Por Olavo de Carvalho,
O que no Brasil se chama de “noticiário internacional”
consiste em repetir, ampliando-as e radicalizando-as, as mentiras mais
cínicas da mídia esquerdista norte-americana, com a certeza
tranqüilizante de não ter de enfrentar, como ela, a enérgica
reação conservadora de metade da população,
que só ouve rádio e não acredita numa só
palavra dos jornais e da TV. É, a vida da mídia chapa
branca, nos EUA, não é fácil como a da sua confrade
brasileira: aos domingos, o New York Times tira um milhão
de exemplares – a trigésima parte do número de ouvintes
de Rush Limbaugh, o radialista conservador que a família Sulzberger
adora odiar. No Brasil há um clone do New York Times,
que é a Folha, mas as estações de rádio,
concessões federais, estão bem defendidas contra a mera
possibilidade de ali surgir um Rush Limbaugh. Contra a farsa geral da
mídia, só nos resta resmungar em blogs ou, com
mais sorte, neste Diário do Comércio. O resto
é silêncio – ora indignado e impotente, ora temeroso
e servil.
Nos EUA, quanto mais perde público, mais o establishment
jornalístico apela a recursos de difamação histérica
que o próprio Dr. Joseph Goebbels consideraria, talvez, um tanto
grosseiros demais para persuadir um público adulto.
Um desses expedientes é cobrir de invectivas odiosas os personagens
que se pretende rotular de odientos. Não é preciso, para
sustentar o ataque, citar um só apelo de ódio que tenha
saído da boca da vítima. Não é preciso nem
mesmo torcer suas palavras, dando um sentido odiento ao que não
tem nenhum. Ao contrário: basta espumar de ódio contra
a criatura, e fica provado – espera-se – que odienta é
ela. Tudo é feito na expectativa insana de que o automatismo
mental do público o induza a sentir que pessoas que despertam
tanto ódio devem ter ainda mais ódio no coração
do que os jornalistas que as odeiam. Há sempre uma faixa de militantes
estudantis e ativistas ongueiros que, por infalível instinto
colaboracionista, finge acreditar na coisa, reforçando o ataque
com insultos escatológicos e ameaças de morte, de modo
que a violência crua despejada sobre o alvo inerme acabe por se
mesclar tão intimamente à sua imagem que pareça
provir dele.
Lançada pela “grande mídia” em tons de noticiário
posadamente neutro e superior, a tentativa artificialíssima de
inculpar a “direita odienta” e especialmente Sarah Palin
pelos feitos mortíferos de um fanático esquerdista em
Tucson, Arizona, foi imediatamente reforçada por estes e outros
apelos colocados em circulação no Youtube (v. http://www.newsmax.com/InsideCover/Palin-death-tweets-YouTube/2011/01/14/id/382872?s=al&promo_code=B79C-1):
· “Por que não atiraram em Sarah Palin (em vez
da deputada democrata)?”
· “Espero que Sarah Palin morra de uma morte horrível
e leve com ela o seu ódio estúpido.”
· “Alguém, por favor, pode atirar em Sarah Palin?”
· “Espero que Sarah Palin pegue câncer e morra nos
próximos dois anos.”
· “Sarah Palin deveria ser baleada por encorajar o fanatismo
contra os democratas.”
· “Junte-se a nós orando para que Sarah Palin contraia
câncer e morra.”
· “Sarah Palin é a mais perigosa ameaça
ao futuro da espécie humana. Alguém, por favor, atire
nela.”
Não sendo possível encontrar nas palavras de Sarah Palin
nem o mais mínimo sinal de ódio a quem quer que seja,
espera-se que a virulência dos ataques que sofre venha a servir
de prova contra ela. A premissa implícita aposta na estupidez
do público, e às vezes acerta: se a mulherzinha não
fosse mesmo uma peste, não seria tão odiada. Os que não
são tontos o bastante para deixar-se iludir por esse arremedo
de malícia demoníaca têm ainda um subterfúgio
mais “adulto” para não escapar de todo à contaminação:
no mínimo, no mínimo, quem desperta tanto ódio
é, mesmo sem culpa, uma força divisiva, alguém
que, para a felicidade geral da nação, deve ser mantido
longe da Casa Branca, talvez até da política em geral.
Como recomendava Talleyrand: “Caluniem, caluniem, alguma coisa
sempre acabará pegando.”
Em ambos os casos, tanto os acusadores quanto seu público de
idiotas úteis seguem fielmente o mecanismo da inversão
revolucionária: para você ter fama de odiento, não
precisa odiar ninguém; basta que o odeiem.
A imitação brasileira do processo mergulha ainda mais
fundo na infâmia, porque Sarah Palin é personagem distante,
alheia aos debates nacionais. Só mediante uma boa dose de fantasia
histriônica nossos compatriotas podem chegar a odiá-la
pessoalmente. Também é claro que nos EUA ninguém
lê a imprensa brasileira: a vida dos nossos jornalistas consiste
em fingir para si mesmos que são forças auxiliares da
esquerda americana, a qual nem sabe da existência deles. Ah, como
os argentinos acertaram ao apelidar nossos compatriotas de “los
macaquitos”!
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