiosíssimo ocorrido no periódico Social Text e escrutinam todas as contradições dos mais renomados autores pós-modernos.

Vale ainda citar o site Postmodernism Generator, aquele que gera artigos pós-modernos automaticamente, com notas de rodapé e tudo (consequência imediata da perda do critério de verdade lógica: se nada é verdade, então tudo é verdade. Literalmente, "vale tudo").

Isso posto, uma citação de Avicena me chamou a atenção hoje. A citação me faz ter vontade de convocar um exército de pós-modernos e promover a recomendação do filósofo persa:

"Qualquer um que negue a lei na não contradição deve ser surrado e queimado até que admita que ser surrado não é o mesmo que não ser surrado e ser queimado não é o mesmo que não ser queimado" Avicena, em comentário à Metafísica de Aristóteles.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Stephen Hicks e a tática dos discursos contraditórios do pós-modernismo

Por André,

Mais uma crítica potente dirigida à maior broma intelectual de nossa época, o pós-modernismo e seu relativismo radical:

- Por um lado, toda verdade é relativa; por outro, o pós-modernismo a descreve tal como realmente é.

- por um lado, todas as culturas merecem igual respeito, por outro, a cultura ocidental é exclusivamente destru
tiva e má.

 
- os valores são subjetivos - mas sexismo e racismo são realmente um mal.

- A tecnologia é má e destrutiva - mas é injusto que alguns povos tenham mais tecnologia que outros.

- A tolerância é boa e a dominação é má - ms quando os pós-modernistas chegam ao poder, a correção política se instala.

HICKS, Stephen. Explicando o pós-modernismo. Rio de Janeiro: ed. Callis, p. 216.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A previsibilidade da escrita pós-moderna

Por André,

Por Filipe Liepkan,

No Right Stuff, apenas dois parágrafos do excelente The Hilarity of Postmodernism:

“Postmodern writing has become so stilted, mechanical, dogmatic and predicable that a man named Andrew C. Bulhak has written a computer program that mimics the language of postmodern critical theory with such effectiveness that many are fooled into thinking it is a real academic paper they are reading at first glance. Another awesome troll of these ridiculously self important intellectuals. Well done Andrew.

It seems strange that a philosophy that is seemingly so absurd could have so much unseen power in today’s culture and could have contributed to the takedown of so many social institutions. The family, masculinity, femininity, capitalism, nationalism, patriarchy and even orthodox Marxist socialism have all been under assault from this school. This illustrates the social power of critical theory and deconstructionism. The theories are prima facie ridiculous, but they slowly and surely chip away at the foundation of a culture as they are intended to do. This is the intentional strategy of critical theory.”

Agora, veja você como um texto fabricado nos requisitos vazios da linguagem pós-moderna consegue expressar aparentemente uma noção de intelectualidade esclarecida, ainda que ausente de qualquer significado minimamente necessário a qualquer entendimento acadêmico. Ou seja, enquanto texto fabricado por um programa [literalmente], a evidência de uma estrutura de linguagem corrobora não somente sua inutilidade, mas também sua perversidade patente. Ao menos como um trato lúdico do assunto, seria interessante levar esse mesmo texto aos mestres pós-modernistas da academia brasileira e observar (como quem aprecia um bom filme) a dissimulação intelectualista patológica dos tais e a pretensão de valorização de uma estética previsível.

A previsibilidade dessa linguagem sui generis, contudo unânime nas tendências de qualquer movimento desconstrutivista, também se revela na Teologia Liberal em todas as suas vertentes e segue uma padronização estrutural irrefutável. É certo que o desconstrutivismo enquanto estratégia discursiva pode ter utilidade prática também na análise do ideário utópico e materialista, essencial aos teólogos liberais, mas deve ser também vinculado a uma estética que esconde em rodeios intermináveis o cerne da questão. Em outras palavras, é possível dizer que a “escrita pós-moderna” utilizada pelos teólogos liberais corrobora não somente uma identidade grupal, mas também o redescobrimento de técnicas de afastamento da responsabilidade pessoal perante certos assuntos que se escancarados ao público traria descrédito e desconfiança imediatos. Ao dissimular nas palavras o significado real daquilo a que se pretende, geralmente por meio de expressões misteriosas, genéricas e despropositais, os teólogos liberais usufruem da mesma benesse com a qual hoje qualquer desconstrutivista consegue estimular sua aparência intelectualizada e subliminar. É de fato uma artimanha que ampara a irresponsabilidade intelectual no que foi gesticulado.
Esse é o motivo pelo qual os palestrantes de movimentos como o Missão Integral conseguem tantos adeptos sem antes vincular sua imagem a conceitos e ativismos eminentemente políticos, abraçados pelas paixões dissolvidas propositalmente em diversos tópicos que segundo uma perspectiva latina teria relação direta com o Evangelho. Dou como exemplo simplório sua preocupação ambiental e sua ambição com as políticas de Estado de redistribuição da riqueza, ambas a princípio sem grande relação com a mensagem salvífica. Espero que em algum momento futuro tenha eu paciência para escrever mais sobre o assunto.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Volume 5 do periódico Griot traz artigo de vosso blogueiro sobre o livro Imposturas Intelectuais

Por André,



O artigo versa sobre as críticas dos físicos Alan Sokal e Jean Bricmont aos filósofos e cientistas sociais ditos "pós-modernos". A crítica passa, essencialmente por dois aspectos: o relativismo epistêmico radical apregoado pelos especialistas em humanas e a "apropriação indébita" feita por esses mesmos do linguajar científico.

O artigo pode ser encontrado, lido e baixado aqui, no site do periódico.