“Só há uma maneira de encurtar e
facilitar as convulsões da velha sociedade e o doloroso nascimento sanguinário
de uma nova – o terror revolucionário” Karl Marx
“O marxismo é uma doutrina
revolucionária. Ele declara expressamente que seu projeto propulsor será
realizado por meio de uma guerra civil... o liquidar de todos os dissidentes
estabelecerá a supremacia indisputada dos valores eternos e absolutos. Esta
fórmula ser utilizada como solução de conflitos
envolvendo juízos de valor certamente não é nova. É um dispositivo
conhecido e praticado desde tempos imemoriais. Matem os infiéis! Queimem os
hereges! O que é novidade é, meramente, o fato de que hoje em dia, isso é
vendido ao público sob o rótulo de ‘ciência’”. Ludwig von Mises, ‘Theory and History’, p. 51
Por que Marx e Engels rejeitaram
a possibilidade de atingir o socialismo por métodos democráticos e reformistas?
Esta questão fora erigida em minha mente após concluir a leitura do Manifesto Comunista.
As palavras de Marx em um artigo de jornal de 1848: “há apenas uma maneira em que as agonias mortíferas da velha
sociedade e o nascimento sanguinário de uma nova sociedade pode ser encurtado,
simplificado e concentrado, esta maneira é o terror revolucionário”.
Um conjunto de razões a ser
considerado é a impaciência com a mudança política numa democracia ou numa
república. Para obter êxito nesses sistemas, os socialistas devem primeiro, se
organizar. Mas isso levará tempo, e eles perderão eleições. Finalmente, eles
vencerão algumas eleições, mas ainda serão minoria numa câmara legislativa, por
exemplo. Após um tempo, serão maioria na câmara legislativa (mas não terão
poder no judiciário ou executivo, por exemplo), mas suas propostas serão
vetadas pelo judiciário ou pelo presidente. Ao mesmo tempo, a educação e o
jornalismo estarão contra o socialismo ou se tornarão, vagarosamente,
reformistas. Mesmo que os socialistas trespassem os obstáculos citados, a
burguesia rica subornará alguém para permanecer no poder. Ou usarão a polícia e
o exército para suprimir ameaças. Quem terá paciência para suportar tudo isso?
Contudo, para o marxismo, há uma
razão filosófica forte para rejeitar
o reformismo democrático: o determinismo ambiental. Marx afirma que, exceto
como um potencial maleável, não há natureza humana – “a essência humana não
possui realidade”, escreveu o jovem Marx. Consequentemente, os humanos são
“plásticos” e moldados por suas circunstâncias. “Não é a consciência dos homens
que determina suas vidas”, Marx escreveu, “mas, ao contrário, seu ser social
que determina sua consciência”.
A palavra “social” é deveras
importante na citação: as circunstâncias determinantes são fundamentalmente
sociais. Marx vê os indivíduos como veículos de coletivos (“proletariado”,
“burguesia”, “camponeses” etc) e não como indivíduos autônomos: “A atividade e
a mente são sociais em seu conteúdo tanto quanto em sua origem: são atividade social e mente social”. E mais uma vez: o indivíduo “existe na realidade como
representação e mente real da existência social”.
Além disso, são suas circunstâncias
econômicas que constituem suas forças socioambientais fundamentais. Nas
palavras de Marx, por exemplo: “tal como os indivíduos expressam suas vidas,
assim eles são. O que são, portanto, coincide com sua produção, tanto o que
produzem quanto como produzem. A natureza dos indivíduos depende, dessa forma,
das condições materiais que determinam sua produção”.
O marxismo, portanto, está
atrelado ao determinismo econômico-coletivo. O sistema de crenças de qualquer
um é uma consequência necessária do sistema econômico do seu ser social. O que
pensamos ser verdadeiro, racional e bom é determinado pelas circunstâncias
econômicas em que estamos inseridos.
O que dizer do sistema
capitalista em particular? Marx afirma que o capitalismo divide as pessoas em
classes econômicas polarizadas, a burguesia e o proletariado. Os membros das
duas classes nascem e são criados em circunstâncias econômicas fundamentalmente
diferentes e opostas. “Na proporção em que o capital se acumula, os
trabalhadores aumentam e sua situação piora. O acúmulo de riqueza em um polo é,
ao mesmo tempo, acúmulo de miséria no polo oposto”. Este conjunto de
circunstâncias econômicas combinado com o determinismo ambiental significa que
a burguesia está condicionada a um conjunto de verdades sobre o que é racional
e bom, ao passo que o proletariado está condicionado a um conjunto de verdades
sobre o que é racional e bom oposto.
Dado seu condicionamento, não há
nenhuma maneira para que os indivíduos de diferentes classes se comuniquem
efetivamente um com o outro, que um entenda o outro e faça o outro mudar de
ideia. Cada lado fora moldado para aderir a um conjunto oposto de crenças.
Disso segue que, para o marxismo,
o processo democrático é uma impostura sem sentido. A democracia pressupõe a
eficácia da razão – que os indivíduos podem observar, pensar e julgar por si
próprios, que podem aprender a partir da experiência, que estão abertos à
argumentação e podem mudar de ideia. O marxismo, entretanto, postula um
princípio epistemológico: o conhecimento é condicionado,
não um julgamento racional.
A consequência final que se segue
disso, quando indivíduos condicionados de maneira diferente se encontram, é que
o conflito pode ser resolvido apenas por meio da força. Os socialistas não
podem argumentar com capitalistas, para que estes se tornem socialistas. Eles
não podem objetivamente apresentar razões ou apelar para a razão. Eles podem
apenas tomar conta pela via da violência e eliminar seus inimigos sociais. Como
afirmou Engels, em 1849:
“A próxima guerra mundial
resultará no desaparecimento da face da terra não apenas das classes
reacionárias e das dinastias, mas também de todas as pessoas reacionárias. E
isso, também, é um passo adiante” (The Magyar Struggle).
Tudo isso também contribui como
explicação para a tradição de violência após Marx e Engels: Lenin, Stalin, Mao,
Guzmán, Hobsbawn e outros que compõem esta longa lista. Os valores absolutos das
mortes (cerca de 110 milhões de pessoas) operadas graças à realização da
doutrina de Marx podem ser conferidas no post "Marxismo, a máquina assassina".



Nenhum comentário:
Postar um comentário
1. Seja polido;
2. Preze pela ortografia e gramática da sua língua-mãe.