Nas discussões filosóficas sobre probabilidades encontramos o famoso argumento da aposta holandesa (dutch book argument)
a favor da ideia de que os graus de crença que atribuímos a um conjunto
de proposições não devem violar os axiomas da probabilidade (ou axiomas
de Kolmogorov, como também são chamados). A estratégia básica é mostrar
que se violarmos esses axiomas, consequências ruins podem surgir. No
caso da aposta holandesa, se o apostador fizer um conjunto de apostas
(presumindo que há alguma conexão entre graus de crença e disposição
para apostar) que violem os axiomas da probabilidade, ele certamente
perderá dinheiro. Por exemplo, se eu apostar R$ 600 para ganhar R$ 1000
que amanhã vai chover, e também fizer a mesma aposta de que amanhã não
vai chover, terei gastado R$ 1200 para ganhar apenas R$ 1000. De
qualquer maneira perco R$ 200. Isso aconteceu porque atribuí 0,6 à
minha crença de que amanhã vai chover e também 0,6 à minha crença de
que não vai chover amanhã. Somados os graus de crença -- 1,2 -- vemos
que estou a violar um dos axiomas da probabilidade -- o de que a
probabilidade de p ou ¬p é igual a 1. Infelizmente não há muitos
recursos introdutórios que nos auxilie passo a passo nos detalhes de
como funciona uma aposta holandesa. Há um verbete na SEP, mas é um pouco técnico e não ajuda muito a quem está dando seus primeiros passos nesse tema. Achei, porém, um pequeno texto no blog de William M. Briggs que pode ser de grande ajuda (embora trate apenas da construção das apostas). Uma ótima introdução filosófica foi disponibilizada por Alan Hájek em sua página pessoal. O cap. 7 do Philosophical Devices, de David Papineau, também oferece uma pequena e clara introdução ao argumento.
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