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domingo, 27 de setembro de 2015

Os arrastões no Rio de Janeiro e o que deveria ser a pá de cal definitiva nas narrativas de esquerda sobre a criminalidade

Por André,

Edith Leal sendo vítima de um menor do idade em praia do Rio de Janeiro

Antes, aproveito o ensejo para retomar meu ponto de que o debate público brasileiro, importando (mais uma vez) uma estratégia gestada pela esquerda universitária americana: a estratégia do reforço de narrativas, conforme pode ser lido na postagem que expliquei o modus operandi.

A esquerda acadêmica e limpinha não tardou em tentar reforçar sua narrativa fajuta de conflito de classes onipotente para explicar os arrastões: os menores criminosos, vítimas da sociedade capitalista consumidora, são levados pela mão invisível da mesma a cometer crimes, pois, do contrário, são incapazes de comprar o celular que a auxiliar de escritório Edith Leal, com seu salário inferior a um mil reais, comprou.

Que a esquerda tente relativizar a criminalidade de rua não é lá nenhuma novidade. Ou que nesses casos inverta o polo da culpa, fazendo das vítimas os verdadeiros algozes:


Contudo, há duas peculiaridades nesse caso que deveriam levar as narrativas de esquerda sobre a criminalidade para seu lugar natural: o lixo. Primeiro, o depoimento da própria roubada, uma civil regular que aproveitava algum momento de folga na praia e portava seu celular. A narrativa dos "ricos ostentadores" que, quando vitimados por arrastões, isso nada mais é que merecido e uma forma alternativa de redistribuição de renda, a ideia que é apenas a elite branca sofrendo com o sistema que ela mesmo criou. Leiamos o que a auxiliar de escritório revelou em seu perfil no Facebook:

Nunca fui de expor a minha vida em redes sociais, principalmente no Facebook e quem me conhece sabe, mas após tanta polêmica, senti necessidade de dizer. Pra quem não sabe, evidentemente sou eu a "elite branca" que QUASE foi assaltada como mostra a foto que está rodando na internet. Sou auxiliar de escritório e moro em nilopolis, meu salário não passa de $1000,00, mas NÃO TENHO E NUNCA TEREI VERGONHA DISSO!!! Cresci aprendendo que roubar é pecado (sou evangélica) e crime. Independente da minha classe social eu não merecia ser roubada. Comprei meu celular, tenho nota fiscal E PAGUEI POR ELE!! Obrigatoriamente pago meus impostos (pois já vem descontado no meu contra cheque) então isso me da o direito de andar ONDE EU QUISER E COLOCAR MEU CELULAR, QUE EU PAGUEI, ONDE QUISER!!! Claro que por um descuido, acabei colocando no bolso de trás, facilitando o QUASE FURTO (com ajuda policial e graças a Deus recuperei meu celular). Li alguns comentários justificando o ato do ladrãozinho, por ele ser da "classe social menos favorecida". Peço à esses que concordam com isso, que leiam a matéria que o "menor" fez a um jornal. Lá conta que ele está solto e como ele mesmo disse "famoso" e que não sabe se voltará a roubar, mas que se ele "andar na linha", ganhará uma bicicleta e um celular novo da mamãe. O engraçado é que há sempre um brasileiro mal informado defendendo ele, por ser pobre, então se for seguir por esse raciocínio ME DEFENDA! Quero cursar medicina e não tenho dinheiro pra pagar, por esse motivo, se eu roubar pra pagar, tbm serei perdoada? Se alguém concordar com isso nem precisarei roubar, mas por favor, anote o número da minha conta e faça o depósito mensal do valor da facul, já que só roubando se é vitima do governo. Essa hipocrisia está me enojando!!! E pra finalizar, eu perdoei sim o ladrãozinho, (como havia explicado, pela graça de Deus eu e o Alan estamos com saúde e recuperei meu celular, penso que por isso, não criei sentimentos ruins por ele) mas isso não muda o fato de que ele DEVERIA/DEVE ser punido pelo governo e ser julgado como ADULTO, assim como eu, já que ele sabia que o que fez foi errado (quando foi capturado, me pediu desculpas e tudo, eu com raiva, só o xingava). Li comentários de pessoas que culpavam a mãe por não te-lo "criado bem" outros culpavam o estado por não educar e motivar os alunos, e li comentários que me culpavam por colocar o celular no bolso de trás, rs. EEI A CULPA É DELE PRÓPRIO!! Todo mundo conhece exemplo de situações que a mãe era justa e o filho ainda assim "andou pro mal caminho"; alunos de colégio público que são e foram sempre íntegros a vida inteira (meu pai é um exemplo vivo); e pera lá, dizer que o roubo foi justificado porque coloquei o celular no bolso de trás é o mesmo que dizer que uma mulher deve ser estuprada por usar short jeans ou uma camisa decotada. Enfim, não estou querendo 15 minutinhos de fama (até porque eu não fiquei em porta de emissora nenhuma pedindo pra rodar minha matéria. Pelo contrário, quando me ligaram pra me entrevistar, tiveram que insistir porque eu não aceitei de primeira. Na verdade nem tinha tomado conhecimento de toda essa repercussão, até ser notificada por uma amiga que havia me reconhecido pelo cabelo, correndo no vídeo mostrado no domingo) só quero deixar aqui um desabafo de toda minha revolta e indignação com as leis brasileiras que defendem um bandido o chamando criança que não pode responder pelos seus atos porque "não sabe o que faz". Terminando, só mais uma pergunta: Se ele não responde por seus atos, seus pais não respondem pelos atos dele e o governo tbm não, quem é que vai responder, eu?

E há ainda as declarações do próprio meliante que praticou o furto: o mesmo o fez "por prazer" e não por qualquer necessidade impingida pela sociedade. A mãe do menor garantiu que o mesmo "tem de tudo" e que teve a oportunidade até mesmo de estudar numa escola particular. 

Toda narrativa é ou completamente falsa ou recheada de elementos fictícios, portanto, argumentos lógicos e estruturados provavelmente não são o melhor remédio contra as mesmas. Ademais, diversos argumentos podem ser oferecidos não apenas contra as atuais narrativas, mas contra os próprios argumentos da esquerda, contudo, reforço que o que de melhor pode ser oferecido contra o pensamento da esquerda, o melhor e definitivo antídoto é a realidade mesma. Apenas para as mentalidades afetadas pelo histrionismo ideológico o sociologismo barato de esquerda seguirá vivo, para as demais pessoas, cujas faculdades mentais estão livres e em pleno funcionamento, as historietas da esquerda voltarão ao lixo das ideias.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Greve na Bahia? Rio de Janeiro pode ser o próximo da fila e DURANTE O CARNAVAL!

Por Terra,

RJ: sob ameaça de greve, bombeiros exigem reunião com Cabral

Após o governo do Rio de Janeiro anunciar a antecipação dos reajustes para bombeiros, agentes penitenciários e policiais civis e militares, a Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros afirmou nesta segunda-feira que as medidas não põem fim às reivindicações das categorias, que ameaçam uma greve geral no dia 10 de fevereiro. Segundo o presidente da associação, o 2º tenente da reserva Nilo Guerreiro, o governador Sérgio Cabral tenta jogar a população contra as categorias ao anunciar o cumprimento de acordos antigos como se fossem novas concessões.

"O governo apenas antecipou o que era devido. Nós queremos uma audiência com o governador, para que aí sim a gente possa apresentar uma pauta de reivindicação salarial, bem como (pedir) o respeito à melhor condição de trabalho na instituição", afirmou Guerreiro.

No domingo, policiais militares e bombeiros do Rio de Janeiro fizeram um protesto na avenida Atlântica, em frente ao hotel Copacabana Palace, para cobrar melhores salários e condições de trabalho do governo estadual. O movimento ganhou força nas redes sociais e muitos manifestantes utilizaram o Facebook para organizar o deslocamento de policiais de outras cidades do Estado. Servidores da guarda municipal também fizeram parte do protesto.

Com faixas e cartazes, eles cobraram do governador mais investimento na segurança pública. "Senhor governador, chega de esmolas. Queremos um salário justo", dizia uma das faixas carregada pelos policiais e bombeiros. O Rio de Janeiro tem o pior salário da categoria em todo o País. 

Em 2011, bombeiros foram presos após ocuparem o quartel-general da corporação. Eles chegaram a entrar em confronto com o Batalhão de Choque e com agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

"Nós fizemos um encontro ontem em Copacabana. Nesse encontro ficou definido que nós vamos aguardar um posicionamento do governo, que insiste em não receber as representatividades legais do movimento", disse Guerreiro. "Nós precisamos que o governo abra uma porta de diálogo com as representativades da Segurança Pública. Ontem ficou definido que, a principio, aguardaremos até o dia 9. Se não houver um posicionamento até lá, haverá um encontro na Cinelândia para definir uma paralização geral da Segurança Pública". De acordo com a categoria, a greve começaria já no dia seguinte.

"Nós queremos ser atendidos pelo governador em audiência. Essa situação não é boa para o governo, não é boa para a segurança, não é boa para o cidadão que paga seus impostos", disse o presidente da associação.

Reajustes

O governador Sérgio Cabral definiu, na última sexta-feira, as novas regras para o aumento da remuneração da das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros e de agentes penitenciários. Segundo o governo, os aumentos vão representar um reajuste total de 39,4% para o biênio 2012/2013. Na abertura da próxima legislatura, será enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei que antecipa os reajustes para as categorias.

Os aumentos serão concedidos de acordo com nova sistemática, segundo o governo. Já em fevereiro deste ano haverá aumento de 10,15%. Incluindo o reajuste já concedido em janeiro, o acumulado em 2012 será de 11,55%. Em janeiro de 2013, será concedido 0,915%; em fevereiro do mesmo ano, 10,15%. Já em outubro de 2013, as quatro categorias receberão mais 13,84% de aumento.

O reajuste total acumulado em 2013, incluindo as três parcelas, será de 26,54%. Os reajustes vão incidir sobre soldos e vencimentos, e também vão beneficiar aposentados e pensionistas. O impacto financeiro da nova sistemática, somente em 2012, é de R$ 200 milhões. As novas regras abrangem 73.106 servidores ativos, 32.163 servidores inativos e 14.404 pensionistas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Danilo Gentili sobre a queda dos prédios no Rio de Janeiro


"Para isso que acontece no Rio de Janeiro acontecer em outro país, o que tem de acontecer? O cara tem de se alistar na Al-Qaeda, estudar 5 anos de aviação, falsificar passaporte, enganar a Cia e o FBI e sequestrar um avião. No Brasil não, basta eleger um imbecil que ele dá um alvará de construção para qualquer estelionatário"

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

WTC flunimense-tupiniquim, nem precisa de avião, um sopro é suficiente. Rio de Janeiro, era melhor implodir tudo e começar de novo

A causa? Obras mal feitas, superfaturadas, excesso de jeitinho e assim a vida segue.

Três prédios desabam no Rio

Um prédio de 20 andares, que desabou por volta das 20h10m, na Avenida 13 de Maio, na Cinelândia, área central da capital fluminense, estava passando por reforma no quinto andar. As paredes divisórias tinham sido retiradas recentemente e no local foi aberto um grande salão.
De acordo com as equipes do Corpo de Bombeiros que trabalham no local, apenas o zelador de nome Marcelo, que foi retirado com vida dos escombros, disse que no momento do desabamento apenas ele estava no prédio. Antes, porém, foram ouvidos três estalos, quase simultâneos, e quem passava na hora conseguiu correr. O edifício ao lado, de número 46 da Avenida 13 de Maio, com cinco andares, também foi atingido e desabou parcialmente.

domingo, 13 de novembro de 2011

'Nem' em entrevista à Época: fazia cultos na sua casa ("não vou para o inferno"), tem ligação profunda com Deus, acha a política das UPPs boa, elogia Beltrame, vê com bons olhos a legalização da maconha, Lula é seu ídolo'

Por Ruth Aquino, à Época,

E aquela estória sempre contada na delegacia: a droga e a arma não são minhas, não fiz nada doutor/senhor, sou inocente, sou pai de família. Aham.

[Mais duas declarações dessa e Nem vira ministro da Dilma, herói nacional, fundador de ONG, palestrante renomado]

A entrevista:

Era sexta-feira 4 de novembro. Cheguei à Rua 2 às 18 horas. Ali fica, num beco, a casa comprada recentemente por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, por R$ 115 mil. Apenas dez minutos de carro separam minha casa no asfalto do coração da Rocinha. Por meio de contatos na favela com uma igreja que recupera drogados, traficantes e prostitutas, ficara acertado um encontro com Nem. Aos 35 anos, ele era o chefe do tráfico na favela havia seis anos. Era o dono do morro.

Queria entender o homem por trás do mito do “inimigo número um” da cidade. Nem é tratado de “presidente” por quem convive com ele. Temido e cortejado. Às terças-feiras, recebia a comunidade e analisava pedidos e disputas. Sexta era dia de pagamentos. Me disseram que ele dormia de dia e trabalhava à noite – e que é muito ligado à mãe, com quem sai de braços dados, para conversar e beber cerveja. Comprou várias casas nos últimos tempos e havia boatos fortes de que se entregaria em breve.

Logo que cheguei, soube que tinha passado por ele junto à mesa de pingue-pongue na rua. Todos sabiam que eu era uma pessoa “de fora”, do outro lado do muro invisível, no asfalto. Valas e uma montanha de lixo na esquina mostram o abandono de uma rua que já teve um posto policial, hoje fechado. Uma latinha vazia passa zunindo perto de meu rosto – tinha sido jogada por uma moça de short que passou de moto.

Aguardei por três horas, fui levada a diferentes lugares. Meus intermediários estavam nervosos porque “cabeças rolariam se tivesse um botãozinho na roupa para gravar ou uma câmera escondida”. Cheguei a perguntar: “Não está havendo uma inversão? Não deveria ser eu a estar nervosa e com medo?”. Às 21 horas, na garupa de um mototáxi, sem capacete, subi por vielas esburacadas e escuras, tirando fino dos ônibus e ouvindo o ruído da Rocinha, misto de funk, alto-falantes e televisores nos botequins. Cruzei com a loura Danúbia, atual mulher de Nem, pilo-tando uma moto laranja, com os cabelos longos na cintura. Fui até o alto, na Vila Verde, e tive a primeira surpresa.
LOGÍSTICA A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio. Entre os bairros ricos da Zona Sul e a Barra da Tijuca, é um ponto estratégico para o crime (Foto: Genilson Araújo/Parceiro/Ag. O Globo)LOGÍSTICA
A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio. Entre os bairros ricos da Zona Sul e a Barra da Tijuca, é um ponto estratégico para o crime (Foto: Genilson Araújo/Parceiro/Ag. O Globo)

Não encontrei. Nem numa sala malocada, cercado de homens armados. O cenário não podia ser mais inocente. Era público, bem iluminado e aberto: o novo campo de futebol da Rocinha, com grama sintética. Crianças e adultos jogavam. O céu estava estrelado e a vista mostrava as luzes dos barracos que abrigam 70 mil moradores. Nem se preparava para entrar em campo. Enfaixava com muitos esparadrapos o tornozelo direito. Mal me olhava nesse ritual. Conversava com um pastor sobre um rapaz viciado de 22 anos: “Pegou ele, pastor? Não pode desistir. A igreja não pode desistir nunca de recuperar alguém. Caraca, ele estava limpo, sem droga, tinha encontrado um emprego... me fala depois”, disse Nem. Colocou o meião, a tornozeleira por cima e levantou, me olhando de frente.

Foi a segunda surpresa. Alto, moreno e musculoso, muito diferente da imagem divulgada na mídia, de um rapaz franzino com topete descolorido e riso antipático, como o do Coringa. Nem é pai de sete filhos. “Dois me adotaram; me chamam de pai e me pedem bênção.” O último é um bebê com Danúbia, que montou um salão de beleza, segundo ele “com empréstimo no banco, e está pagando as prestações”. Nem é flamenguista doente. Mas vestia azul e branco, cores de seu time na favela. Camisa da Nike sem manga, boné, chuteiras.

– Em que posição você joga, Nem? – perguntei.

– De teimoso – disse, rindo –, meu tornozelo é bichado e ninguém me respeita mais em campo.

Foi uma conversa de 30 minutos, em pé. Educado, tranquilo, me chamou de senhora, não falou palavrão e não comentou acusações que pesam contra ele. Disse que não daria entrevista. “Para quê? Ninguém vai acreditar em mim, mas não sou o bandido mais perigoso do Rio.” Não quis gravador nem fotos. Meu silêncio foi mantido até sua prisão. A seguir, a reconstituição de um extrato de nossa conversa.
Acho que em menos de 20 anos a maconha vai ser liberada no Brasil. Já pensou quanto as empresas iam lucrar? "
Nem, líder do tráfico

UPP “O Rio precisava de um projeto assim. A sociedade tem razão em não suportar bandidos descendo armados do morro para assaltar no asfalto e depois voltar. Aqui na Rocinha não tem roubo de carro, ninguém rouba nada, às vezes uma moto ou outra. Não gosto de ver bandido com um monte de arma pendurada, fantasiado. A UPP é um projeto excelente, mas tem problemas. Imagina os policiais mal remunerados, mesmo os novos, controlando todos os becos de uma favela. Quantos não vão aceitar R$ 100 para ignorar a boca de fumo?”

Beltrame “Um dos caras mais inteligentes que já vi. Se tivesse mais caras assim, tudo seria melhor. Ele fala o que tem de ser dito. UPP não adianta se for só ocupação policial. Tem de botar ginásios de esporte, escolas, dar oportunidade. Como pode Cuba ter mais medalhas que a gente em Olimpíada? Se um filho de pobre fizesse prova do Enem com a mesma chance de um filho de rico, ele não ia para o tráfico. Ia para a faculdade.”

Religião “Não vou para o inferno. Leio a Bíblia sempre, pergunto a meus filhos todo dia se foram à escola, tento impedir garotos de entrar no crime, dou dinheiro para comida, aluguel, escola, para sumir daqui. Faço cultos na minha casa, chamo pastores. Mas não tenho ligação com nenhuma igreja. Minha ligação é com Deus. Aprendi a rezar criancinha, com meu pai. Mas só de uns sete anos para cá comecei a entender melhor os crentes. Acho que Deus tem algum plano para mim. Ele vai abrir alguma porta.”

Prisão “É muito ruim a vida do crime. Eu e um monte queremos largar. Bom é poder ir à praia, ao cinema, passear com a família sem medo de ser perseguido ou morto. Queria dormir em paz. Levar meu filho ao zoológico. Tenho medo de faltar a meus filhos. Porque o pai tem mais autoridade que a mãe. Diz que não, e é não. Na Colômbia, eles tiraram do crime milhares de guerrilheiros das Farc porque deram anistia e oportunidade para se integrarem à sociedade. Não peço anistia. Quero pagar minha dívida com a sociedade.”

Drogas “Não uso droga, só bebo com os amigos. Acho que em menos de 20 anos a maconha vai ser liberada no Brasil. Nos Estados Unidos, está quase. Já pensou quanto as empresas iam lucrar? Iam engolir o tráfico. Não negocio crack e proíbo trazer crack para a Rocinha. Porque isso destrói as pessoas, as famílias e a comunidade inteira. Conheço gente que usa cocaína há 30 anos e que funciona. Mas com o crack as pessoas assaltam e roubam tudo na frente.”

Recuperação “Mando para a casa de recuperação na Cidade de Deus garotas prostitutas, meninos viciados. Para não cair na vida nem ficar doente com aids, essa meninada precisa ter família e futuro. A UPP, para dar certo, precisa fazer a inclusão social dessas pessoas. É o que diz o Beltrame. E eu digo a todos os meus que estão no tráfico: a hora é agora. Quem quiser se recuperar vai para a igreja e se entrega para pagar o que deve e se salvar.”

Ídolo “Meu ídolo é o Lula. Adoro o Lula. Ele foi quem combateu o crime com mais sucesso. Por causa do PAC da Rocinha. Cinquenta dos meus homens saíram do tráfico para trabalhar nas obras. Sabe quantos voltaram para o crime? Nenhum. Porque viram que tinham trabalho e futuro na construção civil.”

Policiais “Pago muito por mês a policiais. Mas tenho mais policiais amigos do que policiais a quem eu pago. Eles sabem que eu digo: nada de atirar em policial que entra na favela. São todos pais de família, vêm para cá mandados, vão levar um tiro sem mais nem menos?”

Tráfico “Sei que dizem que entrei no tráfico por causa da minha filha. Ela tinha 10 meses e uma doença raríssima, precisava colocar cateter, um troço caro, e o Lulu (ex-chefe) me emprestou o dinheiro. Mas prefiro dizer que entrei no tráfico porque entrei. E não compensa.”

Nem estava ansioso para jogar futebol. Acabara de sair da academia onde faz musculação. Não me mandou embora, mas percebi que meu tempo tinha acabado. Desci a pé. Demorei a dormir.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Rio de Janeiro não foi pacificado?






Deputado Marcelo Freixo deixará o país por causa de ameaças da milícia

Parlamentar levará a família por uma questão de segurança

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) vai deixar o país na próxima terça-feira (1º) com a família por um curto período, por causa das ameaças que vem sofrendo da milícia no Rio de Janeiro. Ele vai a convite da Anistia Internacional. O destino está sob sigilo.

Durante uma entrevista a uma rádio carioca nesta segunda-feira (31), o deputado afirmou que recebeu sete ameaças de morte no último mês. Ele explicou que desde o assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto, a quantidade e seriedade das ameaças aumentou.

- As ameaças são frutos do meu trabalho, bastante voltado para a segurança pública. Não é um problema particular meu com a milícia, mas de todo o país. No Rio, ela já torturou uma equipe de reportagem e matou uma juíza. O que mais precisa acontecer?

Freixo passou a sofrer ameaças desde que presidiu em 2008 a CPI das Milícias na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), que indiciou policiais e políticos. Ainda segundo Freixo, desde 2008 mais de 500 prisões foram feitas relacionadas à milícia. No entanto, o poder dessa força paramilitar permanece com o controle da venda de gás e do transporte alternativo nas comunidades.

De acordo com o parlamentar, ele irá ficar fora do Brasil menos de um mês, tempo suficiente para melhorar a segurança de sua família.

O deputado é pré-candidato à Prefeitura do Rio para a eleição do ano que vem. Segundo ele, a viagem não está relacionada à campanha.

- Preciso ajustar a minha segurança. Eu nunca levei essas ameaças para o lado eleitoral e não podem ser misturadas com a campanha. As ameaças estão documentadas. Volto em pouco tempo, pois não abro mão da vida pública. A preservação da minha vida tem que ser na condição de parlamentar, senão a milícia vence.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio de Janeiro, de novo... Estado de Guerra Civil






Depois, quando digo às pessoas que o Brasil sediar uma Copa e uma Olímpiada não é algo normal. Só vai acontecer porque muitas coisas, entre elas muito dinheiro, estão em jogo. FIFA e COI estão "nam aí" para roubalheira e violência, as pessoas não acreditam.

A situação é de GUERRA CIVIL. Não só por causa do Rio de Janeiro não, pelo Brasil todo. Um país que mata 50.000 pessoas por ano, um país que, em 11 anos, matou mais gente que 27 anos de guerra civil em Angola, está em guerra civil HÁ ANOS!!!!

E o povo, convencido de que "tudo melhorou". O slogan da propagando do governo "Para o Brasil seguir mudando"...