"Ao diagnosticar corretamente a desordem exterior, Lima Barreto esqueceu-se de assumir a responsabilidade por sua desordem interior. Seus romances, contos e relatos memorialísticos mostram, com exatidão implacável, o que acontece não só com os negros e os mulatos, mas com todos nós que decidimos, por um motivo ou outro, continuar a viver no Brasil: este é um país que faz de tudo para destruir a vocação que você quis seguir na sua vida. E pouco importa se a cor da sua pele ou se o formato da sua cabeça determinará como usará sua inteligência; todos serão vítimas daquela impotência do Bem que vivenciamos em nosso cotidiano; para enfrentar tal lacuna, preferimos construir realidades alternativas e mundos paralelos que, por parecerem ter alguma beleza, fingem que oferecem uma vida verdadeira quando, só no fim, teremos a mesma consciência que [o seu personagem] Gonzaga de Sá teve: a de que tudo foi em vão."
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Trecho inédito da obra "A Poeira da Glória" de Martim Vasques da Cunha
Por André,
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