Especialistas divergem sobre o tema: para alguns, medida avalia comprometimento ético do candidato, para outros, é uma afronta à liberdade de expressão
Cuidado com as ideias radicais ou piadas politicamente
incorretas na hora de escrever a redação do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem). De acordo com o guia de redação do exame, divulgado pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(Inpe), o texto pode levar zero se “desrespeitar aos direitos humanos”.
O critério, polêmico, divide os especialistas. Para alguns,
é um cuidado importante com a postura ética do candidato. Para outros, a
medida veta a livre exposição de ideias e a capacidade de argumentação
do estudante.
Francisco Platão Savioli, docente da USP e do Anglo, tem a mesma opinião. “O aluno vai zerar apenas se for muito agressivo. Estamos no ocidente, e existe, mesmo que não formalizado por escrito, um consenso conceitual sobre o que é valor e o que é negação de valor”, diz. “É obvio que defender a erradicação da pobreza com a matança é um absurdo, mas defender um controle da natalidade é aceitável”. Para isso, por exemplo, é importante que o candidato se atente à melhor forma de defender sua opinão: “ele pode usar a expressão ‘planejamento de expansão demográfica'”, completa Platão.
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Caros, me assusta menos a desconsideração de certas opiniões, o brasileiro tem mal de opinião: A Síria está ou pode entrar em guerra? "Concordo!" ou "discordo!" e mais o critério de um texto politicamente 'incorreto' como objeto de desclassificação. Quem vai definir qual o limite? Os experts do MEC?
Morticínios e propostas absurdas devem ser desconsideradas porque imorais não porque são "politicamente incorretas". A possibilidade disso entrar como critério me assusta.
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